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quinta-feira, novembro 6

Give Change a Chance

Que outro país, da Europa, de África ou da Ásia será capaz de eleger presidente um membro de uma minoria étnica?
O comentário accurate de António Barreto hoje no Público.

quarta-feira, novembro 5

Peace!

Tonight is your answer!



"As Americans, we can take enormous pride in the fact that courage has been inspired by our own struggle for freedom, by the tradition of democratic law secured by our forefathers and enshrined in our Constitution. It is a tradition that says all men are created equal under the law and that no one is above it."


História em tempo real. A América foi capaz. Obama é o fim do autismo imperialista. Obama é princípio de algo novo, na América e no mundo.

Nenhum outro país do dito mundo ocidental teria eleito um Presidente negro, com pouquíssima experiência política. Melhor dito, em nenhum outro país do Ocidente um negro com pouquíssima experiência política teria sequer tentado concorrer à Presidência.

A vitória foi, ainda por cima, categórica, estendeu-se a estados tradicionalmente republicanos, abrangeu quase todos os estratos sociais, étnicos e etários. "Joe, the Plumber" já não manda na América. A América que elegeu Obama é feita de várias minorias que, juntas, ultrapassaram o tradicional voto caucasiano, conservador e pouco informado. Obama conseguiu mais de 90% dos votos da comunidade afro-americana, 68% do voto hispânico, mais de 60% do voto jovem, mais de 50% dos novos votantes e mais de 50% do voto independente. A vitória foi nacional e transversal. Não há volta a dar. Agora não há.

As pessoas estão por todo o lado. Em Times Square, em frente à Casa Branca, em Grant Park, Chicago, nas ruas de Lansing, Michigan. Hoje foi a noite de Lincoln, a noite de Martin Luther King, a noite de Kennedy, a noite de Rosa Parks, a noite de Oprah Winfrey, a noite de Madelyn Payne Dunham, a noite de todos quantos preferiram continuar a acreditar.
A noite de hoje foi a resposta!

terça-feira, novembro 4

Vitórias

Uma já está. Espero que a noite, apesar de longa, seja obamamente gloriosa.

O Nosso Homem na América - Get Out The Vote!

Michigan State University Campus

Every vote counts



E os primeiros são favoráveis.

O Nosso Homem na América - Véspera



A eleição de amanhã é, para além de tudo o mais, a escolha final entre duas narrativas políticas sobre a personalidade dos candidatos e sobre a ideia que cada um deles tem sobre o futuro da América.
Do lado de Obama, é sobre uma nova forma de encarar e de fazer política, é sobre o sonho de poder começar de novo e sobre o sonho de ultrapassar todo o tipo de barreiras em nome de uma ideia, de um projecto de sociedade, é sobre o risco e sobre ideais, é sobre o mundo.
Do lado de McCain, é sobre experiência, sobre coragem e coerência, é sobre persistência e gratidão, é sobre a América e sobre o indivíduo, é sobre tradição e receio.
Para quem assiste sem poder participar, a América que amanhã vai às urnas está disposta a arriscar e a mudar. É verdadeiramente impressionante e parece imparável o movimento cívico que Obama criou, motivou e tornou operacional. Nunca nenhum outro candidato tinha recolhido tanto dinheiro em donativos individuais, nunca nenhum outro candidato tinha tido assistências tão substanciais em comícios, nunca nenhum outro candidato tinha tido uma legião tão grande de voluntários e uma máquina de campanha tão alargada.
Em contraste, McCain sofre bastante para motivar as bases, ao mesmo tempo que tem muitas dificuldades em convencer o centro. O partido não está com ele (mesmo depois de Sarah Palin), ainda que nos Estados Unidos o partido não seja muito importante enquanto estrutura de campanha. Acha-o demasiado centrista e demasiado mole. Os independentes, mesmo aqueles que têm dúvidas em votar em Obama, percebem-no como uma continuação de Bush Jr (que ele não é), como uma má solução de recurso.
Num cenário eleitoral tão descentralizado e tão variado como é o dos EUA, nada é absolutamente certo até ser oficial, mas não parece haver margem para grandes surpresas.
Numa sondagem hoje publicada pelo USA Today, a maioria dos inquiridos considera que estará melhor daqui a quatro anos se votar Obama, no capítulo financeiro (48%), no que toca a impostos (48%), na Saúde (58%), e mesmo no que diz respeito à Segurança, onde Obama e McCain surgem empatados a 37%.
Eu acredito que Obama ganhará amanhã e que isso fará toda a diferença para os EUA e para o Mundo. Que fique registado.

segunda-feira, novembro 3

O Nosso Homem na América - Michigan


Da humidade tropical da Florida para o frio seco do Michigan, de um battleground state, onde tudo está por decidir, para um tradicional swing state mas que desta vez está decidido, em favor de Obama. Antes da partida, a feliz coincidência de nos depararmos com um comício improvisado de Hilary Clinton junto a um restaurante porto-riquenho a norte de Miami.
O circo eleitoral não pára e o ritmo do ciclo noticioso que o acompanha torna absolutamente impossível analisar com selectividade e profundidade o que quer seja relacionado com as eleições de terça-feira. As principais estações noticiosas - CNN, Fox News e MSNBC - funcionam em espiral desde as 6 da madrugada, voltando uma e outra vez aos mesmos assuntos com um novo apresentador e um novo comentador. As sondagens são actualizadas duas vezes por dia. Os canais generalistas adaptam toda a sua programação ao ambiente eleitoral. Cada uma das campanhas emite um novo anúncio televisivo de dois em dias, isto sem falar dos grupos e associações não oficiais que também pagam e fazem emitir anúncios de campanha.
Ao ponto de que se chegou, já ninguém parece estar em condições de arriscar qualquer prognóstico porque simplesmente já ninguém consegue ter o necessário afastamento para emitir um juízo minimamente fundamentado. Obama continua à frente nas sondagens e McCain continua a registar um pequeno aumento diário, mas ninguém pode garantir que aquilo que se percepciona tem alguma relação com a realidade, porque já ninguém está habilitado a definir a realidade eleitoral presente.
Eu, pessoalmente, acho que Obama ganhará o voto popular por pouco, mas que a sua vantagem no voto do colégio eleitoral será muito mais pronunciada. Pelo menos, é o que eu acho que acho porque, para ser preciso, já não faço a mínima ideia.

sexta-feira, outubro 31

O Nosso Homem na América - Flórida


A história em relação à Flórida, este ano, é relativamente simples e bastante diferente do melodrama de 2000: Obama não precisa de ganhar na Flórida para ser Presidente, mas McCain nunca será Presidente se não ganhar na Flórida. As sondagens dizem, neste momento, que a diferença é de 3%, o que, atendendo à margem de erro, é o mesmo que um empate técnico.
Por isso, tanto McCain como Obama têm obrigatoriamente de incluir a Florida no mapa das 72 últimas horas de campanha. Ontem, Bill Clinton juntou-se pela primeira vez à campanha democrata em Kissimi, amanhã, e com enorme simbolismo, Al Gore estará, também pela primeira vez num comício de Obama, na Flórida.
Para ganhar o estado, os comentadores dizem que há dois temas fundamentais aos quais é essencial atender: reformas e a inserção das comunidades latinas.
A Flórida é simultaneamente o estado americano cuja população mais tem aumentado nos últimos anos, em termos relativos, e aquele onde a população mais tem envelhecido. Isto porque se tornou no estado de residência de muitos dos reformados da Costa Leste, especializando a sua economia e as suas infra-estruturas no apoio à terceira idade.
Por outro lado, a Flórida é quase bilingue, registando uma significativa comunidade de origem cubana, em particular, e latina em geral, em relação à qual é necessário ter uma particular atenção. E, enquanto a comunidade cubana é tradicionalmente conservadora e republicana, os imigrantes latinos mais recentes tendem a votar no Partido Democrata.
Como tal, é entre estas duas significativas faixas da população que o resultado da Flórida se irá definir, decidindo o destino de 37 votos no colégio eleitoral (a Flórida é o quarto estado com mais votos, depois da Califórnia, do Texas e de Nova Iorque) e, possivelmente, o destino da Casa Branca para os próximos quatro anos.
Na noite eleitoral, a Florida é dos primeiros estados a fechar as urnas. Possivelmente, quanto isso acontecer, estará encontrado o novo Presidente dos EUA.

quinta-feira, outubro 30

O Nosso Homem na América - Milagre Eleitoral


Na próxima terça-feira, não haverá uma eleição nacional para Presidente dos Estados Unidos. Serão sim 51 actos eleitorais relativamente simultâneos que, para além do mais, nem serão apenas presidenciais e que não serão iguais em todos os 50 estados americanos e no distrito federal de Columbia. Parecendo que não, isso pode vir a fazer muita diferença.
O processo eleitoral é gerido e regulado a nível estadual e mesmo local. Se é verdade que no dia 4 teremos eleições presidenciais por todo o território, não é menos verdade que as regras para essas mesmas eleições - do tipo de boletim de voto à escolha dos locais de voto, do sistema de recenseamento às regras de contagem - são completamente diferentes (e até contraditórias) de estado para estado e mesmo de condado para condado dentro do mesmo estado, além de que são, na sua generalidade, pensadas para facilitar a participação eleitoral muitas vezes em detrimento da própria integridade da votação.
Por exemplo, há 7 estados que permitem o recenseamento no acto da votação, há estados que permitem que se vote muito antes do dia das eleições (early voting), há estados que contam boletins de voto que não estão preenchidos na totalidade, há estados que não requerem nenhum documento de identificação para validar o voto, e todo um vasto rol de outras regras que nos parecem incompreensíveis do ponto de vista da validade do processo eleitoral, mas que na América são consideradas prerrogativas estaduais.
Daí que, por exemplo, este ano, o estado do Oregon não preveja a necessidade de disponibilizar qualquer mesa de voto, já que quem desejar votar o fará pelo correio. Daí que, em 2000, o estado do Alaska tenha 19% de votantes a mais em relação à população recenseada.
Por outro lado, ao mesmo tempo que escolhem o seu próximo Presidente, os americanos estarão a escolher todos os seus representantes federais, um terço dos membros do Senado, governadores, senadores e representantes estaduais, governos municipais, delegados escolares, presidentes de câmara e xerifes, num universo de 551.000 postos elegíveis em toda a América. Nalguns casos, terão também de responder sim ou não a uma série de perguntas de âmbito municipal ou estadual, como acontecerá, por exemplo, na Califórnia, com a hipótese de abolição dos casamentos homossexuais, ou em Massachusetts, com a possibilidade de o estado deixar de receber impostos sobre o rendimento.
Preencher um boletim de voto, óptico, electrónico ou tradicional, continua, pois, a ser uma enorme confusão e um enorme risco (sim, ainda há quem use os famosos punch cards que decidiram a eleição de 2000, na Florida), o que não pode deixar de constituir uma enorme surpresa tratando-se da maior democracia do mundo.
E ainda há mais um problema que deriva do próprio balanceamento do sistema político. Para evitar que os estados maiores se impusessem aos mais pequenos, os pais do sistema americano resolveram criar um sistema de escolha indirecta do Presidente. Assim sendo, os eleitores norte-americanos não votam em Obama ou em McCain, mas sim em membros de um Colégio Eleitoral, em que cada estado está representado pela soma dos seus delegados (senadores e representantes) no Congresso Federal. No total, o Colégio Eleitoral é composto por 538 membros (pelo que a maioria é atingida aos 270) e só reúne para escolher o Presidente a meados de Dezembro, sendo a sua declaração final tornada oficial em Janeiro.
Daqui resultam dois potenciais problemas: um, que já aconteceu algumas vezes na história dos EUA (sendo a mais recente em 2000), resulta do facto de ser possível que o Presidente dos Estados Unidos não seja o candidato que recebeu um maior número de votos do povo americano; o outro, tem a ver com a possibilidade de um ou mais membros desse colégio eleitoral mudarem o sentido de voto que lhes foi confiado pelos eleitores do respectivo estado (o que também já aconteceu, ainda que sem efeitos práticos).
Quanto a eleição não é muito renhida, o sistema é tão bom como qualquer outro, desde que as partes o aceitem. Mas quando, como em 2000, se verifica um grande equilíbrio, os americanos tendem a lembrar-se de que deviam mudar o sistema, uniformizar procedimentos e tornar as regras mais rigorosas. Sim, porque o actual sistema é um verdadeiro milagre eleitoral.

sexta-feira, outubro 24

O Nosso Homem na América - Na Bagagem


Comprei-o no Aeroporto de San Francisco, há cerca de três meses, por mero impulso, mas convencido de que estaria a embarcar em mais uma aquisição para a secção de pendentes eternos da minha modesta biblioteca.
O título, "The Political Brain", bem como o subtítulo, "The role of emotion in deciding the fate of the nation", eram sugestivos, mas o autor, Drew Westen, não me dizia absolutamente nada (ouço alguém dizer, e com razão, "se lesses o The Huffington Post com mais atenção!") e as habituais recomendações da contra-capa, embora incluissem nomes tão distintos como os de Bill Clinton e de Howard Dean, pareceram-me tratar-se de fretes editoriais de encomenda.
Enganei-me a 200%. Tive na estante um livro fundamental para quem gosta de política, de estratégia partidária e de campanhas eleitorais, e quase que o tomava por um qualquer exercício presunçoso de aridez académica. Já se revelou de grande utilidade e faz parte - juntamente com 17 maços de SG Gigante - da bagagem essencial da minha aventura eleitoral nos States.
O autor, Westen, é afinal doutorado em Psicologia e Psiquiatria, com especialização em Psicologia Política, e habitual comentador do programa de actualidade política de Dan Rather, "Dan Rather Reports", além de ser colaborador residente do fundamental blog democrata "The Huffington Post".
Drew Westen argumenta que os sucessos do Partido Republicano nos últimos 40 anos se devem sobretudo ao facto de considerar primordialmente a mensagem política como emocional, ao passo que os Democratas permanecem agarrados a um discurso demasiado racional, demasiado explicativo e argumentativo, e completamente afastado dos mecanismos de formação do sentido de voto.
Para o autor, o cérebro político não é, ao contrário do que pensavam os positivistas, desapaixonado e racional, formando a sua decisão com base na ponderação equilibrada dos dados e dos números. É antes um cérebro emocional, que decide com base em histórias, narrativas e percepções. Como tal, o sentido de voto é sobretudo resultado de um processo de identificação e de associação, e não o produto aritmético de uma determinada soma de factos, números e estatísticas.
Daí o exemplo de Bill Clinton como a excepção que confirma a regra. Os Republicanos dominaram a política americana nos últimos 40 anos porque estabeleceram laços emocionais muito fortes com o eleitorado, porque deram aos americanos uma ideia muito clara da América que queriam, do projecto de futuro que tinham para o país. Por oposição, os Democratas gastaram quatro décadas a estudar o sistema de Saúde e o Estado Social e esqueceram-se que era imprescindível dizer aos americanos, de forma clara e apaixonada, o que os diferenciava do inimigo. Quando o conseguiram fazer - com Clinton principalmente - ganharam; sempre que o evitaram, perderam
Eu diria que é também por isso que se arriscam a ganhar no próximo dia 4 de Novembro. Obama é a política-emoção por excelência. Como dotado orador que é, transforma qualquer discurso em imagens apelativas e coerentes de esperança, de mudança e de futuro, e isso, para a mente política é tudo o que há de mais poderoso na hora de decidir. Até a raça deixou de ser importante, porque as associações e a percepção colectiva sobre a figura e a mensagem de Obama se tornaram mais fortes do que os dados físicos. A duas semanas das eleições, ele deixou de ser o primeiro afro-americano a concorrer à Presidência dos Estados Unidos. Ele é o rosto da mudança, a cara da esperança (ao passo que McCain é a reencarnação de Bush). Tão só.

O Nosso Homem na América*


There are many men of principle in both parties in America, but there is no party of principle.
Alexis de Tocqueville

A partir do próximo Sábado, o :ILHAS torna-se num dos poucos e selectos blogues portugueses (não sei se haverá mais algum) que contarão com um homem a tempo inteiro nos Estados Unidos, para cobrir as Eleições mais aguardadas do século. Washington D.C., Miami e Boston serão as escalas até 11 de Novembro, para que seja possível abarcar o antes, o exacto momento e o depois. Nada de falar de cor. A coisa agora é lá mesmo. Por dentro do sistema, mas sempre tão parcial quanto possível, porque Obama rules!
See you from DC!

*O título destas crónicas é uma homenagem sentida ao grande Dexter Gordon e a "Our man in Paris".

segunda-feira, outubro 6

Prodígios de uma criança de 8 anos

Mundo: Sarah Palin acusa Barack Obama de ser amigo de um terrorista norte-americano
O medo como arma perante a ignorância e como forma de estimular o ideal patriótico norte-americano. Ou como o desespero das sondagens leva a medidas drásticas para conter o ímpeto democrata. Ou ainda como uma mentira repetida muitas vezes passa a ser verdade. A historia através do NYT.