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terça-feira, junho 7

«AINDA SOMOS UM POVO QUE QUER SER RESPEITADO»



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«Um, dois, três, fascistas pró xadrez» era o slogan jacobino da contra-manifestação que palmilhou as ruas de Ponta Delgada, no remoto dia de 17 de Junho de 1975, a favor da expurga dos supostos cérebros do 6 de Junho de 1975. Essa turba revolucionária, que marchava sob a batuta proletária dos «ideais de Abril», seguia animada pelo ímpeto de varrer do roteiro do PREC os «reaccionários» cuja amostra mais simbólica estava encarcerada na Terceira depois do «raid» nocturno de 9 de Junho de 1975. Hoje os ecos dessas vozes não estão nas ruas mas são ainda perscrutáveis noutros palanques do poder.

Volvidos 30 anos sobre o «verão quente», apesar da distância que o tempo concede, o erro revolucionário da prisão sem justa causa de 32 Açorianos, operada por militares na calada da noite de 9 de Junho de 1975, e executada por esbirros colaboracionistas com o Gonçalvismo, à laia de retaliação contra a manifestação de 6 de Junho de 1975, permanece até hoje como uma nódoa na bandeira da nossa Autonomia. A mesma bandeira que hoje nos une sob um protector Açor, e que, em 1979, mereceu a reserva do Partido Socialista no Plenário da Assembleia Legislativa Regional por fazer lembrar o Milhafre da bandeira da FLA! Hoje, todos o sabemos, a realidade é outra - é a vida, ou como diriam os clássicos: sic transit gloria mundi.

Seja como for a história da Autonomia dos Açores não poderá ser escrita deixando em branco as páginas do 6 de Junho de 1975 e das suas consequências. Antecede o 6 de Junho de 1975 a «questão do leite», que alimentou o desagrado da lavoura Micaelense, e foi o pretexto para a sublevação mas, o contexto era mais vasto e tinha no seu horizonte travar os desmandos sovietizantes que à data colocavam Portugal à beira de um precipício comunista, instigado pelo COPCON e pela restante tropa que se revia constantemente em ícones revolucionários, cujo paradigma oscilava entre Fidel Castro e Nicolae Ceausescu. Não admira pois que a execução das prisões dos supostos organizadores da revolta de 6 de Junho de 1975 tenha sido marcialmente encenada, permanecendo até hoje o mistério de saber se resultaram do livre arbítrio do General Altino Magalhães ou se este, enquanto Comandante Militar dos Açores, cumpriu ordens de Lisboa. Esta poeira do acessório não deve contudo desviar-nos da principal conclusão histórica de que o 6 de Junho de 1975 marcou o início da queda do Gonçalvismo, pelo que, a primeira derrota do projecto comunista para Portugal teve lugar em Ponta Delgada e não na Fonte Luminosa em Lisboa. Efectivamente, o 6 Junho de 1975 está, nos seus efeitos, para os Açores e para a Autonomia, como o 25 de Abril de 1974 está para Portugal e para a Democracia.

Na verdade, após as eleições de 25 de Abril de 1975, o PCP com a cumplicidade do MFA, preparava-se para usurpar o poder, argumentando, com a cassete do costume, que o resultado eleitoral era a materialização da «reacção contra-revolucionária»... isto apesar de 91 % dos Portugueses terem acorrido às urnas. Recusava também essa realidade o camarada Otelo Saraiva de Carvalho que, desde Julho de 1974, era o Comandante do COPCON e que ostensivamente ambicionava a cubanização de Portugal. Ora, este pesadelo sofreu o seu primeiro revés nos Açores com a revolta do 6 de Junho de 1975 que ficou assim geneticamente imbricada na futura consagração Constitucional da Autonomia. Esta veio a ocorrer menos de um ano depois do alevante Independentista, quando a Assembleia Constituinte, em 2 de Abril de 1976, aprovou e decretou a Constituição da República Portuguesa.

Apesar da bonomia fraterna do texto Constitucional, é crível que a Autonomia, além de se fundar nas ditas ancestrais aspirações das populações insulares, foi para o centralismo, e, seus sequazes continentais ou insulares, o contrafeito e forçado golpe de misericórdia nas aspirações de Independência vigentes nas vésperas da Constituinte. Assim se compreende e faz sentido que, decorrido menos de um ano sobre o 6 de Junho de 75, o poder Constituinte tenha reconhecido a Autonomia como uma medida política, de natureza integracionista, que inquinaria irremediavelmente qualquer intentona pró-Independência.

Embora omissos nas páginas da história oficial do poder há Açorianos, designadamente os do 6 de Junho de 1975, que mereciam, ainda que a título póstumo, ver o seu nome em letra de forma ao lado de outros como Aristides Moreira da Mota, Mont'Alverne de Sequeira e Caetano de Andrade de Albuquerque. Sob a legenda dessa gesta de homens, que fizeram dos Açores a sua pátria, poderia com justiça ler-se apenas um outro slogan (em contraponto à marcha de má memória do «um,dois,três, fascistas pró xadrez»), que em 6 de Junho de 1975 pulsava num dos cartazes da manifestação: «Somos um povo que quer ser respeitado».

João Nuno Almeida e Sousa; Edição de Hoje do Jornal dos Açores.

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(post-scriptum: ainda sobre o 6 de Junho de 1975 e embora divergente da perspectiva que aqui deixo recomenda-se a leitura do post do João Pacheco Melo, no lugar do costume; em termos Jornalísticos a melhor cobertura do 6 de Junho de 75, e dos seus actores, poderá ser encontrada no notável trabalho de Nuno Costa Santos para a revista Grande Reportagem... do qual facultarei cópia aos interessados (se aindo os houver!); finalmente, mas não menos relevante, seria tempo de coligir todas as brilhantes (à falta de melhor predicado!) entrevistas ao elenco de personagens que estiveram dos dois lados do 6 de Junho de 1975, e que o Nuno Costa Santos executou para o Açoriano Oriental)... prometo voltar a postar sobre o 6 de Junho de 1975 na data do seu cinquentenário!!!
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domingo, junho 6

« 6 de Junho de 75 » - Prólogo da Autonomia na jornada para a Democracia. -



Partilho a ideia de que o 6 Junho de 1975 está, nos seus efeitos, para os Açores e para a Autonomia, como o 25 de Abril de 1974 está para Portugal e para a Democracia.

Na verdade, foram as consequências, directas e indirectas, do movimento do 6 de Junho que determinaram a consagração Constitucional da Autonomia dos Açores. Se a História tivesse acolhido outro rumo, ignorando os acontecimentos de 6 de Junho 75, o destino dos Açores pós - 25 de Abril nada de novo tinha para oferecer aos Açorianos, porquanto, estes certamente subsistiriam das doseadas migalhas que, graciosamente, seriam distribuídas através das Juntas Gerais.

Em favor desta tese concorre desde logo o itinerário irreversível da História, cuja evocação acentua que a consagração Constitucional da Autonomia ocorreu decorrido menos de um ano sobre o 6 de Junho de 75, quando a Assembleia Constituinte, em 2 de Abril de 1976, aprovou e decretou a Constituição da República Portuguesa.

Esta, apesar de viver uma desvairada paixão marxista-leninista tutelada militarmente pelo Conselho da Revolução , - ( órgão político do Estado que, originária e funcionalmente, era manifestamente autocrático e antidemocrático, mas que, paradoxalmente, nos termos da Constituição era o « garante do regular funcionamento das instituições democráticas »,isto naturalmente, à luz « da fidelidade ao espirito da Revolução Portuguesa de 25 de Abril » ) - , reconhece que « o regime politico-administrativo próprio dos arquipélagos dos Açores e da Madeira fundamenta-se nos condicionalismos geográficos, económicos e sociais e nas históricas aspirações autonomistas das populações insulares ».

Apesar da bonomia fraterna do texto Constitucional, é crível que a Autonomia, além de se fundar nas ditas ancestrais aspirações das populações insulares foi para o centralismo, e seus sequazes continentais e insulares, o contrafeito e forçado golpe de misericórdia nas aspirações de Independência vigentes nas vésperas da Constituinte.

Assim, volvido menos de um ano sobre o 6 de Junho de 75, é de ponderar como razoável a circunstância de em 76 o poder Constituinte ter reconhecido a Autonomia como uma medida política, de natureza integracionista, que inquinaria irremediavelmente qualquer intentona pró-Independência.

Em suma, o 6 de Junho de 75 está na génese fundadora da Autonomia dos Açores. Estes, sem o contributo Popular daquele movimento, actualmente seriam apenas mais um distrito de Portugal. Assim, causa alguma perplexidade que novas e velhas autonomias não prestem a devida homenagem ao Povo de São Miguel que, participando no movimento do 6 de Junho 75, participou na fundação da Autonomia dos Açores e na construção da Democracia Portuguesa.

Importa rememorar que o 6 de Junho de 75 emerge como uma manifestação de protesto da lavoura Micaelense, sendo esta motivada pela grave crise que atravessava o sector agro-pecuário em particular, e, a economia Nacional em geral.

Ora, a conjugação dos desvarios sovietizantes com um comprometido militarismo, protagonizado na região por um General que actuou como «comissário político» do PREC, resultou na proibição, emitida pelo mesmo «caudilho», da manifestação anunciada para o dia 6 de Junho. Esta, apesar da tentativa militar de cerceamento de uma liberdade cívica e democrática, realizou-se, e, teve uma magnitude cujas repercussões determinariam o futuro dos Açores e de Portugal.

Na verdade, o que se seguiu à proibição de uma simples manifestação sectorial promovida pela lavoura Micaelense foi o que História assevera e que tantos tentam diminuir, ou seja , a eclosão de uma manifestação Popular que revolucionou as estruturas sociais Açorianas e a organização do poder político na região.

O que se seguiu, em 9 de Junho de 75, sem que até hoje, o Estado tenha assumido qualquer responsabilidade, foi o prepotente, arbitrário, e ilegal , raid nocturno de detenções efectuadas por militares, a mando do dito «Generalíssimo» mancomunado com o COPCON em Lisboa.

Nessa madrugada, militares fardados, com as armas engatilhadas e prontas a disparar, arrancaram das suas residências, aqueles que supostamente eram os organizadores da manifestação. A estes chegaram a cometer o rasteiro embuste de afirmar que seriam detidos para meras averiguações no quartel general, quando, o destino dos mesmos veio a ser o cárcere de Angra do Heroísmo e, para o efeito, já os aguardava um navio da marinha de guerra Portuguesa.

O que se seguiu, nesse inolvidável Verão de 75, foi a manifestação de protesto contra o 6 de Junho que, congregando um diminuto ajuntamento de situacionistas do período revolucionário em curso, rejubilou-se publicamente com as prisões efectuadas pelo concubinato entre poder político e militar.

Todavia, o Povo não foi indulgente para com os intolerantes que exultavam a prisão de quem apenas exercia uma liberdade de consciência sem arrimo no império da «vontade revolucionária». Daí que o dito ajuntamento não mereceu o beneplácito da adesão Popular.

O que se seguiu foi a execução de um encarceramento colectivo sem assistência Judiciária, ao arrepio dos Tribunais que não validaram as detenções, sem darem origem a qualquer Julgamento e a coberto de uma torpe e cobarde denúncia anónima que, apesar de ter um fácies, provavelmente, encapotou os restantes mentores que, em conciliábulo, obraram a ignominiosa lista.

O que se seguiu foi a inevitável generosidade Açoriana que manteve a solidariedade e a coragem nos dias em que duraram as prisões.

O que se seguiu e parece perpetuar-se, foram os silêncios institucionais e pessoais que calaram a história recente dos Açores e, que assim, ainda está por escrever, mas que é já tempo de a ir construindo.

As repercussões do 6 de Junho não se quedaram pelo impulso decisivo à fundação da Autonomia, porquanto, atingiram dimensão Nacional confluindo para a consolidação da Democracia em Portugal. Recorde-se que, apesar dos ímpetos separatistas, que muitos genuinamente perfilhavam na Manifestação de 6 de Junho, é, certo que outros participaram naquele movimento Popular com o desígnio de lutar contra o delírio comunizante que ameaçava a instauração da Democracia. Na verdade, em 1975, o «Gonçalvismo», aliado ao COPCON liderado por um folclórico Otelo Saraiva de Carvalho, ameaçadoramente estonteado com o «Castrismo», ambicionava para Portugal não uma Democracia Livre, mas sim uma «ditadura do proletariado» suavizada pelo epíteto de «democracia popular».

Assim, a estratégia do PCP e do MFA, tentando inverter o desaire eleitoral de 25 de Abril de 1975, - ( importa evocar o revés do PCP quando, nas eleições para a Constituinte, nas quais 91% dos Portugueses acorreram às urnas, obteve apenas 12% dos votos, tendo o PPD alcançado 26% dos votos, e o PS atingiu a vitória com 38% dos votos ; o revés foi igualmente do MFA na medida em que os resultados da vontade Popular desautorizavam a sua orientação politica ) - , foi a do assalto ao poder, arquitectando um progressivo domínio dos diversos sectores do Estado por « comissários políticos » empenhados no totalitarismo de feição comunista.

A execução da investida ao poder começou com a nomeação dos Governadores Civis, e, prosseguiu com o domínio das Comissões Administrativas das Câmara Municipais, chegando a alcançar a nomeação dos ditos « comissários políticos » para a administração das empresas nacionalizadas e, ainda, influenciando a gerência de algumas empresas privadas, acossadas pelos efeitos das «acções de dinamização cultural» que, nomeadamente, espargiam a «autogestão».

O êxito destas operações deveu-se à militância comunista e da extrema-esquerda, coadjuvada pelas tácticas militares disponibilizadas por elementos do MFA que, em conjugação de esforços, realizavam peregrinações revolucionárias pelo País, promovendo nomeações e incentivando saneamentos.

O «quarto poder» ao cair nas mãos do Estado, por via da nacionalização dos órgãos de comunicação social, sucumbiu ao domínio comunista. Este desfigurou a comunicação social transformando-a em agente de desinformação e de ostensiva propaganda , que, inevitavelmente, censurava os inscritos no índex do PCP/MFA.

Na rua e a coberto das referidas circunstâncias, iniciou-se a ameaça aos «capitalistas» e « fascistas» que, residualmente, eram todos aqueles «reaccionários» que não estavam com a revolução do camarada Vasco Gonçalves.

É neste clima de terror que emerge o 6 de Junho de 75 representando a primeira advertência de que os Açores, com a sua secular tradição Liberal, não seriam cúmplices de um projecto de Estado que pela coacção e contra a vontade expressa nas primeiras eleições livres e universais, imporia um regime comunista e militarista. É assim que , subsequentemente, ao 6 de Junho de 75, o País contempla a sublevação Nacional e Popular que, nos meses seguintes, desafiou o «Gonçalvismo» abrindo o caminho para a Democracia.

A História registou de forma indelével os factos do 6 de Junho de 75 e, na minha perspectiva, aqueles determinaram a fundação da Autonomia e da Democracia. Os factos vão permanecer e resistir, perpetuando amostras de um passado que não deve ser esquecido e do qual urge fazer a sua História ,antes que seja tarde de mais e apenas reste inventariar a sua Arqueologia.

( Nota de Edição : Agradeço a indulgência de quem aqui chegou. Este texto é longo mas é indispensável para manter a Memória e espero que contribua para reacender o debate sobre este tema de incontornável interesse histórico.

Confesso que não é inédito e que no essencial foi já publicado no Correio dos Açores de 6 de Junho de 2000. No essencial mantive o mesmo texto e as mesmas convicções, no acessório procedi a um realinhamento ortográfico.

Neste dia 6 de Junho de 2004 gostaria de evocar o trabalho de Nuno da Costa Santos que quase 25 anos depois do 6 de Junho de 1975 realizou um profundo e notável trabalho jornalístico reconstruindo factos e personalidades. Curiosamente o seu trabalho causou alguma «comichão» política à esquerda e à direita e, ainda, alguns polémicos mistérios e segredos que ficaram por desvendar. Não sei se o Nuno Costa Santos passa aqui por estas : Ilhas mas, se o faz e por acaso aqui encalhou, para ele um grato abraço e da minha parte uma modesta homenagem pelo ímpar trabalho jornalístico que desenvolveu sobre o 6 de Junho. )

quarta-feira, junho 6

Para memória futura





No dia 6 de Junho de 1975 milhares de pessoas encheram as ruas de Ponta Delgada. Sob o grito "Lisboa escuta, os Açores estão em luta" acabaram por reclamar a independência dos Açores. Hoje, temo que o 6 de Junho de 1975 seja esquecido. Não creio que algum dia se faça Justiça ao movimento separatista Açoriano e ao episódio da manifestação de protesto da lavoura Micaelense que acelerou o "processo autonómico". Não é sequer de esperar que se condene institucionalmente a deriva totalitária que, nos idos do verão quente do PREC, reintroduziu por cá o encarceramento por delito ideológico. Lastimo, na verdade, que o 6 de Junho de 1975, seja arredado para as sombras dos prosemas de ocasião em laudatórios hinos à "açorianidade", na companhia de Vitorino Nemésio, ou de outro qualquer ilustre paladino da utopia radical da Liberdade destas ilhas. Ora, num tempo em que se trocam "medalhas" de mérito insular, elevando a comendadores da "pátria" Açoriana "arqui-inimigos" de outrora, não era já tempo de institucionalmente a Autonomia prestar homenagem ao movimento do 6 de Junho de 1975?
Com efeito, o 6 de Junho de 1975 precede a consagração da Autonomia, que emerge pela primeira vez em Abril de 1976, quando a Assembleia Constituinte aprovou a versão originária da Constituição da República Socialista Portuguesa. Ora, essa "concessão" resultou de uma revolta com epicentro em São Miguel que cedo repudiou a degenerescência de movimentos como o MFA e o COPCON que, com a bênção de personagens como Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho, colocaram Portugal à beira do abismo de uma ditadura comunista. Esta pretendia clonar entre nós o que de pior existia na galeria do marxismo-leninismo. Nesse desvario revolucionário os Açores replicariam o modelo castrista e seriam uma espécie de "Cuba do Atlântico". Recorde-se que, à data, estas personagens, ressentidas com o desaire eleitoral de 25 de Abril de 1975, perspectivaram o resultado do escrutínio popular como "contra-revolucionário". É assim neste clima de terror, sob a ameaça real de uma ditadura militar de inspiração sovietizante, que inevitavelmente eclode o 6 de Junho de 1975. Hoje, à margem da orfandade do comunismo, é pacífico afirmar-se que tal movimento foi um dos muitos marcos da nossa história insular contra a tirania, em plena sintonia com a secular tradição liberal dos Açorianos. O 6 de Junho de 1975 pode justamente reclamar a sua quota-parte na empresa da Autonomia e da Democracia. Consequentemente, merecia mais do que uma esconsa placa toponímica na cidade de Ponta Delgada. Para memória futura merecia, pelo menos, que fosse feita a sua História e que o 6 de Junho de 1975 fosse objecto de estudo, quer do ensino básico, quer das insignes cátedras da nossa Universidade.
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in crónicas digitais do jornaldiario
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

domingo, junho 13

a desgraça do tempo

Há um problema de imediatismo na blogoesfera. A fúria rápida dos acontecimentos é antibloguística. Depois não se pode ter um blogue e ter problemas de inspiração, ou falta de pachorra, até quando não apetece escrever nada é preciso avisar escrevendo que não se vai escrever nada. Será que já alguém estuda, numa qualquer faculdade de psicologia americana, o writer's block dos bloguistas? Pergunto eu quando não tenho mais nada para pensar, ou escrever. Nos últimos dias muito tenho querido escrever, o 6 de Junho, o livro da marquesa, o livro do Pedro Mexia, a morte de Sousa Franco, a selecção nacional, as bandeiras, mas nada consigo. O trabalho, sim o trabalho, que é de vários tipos e tem várias formas, impede-me de ter tempo para o blogue e os assuntos vão passando, como os posts no fundo da página passam para o arquivo. Quantas pessoas lêem os arquivos dos blogues, quantos de nós nos interessamos mesmo pelo que ficou escrito, pelo que passou. Será que escrever sobre algo que se passou faz já dois ou dez ou quinze dias despertará algum interesse em quem cai aqui e lê, chegará esse alguém a ler? O livro que o Pedro Mexia agora publicou e que reúne posts de blogues extintos é uma forma interessante de arquivo, mas será lido? Nunca guardo no computador o que escrevo para o blogue, o meu único arquivo é o próprio blogger e se um dia esse deixar de existir também o meu eu bloguista desaparecerá, não digo que não seja interessante e meritório o que o Pedro Mexia escreve, não, eu próprio vou comprar o livro e vou lê-lo e arquivá-lo, mas a pergunta que deixo é - que importância tem a escrita do blogue para quem a lê, sei lá, dois dias ou vinte anos depois? Aquando da data quis aqui escrever sobre o aproveitamento oprtunistico da simbologia do 6 de Junho, como da do 10 de Junho, como da do 5 de Outubro, não o fiz na altura valerá apena agora faze-lo, terá o mesmo impacto? O post que o João Nuno aqui deixou quebrou todos os recordes de comentários, mas hoje quantos de nós regressamos ao assunto com ideias para deixar? A interpretação do João Nuno de que o 6 de Junho foi um momento crucial para a instauração da democracia no Portugal pós 25 de Abril é, a meu ver, totalmente abusiva e descabida, tal como muitos dos argumentos que depois foram sendo deixados nos comentários. O que está na génese da manifestação do 6 de Junho não é um movimento democrático mas uma minoria de senhores com interesses económicos uns, ou com anticomunismos primários outros, que ameaçaram o sistema então instituído apenas com a intenção de não perder privilégios, nunca com a intenção de instaurar o que quer que fosse muito menos uma democracia. A questão política era a última das questões no 6 de Junho. Tudo se resumia a tostões e privilégios. Como se veio a demonstrar com o futuro político dos senhores do 6 de Junho. Se querem louvar alguém pela democracia que hoje temos nos Açores louvem o Dr. João Bosco e não a trupe do 6 de Junho. Mas isto hoje já não interessa nada porque já veio o 10 do mesmo mês e já se louvou o Portugal unido e com autonomias. Camões, comunidades, língua e os Açores junto no bolo-rei, somos o brinde ou a fava? O Portugal que é um país como os outros, uma entidade geográfica, um passaporte. Que não se devia distinguir por datas simbólicas mas por atitudes, por gestos, diariamente, em tudo o que faz a vida dos seus cidadãos, em cada momento. Mas continuamos a viver de eventos, de euforias cíclicas como se andássemos permanentemente nos copos e ciclicamente de ressaca, deitados na cama com dor de cabeça e Guronsans, uns atrás dos outros. E por tudo isto e pela selecção nacional toca de agitar bandeiras republicanas que são ou não são o Portugal todo? E isso interessa? Claro que não! Interessa apoiar de forma sensata a selecção nacional como qualquer outro atleta que corra por Portugal, por nós todos portugueses, importa votar e participar civicamente em todas as eleições, porque isso sim é democracia, importa gritar as injustiças, e corrigir os excessos. Importa como tanto me apeteceu nestes dias, gritar a minha mágoa pela política cultural vergonhosa dos nosso políticos que privilegia a brejeirice, o rasco, o pueril, o imbecilismo, a desgraça e o mínimo denominador comum, é isso que importa mas talvez mesmo isso já não tenha interesse nenhum. Agora que Portugal perdeu, que o teatro acabou, que a tasca continua, que mais de 60% dos portugueses não quis dizer nada...

terça-feira, junho 7

6 de JUNHO 1975/2005



Quando vejo estas fotos (as da manifestação de 6 de Junho de 1975), as pessoas, os cartazes, os dedos indicadores esticados ao ar, não me passa pela cabeça outra coisa senão a enorme quantidade de «fascistas» e «grandes capitalistas» presentes, «treinando» para o 25 de Novembro que seis meses depois viria a acontecer em Portugal.

Como senão fosse da independência dos Açores do que se travava. Sinceramente!

Após vários anos de oportuno ostracismo, do tipo: «usar e deitar fora», foi já na era dC (C de César) que o 6 DE JUNHO teve «honras» de data institucional. A memória colectiva estava então tão eficazmente anestesiada, muito embora, quando a jeito, sempre alguém a espevitasse, que no debate que a RTP/A promoveu sobre o assunto a 6 Junho de 97, entre a «velha tese» de uma primária luta anti-comunista, ou outra já então a ganhar corpo, o ensaio geral para o 25 Novembro, foram do saudoso Albano Pimentel (em 6/6/75 do outro lado da barricada) os mais lúcidos e coerentes depoimentos!

Hoje, para dar sentido ao 6 de Junho, há que erguer a cabeça e olhar em frente. Não ter de pedir licença para ensinar ao Povo a que pertencemos a nossa própria História, nela incluindo todos os 6 de Junho que precederam o de 1975, entre outros, o de 1 Março de 1821, ou o de 2 de Março de 1895; Revoltarmo-nos contra a subjugação das leis que nos conotam com o fascismo por defendermos a nossa independência; Indignarmo-nos por nos impedirem de organizar em partidos aqui originários, único modo democrático de lutar, sem subtilezas, pelos nossos próprios interesses!

Como tributo ao 30º aniversário do 6 de Junho, aqui fica um trecho de uma polémica conferência de imprensa (Lisboa, Nov. /1986) do Dr. José de Almeida: «A independência não passa, assim, de conclusão lógica e natural desse processo histórico que tem vindo a desenvolver-se e a tomar corpo através dos séculos.»

Under Permisson of João Pacheco Melo/In Açoriano Oriental/Crónicas do Aquém

quinta-feira, junho 10

“Comendadores” e “Compadres”

Terá o nosso 6 de Junho passado à história ? Creio que não, apesar de muitos quererem remetê-lo à condição de nota de rodapé da história da Autonomia, e de outros tantos se esforçarem em reescrever a história da génese fundacional da mesma conformando-a ao regime político vigente. Essa manipulação política não tem qualquer escrúpulo e despudoradamente até conta com a involuntária cumplicidade de notáveis presos do 6 de Junho agora "reabilitados" com uma comenda entregue pelas mãos daqueles que, nos idos de 75, foram os seus algozes políticos. Os mesmos que rejubilaram com o cativeiro dos presos políticos do 6 de Junho, insultando-os em praça pública com o rótulo de "fascistas", subscrevendo nos mesmos slogans que o seu merecido destino era o "xadrez" ! Sic transit gloria mundi ! A verdade é que "o 6 de Junho foi uma afirmação de um Povo consubstanciada na revolta contra o estrangulamento económico e que desaguou num grito de liberdade colectivo. As consequências políticas estão à vista por mais jogos de rins que a esquerda hipócrita possa fazer, incluindo a entrada oportunista no comboio da Autonomia na mira de lamber prebendas a montante e exibir condecorações a jusante". Com flamejante e impenitente justiça escreveu, e bem, Jorge do Nascimento Cabral, no Correio dos Açores, denunciando a malina estratégia de irmanar nas comendas carcereiros e presos políticos. Ontem foi a vez de Pinto de Magalhães receber a Insígnia Autonómica de Reconhecimento. Hoje a medalha Autonómica de Mérito Cívico foi entregue a Melo Bento. Quem não se esquece da história não poderá deixar de registar a ironia paradoxal de que, para o futuro, ambos, - carcereiro e preso político - , ficarão irmanados na condição de "comendadores" ! Não me espanta que o Dr. Carlos Melo Bento, e outros insignes Açorianos, sejam agraciados com a Comenda de Mérito Cívico merecidamente entregue por Carlos César. Também não me causa assomo a deliberada omissão ao percurso como Açoriano Independentista de alguns dos agraciados. Com efeito, na memória descritiva e justificativa das comendas nem uma linha sequer foi escrita e lida sobre a acção militante e separatista dos novos comendadores em prol da Libertação dos Açores. Também o pusilânime facto de terem sido "presos políticos", apenas porque em consciência defendiam uma ideia para o futuro dos Açores divergente da deriva dos camaradas de Lisboa, foi cirurgicamente amputado da bula comendatícia. Não estranho estas deliberadas omissões pois é também assim que se reescreve a nossa História. Ontem os Independentistas lutavam pelos Açores contra o evangelho de Esquerda que até repudiou a Autonomia. Hoje, os missionários dessa liturgia pós 25 de Abril, e tão do PREC, são mais Autonomistas do que os pais fundadores da Autonomia ! Não me espantará que um dia se arroguem mais Independentistas do que aqueles que deram o corpo e a alma pelos Açores nos idos do Verão Quente de 75. A mim é que não me enganam nem me demovem da convicção de que o 6 de Junho de 1975 está para a Autonomia Açoriana como o 25 de Abril de 74 está para a Democracia Portuguesa. Aliás, este é um aforismo de efeméride que há muito venho defendendo. Em Democracia, especialmente depois de ultrapassados os traumas totalitaristas pós 25 de Abril, apesar de tudo não há inimigos políticos, mas também não nos iludamos: não somos todos "compadres".
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicasdigitais do jornaldiário.com
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*Saudações Açorianas neste dia de Portugal

sábado, junho 6

Os Açores primeiro

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"Hoje, para dar sentido ao 6 de Junho, há que erguer a cabeça e olhar em frente: É não ter de pedir licença para ensinar ao Povo a que pertencemos a nossa própria História, nela incluindo todos os 6 de Junho que precederam o de 1975, entre outros, o de 1 Março de 1821, ou o de 2 de Março de 1895;"
João Pacheco de Melo in "L.A.A.P.A.-Em prol da autêntica Livre Administração dos Açores pelos Açorianos".(crónicas no AO)
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O 6 de Junho de 1975 está para a Autonomia Açoriana como o 25 de Abril de 74 está para a Democracia Portuguesa. Esta relação de causalidade histórica tem sido traída e esquecida, por um lado, por todos aqueles que renunciam a sua própria identidade e, por outro lado, pelos outros tantos que no 6 de Junho de 75 estavam do outro lado e que com as voltas que a história dá ascenderam ao pelouro do Poder. João Pacheco de Melo tem sido, à sua maneira, um guardião dessa memória e de uma história que tarda em ser feita com toda a verdade. Neste 6 de Junho de 2009, o Açoriano Oriental, numa iniciativa inédita, publica uma colectânea do João Pacheco Melo enquanto cronista daquele que é o mais antigo jornal de Língua Portuguesa. Bem hajas Pacheco por, como tantos outros, colocares sempre os Açores primeiro antes do resto do Mundo.

terça-feira, junho 14

VOX POPULI

A semanada de excitações e reflexões, acondicionada entre aspas, para guardar e, de vez em quando, revisitar na persistência da memória.



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«A Autonomia é, ainda hoje, uma solução portuguesa nos Açores. Mas, com o tempo, o futuro vai dar-nos razão: A Autonomia vai ser ainda uma solução açoriana para os Açores.»
João Paz, segunda-feira, 6 de Junho, no Jornal dos Açores

«O espírito do «6 de Junho» está a finar-se... a tão celebrada Alma Açoriana definha-se.»
Jorge do Nascimento Cabral, quarta-feira, 8 de Junho, no Correio dos Açores

«Consigo perceber perfeitamente a Autonomia Regional, o seu percurso histórico e a sua evolução, sem a menor referência ao 6 de Junho de 75.»
Dionísio de Sousa, quinta-feira, 9 de Junho, no Da Autonomia

«Raul Brandão escreveu sobre os da ilha do Corvo: «eu não podia viver como estes homens, mas na hora da morte queria ser um destes homens». Li isto, porque estou, enfim, a ler de novo. O livro é sobre uma viagem aos Açores e à Madeira, feita em 1926, e chama-se «As Ilhas Encantadas». O Corvo «tão humilde, tão feio, tão só, que me mete medo. Um penedo e vento na solidão do Atlântico», «onde a paisagem não sorri nem as raparigas cantam». E, no entanto, «quando as raparigas embarcam para a América até das pedras se despedem, abraçando-as». Fosse assim a vida, fosse assim comigo, essas raparigas, na hora de partirem.»
José António Barreiros, quinta-feira, 9 de Junho, no Mundo em Gavetas

«Cunhal, um português que se tornou o símbolo sexual de várias beatas do salazarismo era uma versão de Salazar, vermelha, mas uma versão do autoritarismo da não tolerância.»
António João Correia, terça-feira, 14 de Junho, no Resistir

«Reacções: «grande patriota»! Desde quando os comunistas são patriotas? O comunismo não é uma corrente universalista que, precisamente, queria desfazer as nações e unir os homens numa grande irmandade?»
Henrique Raposo, terça-feira, 14 de Junho no Acidental

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segunda-feira, junho 14

6 de Junho e outras considerações

Take Final. Porque dois amigos merecem uma carta de resposta.

O TóZé tocou num ponto crucial, a história é de facto feita de pequeninas vontades individuais, a maior parte das vezes vontades mesquinhas, egoístas, rasteiras e comodistas. A História dos homens não é uma história de grandes ideais, ou de grandes causas, ou sequer de filosofias, muito menos de políticas. Na génese do 25 de Abril está o descontentamento dos militares com a guerra colonial, depois veio o ideário democrático. Na génese da instauração da Republica está a pobreza do país à data, depois veio a representatividade da população. Na génese dos descobrimentos está, literalmente, o facto dos barcos estarem na água, depois veio a conquista de um império. E sim, Portugal nasceu de uma pura zanga entre uma mãe e um filho, os mouros foram um pretexto. A história é sempre feita pelas acções dos homens e essas acções são consequência dos instintos, dos ímpetos e das paixões humanas. É pena, mas é um facto que há muito pouca razão na história. O 6 de Junho (e não vou mais discutir este assunto, de que é suposto saber muito pouco, acusei o toque, Sr. Fernando.) não foi uma luta pela propriedade individual legítima ou não, não foi um levantamento popular em prol dos ideais democráticos, liberais, socialistas ou outros. O 6 de Junho, repito, foi uma manifestação de prepotência da parte de uns quantos senhores assustados com uma crise económica junto com outros quantos senhores reaccionários assustados com o perigo de ver o país transformado numa república socialista. Nunca nos Açores esteve a propriedade individual posta em causa, nunca em actos, nunca em projectos. Faça-se justiça a Borges Coutinho. Quanto ao resto é a permanente ignorância e prepotência da direita que não gosta de ver o povo a mandar, nem que seja por votos. Os Açores, como o resto de Portugal, sempre foi uma sociedade conservadora e reaccionária, onde durante centenas de anos poucos mandaram e exploram muitos, esta realidade ainda não foi plenamente derrotada e ainda hoje assistimos a resquícios desta mentalidade, até em sítios insuspeitos e por parte de quem nunca pensaríamos. Mas o facto é que a repartição de riqueza é ainda uma miragem e a justiça social um anseio. A propriedade defende-se com trabalho, com apego, com verdade. A propriedade não é um bem pessoal, a propriedade é o património natural e construído de uma região, de um país, de um continente, de uma sociedade de uma civilização. A propriedade por que vale a pena lutar é o conjunto dos inúmeros aspectos que fazem dos Açores uma região bela e diferente como tantas outras por esse mundo fora, a única propriedade por que quero lutar é pelo futuro da humanidade, começando pela casa onde vivo, passando pela freguesia, pela cidade, pela região, pelo país, pela Europa, pelo mundo, pelo Universo. Propriedade? Pois, eu agora que estou descontente com a enorme crise por que passa o ananás de São Miguel vou enforcar uns quantos frutos no campo de São Francisco! São os próprios protagonistas a assumir este tipo de atitudes, não romantizemos, por favor, o raio do 6 de Junho só porque às tantas havia não sei quantos micaelenses nas ruas a gritar por não sei quantas reivindicações diferentes. A democracia portuguesa, esta que agora temos, que elegeu Carlos César, Jardim e Durão Barroso, é fruto, felizmente, da sagacidade de uns quantos homens bons e da sensatez da generalidade do povo português, o resto são fábulas e histórias.

P.S. Meu queridíssimo Nuno um abraço muito amigo e sou de facto um amante withmaniano da liberdade.

quinta-feira, junho 8

VOX POPULI

A semanada de excitações e reflexões, acondicionada entre aspas, para guardar e, de vez em quando, revisitar na persistência da memória



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A ESTREIA DO VETO PRESIDENCIAL

"A dignificação dos direitos políticos das mulheres constitui uma prioridade constitucional que deve ser atingida através de meios adequados, progressivos e proporcionados e não por mecanismos sancionatórios e proibicionistas que concedam às mulheres que assim acedam a cargos públicos um inadmissível estatuto de menoridade.".

Cavaco Silva, mensagem presidencial à Assembleia da República justificando o veto à Lei da Paridade, sexta-feira 2 de Junho.

OS CÃES "PARALAMENTARES"

"O Estado Português, por enquanto, pode continuar entretido com os cães porque no que à espécie humana diz respeito, falhou rotundamente, mas continuamos humanamente mansos.".

Helena Matos, a propósito da iniciativa do líder parlamentar do PSD em institucionalizar o dia 6 de Junho como o Dia do Cão, Sábado 3 de Junho no Público.

"Associar aos cães um dia sagrado para a esmagadora maioria dos Micaelenses em particular e para os Açorianos em geral, não só revela ignorância sobre uma manifestação popular, que abriu portas (custe a quem custar) à Autonomia democrática e constitucional, mas também ultrapassa em muito a "gaffe" política para cair na área da aberração. Aguardo, sinceramente, que a ameaça de insulto aos Açorianos não chegue a plenário e se fine na sala do grupo parlamentar, onde têm assento os Deputados Mota Amaral e Joaquim Ponte (na circunstância, devem ter ensinado aos restantes pares esta particular faceta da nossa história).".

Jorge do Nascimento Cabral,quarta-feira 7 de Junho no Correio dos Açores.

A EDUCAÇÃO A SAQUE

"Não se percebe qual o objectivo em encarar os professores como bandidos. Já agora, por que não começar a avaliar os juízes com a opinião da família dos réus? Ou os médicos com a opinião da família dos doentes, até dos que, por infelicidade, morrem nos hospitais.".

Sobe e Desce do Público dando nota negativa à proposta da Ministra da Educação que visa a avaliação dos professores pelos pais, Sábado, 3 de Junho, no Público.

"Com que justiça, com equidade, com que grelha vão os pais avaliar os professores. Não tem competência para isso, como a família de um réu não tem competência para classificar um juiz.".

Paulo Sucena, Secretário-geral da Fenprof, Domingo 4 de Junho no Público.

"Quem não vive na lua está farto de saber o que a escola precisa e não precisa. Não precisa de psicólogos nem de psiquiatras : precisa de um código disciplinar e de uma guarda que o execute. Não precisa de conselhos directivos, nem de lamechice pedagógica, precisa de um director (como defende o PSD) que ponha expeditivamente na rua quem perturbar a vida normal da escola, quer se trate de alunos, quer se trate de professores. Não precisa da ajuda, nem da "avaliação" dos pais; precisa que os pais paguem pelo menos parte da educação dos filhos (mesmo que em muitos casos esse pagamento seja um gesto simbólico). A escola que por aí existe, como a democracia a fez, não passa de uma garagem gratuita onde os pais por comodidade e tradição metem as crianças.".

Vasco Pulido Valente, sexta-feira, 2 de Junho, no Público.

"A ministra da educação, seguindo a cartilha que caracteriza este executivo, vai-se referindo ao tema como o tem feito com os demais que à sua pasta respeitam: a educação vai mal em Portugal e os responsáveis por tal catástrofe são os professores, por isso há que tudo fazer para os punir.(...)
Os "cientistas da educação", espécie de sociólogos pós-modernos que se incrustaram na área do poder, conseguiram vender a ideia falaciosa de que aprender não é algo que exija esforço e sacrifício e também que a autoridade (qualquer autoridade) é por natureza opressiva e por isso incompatível com um ensino "moderno". Foram assim afogando a escola numa complexa rede burocrática, desgastando a imagem do professor (esse ente "autoritário"; agora crismado de "privilegiado") e degradando o seu estatuto. O resultado está à vista."

Francisco Moreira das Neves, Domingo, 4 de Junho, no
Joeiro

"LER É MAÇADA"

"Ler é uma actividade e a nossa cultura é quase inteiramente passiva. A televisão, o DVD, a música popular ou a conversa de computador não exigem nada, deixam a pessoa num repouso imperturbado e bovino.".

Vasco Pulido Valente, Sábado, 3 de Junho, no Público.

"a leitura treina-se, é performativa, é como nadar ou andar de bicicleta.".

Isabel Alçada, Comissária do Plano Nacional de Leitura, sexta-feira 2 de Junho no Público.

QUOTE OF THE WEEK

"Life is so fucking hard even when it´s easy"

Margaret Chenowith personagem de Six Feet Under(sempre à segunda-feira na 2)...

sábado, junho 4

Esquiços para uma ideia de açores VII

A 19 de Dezembro de 1901 nasceu Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, na ilha Terceira, mais precisamente na Praia da Vitória. Nemésio faz os estudos de liceu entre Angra e Horta até 1919 data em que embarca para Lisboa a fim de cumprir o serviço militar. Em 1931 licencia-se pela Faculdade de Letras de Lisboa em Filologia Românica, após passar pelos cursos de Direito em Coimbra e Ciências Histórico-Geográficas em Lisboa. A primeira edição de Mau Tempo no Canal data de 1944. Professor, comunicador, homem de letras e maçom Nemésio é uma das grandes personalidades intelectuais da cultura de língua portuguesa e a sua influência como ensaísta, poeta e romancista coloca-o, muito justamente, como uma das figuras cimeiras do século XX português.

Para compreender Nemésio é necessário inseri-lo no seu tempo, esse extraordinário século XX que então se iniciava e em cujas tendências políticas e intelectuais Nemésio vai mergulhar. No ano do nascimento de Nemésio morre a rainha Victória, em Portugal é criado o Partido Regenerador-Liberal de João Franco e Eça de Queiroz publica A Cidade e as Serras. Em 1905 Albert Einstein apresenta a sua teoria da relatividade. A República é implantada em Portugal em 1910, após o regicídio em que a Maçonaria e a Carbonaria têm um papel fulcral. Em 1913 Marcel Duchamp exibe o quadro Nu Descendo as Escadas. Em 1914 inicia-se a I Guerra Mundial após o assassinato a 28 de Junho do Arquiduque Franz Ferdinand por um nacionalista sérvio. Em 1917 dá-se a Revolução Russa. A 28 de Junho de 1919, em Versalhes, precisamente no mesmo local onde em 1783 havia sido assinado o tratado que pôs fim à Revolução Americana, são assinados os tratados que põem fim à I Guerra Mundial. Em 1922 Gago Coutinho e Sacadura Cabral fazem a sua travessia aérea do oceano Atlântico e Benito Mussolini marcha sobre Roma e funda o seu governo fascista. Em 1923 William Butler Yeats ganha o prémio Nobel da literatura. A 28 de Maio de 1926 dá-se a Revolta Militar em Portugal que marca o início da Ditadura Militar, nesse ano Ernest Hemingway publica The Sun Also Rises. A 27 de Abril de 1928 toma posse como Ministro das Finanças o professor da Universidade de Coimbra António de Oliveira Salazar. Em 1932 o partido Nazi vence as eleições na Alemanha, Adolf Hitler é nomeado chanceler a 30 de Janeiro de 1933. Em 1934 Mao Zedong, também conhecido por Mao Tse-tung, lidera a Longa Marcha, 9.656 km, do exército vermelho entre as províncias de Jiangxi e Shaanxi. Às 20 horas e 30 minutos do dia 30 de Novembro de 1935 morre Fernando Pessoa. Em Junho de 1936 inicia-se a Guerra Civil de Espanha que opõe a Frente Popular e o Exercito Nacionalista do Generalíssimo Francisco Franco. A 3 de Setembro de 1939 rebenta a II Guerra Mundial. Em 23 de Junho de 1940 Salazar inaugura a Exposição do Mundo Português. Em 1941 Orson Welles escreve, produz, realiza e representa o papel principal em Citizen Kane. A 18 de Agosto de 1943 é assinado um acordo secreto com as forças aliadas para a utilização do aeroporto das Lajes. A 6 de Junho de 1944 os aliados desembarcam na Normandia. A 30 de Abril de 1945 Hitler suicida-se, nesse ano é construído o primeiro computador e os USA lançam duas bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki. Em 1946 Juan Péron é eleito pela primeira vez Presidente da Argentina, em Portugal dá-se a tentativa de revolta Militar que fica conhecida como Revolução da Mealhada e Natália Correia publica o romance Anoiteceu no Bairro. Em Junho de 1947 é apresentado o Plano Marshal. A 30 de Janeiro de 1948 Ghandi é assassinado por um fanático Hindu, nesse ano é publicado o relatório de Alfred Kinsey Sexual Behavior in the American Male e a peça A Streetcar Named Desire de Tennessee Williams ganha o prémio Pulitzer. Em 1949 realizam-se eleições presidenciais, o general Norton de Matos apresenta-se como candidato, Carmona, o candidato do regime, vence as eleições. Em 1950 as forças comunistas da Coreia do Norte invadem a Coreia do Sul, o presidente dos Estados Unidos da América, Henry Truman, ordena a construção da bomba de hidrogénio e Bertrand Russel ganha o prémio Nobel da literatura.

A história destes 50 anos é a matéria onde se vai imprimir Nemésio e é daqui que vai brotar a açorianidade.

terça-feira, maio 13

O Senhor Comendador

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A condecoração do Sr. General Altino de Magalhães, com a Insígnia Autonómica de Reconhecimento, enegrece e ofende a memória daqueles que não esquecem as bases fundacionais da nossa Autonomia. O Senhor Comendador, para aqueles poucos cuja memória não se vendeu ou hipotecou, foi nos Açores o ponta-de-lança de um comissariado político que queria ver Portugal conduzido por uma foice e por um martelo. Nos idos desses sinistros anos do PREC e do COPCON o General Altino de Magalhães foi, entre nós, o rosto e a mão dessa deriva totalitária que tomou de assalto o poder em Portugal. Por exemplo: o insigne Comendador foi o responsável pelas prisões ilegais, arbitrárias e revolucionárias, dos alegados organizadores da manifestação do 6 de Junho de 1975 que, como se sabe, despoletou o movimento independentista que abortou em autonomia negociada. Com ligações directas ao COPCON em Lisboa, e com a cumplicidade ignóbil de uns quantos “judas” vermelhos em Ponta Delgada, o Senhor General Altino de Magalhães ordenou, ao bom estilo do camarada Otelo Saraiva de Carvalho, a captura pela calada da noite das cúpulas Açorianas que alegadamente organizaram o 6 de Junho. Os esbirros do Senhor General Altino de Magalhães, pela madrugada de 9 de Junho de 1975, artilhados com armas e munições militares, sem mandado Judicial e sem qualquer acusação formal, invadiram, sob a ameaça de G-3, as casas dos “sediciosos” Açorianos. Estes foram atafulhados num camião e postos a ferros num barco faroleiro partindo para a prisão, por tempo indeterminado, em Angra do Heroísmo. Nunca se apurou se estariam em trânsito para outras praças para a execução da “justiça popular” tão em voga naquele verão quente. Mas, é hoje ponto assente, que o emérito Comendador foi responsável por estas prisões. Sempre alegou em sua defesa que as “detenções” serviram para impor a autoridade do Estado e evitar novas manifestações não autorizadas pelo politburo de Lisboa, do qual era aliás mero agente, mas tal circunstância não o absolve perante a história. É certo que o distinto General Altino Pinto de Magalhães, à data Comandante-Chefe das Forças Armadas nos Açores, não agiu sozinho, pois recebeu em mão a lista das pessoas que deviam ser presas por delito de opinião e de orientação ideológica. Muito se especulou até hoje sobre quem elaborou e entregou essa vil lista. Mas esse é um segredo que o Senhor Comendador nunca quis revelar. Consequentemente, a sua responsabilidade histórica é ainda maior e a imputabilidade pelas perseguições que moveu não pode ser partilhada. Felizmente que tudo isto, e muito mais, são sinais passados de um Portugal prepotente, anti-democrático e com total desrespeito pela liberdade de consciência e de expressão. O Portugal de certos Capitães de Abril com assolapadas paixonetas por personalidades medalhadas pela Internacional Comunista. Felizmente que tudo isto é hoje passado. Infelizmente, a voragem do tempo, e a memória de ocasião, têm branqueado esta gente. Não censuro a iniciativa daqueles que quiseram homenagear o Senhor General Altino de Magalhães pois, em bom rigor, foram coerentes com o seu passado e até com o apoio que lhe prestaram publicamente nas passeatas de sufrágio às prisões revolucionárias nas quais gritaram palavras de ordem contra os “fascistas”. Censuro, e enegrece-me a alma, que esta Comenda de Reconhecimento Autonómico seja atribuída com a cumplicidade do meu partido. O mesmo PSD/Açores que teve como militantes destacados alguns dos presos políticos cuja captura foi assinada pelo Comendador Altino de Magalhães. O voto favorável dos meus companheiros do PSD/Açores a esta distinção honorífica da nossa Autonomia envergonha-me perante a minha memória pessoal e perante o património do meu partido. Ter os deputados do PSD/Açores como provedores desta iniquidade perante a memória de quem serviu com honra e valor os Açores – ( e o PSD/Açores ) - é uma desdita que nem a diplomacia justifica. Se não queriam votar contra esta Comenda que ao menos tivessem a coragem de se absterem. Esse era um imperativo moral perante a memória dos companheiros do PSD/Açores que o agora imaculado Comendador Altino de Magalhães, no passado, atirara para o cárcere por delito de opinião. Afinal nos Açores não falta só oxigénio. Falta também memória.
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post-scriptum na sequência deste post aqui fica com o rigor possível o nome dos homens que foram raptados dos seus lares na noite de 9 de Junho de 1975. Há nomes que valem muito mais do que uma medalha !

Abel da Câmara Carreiro
Aguinaldo da Silva Almeida Carneiro
Álvaro Pereira Branco Moreira
António Brum de Sousa Dourado
António Clemente Pereira da Costa Santos
António José do Amaral
António Manuel Gomes de Menezes
António Nuno Alves da Câmara
Armando Guilherme Goyanes Machado
Bruno Tavares Carreiro
Carlos Eduardo da Silva Melo Bento
Eduardo José Pereira de Almeida Pavão
Fernando Manuel Mont´Alverne de Sequeira
Gualberto Borges Cabral
Gustavo Manuel Soares Palhinha Moura
João Gago da Câmara
João Luís Soares Reis Índio.
João Manuel Furtado Rodrigues
José Joaquim Vaz Monteiro Vasconcelos Franco
José Manuel Duarte Domingues.
José Nuno de Almeida e Sousa
Luís Manuel Duarte Domingues
Luís Maria Duarte Moreira
Luís Octávio dos Reis Índio
Luís dos Reis Índio
Luís Ricardo Vaz Monteiro Vasconcelos Franco
Manuel Oliveira da Ponte
Manuel da Ponte Tavares Brum
Valdemar de Lima Oliveira
Tomaz Faria Caetano
Victor do Carmo Cruz

José Manuel Rodrigues dos Santos.
José Silvério Bispo.
Luis Soares Guiod de Castro.
Paulo Tadeu Mendes Brum Pacheco

quinta-feira, maio 15

Memória

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O dia dos Açores, e da Autonomia sob o signo do D.E.S., foi este ano vivido com a paradoxal distinção de determinadas personalidades que sempre foram mais pelo centralismo do que pela nossa Autonomia. A condecoração do General Altino de Magalhães, com a Insígnia Autonómica de Reconhecimento, foi assim um exemplar erro de casting da Assembleia Legislativa que parece ter esquecido que a personalidade em causa foi um símbolo vivo do centralismo do Terreiro do Paço que, efectivamente, passava bem sem os incómodos das Autonomias Regionais. Acresce que, esta comenda, e outras similares, distinguem um Portugal que, não só não era pelas Autonomias, como também não era partidário da Democracia como hoje a conhecemos. O Sr. Comendador Altino de Magalhães, com a cumplicidade de outras personalidades do Conselho da Revolução, foi poder entre nós não pela via legítima do voto popular mas sim por indigitação do poder revolucionário instalado pelo PREC em Lisboa. Foi o equivalente revolucionário e militarizado do Vice-Rei dos tempos coloniais. Um verdadeiro títere de uma deriva totalitária pós 25 de Abril cujo modelo das ditas “democracias populares” não era aquele que os Açorianos queriam. Com a devida ironia o Sr. General Altino de Magalhães está para a Autonomia dos Açores como o Major Otelo Saraiva de Carvalho está para a Democracia em Portugal. Fazer uso do dia dos Açores para distinguir quem por aqui passou em tais circunstâncias não deixa de ser um acto “atípico” numa cerimónia que se destina a homenagear Açorianos de alma e coração, independentemente da circunstância do seu local de nascimento. Como bem nos recorda a quadra de Maria da Graça Câmara “Pra se ser Açoriano / É preciso aqui nascer / Ou então viver a vida / Pra saber aqui morrer.” Mas há quem não tenha aqui nascido, nem aqui viveu a sua vida a favor dos Açores, mas veio aqui receber a extrema investidura de reconhecimento Autonómico quando, se algo lhes era devido, seria por conta da República ! Este episódio deixa também exposto o esquecimento, porventura premeditado, que se quer fazer dos eventos do 6 de Junho de 1975. Que daqui se retire, pelo menos, a conclusão de que a História do 6 de Junho, e do elenco das personalidades envolvidas no Verão Quente Açoriano, está ainda hoje por fazer. Aproveite-se como prólogo dessa História as pesquisas jornalísticas já efectuadas - (designadamente com destaque das peças de Nuno Costa Santos para o Açoriano Oriental, e de Carmo Rodeia para o Diário de Notícias) - e aqueles que ainda por cá andam e são capazes de dar testemunho do passado. A memória é também um bem patrimonial, a preservar e a cuidar, sob pena de extinção.
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicasdigitais do jornaldiario.com

segunda-feira, junho 6

Chegou a hora / Açorianos

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Dou uma saca de candilhes a quem for capaz de identificar o autor desta panegírica Ode à Pátria Açoriana em dia de memória do 6 de Junho.Como é próprio da humanidade é caso para exclamar : "sic transit gloria mundi"
JNAS

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"CHEGOU A HORA"

BRUNO CARREIRO à minha esquerda
JOSÉ DE ALMEIDA à direita

À nossa frente muita gente. Estamos no campo sagrado de S. Joaquim, em Ponta Delgada.
O presente e o passado, ali, conjugam-se sem dificuldade.

O que eu digo por sobre as bandeiras é um grito d´alma. O que as flores pretendem dizer é a voz da natureza. O silêncio sepulcral é o sussurro da história.

À MINHA TERRA À MINHA PÁTRIA

. Estão neste Campo Sagrado as cinzas dos primeiros operários da obra que nos está agora confiada.

Onde está a honra dos que vacilam em segui-los?

Onde está a coragem dos que se envergonham de imitá-los?

Onde está a lealdade dos que se ufanam em atraiçoá-los?

Mães açoreanas que me escutais, que os vossos filhos possam dormir neste chão fatal com a glória de ter servido o POVO AÇOREANO!

Jovem açoreano põe o teu braço ao serviço da tua Pátria. Não o deixes vergar em tempo algum e em nenhuma parte.

Onde estiver um açoreano aí está a ditosa Pátria nossa amada, filha de Portugal, Mãe Pátria, que tantas vezes não nos quer compreender.

Portugal, acorda! Emancipaste os teus outros filhos desfizeste a tua casa. Agora liberta este que de ti herdou o orgulho de ser livre.

Não o faças teu escravo que nós somos sangue do teu sangue, carne da tua carne.

Não ouves o choro plangente que sai do nosso peito? Não acodes à súplica pacífica que ordeiramente te fazemos?

Porque haveríamos de sujar as nossas mãos com gestos parricidas e sacrílegos se nós te amamos afinal?

Que mais preferes: um escravo obediente ou um filho livre e amigo?

Liberta-nos Portugal!

Não mandes mais ninguém de tão longe para nos governar. Para que havemos de sofrer os arbítrios de ambiciosos ou as prepotências de oportunistas?

Que ganhas com isso Mãe-Pátria?

Para que queres que os teus algozes cobardemente e pela calada da noite nos prendam nas nossas próprias casas?

Pensarás talvez que tão grande afronta ficará impune? Que nos deixemos ficar enxovalhados e algemados sem nos revoltarmos?

Pensas que esquecemos que somos de estirpe da gente livre e que livres pretendemos viver?

. E aos que se acoitam no nosso território para dele fazerem poiso para voos guerreiros contra povos que não são nossos inimigos queremos dizer-lhes que basta.

Que ganhamos nós com isso? Quem nos compensa pelo grave risco que os seus interesses egoístas nos fazem correr?

E para quê corrê-los? Acaso alguma vez nos ajudaram? Houve algum gesto? Alguma voz sequer se levantou a interceder por nós, quando o governo de Lisboa inspirado de leste nos fazia sofrer por nos julgar comprometidos com esses falsos amigos?

Se na adversidade se conhecem aqueles que de facto estão por nós, agora sabemos pelo menos com quem não contamos.

E se assim é, limpem-nos a casa que a queremos só para nós. Vão-se embora aliados desses podemos muito bem passar sem eles.

Aliás nunca nos enganaram não julguem.

Os nossos emigrantes, esses sim, são nossos irmãos de carne e de ideal, Vivem connosco, na nostalgia do afastamento, o ritmo da Pátria que nesta hora Histórica eles ajudam a construir.

Nós não ignoraremos os sacrifícios sem conto que eles padeceram para buscar um conforto material e uma dignidade que em casa não tem sido possível conseguir.

Nós não olhamos para eles como quem vê fábricas de dinheiro para gastar. Se nos ajudarem, muito bem, mas se, atentas as considerações que sofreram e os vexames a que sistematicamente os votam, eu compreendo perfeitamente que suspendam essa ajuda até saberem quem é que estão ajudando e até que possam ter a certeza que em sua terra eles também têm voz activa. Tanto quanto os outros ou mais. Porque aquilo é o seu trabalho, o seu ganho e o seu sacrifício. Ninguém os poderá usurpar.

.Mas há aqueles também que não queremos deixar sem resposta que pretendem amarrar-nos a conceitos abstractos de integridades tardias.

Integro era o Império; grande era o Mundo Lusíada e esse sim, é imortal, por maiores heresias que sofra por parte de pseudo patriotas que, tendo falhado na espada contra o inimigo, querem cobardemente vingar-se nos filhos indefesos.

Parecem D. Sebastião que tivesse sobrevivido ao mais desgraçado Alcácer Quibir da história dos Lusitanos e quisesse esconder o amargo da derrota no castigo de inocentes.

Hipócritas! Como podeis agora pronunciar a palavra Pátria sem corar? De Vergonha!

Como podeis falar de integridade real se vos falta a integridade moral?

. Qual é o nosso futuro? Que vida nos espera?

Primeiro temos de conciliar a Família Açoreana; qualquer açoreano de qualquer credo, esteja ele onde estiver, é nosso irmão.

Os nossos adversários não descansam e por isso é natural que lancem campanhas para nos desunir.

Eles atiram o rico contra o pobre, o micaelense contra o terceirense, o trabalhador desta arte contra aquela outra. O residente contra o emigrante, o socialista contra o social-democrata, este contra o democrata cristão.

Eles infiltram-se entre nós, escutam as nossas conversas, usam-nas contra nós.

Publicam jornais e subsidiam jornalistas aqui na América e no Canadá para que escrevam contra figuras conhecidas dos nossos movimentos, para os enfraquecer.

Eles fazem ameaças veladas, eles prometem este mundo e o outro e tudo para nos manter divididos para que reinem e nos explorem descansadamente.

Eles mentem sobre as nossas possibilidades.


Depois de deixarem a nossa administração no caos em que ela se encontra, acusam-nos de nos não sabermos governar.

Mas isto não é terra de pretos incultos que se enganem com patranhas e ameaças.

Uma iniciativa que pague seu contributo certo ao Estado. Mas uma iniciativa livre como a Pátria que queremos consagrar.

. AÇOREANOS !

Os obreiros do início da emancipação açoreana contemplam-nos do seu mundo misterioso e que maior homenagem podem fazer-lhes do que mostrarmos a nós próprios que essa obra não se encontra parada? Que nós somos dignos de continuá-la e aperfeiçoá-la.

E que homens há que ainda agora tiram as devidas ilacções das premissas dos passado.

Por isso vos peço que olheis para um homem que hoje e aqui simboliza a nossa luta (O Dr. José de Almeida). Ele foi em nome do ideal levar a Mensagem aos nossos irmãos dispersos pelo Mundo. Ele empolgou-os e deu-lhes uma razão para viver e um sentido à existência.

Pelo ideal perdeu o emprego e arriscou a liberdade e os nossos adversários contra ele assestaram as suas armas.

Lembrando os mortos quero prestar homenagem aos vivos, E esse homem que tudo sacrificou para que as nossas vidas pudessem ter um significado e no nosso futuro possa brilhar a estrela da Esperança, nós diremos: o teu sacrifício não será em vão.

Ergueremos as nossas vozes e oporemos uma barreira invencível para alem da qual só existirá Fraternidade, Liberdade e amizade.

Não nos intimidarão as ameaças venham elas donde vierem.

Perante estes túmulos sagrados, face estas sentinelas eterna das nossa História, eu pergunto-vos AÇOREANOS:

- JURAIS DEFENDER ESTA TERRA ATÉ AO VOSSO ÚLTIMO ALENTO?

- JURAIS OU NÃO PELA ALMA DOS VOSSOS ANTEPASSADOS QUE DAREIS A VOSSA VIDA PELA LIBERTAÇÃO DESTA TERRA?

- JURAIS OU NÃO QUE O VOSSO ESPIRITO NÃO CONHECERÁ DESCANSO E O VOSSO CORPO NÃO CONHECERÁ CANSAÇO ENQUANTO NÃO FORMOS VERDADEIRAMENTE LIVRES?

AÇOREANOS!

Soou a hora derradeira para a nossa escravidão.

A libertação está próxima e já o seu suave encanto brilha em nossas almas.

Temos de expulsar o demónio da cobardia, para sempre, das nossas vidas.

Que nunca mais, para nunca ser, o nosso Povo torne a sofrer impunemente a ignomínia da grilheta do condenado.

Inconformemo-nos com a nossa sorte e condição. O tempo dos servos tem de acabar também para nós.

Substituíram o chicote pela lei iníqua e a escravatura pela exploração insidiosa.

Erguei-vos porém e de cabeça levantada, havemos de tornar-nos homens livres, para que seja santa a nossa solidão de eternos cavaleiros do mar; para que seja solene o nosso silêncio contemplativo; para que seja sagrado o nosso imparável espírito de aventura.

Na ordem e na liberdade construiremos um mundo novo num País novo.

Seis de Junho de 1976 "

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Está aberta a caixa de comments mas creio que a saca de candilhes vai para o "Garganta Funda".

quarta-feira, junho 16

EUROPA 0 - ESQUERDA 1



Factos são Factos : Totais Nacionais 44,5 % para o PS e 33,2 % para o PSD-CDS...tendo por referência um valor abaixo da metade dos eleitores inscritos !

Porém, seguindo a melhor doutrina é pacífico que «qualquer que seja o nível da abstenção, há vencedores e vencidos». Quem o disse, do alto da sua mediática cátedra, foi o Professor Marcelo Rebelo de Sousa e, num léxico mais prosaico, ainda disse que estes resultados foram uma monumental banhada para o Governo de Durão Barroso e, porventura, um voto de protesto contra a retoma que já devia ter vindo e não chega, o estrangulamento da função pública nalguns casos governada a toque de caixa por estrelas da banca requisitadas ao sector privado com vencimentos arabescos, o carrossel deprimente de determinados processos judiciais que minam a confiança no Estado de Direito e que demandam reformas urgentes que todos reclamam, uma intervenção reformadora para sanar os virulentos déficits do passado mas que esbarra no pragmatismo do «carpe diem» Lusitano ... tudo isso e mais ainda concorreu para o recrudescimento da esquerda nestas eleições.

Todavia, na ressaca da noite eleitoral a espumante esquerda Portuguesa estava impante e só a toxicidade inebriante do momento justifica o teor de algumas análises absolutamente estapafúrdias. Destaque para a mensagem, martelada «ad nauseam», de que esta clara vitória do PS e dos seus primos à esquerda significava que quem detinha a maioria na Assembleia da República vira amputada a sua base de legitimação popular. Quem o disse foi Ferro Rodrigues na noite eleitoral e literalmente nestes termos: «Hoje várias coisas ficaram claras: por exemplo que quem tem a maioria da Assembleia da República não tem a confiança da maioria do povo Português» !!! Maioria do povo Português ? Onde está expressa essa maioria nos cerca de 40 % de eleitores que foram às urnas ? É com menos de metade do eleitorado que se cimenta a legitimação popular da «maioria do povo Português» ? Obviamente que não e a esquerda Portuguesa bem o sabe ! Aliás, é esta mesma esquerda Portuguesa, do PS ao POUS, que sempre que pode pretende inquinar os resultados dos últimos referendos Nacionais alegando que estes padecem do vício da escassa participação eleitoral, abaixo do limiar aceitável de votantes, com a consequente falta de legitimação popular dos resultados eleitorais.

Mais à esquerda o BE, na Caixa Económica Operária, não se continha e Miguel Portas ordenava : «Abra-se champanhe se houver champanhe» ! Enfim, a tradição já não é o que era e até a esquerda lupanar e trotskista já se banha em luxos burgueses ! Esquecendo o folclorização a que o BE já nos habituou retive do essencial que o BE, numa «cidadania activa», não fecha as portas a uma possível coligação com o PS ( o que não seria de todo contra-natura ) e com veemência quis passar a mensagem panfletária de que a «moção de censura» emergente dos resultados eleitorais era também um castigo pela presença portuguesa na guerra do Iraque. Pura demagogia em prime-time para deleite dos canais nacionais. Efectivamente, esta análise dos resultados não se percebe porquanto, por um lado, a vitória da esquerda agora a caminho do Parlamento Europeu não importa o regresso das forças militares Portuguesas e, por outro lado, não se compagina com o facto de aqueles que sempre se opuseram à intervenção «imperialista» terem, apesar dessa bandeira, sofrido uma hecatombe eleitoral. Entre eles destacam-se Schroeder e Chirac. Até o prazenteiro Zapatero enfrentou uma recuperação revanchista do Partido Popular ! Daqui só se pode concluir que meter o Iraque no boletim de voto Europeu é uma obscena desonestidade intelectual.

Mas factos são factos e penso que todos aceitamos que a máxima « One man , One vote » repõe a verdade de que por um voto se ganha e por um voto se perde...e desta feita o PSD pode ter a certeza de que perdeu muitos votos, designadamente, no centro-esquerda e no centro direita. Todavia, esta derrota não significa que a direita está desvalida e à beira da ruína.

Além da visão caseira importa aceitar que a maior derrota destas Eleições foi a da Europa ! Factos são Factos e as eleições Europeias, em bom rigor para o Parlamento Europeu, foram varridas por uma onda abstencionista que teve o seu surpreendente pico nos novos membros do Clube Europeu. Paradoxalmente quanto mais poderes tem o Parlamento Europeu menos os cidadãos da Europa votam.

A fechar uma nota para o miserabilismo da cobertura televisiva, com destaque para a TVI que colocou num palanque um diletante Miguel Sousa Tavares entremeado pelos ataques de escárnio de uma Constança Cunha e Sá , super-tia do audiovisual, desta feita acometida de uma jocosidade de hiena para a qual não havia pachorra...dei por mim agarrado a RTP-A com comentadores bem mais interessantes !

Finalmente, mas não menos relevante, permanecerá na memória de muitos a lição de empenho democrático, de respeito pelos outros e de entrega à vida protagonizada por Matilde Sousa Franco que, apesar do luto, mostrou que nem a morte desculpa o abstencionismo.

( post-scriptum : não ando distraído e prometo voltar à carga com o 6 de Junho ... eu não queria , mas factos são factos e alguns importa esclarecer )

domingo, fevereiro 13

Victor Cruz.

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Honrar os antepassados. Garantir a eternidade nos filhos cujo futuro se deixa orientado. Dar o seu melhor à Terra que é a nossa Pátria. Essa é a suprema missão de um Homem.

Quem não gostaria de ter as páginas da sua biografia marcadas com essas conquistas ? Victor Cruz, prestando homenagem à etimologia do seu nome, alcançou essas victórias na maratona da vida onde tantos perecem pelo caminho. Mais do que a trilogia banalizada de fazer um filho, escrever um livro, e plantar uma árvore, - (não necessariamente por essa ordem) -, o patamar que Homens como Victor Cruz transcendem é um exemplo cuja glória qualquer um de nós gostaria de replicar.

Victor Cruz personificou e deu voz a um vibrante sentimento popular de Açorianidade, que nunca escondeu um exacerbado patriotismo pela nação Açoriana, onde quer que ela estivesse. Depois do Verão quente de 75, e do ímpeto independentista aguçado pelo 6 de Junho, Victor Cruz manteve a chama do orgulho regionalista Açoriano muito depois de outros a terem trocado, na feira da ladra mais próxima, pela conveniência do colaboracionismo com os verdugos de outrora, por sinal, à data, filiados no mais visceral centralismo.

Essa flamejante alma Açoriana perpassa pelas páginas do recente apontamento biográfico de Victor Cruz editado pela "Publiçor". É uma viagem emocional a um passado dourado com a nostalgia em que o compromisso com a Pátria não tinha meio-termo: "Açores, ama-os ou deixa-os". Era assim, sem transigir, que se defendia a bandeira Açoriana. É também uma memória de uma vivência que já se perdeu nas cidades modernas. Sem a parafernália da aldeia global, em que paradoxalmente vivemos cada vez mais isolados, naqueles tempos, o convívio era uma forma de vida. Era assim, por exemplo, nas tertúlias que "nos Açores em geral, são um dos hábitos mais arreigados, de muitos intelectuais que se juntam em cafés, à hora do pequeno-almoço para porem em dia os enredos políticos, trocarem impressões sobre o que dizem os jornais, os livros que se publicaram",...enfim, o Mundo.

Esse mesmo Mundo para onde partiram tantos Açorianos e que tanto apoio tiveram em Victor Cruz, como emérito profissional do Consulado dos Estados Unidos que, com a sua bonomia e dinamismo, foi seguramente um farol de esperança em dias tão negros. Esse mesmo Mundo que Victor Cruz trouxe aos Açores com os dias da rádio, na banda sonora do Solar da Graça, no Carnaval igualitário do Coliseu, e até no pioneiro e irrepetível show de variedades "Açorianíssimo".

Tudo isto sempre ao serviço dos Açores e do seu Povo como atesta ainda hoje o legado que deixou com o Centro do Emigrante Açoriano, ou na afirmação das Grandes Festas do Senhor Espírito Santo em Ponta Delgada, "como uma marca distintiva e unificadora de todos nós", para remoque de muitos, especialmente após a recuperação desse "Império do Divino Espírito Santo" pela mão da Dr.ª Berta Cabral com a aceitação popular que se conhece.

A biografia de um Açoriano desta estirpe não se arruma em 82 páginas, tantas quantos os anos bem vividos de Victor Cruz mas, ainda assim, é um justo e fraterno reconhecimento de um amigo. Foi o que fez o Dr. Carlos Melo Bento, cuja própria biografia seria um subsídio para a memória de um tempo que ainda vivemos.

João Nuno Almeida e Sousa na edição de hoje do Açoriano Oriental.

segunda-feira, junho 9

Sobre governos e autarquias

Nas últimas semanas dois acontecimentos ao nível autárquico abalaram o clima político açoriano, já de si acicatado pelo pressentir das eleições. Em Angra do Heroísmo, José Pedro Cardoso pede a demissão alegando cansaço. Mais recentemente em Ponta Delgada, Berta Cabral, num discurso inaugural, acusa os "outros poderes" de não gostarem da sua cidade. À primeira vista estes dois acontecimentos podiam parecer totalmente desconexos, mas para quem gosta de perder tempo nesta coisa da análise política, há nestes gestos inúmeros laços de afinidade. Apesar de José Pedro Cardoso não o querer afirmar taxativamente a verdade é que desde o início do seu mandato à frente dos destinos da segunda maior, mas mais bela, das cidades açorianas, substituindo Sérgio Ávila, que transitou para a vice-presidência do Governo açoriano, que o autarca se viu a braços com inúmeros problemas financeiros. A maior ou menor dificuldade no cumprimento de um mandato governativo prende-se não só com as opções políticas, mas e principalmente com o orçamento disponível. Olhando para a demissão do autarca fica obviamente a impressão de que o que motivou a sua exaustão foi a permanente crise financeira e a falta de apoios para a resolver. Já na maior e infelizmente mais incaracterística cidade açoriana, Ponta Delgada, o problema parece ser o excesso de dinheiro e a falta de coordenação política na sua gestão. A ameaça velada de Berta Cabral na inauguração de mais um mastodonte de betão tem claramente a ver com os dinheiros que o Governo vai, ou não, investindo na cidade. Porém o mais grave disto tudo, desta demissão e deste discurso, é que ambos demonstram o quanto os políticos e governantes actualmente no activo nos Açores se perderam nas suas próprias guerras político-partidárias e se afastaram dos cidadãos. Numa região pequena e pobre como é a nossa, mas com tantos potenciais naturais e humanos, seria imperioso que os diversos níveis de governação agissem permanentemente em estreita colaboração, de forma a aproveitar os activos e diminuir os possíveis prejuízos. Infelizmente a realidade revela o oposto. Durante anos e ainda hoje os governos regionais e camarários digladiam-se em pequenas guerras de protagonismo, esbanjando investimentos, procurando benefícios pessoais ou partidários e hipotecando o futuro inteiro de um Povo e de uma região. É tempo do Povo Açoriano, independentemente da sua ideologia ou cor partidária, independentemente do lado do 6 de Junho em que nos colocamos, é tempo de assacarmos responsabilidades a quem nos governa, exigindo dos nossos eleitos que coloquem sempre o interesse dos Açores acima dos interesses da próxima eleição. A persistir esta mentalidade do quem faz mais betão ou quem dá menos dinheiro o único futuro dos Açores será o da total e irreparável descaracterização e a culpa aí não será dos políticos, mas de todo o Povo Açoriano que sucessivamente os elegeu.

publicado em Notícias - RTP Açores

segunda-feira, maio 30

3ª Mostra de Curtas Metragens

6 a 12 de Junho 2005

A MUU-Produções Culturais, realiza nos próximos dias 6 a 12 de Junho a 3ª Mostra de Curtas Metragens que terá lugar no auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada com sessões às 21h30 dos dias 6 a 12 e várias sessões nas tardes dos dias 11 e 12.

O programa desta 3ª edição é composto por uma selecção de filmes de curta metragem provenientes de agências e associações de cinema independente que privilegiam a exibição em circuitos alternativos e nos maiores festivais internacionais do género.

Serão exibidos programas do EMAF - European Media Art Festival(Alemanha), Antimater - Underground Film Festival (Canadá), Independent Exposure - Microcinema International (Estados Unidos) e uma colecção de trabalhos audiovisuais de alunos da Universidade Lusófona.

Para informação detalhada da programação e sinopses dos filmes consultar a página da MUU.

Todas as sessões são de entrada livre.

sexta-feira, junho 6

6 de Junho de 2008

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O dia 6 de Junho merece a memória e o reconhecimento do "Povo Açoriano" mesmo que a República queira negar a sua existência. A evocação de tal data é afinal sempre necessária quando nos equívocos da história os poderes instituídos distinguem personalidades que nunca se reviram no "Povo Açoriano". Fez bem o PDA em homenagear nesta data quem sempre serviu o "Povo Açoriano" e a causa dos Açores. Escolheu para tal a homenagem ao Dr. Silva Fraga e ao Eng. Costa Matos. A sessão de homenagem tem lugar hoje pelas 19 horas no Hotel VIP em Ponta Delgada e presumo que a entrada seja livre...mesmo para os vira-casacas do costume.

segunda-feira, junho 14

Se calhar tem razão...

Com que então o Pedro acha que "o que está na génese da manifestação do 6 de Junho não é um movimento democrático mas uma minoria de senhores com interesses económicos uns, ou com anticomunismos primários outros, que ameaçaram o sistema então instituído apenas com a intenção de não perder privilégios, nunca com a intenção de instaurar o que quer que fosse muito menos uma democracia."

Provavelmente o Pedro, também, acha que o que está na génese do 25 de Abril não é mais do que a acção de uma minoria de militares cobardes, fartos e cheios de medo da guerra?

Provavelmente o Pedro acha que o que está na génese da implementação da república é a acção de um tal de Herédia (suposto fornecedor das armas que assassinaram el-rei D. Carlos) que estava ofendido por nenhuma descendente sua casar com um pretendente ao trono de Portugal (o que veio a acontecer).

Provavelmente o Pedro acha que o que está na génese de o Vasco da Gama e o Pedro Alvares Cabral se lançarem nos descobrimentos foi o facto de os barcos estarem na água.

Se calhar o Pedro acha que o que está na génese de Portugal foi o facto de D. Teresa (mãe de D. Afonso Henriques) ser uma gande ****.

Se calhar tem razão...