quinta-feira, dezembro 29

APONTAMENTO

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade
Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.

BOM ANO NOVO PARA TODOS

CHERCHEZ LA FEMME # 6



Nicole-Barbe Clicquot-Ponsardin, a.k.a. La Grande Dame


Barbe-Nicole, née Ponsardin, veio ao mundo em 1777 na cidade de Reims, um ano depois daquela primeira grande Revolução europeia que foi a independência da América. Casou em 1799, pouco antes do 18 de Brumário, com François-Marie Clicquot numa adega perto das vinhas de Bouzy, cujos oito hectares de precioso solo são o home turf do melhor champagne do mundo. François-Marie não sobreviveu ao delírio hegemónico de Napoleão Bonaparte e entregou a alma ao criador em 1805. Mas a mulher continuou, e bem, o negócio vinícola da família do marido, tendo a elegância de rebaptizar a firma com o nome Veuve Clicquot. Com 28 anos de idade é difícil não se ser uma viúva alegre, sobretudo rodeada de tanta mousse engarrafada, mas Nicole teve o bom senso de só se dedicar à produção de vinho campanhês, pelo que lhe estou muito agradecido e julgo que falo em nome de outros que também andam por aí. É que, sei lá, a mulher podia ter-lhe dado para o desatino, mas não, entregou-se ao champanhe como outras o fizeram a Cristo, ou a canalhas de barba rija. Entregou-se a sério, deu-se toda, passou noites de insónia na adega a tentar perceber porque é que um leve travo a areia persistia no fundo dos sabores. E descobriu a forma de o afastar, inventando uma técnica conhecida pelo nome de remuage, que é agora um bocado chato estar para aqui a explicar, mas eu ponho um boneco e vocês já ficam com ideia da coisa.



A remuage é um trabalho de paciência, um labour of love. Cada garrafa deve ser rodada 1/8 20 a 25 vezes durante três semanas. No termo destas carícias, aquilo que menos interessa concentrou-se no topo da garrafa. É talvez por isso que o champanhe aberto comme il faut, deve-o ser a golpe de espada. Já não estamos em tempo de grandes cavalarias e eu vou abrir a garrafa à unha, mas faço sempre os possíveis por estar muito bem acompanhado na Passagem do Ano. Por regra, La Grande Dame nunca me deixa ficar mal.




Bom 2006, blogosfera.

terça-feira, dezembro 27

O Verdadeiro Cavaco

...arrogante, interventivo, autoritário, manipulador, frio, está todo aqui nesta entrevista ao JN. O episódio de hoje, da criação ou não de uma secretaria de estado para as empresas estrangeiras, com desmentidos à mistura, é bem revelador do estilo e mentalidade do Professor. Mas há mais pérolas do pensamento político deste senhor no resto da entrevista, vale a pena dar uma vista de olhos.

Já pensou na primeira tarefa que quererá ter se for eleito?
A primeira tarefa que gostaria de realizar era uma conversa longa com o primeiro-ministro.
...
E como será esse contacto com os portugueses, se for presidente?
Não ficarei fechado no Palácio de Belém. Mas, numa primeira fase, o contacto deve ser feito muito para mobilizar os cidadãos para realizar produção. Conto de modo particular com o Norte do país. Acho que o Norte deve merecer uma atenção especial da parte dos líderes políticos, na medida que tem uma tradição importante de exportação .
Que pode o presidente da República fazer nessa área?
Deus queira que não tenhamos um presidente da República que tenha a ideia de que não pode fazer nada. O presidente deve pensar que pode fazer.
...
E pode resolver a crise?
Ao presidente cabe garantir a estabilidade e o normal funcionamento das instituições. Quando, por exemplo, órgãos de soberania - o Parlamento, o Governo, os tribunais - mostram uma dificuldade de entendimento, o presidente tem de intervir.
Para fazer o quê?
Para chamar todas essas partes. Estamos a chegar a uma situação em que o presidente tem de fazer tudo para conseguir um entendimento alargado entre Governo, partidos da Oposição, magistratura judicial, Procuradoria-Geral da República e advogados quanto às prioridades na Justiça. Acertar nas prioridades não me parece difícil. Acertar na estratégia para alcançar essas prioridades já requer mais esforço. Mas acho que o presidente não pode ficar alheio. Ninguém ganha com o desprestígio do sistema de Justiça. Se for eleito, tenho de fazer tudo para restituir credibilidade ao sistema. Mas é óbvio que sozinho não posso fazer muito, mas ninguém pense que não vou empurrar.
...
Problema grave é o da deslocalização de empresas estrangeiras. Nessa matéria, o presidente pode ajudar?
Há uma coisa que pode ser feita em Portugal, que eu sei que já foi feita noutros países. Podia existir um responsável do Governo que fizesse a lista de todas as empresas estrangeiras em Portugal e, de vez em quando, fosse falar com cada uma delas para tentar indagar sobre problemas com que se deparam e para antecipar algum desejo dessas empresas se irem embora, para assim o Governo tentar ajudá-las a inverter essas motivações. Tem de ser um acompanhamento com algum pormenor que deveria ser feito por um secretário de Estado especialmente dedicado a essa tarefa.
Vai propor isso ao Governo?
Já o estou a propor aqui.
...
Admite sugerir legislação ao primeiro-ministro?
Nas conversações com o primeiro-ministro, se entender que existe um domínio que carece de uma lei ou que tem legislação em excesso posso trocar impressões com ele. Ele pode convencer-me do contrário. Gosto do diálogo franco e aberto, sem preconceitos nenhuns. Por exemplo, fala-se em alterar a forma de financiamento das autarquias locais, eu considero um dever escutar e falar com o primeiro-ministro. O presidente pode sugerir intervenção legislativa nalgumas áreas.
...

O verdadeiro cavaco, aquele que os marketeiros se esforçam por esconder, está finalmente a vir ao de cima. Ainda bem.

domingo, dezembro 25

zzZapping

Por aqui há quem sofra com os excessos. Foi com muita mágoa que não vislumbrei a equipe da Língua (dita Afiada) no spot natalício da RTP-A. Tinham concerteza muito por onde afiar!...

e porque é NATAL

Uma empresa privada açoriana, especializada no combate à poluição marítima, apresentou uma queixa junto da Autoridade da Concorrência contra a Marinha, por alegado "monopólio" na assistência ao navio "CP Valour".
...nada como um bom negócio perante a evidência da tragédia ambiental eminente.

APONTAMENTOS

Nem só com história e poesia se faz uma campanha.
'Regresso ao Passado - Uma BD Presidencial" brochura da campanha de Francisco Louçã, uma bd com desenho de Nuno Saraiva e argumento de Jorge Costa e Miguel Reis.
Ando à procura de um exemplar...

sábado, dezembro 24

à:mesa

O :ILHAS já foi a jantar:convívio e a alheira via London estava simplesmente divinal! De qq modo conto sair ileso dos eventuais excessos comensais. @té já...

Prendas de Natal #5




Para o Mário Soares


Os Doze Césares de Gaius Suetonius Tranquillus, mais conhecido por Suetónio, mas que a capa da edição brasileira aqui retratada chama de Seutónio, onomatopeia certamente devida ao facto do livro ter sido impresso em terras de Seu Jorge.

Enfim, Marius, torna a ler o Seu Tónio que o homem sabia da poda.

sexta-feira, dezembro 23

Prendas de Natal #4




Para o Cavaco Silva


Estes óculos Ray Ban, tonalidade verde garrafa, para que fique ainda mais parecido do que é com o Ramalho Eanes.

a fita de Natal

O novo filme de Tim Burton estreou hoje em Portugal. A Corpse Bride é mais uma brilhante manifestação do humor negro deste realizador genial. A crítica. Estreia nas ilhas prevista para as próximas semanas.

Apanhei esta MUU:TSHIRT numa montra da baixa de Ponta Delgada. Se ainda não tem um mimo para o seu vizinho ofereça-lhe uma destas...

Prendas de Natal #3




Para o Francisco Louçã


Esta gravata Hermés, padrão orange geometry. Bem sei que é um presente desadequado, mas o candidato já confessou que, uma vez eleito, lá dispõe a sua garganta aos nós do protocolo.

quarta-feira, dezembro 21

cinefilias [e muitas incertezas]

Algumas fitas para ver por estes dias em Ponta Delgada. É a época da família - dizem...

MJACMA

No geral não sou a favor de certos movimentos, sobretudo jovens. Não obstante nestepoesia.

Prendas de Natal #2



Para o Manuel Alegre



Este quadro da Bridget Riley, intitulado Movement in Squares e concluído em 1961, quando a Op Art dava os seus primeiros vagidos. Há quem procure ridicularizar o Quadrado de Manuel Alegre, metaforizando a metáfora e procurando esquecer que os cálculos das eleições presidenciais são sempre de geometria muito variável.

terça-feira, dezembro 20

Numa posição contrária - ao título do último livro de Nuno C. Santos -, os dias (não) estão para isso a 17:18:ILHAS já por aí anda...

segunda-feira, dezembro 19

Prendas de Natal #1



Para o Jerónimo de Sousa.

Este cartaz da AOC, via tocolante, um blog com imensa memorabilia de esquerda anos 70. A AOC, Aliança Operária Camponesa, distinguia-se no arco íris da rive gauche portuguesa pelo seu espantoso símbolo: o castelo de Guimarães. Paradoxos patriotas do internacionalismo proletário.

MUDAR DE VIDA

...
O PSD Açores não sendo um partido de pensamento único realizou a sua catarse colectiva no XVI Congresso Regional. Nada de novo emergiu deste Congresso, ficando contudo confirmada a suspeita de que a decomposição do Partido nos últimos tempos decorre de silêncios ambíguos, medos irracionais, e negligentes ou dolosas fugas de informação. No domínio dos silentes entraram agora Victor Cruz e Mota Amaral. Sem discutir a bondade das razões políticas e pessoais, não deixa de causar assomo o silêncio de Victor Cruz quanto aos fundamentos e motivação da sua mais recente demissão. As bases do partido mereciam uma justificação e um agradecimento pelo apoio que lhe prestaram enquanto foi líder. Não duvido que um dia mais tarde este voto de silêncio se irá quebrar. Contudo, até ao dia em que a verdade seja revelada, a especulação irá pairar sob o partido como uma nuvem tóxica e asfixiante.

Também o Dr.º Mota Amaral se remeteu ao reino dos silentes após a exumação extemporânea do caso Pró-Pico pela mão de Américo Natalino Viveiros. Será que este não resistiu a uma «vendeta» política ou, ao invés, terá aproveitado a ocasião para fazer um ajuste de contas com um passado que já perdeu o prazo de validade em 1995 ? Nunca o saberemos enquanto o Dr.º Mota Amaral permanecer recluso do seu silêncio. Ademais, a curiosidade é acicatada quando entre o rol de apoiantes de Américo Natalino Viveiros está uma facção da fina-flor dos últimos dias do Mota Amaralismo. Derrotados neste Congresso já indiciaram que a gestão dos silêncios e dos tabus será a arma secreta com a qual vão conduzir esta «détende» de hostilidades até ao próximo Congresso.

Contudo, não é tempo de fazer a arqueologia do PSD-Açores, mas sim tempo de encerrar um volume da sua história, procurando descobrir uma passagem que o liberte das águas tormentosas por onde tem navegado. Costa Neves, como se sabe, assumiu o leme dessa nau e prometeu que as vozes dissonantes não seriam tidas como prenúncios de motim. Espera-se que saiba honrar essa lógica de inclusão de todos numa gestão participativa, dialogante e genuinamente crítica. Sem silêncios cúmplices de falsos consensos. Para tal deve contar simultaneamente com o PSD-Açores que não quis um regresso ao passado, bem como com aquele PSD-Açores que reclama justamente o regresso do partido ao convívio com as bases. Espera-se pois, a curto prazo, que Carlos Costa Neves honre a promessa de regulamentar o processo da eleição directa do líder. Do líder também se espera que saiba executar a vontade democrática e maioritária que seja referendada pelos militantes de base.

A curto prazo o PSD-Açores carece de uma reforma interna que saiba com elegância e credibilidade exprimir uma imagem de unidade na diversidade. É tempo de estancar as fugas de informação que nos tempos recentes têm soprado a vida interna do PSD-Açores para as páginas dos jornais. Sempre ardilosamente reveladas pelos embuçados que se escondem no conforto da protecção que lhes confere o estatuto de «fontes fidedignas». Não há como elevar o moral da militância quando esta vem a saber da vida interna do Partido devassada perante os órgãos de comunicação social. A corroborar o que se diz basta recordar o que neste mesmo Jornal se leu pela boca das ditas «fontes fidedignas» após as eleições de 9 de Outubro.

Faço votos que o novo líder do meu Partido saiba por um ponto final nestes episódios de rasteira deslealdade e que têm sido um brinde para o escárnio com que o Partido Socialista olha para o maior partido da oposição. Nessa linha satírica o PS veio recentemente afirmar-se expectante com a nova liderança do PSD-Açores, dado que o processo de revisão do Estatuto Político Administrativo dos Açores tinha ficado bloqueado com a crise interna do PSD. Só faltou ironizar dizendo que Carlos César tinha tido tão acolhedora recepção na sede do PSD-Açores que ficara com saudades de lá voltar!

Só o futuro dirá se este novo líder será capaz de traçar novas rotas que nos livrem dos escolhos que nos têm ameaçado. A seu favor tem à partida um inegável sentido de humor que denota inteligência a somar a uma qualidade básica: lealdade ao PSD-Açores.

...

Post-Scriptum: Esta coluna vai de férias até ao próximo dia 10 de Janeiro de 2006. Grato aos leitores que por aqui passam, a todos desejo um Santo Natal, e em tempos de crise, um redobrado voto de próspero Ano Novo.

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João Nuno Almeida e Sousa / Na Edição de 20 de Dezembro do Jornal dos Açores

o estado da união

Feito à base de Silêncios, Fugas e Elipses.

domingo, dezembro 18

Reporter X

O frenesim de Natal acelera a cada ano que passa. Fora a irracional agitação do shopping, o adorno do Lar passou a ter um propósito fundamental na acção natalícia. A prioridade segue na ostentação de uma profusa panóplia de luzes e efeitos num registo, frequentemente, piroso (não chega sequer a ser kitsch!). É aquilo a que chamo - Christmas Tuning.

comentaristas [de serviço]

Final da votação das Moções no Congresso do ***. Tempo para ligar à Antena1 - Açores e tem a palavra um dos comentadores de serviço que sobre o partido falou apenas de uma hipotética candidata e acabou dizendo que não fazia futurologia - «o futuro a Deus pertence». Haja pachorra para o (ex)magnífico. Merecíamos melhores comentadores e, de preferência, desinteressados.

sábado, dezembro 17

LARANJAS AO NATAL



Um dos pregões frequentemente ouvidos nas ruas da Londres setecentista era o dos vendedores de fruta a gritarem Fine China oranges, fine lemons, sweet juicy oranges, buy my sweet oranges. Atendendo à época, é muito provável que a laranja então apregoada pelos vendedores londrinos não fosse chinesa, antes brasileira ou açoriana, mas a fama da laranja doce da China, citrus sinensis, compreende-se pelo facto de, tal como o Sol, todos os citrinos nascerem no Oriente. Se dúvidas houvessem, bastaria recordar o nome de um deles, a mandarina, para perceber a origem geográfica do fruto.

Os Europeus começaram a provar laranjas na Idade Média pela mão dos Árabes, que não só detinham o monopólio comercial de tudo quanto vinha da Ásia, como introduziram o cultivo das laranjeiras nas regiões mediterrânicas submetidas ao domínio islâmico entre o século VIII e o XIV, designadamente na Sicília e na Península Ibérica. Dos laranjais do Al Garb e do Al Andalus a planta foi transplantada para a América pelos navegadores portugueses e espanhóis do século XVI, vindo a aclimatar-se de tal forma bem nessas paragens que, hoje em dia, os pomares do Brasil, Califórnia e Florida são os maiores produtores mundiais deste fruto.

A meio caminho da viagem transatlântica entre o Velho e o Novo Mundo ficam as ilhas dos Açores onde, segundo o cronista Gaspar Fructuoso, Jorge Nunes Botelho já possuía um rico pomar de frutas de espinho na sua quinta de Rosto de Cão, ao Poço Velho, em meados do século XVI. Desconhecemos qual a estirpe destas célebres laranjeiras, se algarvias ou brasileiras, mas a sua aclimatação foi decerto excelente, pois na primeira metade do século XIX os pregões que se ouviam nas ruas de Londres, lançados pelas vendedoras de fruta nas imediações do mercado de Covent Garden, eram já os de Come buy my juicy St. Michael. Por um breve período de tempo, entre 1840 e 1860, os predicados da fruta micaelense sobrepuseram-se à fama da laranja chinesa e retardaram por algumas décadas a hegemonia dos citrinos espanhóis de Valência no mercado inglês.

Todos os anos a partir de Novembro, a baía de Ponta Delgada ficava coalhada de escunas aqui fundeadas para embarcarem um carregamento de laranjas que, com ventos de feição, chegava às Docklands londrinas no início de Dezembro, mesmo a tempo de adoçar e colorir a quadra natalícia dos ingleses. A apregoada juicy St. Michael não só era a fruta da estação por excelência, no sentido alimentar do termo, como se tornou um símbolo ornamental do Natal vitoriano, cujo ambiente e características Charles Dickens tão bem popularizou no seu conto A Christmas Carol (1843), o que aliás lhe valeu ser designado o homem que inventou o Natal. O mérito não lhe cabe apenas a ele, pois o marido da rainha Vitória, Alberto de Saxe Coburgo, tio do nosso D. Pedro V, também ajudou à invenção da tradição natalícia vitoriana ao introduzir o costume germânico da tannenbaum, a árvore de Natal, na sociedade britânica da segunda metade do século XIX.

Era, e ainda é, ao redor da tannenbaum, por regra um abeto norueguês, que se organizavam grande parte dos rituais característicos da quadra, desde a ornamentação da árvore e iluminação da sala, até ao momento da abertura das prendas, tradicionalmente suspensas nos galhos do abeto, ou então escondidas dentro das famosas christmas stockings que, penduradas junto à lareira, se tornaram em si mesmas um símbolo do Natal.

Qualquer que fosse a latitude social da família inglesa considerada, desde os reis ao mais humilde eastender , os rituais da quadra acabavam sempre por incorporar o fruto colhido nos pomares de São Miguel. Nas casas ricas, a laranja aparecia à mesa transformada em doces e guloseimas e, além disso, era profusamente utilizada para efeitos decorativos. Nas casas pobres, o fruto era, simultaneamente, ornamento da árvore e prenda deixada às crianças na meia do Pai Natal. Muitos anos depois, 155, para ser preciso, de Charles Dickens ter publicado David Copperfield ,aquece-me o coração imaginar que as laranjas dos Açores foram a única recordação verdadeiramente doce que esses putos guardaram do Natal.



MERRY XMAS, blogosfera.

sexta-feira, dezembro 16

APONTAMENTO

Esta é uma boa e louvável inciativa, mas não se devia publicitar como a "primeira televisão portuguesa na internet" porque conforme noticia do último Expresso (caderno Economia - pág. 22) o pioneirismo vai para a www.famalicão.tv .

De qualquer das formas os meus sinceros PARABÉNS à Pangemedia.

APONTAMENTOS

Gostei deste capítulo do Plano Tecnológico
e interrogo-me se os Açores poderão ter uma Cidade Criativa?

Ps: O documento plano tecnológico é tão avançado que é necessário a última versão do Adobe Acrobat.

17:18:ILHAS [no sapatinho]

A :ILHAS está impressa e estará disponível nos locais de distribuição a partir da próxima 2ª feira. O núcleo editorial deliberou - mal - não efectuar a sua distribuição neste fim-de-semana devido à realização do congresso de um determinado partido politico, por forma a que os participantes - do dito -, já de si ausentes, tivessem motivos de leitura mais aliciantes e que os alheassem - ainda mais - dos trabalhos de campo. [ponto final]

quinta-feira, dezembro 15

VOX POPULI

...

...
LUCIEN FREUD
Girl with a white dog -1952
Oil on canvas
76x102 cm
Tate Gallery, London
...via O SÉCULO PRODIGIOSO

VERSÃO X-FILES DA VERDADEIRA HISTÓRIA DO PAI NATAL

«Era uma vez um senhor, de seu nome Nicolau, que, após ter sido exonerado da TV Shop e de o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (S.E.F. prós amigos) lhe ter fechado o seu negócio de telemarketing, e, numa tentativa gorada de venda «porta a porta», surge com um inovador conceito de venda «chaminé a chaminé», tendo como patronato uma conceituada marca* de refrigerantes...(cont.)»

O Chouriço, segunda-feira, 28 de Novembro, no Vareta Funda.

A 3ª VIA

«Aproxima-se o Congresso do PSD-Açores, onde Natalino Viveiros e Costa Neves irão estar frente-a-frente...há quem defenda uma 3ª via consubstanciada numa Moção de Estratégia visando, entre outros objectivos, a eleição de uma «Comissão Liquidatária» presidida por Mota Amaral.».

António Lagarto, Domingo 4 de Dezembro, no Açoriano Oriental

ANALOGIAS COMUNISTAS

«A escravatura e o feudalismo sucumbiram. Em seu lugar nasceu o capitalismo, expressão mais avançada e progressiva, que aquelas outras, da regulação das relações económicas e sociais entre os homens.».

Mário Abrantes, sexta-feira 9 de Dezembro no Jornal dos Açores.

O HOMEM ALTERNATIVO

«Manuel Alegre parte para esta campanha presidencial como a alternativa. A alternativa ao sebastianismo serôdio de Cavaco Silva e ao despudor soarista de considerar que a República tem título de propriedade.».

Nuno Mendes, segunda-feira 12 de Dezembro no Jornal dos Açores

LOTARIA DE ANO NOVO

«Ser Presidente da República não é um prémio, mas uma conquista ! Mário Soares não quis perceber isso.».

Mário Belo Maciel, terça-feira, 13 de Dezembro no Jornal dos Açores.

UM AYATOLLAH PARA O SEC. XXI ?

«Os ocidentais inventaram o mito do massacre dos judeus e elevaram-no acima de Deus, das religiões e dos profetas.».

Mahmud Ahmadinejad, Presidente do Irão, quarta-feira 14 de Dezembro algures na antena da televisão Iraniana.

A "PAPISA" INSULAR

«...pasmo com mais um texto da mandatária de Cavaco, manifestamente a revelar-se «mais papista que o Papa», publicado no «Açoriano Oriental», curiosamente escolhido pela ilustre professora universitária como jornal de campanha. Como é, senhora representante, as críticas formuladas foram resultado da «descontextualização» das atitudes do então primeiro-ministro ? Então como explica o reconhecimento de Aníbal Cavaco Silva dos erros cometidos em relação às Autonomias ?».

Jorge Nascimento Cabral, quarta-feira 14 de Dezembro, no Correio dos Açores.

...

JNAS

língua [escaldada] afiada

Ontem não estive de assistência por isso pude assistir ao programa de ontem. E por um instante denotei o estranho unanimismo bloguístico em torno do programa, contrariando aquilo que se passou há, precisamente, 1 ano com o Choque de Gerações. Senão vejamos: porque é que este novo programa não desperta os ódios de estimação similarmente com o programa sensação da autoria de Joel Neto!?; será que os residentes são-nos demasiado próximos e por isso a crítica é ela per si uma não-questão-assunto-motivo de debate!?; estamos perante um modelo de programa perfeito!?; as críticas cingem-se apenas ao cobarde anonimato!?; o genérico era dispensável!?; o cenário é melhor que o do Choque de Gerações!?; o Vasco Pernes não devia moderar o programa e torná-lo mais fluído e incisivo!?; cadê o JNAS!?; terá muita audiência!?; há feedback ao programa!?; deviam ter um email ou um blog!?; o que acha a RTP-A desta aposta?! Um último desabafo - havia necessidade de enaltecer a Moção do Natalino!?...

quarta-feira, dezembro 14

É o carcanhol, estúpido...

Eu sei que vão dizer que é uma fixação minha, que estou metido numa campanha organizada contra o Sr. Director Regional da Cultura e outros disparates do género. Não é nada disso. O problema é só este: como pode o dito Director afirmar que tudo vai bem na sua área de governação, que existe mesmo uma total sintonia com o Presidente do Governo, que não coloca o seu lugar à disposição quando depois vêm a público notícias destas!

Olhando, por alto, para isto, e deixando para mais tarde outras considerações mais de fundo, há aqui duas questões que gostava de ver esclarecidas: Para que servem os júris e os concursos para a concessão de apoios? Quais os critérios do Sr. Director Regional para decidir de forma contrária às orientações desses júris?

Eu sei que isto não passa de uma questão de pilim, mas o pilim também é importante que a malta não vive só de poesia...

O Mário antecipou-se no post e na foto (obrigado!) de um projecto de 2 amigos de Rosto de Cão/Livramento. A concepção - design, papel, capa (óptimos!) - são do José Albergaria e Júlia Vieira. Os dois 1ºs livros desta nova editora (livramento@xsmail.com) são do Nuno Costa Santos (variante Melancómico) e de 1 Rabo Torto com residência na capital - Alexandre Borges. A todos o meu particular Abraço de Parabéns!...

segunda-feira, dezembro 12

A «saison» dos debates

...

Manuel Vieira
...

A «saison» dos debates presidenciais justifica merecidamente uma sequela da rábula da popular personagem indignada que reclama: «eles falam, falam, falam e não dizem nada!». Nada de substancial entenda-se.

Efectivamente, uma síndrome de mumificação intelectual tem inquinado o debate presidencial, servido em «prime-time» aos Portugueses e embrulhado num discurso inane e gelatinoso. Como se não bastasse, «ad nauseam», a recapitulação da suprema moral Republicana, Laica e Socialista, cujo «podium» e currículo é ferozmente disputado por Manuel Alegre e Mário Soares, temos agora a retoma da fábula do Oásis pelo salvatoriano Cavaco Silva.

Cavaco chegou a afirmar que Portugal precisa resgatar o estatuto de «Califórnia da Europa»! Nesta miragem, e atenta a fantasia de autonomista dos quatro costados que agora ostenta, Cavaco Silva não tardará a ambicionar para os Açores o postal político de serem o «Hawaii de Portugal». Lamentavelmente, feito o desconto dos lugares comuns pouco resta de essencial, ficando retida a impressionante imagem de um Cavaco sem «chispa», um Soares geriátrico, um Alegre arrogante, um Louçã presporrente, e finalmente um surpreendente Jerónimo!

Ora, aceitando de boa fé que o debate desta campanha não é um frete para os candidatos, como explicar o deserto de ideias que domina o discurso dos candidatos? A resposta está parcialmente no esforço de contenção dos mesmos para, a reboque do «look» politicamente correcto, agregarem a maior tranche possível de votos. Claro está que à margem desta táctica colocam-se Louçã e Jerónimo, desenganados que estão à partida de qualquer remota possibilidade de eleição. Quanto aos restantes é confrangedor como conseguiram amenizar esta campanha a uma simples disputa de perfil para o cargo de Presidente da República, reduzindo o debate a uma espécie de entrevista popular para apresentação curricular em formato televisivo. Na verdade, todos os temas importantes e fracturantes são «driblados» para não comprometerem a viabilidade das candidaturas. Só assim se explica, por exemplo, a ausência temática do rumo da União Europeia e do possível alargamento à Turquia, da possível falência do regime de segurança social, da política externa de Portugal face à irreversível ameaça do terrorismo Islâmico, e até da actual e justa discussão da lei da Nacionalidade num país de Emigrantes e de Imigrantes. Com honrosa excepção para a frieza catedrática de Cavaco Silva, ou para a vulgata da abordagem Soarista, sobre tudo isto pouco ou nada de substancial tem sido dito.

Não admira que perante estes entediantes debates com os candidatos a Belém os Portugueses prefiram «zappar» para as tricas de outros debates mais excitantes com os donos da bola, os astros do futebol, e o resumo da jornada. A verdade é que para a maioria dos cidadãos desta República é mais importante antever o desfecho do campeonato do que ponderar o seu sentido de voto...e pouco ou nada tem sido feito pelos candidatos a Presidente da República para contrariar este torpor da cidadania.
...

JNAS, na Edição de 13 de Dezembro do Jornal dos Açores

domingo, dezembro 11

weekend postcards

ECOPONTO a 200m de casa. Acabaram-se os dias de lixo acumulado - no carro - à procura, por vezes frustrante, de um local onde depositar a triagem caseira. O gesto camarário é de registar. Não obstante vou registar a regularidade da recolha selectiva.

...

A vida de candidato à junta é dura. Vamos aguardar serenamente pelos próximos episódios.

!

sexta-feira, dezembro 9

...Inanes?


«inane»: do Latim inanis, ou seja: o que nada contém, o que é oco, vazio de sentido e fútil; o mesmo que frívolo ou vão; etc.

Tudo isto predicados que assentam que nem uma luva a uma pandilha de seu nome The Beatles e que traulitava inanidades, como por ex «Michelle Ma Belle» e outras melodias primárias de igual jaez! Depois, com feminina causalidade e vil pecunia pelo meio, ficaram amuados uns com os outros. Vai daí um desses rapazes resolveu arvorar-se numa espécie de Joan Baez de calças à boca-de-sino. Como não lhe bastava o «look» atirou-se a perorar banalidades contra «o imperialismo americano», e outras tiradas clássicas de igual categoria, para agregar o beneplácito da restante turba hippie em permanente «trip».

John Winston Lennon armou-se em consciência crítica de uma geração cabeluda, pouco dada a banhos, mas que idolatrava qualquer excentricidade Oriental. Sabendo disso o tal de John Lenon, que consta que era mais esperto do que os restantes, não só desposou com a possessiva Yoko Ono como ainda convenceu o resto do bando a irem para um ashram na India com o famoso guru Maharashi Manhesh Yogi. Este mestre que proclamava a possibilidade de voar através da meditação transcendental (!) chegou a criar um partido político, o partido Maharashi da Lei Natural, e é hoje um multimilionário que voa a bordo da sua frota de helicópteros (pois isto da levitação é só para os néscios ) expandindo o seu negócio de «peace and love» (cuja tradução selvagem para o Português seria menos abonatória). À conta da publicidade parola que obteve com os quatro estarolas de Liverpool o dito guru ainda anda por aí a enganar meio mundo.

No conto do vigário, ou melhor dizendo no canto do vigário da camarilha do Bom do Lenon -(com o epíteto talvez imerecido de ser «the life and blood of the Beatles) - toda uma geração acertou o passo! Toda? Bem, quase toda.

O certo é que devido à míngua de alternativas pop credíveis os Beatles reinaram como um zarolho reina numa terra de cegos... daí que não espanta o tratamento nobiliárquico que tiveram no nosso provinciano e pobrezinho Portugal. Mas, o tempo encarregou-se de lhes fazer Justiça e de os arrumar como ícones de uma época. Desses «glory days» da BritPop não fica apenas uma saudade pelos bons velhos tempos pois, naqueles remotos anos 60, já despontava uma nostalgia do futuro com os Rolling Stones que, sem sucumbirem ao estilo delicodoce e aos devaneios pueris dos Beatles, cujo paradigma são os «macaquins» do Yellow Submarine, ainda aí estão para as curvas.

Seja como for, espero que não haja alguma luminária que se lembre de dar uma golpada em resgatar do fundo do mar psicadélico dos anos 60 os destroços do dito Submarino Amarelo, agora numa versão Gold como fizeram com o abastardamento dos ABBA ou com os Queen sem Freddie Mercury!

Oficialmente o decesso dos Beatles ocorreu em Abril de 1970, registe-se o óbito por morte natural, sem prejuízo de respeitar a romaria de saudosos melómanos que ainda hoje os revisitam...com o mesmo respeito que merece quem dança com outro passo!

JNAS

a entrega

de Alegre. O 1º passo foi dado...

quinta-feira, dezembro 8

quarta-feira, dezembro 7

Reporter X

A sede de campanha de todas as candidaturas arrisca-se a não ter uma vida longa. A partir do próximo ano, e com as obras do novo parque de estacionamento no Largo de S. João, a Casa Cor-de-Rosa vai dar lugar a uma nova Alameda que faz jus ao slogan em cartaz - sempre em frente. O Património construído em Ponta Delgada, em particular, e no Açores, em geral, já viu melhores dias. Não sou - quase mas não totalmente - contra o que de novo se constrói. Mas, nos últimos anos, temos assistido a um acumular de intervenções que pouco ou nada acrescentam ao panorama arquitectónico das ilhas - se ao menos constituísse um legado histórico qualitativo!? O que de facto acontece, presentemente, é o oposto - o muito que hoje se constrói pouco ou nada tem de qualitativo - pior, revela-se, isso sim, um imenso Monstro quantitativo!...

07.12.1941

Um dos espisódios mais célebres da 2ª Guerra Mundial aconteceu há 64 anos. Para + pormenores consultar o site da National Geografic, dedicado a Pearl Harbour, e explorar o Attack Map.

terça-feira, dezembro 6

VOX POPULI

...

...
PAULA MOTA
Homem Som,
2002-2003
acrílico s/ tela 162x146 cm
Via Galeria Fonseca e Macedo

TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS DIZER SOBRE OS COMENTADORES ANÓNIMOS

«Sempre encarei a blogosfera como um espaço de debate e confrontação de ideias, de crítica, com ou sem ironia, e também de puro divertimento. De tudo isto poderia resultar uma aprendizagem saudável, uma convivência agradável e até o estabelecimento de pontes de tolerância e proximidade entre pessoas mais ou menos conhecidas, ou até completamente estranhas. Como em tudo na vida há um «mas».A saudável democratização fez emergir uns seres funestos e pernósticos, de fenótipo humano, mas com genótipo indefinido, totalmente desprovidos de ideias, ignorando as mais elementares regras de convivência, mas a quem, infelizmente, foi dado o dom da fala. A sua presença não nos assusta. É simplesmente repulsiva! Seria desejável confrontá-los, mas não é possível. Tudo aquilo que define um ser humano ? as ideias, o carácter e a elevação ? não existe. Confrontar o quê?»

Carlos Falcão Afonso, Domingo 4 de Dezembro na nossa caixa de comments ao post «Política Cultural».

AINDA OS CARTÕES AMIGOS DO PS

«A constatação é a de que o PS-Açores continua a ser um partido «sem bases», de «funcionários públicos» arregimentados e simpatizantes de ocasião, agora com direito a «cartão de simpatizante». Uma espécie de «cartão de crédito» : o «Rosa» para os simpatizantes singulares e o «Gold» para os simpatizantes colectivos. Neste contexto, ai daqueles que apresentarem o cartão de antipatizante, o «Classic». Não têm «crédito político».

António Lagarto, Domingo, 27 de Novembro no Açoriano Oriental

O FÁCIES PRESIDENCIAL

«O Presidente da República é o rosto do país, tanto para a nação, internamente, como para o estrangeiro, externamente. E qual o rosto que queremos para Portugal.».

Maria do Céu Patrão Neves, «filha e esposa e mãe, estudante e professora» e mandatária regional de Cavaco Silva, quinta-feira 1 de Dezembro no Açoriano Oriental.

SOB ESCUTA IDEM

«Eu, por exemplo, parto do princípio, hoje como no tempo da PIDE, de que o meu telefone está sob escuta. As escutas tornaram-se também um instrumento político nas mãos das corporações judiciais.».

Miguel Sousa Tavares, sexta-feira 2 de Dezembro no Público.

MITO COMUNISTA OU EXEMPLO DE DIGNIDADE HUMANA ?

«(Catarina Eufémia) não estava grávida de gente, mas de justiça. É essa a sua herança, simples na sua imensa dignidade.».

Nuno Pacheco, sexta-feira 2 de Dezembro no Público.

KAMIKAZE BELGA

«Tinha-se tornado mais muçulmana que um muçulmano.».

Liliane Degauque, mãe de Murielle Degauque a cidadã Belga que foi a primeira kamikaze europeia a implodir-se no Iraque, Sábado 3 de Dezembro, no Público.


CRUZES CREDO !


«Joana Amaral Dias recorda que, de acordo com a Constituição de 76 e suas várias revisões, «o ensino público não será confessional». A presença da cruz nas escolas determina a confessionalidade? Se assim fosse, o retrato do Presidente da República, em inúmeros edifícios públicos, ofenderia também os monárquicos, que têm tanto direito a sê-lo como qualquer português a ser politicamente o que lhe apeteça. Como a presença da coroa (por exemplo no Teatro Nacional de São Carlos) ofenderia os republicanos, diariamente agredidos por armas reais e brasões ou outras insígnias semelhantes, patentes na maior parte dos palácios nos chamados monumentos nacionais.».

João Bénard da Costa, Domingo 4 de Dezembro no Público.

...E SEMPRE A VIL PECUNIA

«falta, para arrematar e ao arrepio do bloqueio dos aumentos na função pública, salientar a mão larga dos cofres públicos para acrescentar mais de 1000 euros por mês às algibeiras dos responsáveis dos Conselhos Directivos das Escolas dos Açores. Os professores andam arredios mas a política educativa do governo regional é para cumprir, nem que seja comprada.».

Mário Abrantes, sexta-feira 2 de Dezembro, no Jornal dos Açores

08.12.05

Mário Laginha em Canções e Fugas - a não perder aqui.

polícia contra polícia

Um copo que está a dar que falar...

segunda-feira, dezembro 5

Bons Portugueses



Bandeira da Restauração

Portugal restaurou a sua Independência com a defenestração de um tal de Vasconcelos, um manga-de-alpaca a soldo da Coroa Espanhola, que à data de 1 de Dezembro de 1640 era Secretário de Estado da Duquesa de Mantua, uma «tia» seiscentista com o lustroso apelido dos Sabóia e regente da província Portuguesa. Bizarro País é este nosso Portugal em que uma Revolução pela Independência se consuma com uma única vítima defenestrada! Seja como for, nos anais gloriosos desta Pátria, o 1º de Dezembro evoca, em feriado nacional, aquele longínquo dia em que Portugal renegou a sua condição de província Espanhola e escolheu ser novamente livre pela mão do «Restaurador» D. João IV. Findava assim a União Ibérica, porventura, o mais vasto Império da história.

Comodamente olhamos para trás, e de modo prazenteiro, vemos a «Restauração» como mais um episódio de nobre e insigne nacionalismo Lusitano. Porém, antes estariam por certo as costumeiras razões da vil pecunia. Efectivamente, o regime Filipino vingou sem resistência até ao momento em que empreendeu um agravamento dos impostos. Essa política iniciada em 1628, ao arrepio das cortes como era costume em Portugal, atacando o cofre dos plutocratas sem cuidar de manter os privilégios de isenção de que gozava o clero em geral, e os jesuítas em particular, foi o toque de finados para o regime da União Ibérica.

Curiosamente volvidos séculos sobre estes longínquos acontecimentos é cada vez mais usual apontar-se a Restauração como um infeliz incidente que nos arredou do Eldorado Espanhol. Os «neo-Restauradores» são, ao contrário dos originais, Restauradores Olé ! Suspiram por uma União Ibérica que nunca virá e à margem da língua e dos Clubes de Futebol pouca vantagem vêem em serem bons portugueses. Estas aspirações cada vez menos silentes e ideologicamente transversais nunca foram contudo populares entre os Açorianos. Estes, quando tiveram que escolher entre Madrid e Lisboa para capital do seu País, nunca hesitaram em defender as cores da sua Pátria, fossem elas o verde rubro das bandeiras empunhadas contra o domínio Filipino ou a bandeira azul e branca do Liberalismo de oitocentos. Na verdade, quando todo o país prestava tributo a Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal) um sedicioso António Prior do Crato resistiu na ilha Terceira até 1583.

Afinal, os Açorianos, quando quiseram, sempre foram bons Portugueses. Sobre esta qualidade nada melhor do que recordar Miguel Esteves Cardoso : «um conceito que anda precisado de reanimação é aquele do bom português. Ao contrário do simples português, que aceita a nacionalidade dele como quem recebe um apelido dos pais; ao contrário do portuguesinho, que se orgulha dela estupidamente; e finalmente ao contrário do portuga, que não tem opinião ou sentimento acerca da matéria; o bom português é aquele que escolhe Portugal.».

...

JNAS, na Edição de 6 de Dezembro do Jornal dos Açores

weekend postcards

domingo, dezembro 4

?

É por esta e outras situações similares que se percebe este Não país...

+++ uma Novidade via Ricardo Saló - os Grand Pianoramax. Electrónica, beats e piano...a base comum!? A improvisão e o jazz, obviamente. Para anexar - esta semana - à lista dos favoritos no desktop.

finalmente...

...nas livrarias nacionais.

sábado, dezembro 3

Na Sua Pele (o título original, "In Her Shoes" liga-se ao fetichismo dos sapatos e à sua função simbólica na narrativa) tem como projecto "atacar" o melodrama, regressar ao "Women"s Picture" de grande tradição no cinema clássico americano. Felizmente, a crítica simpatiza com o último filme do realizador de "L.A. Confidential" (1997) - Curtis Hanson, sem no entanto, tecer-lhe grandes elogios. Filme light mas com calorias suficientes...é uma das propostas - a ver - nos cinemas, esta semana, em Ponta Delgada.

sexta-feira, dezembro 2

APONTAMENTOS

Chegou às bancas regionais mais uma revista cultural.


















Art Notes es una publicación bimestral de arte y cultura contemporánea.
Su distribución se realiza en España, Portugal, Brasil y New York a través de COEDIS e INTERKIOSK.
Art Notes puede comprarse en quioscos, museos, fundaciones y diversas instituciones culturales españolas, portuguesas y neoyorquinas.
Art Notes tiene un formato A-3, dos tintas, papel couché de 80 grs y 58 páginas.
Se trata de una publicación bilingüe: español y portugués.
http://www.artnotes.info/portada2.htm

DESAPONTAMENTO

Porque não vem cá o Demis Roussos Silver?

Goodbye My Love

Hear the wind sing a sad, old song

it knows ý'm leaving you today
please dont cry or my heart will break
when I go on my way

Todos em coro:
goodbye my love goodbye
goodbye and au revoir
as long as you wait for me
I'll never be too far

goodbye my love goodbye
I always be true
so hold me in your dreams
till I come back to you

see the stars in the sky above
they'll shine wherever I may roam
I'll pray every lonely night
That soon they'll guide me home

Em coro novamente:
goodbye my love goodbye
goodbye and au revoir
as long as you wait for me
I'll never be too far

Política Cultural

O meu sócio Vítor, que anda mais atento a estas coisas do que eu, até porque, confesso, o Expresso das Nove é um jornal que eu deixei de ler, postou já dois excertos da entrevista que Vasco Pereira da Costa, Director Regional da Cultura, deu a esse jornal. Ora, movido por uma certa curiosidade masoquista, fui ler a entrevista no seu todo e venho agora aqui, perdoem-me, despejar a minha indignação.

Começo por dizer que concordo em absoluto com o Ricardo Lalanda na avaliação que faz do desempenho do Director Regional Vasco Pereira da Costa, e na constatação do ridículo que é este ainda se manter no cargo, aliás desde que o Sr. Presidente do Governo Regional foi a um programa da RTP-Açores, chamado Choque de Gerações, dizer que fazia uma avaliação negativa do desempenho dos seus governos na área da cultura, que o Sr. Director Regional deveria ter posto o seu lugar à disposição, mas isso são questões de ética que não de estética portanto não vale a pena falar mais sobre isso. Há pessoas que gostam demais dos cargos que ocupam.

Esta entrevista que Vasco Pereira da Costa dá ao Expresso das Nove, não fosse o assunto tão sério, seria um grande momento de humor. O Sr. Director Regional começa por afirmar uma total sintonia com o Presidente do Governo no que "diz respeito às opções políticas e às estratégias de desenvolvimento cultural". Aqui levanta-se a minha primeira e mais significativa dúvida - que opções e estratégias são essas? É que para quem se move neste sector uma das maiores queixas e até mesmo empecilhos ao desenvolvimento de actividades culturais é a ausência de uma estratégia política para a cultura nos Açores. Não existe nem nunca existiu, pelo menos nos 7 anos em que já cá vivo, uma política para a cultura nos Açores. E mais grave se torna esta lacuna, quando neste novo mandato em que a cultura transitou para a alçada da Presidência as únicas modificações que são visíveis são de natureza meramente orgânica e administrativa e muitas delas altamente duvidosas. A este propósito apetece perguntar ao Sr. Director Regional como é que ele explica que havendo essa dita sintonia entre ele e o Presidente do Governo este tenha criado uma nova figura hierárquica, um subdirector, ou um director geral, que terá sede em São Miguel e responderá directamente ao Presidente? A grande pergunta é que funções vai desempenhar esta terceira figura da cultura na região e por que razão se achou necessário criar tal cargo? Mas saindo das questões administrativas, que mais não são do que uma burocratização da cultura, há nesta entrevista matéria para grande reflexão. Pelo que se pode ver até agora das mudanças que estão a ser feitas na "política cultural" da Região está a acentuar-se uma opção pelo que eu chamo uma cultura passiva em detrimento de uma cultura activa. A opção de centralizar serviços que estavam dispersos entre diversos organismos nas Bibliotecas Publicas e nos Museus é, a meu ver, a materialização de um opção pela cultura passiva. Estas instituições, que são altamente meritórias, são instituições de salvaguarda dos bens culturais e que pela sua própria natureza são muito pouco criadoras de cultura. As Bibliotecas e os Museus protegem a cultura existente e em ultima instancia promovem o conhecimento da cultura existente, mas não são potenciadoras de cultura, não são criadoras de cultura. Centralizar os organismos gestores de uma política cultural nestas instituições é, a longo prazo, limitar o potencial criador de cultura da Região. É aqui, e em oposição a esta política, que eu apresento o conceito de uma cultura activa, que é no fundo um política cultural que promova actividades criadoras de cultura. E não estou a falar de apoios a eventos ou actividades culturais que parece ser a única nesga de participação que o Sr. Director Regional pretende ter nas actividades criativas da Região. Estou a falar de uma estratégia política que potencie o dinamismo e a valorização do potencial criativo que existe nos Açores. E deixo, a título gratuito, alguns exemplos de áreas e de actividades que deveriam ser prioritárias numa política cultural nos Açores.

1º Uma Escola de Artes. O Governo Regional dos Açores deveria criar em São Miguel, mais precisamente no edifício do Conservatório Regional, que seria associado à Academia das Artes dos Açores, uma grande escola de artes que ensinasse, do 9º ao 12º anos, num currículo paralelo à escolaridade normal e com objectivos profisionalizantes, os jovens das várias ilhas dos Açores com talento e potencial para estas áreas, diversas disciplinas desde a pintura à dança, da música ao teatro. Estes jovens terminado o 12º ano seriam então encaminhados para Universidades no continente ou no estrangeiro.

2º O governo regional deveria criar um programa de bolsas para estudantes, ou não estudantes, de criação no estrangeiro, dando-se assim a oportunidade a criadores açorianos de se valorizarem junto de mundos artísticos mais desenvolvidos e dinâmicos do que o nosso.

3º O Governo Regional deveria criar um programa de apoio a sabáticas para artistas estrangeiros na Região. A construção e dinamização de uma casa, suportada por um programa financeiro próprio, que convide regularmente artistas consagrados a permanecerem por períodos de tempo determinados na região, pagos pelo governo regional, apenas com a contrapartida de deixarem uma obra na região e de participarem em acções pontuais de formação para artistas locais.

4º O governo Regional deveria ambicionar que a região fosse o mais rapidamente possível contemplada com a realização da Capital Europeia ou Nacional da cultura. (Uma proposta que foi lançada neste blogue pelo Vitor Marques) Um evento desse género poderia mesmo ser utilizado como grande momento de reflexão que potenciasse o estudo e a definição das políticas culturais a desenvolver nos Açores nos próximos anos. Mais, tal ideia deveria ser adaptada à região e o Governo Regional deveria promover nos diversos concelhos uma Capital Regional da Cultura que em formato bienal promovesse um período de intensas actividades culturais.

Isto são apenas algumas de muitas ideias que podem ser uma base para uma verdadeira política cultural. E já nem falo na extinção do Projecto ARTCA, que foi tão só o mais original, importante e prestigiante projecto cultural que surgiu nos Açores nos últimos anos, não falo na inexistência de uma companhia de teatro, de uma orquestra, ou de um evento cultural, tirando o MusicAtlântico, que coloque os Açores no mapa cultural da Europa ou do Mundo.

No fundo a cultura nos Açores é residual, é pó de pedra-pomes, e quando os responsáveis se enganam a sim próprios sobre este assunto não há paciência que aguente. É que nem mesmo a retórica gongórica de Vasco Pereira da Costa, que nos brinda em entrevista, quase de certeza e-mailzada, com parágrafos destes:
"Também a geografia sociocultural da Região se afirma pela diversidade, impondo a necessidade de estabelecer objectivos e de gizar estratégias que contemplem os vários planos de produção e de recepção das actividades culturais. Um arreigado e polifacetado universo de expressões tradicionais convive com os impulsos inevitáveis da criatividade artística: por isso, as dinâmicas culturais facilitam a participação das populações, proporcionam acessibilidades a diversos meios e modos comunicativos, estimulam a inventiva, contribuem para as dinâmicas que alentam as mudanças, incentivam a preservação da identidade e proporcionam mecanismos de sociabilidade. Arrimando as diferentes tipologias da actividade cultural, forja-se um instrumento útil à coesão social, estimula-se o desenvolvimento e aprofundam-se competências e qualificações que se reflectirão na dinamização do turismo e do comércio e que se repercutirão nos contornos ambientais",
pode compensar o quase deserto, de poucos oásis, que é a cultura nos Açores.

Já não há pachorra para poetas como o nosso director regional da cultura.

APONTAMENTOS

Das palavras de António Rosa Mendes, comissário geral da Faro Capital Nacional da Cultura, num pré balanço da iniciativa ao jornal Público aponto o paragrafo:

Rosa Mendes considera ter-se alcançado não só a meta da conquista de novos públicos para as artes como ainda ter-se conseguido a "criação de um público exigente". Mostra-se convicto de que a partir de agora, a população algarvia "vai exigir que as autarquias e outras entidades inscrevam a cultura como uma prioridade para a região"

e sublinha

A qualificação do turismo "não pode estar dissociada dos aspectos culturais"

GOOD MORNING !



...Obrigado Grupo Jaba

APONTAMENTOS

Nesta entrevista onde Vasco Pereira da Costa diz quase nada apontei para posterior pedido de informações:

- "Vamos entregar a uma produtora externa a realização de um grande espectáculo musical com a intenção de o levar ao Continente e a outros países europeus."

- "Para além do que ficou já dito sobre a representatividade dos Açores, há um grupo de trabalho, gerado no seio da Direcção Regional da Cultura, que neste momento labora sobre um Festival de Expressões Artísticas Contemporâneas, extensível a todas as ilhas da Região. Será possível, através de um corporate board, emergindo da nova orgânica da Direcção Regional da Cultura, lançar as bases para a consumação desta acção bem como para outras áreas expressivas e comunicativas."

quinta-feira, dezembro 1

Pátria de Poetas ?



Sempre que a Pátria decreta
Vem-nos de Deus o recado
- E veste-se cada poeta
De soldado.


Rodrigo Emilio

quarta-feira, novembro 30

Soares

Portugal, junto com o resto do mundo, atravessa um momento difícil. E a doença parece que alastrou a todos os órgãos, como se fosse um cancro metastizado na totalidade do corpo. O desconforto que este momento nos provoca é violentíssimo e leva, objectivamente, à renúncia ou à revolta. Renúncia de o enfrentar, desviamos os olhos e abstemo-nos de combater. Revolta contra a realidade, zurzimos indiscriminadamente sobre tudo e todos, não resolvendo com isso os problemas, mas antes aumentando-lhes a gravidade. Depois da euforia dos anos 90, do desenvolvimento económico e político do "mundo ocidental", do sonho da "Europa Unida", da bolha das .com, dos grandes acordos internacionais e das promessas de paz, o mundo parece que mergulhou no "lado negro da força". Bush, o terrorismo, a guerra, Chavez, o aumento do preço do petróleo, o programa nuclear iraniano, o enigma do colosso chinês, o desaceleramento das economias europeias. Uma enorme quantidade de elementos contribui para este tempo de angústia em que vivemos. E estes grandes eventos, todas estas grandes tendências internacionais, repercutem-se muito claramente no nosso dia-a-dia atlântico, aqui na ocidental praia lusitana, ou, mais especificamente para nós açorianos, aqui na praia do Pópulo, no Porto Martins, ou no Peters olhando o Pico. Nos últimos cinco anos tivemos quatro Primeiros-ministros, sendo que dois deles fugiram da responsabilidade de o ser como o diabo foge da cruz, o deficit transformou-se em palavra-chave do pensamento económico, rebentaram escândalos, houve prisões e novelas mediáticas, vaticinou-se o fim da nação. O resultado disto tudo foi que o PSD deu ao país, com Durão Barroso e Santana Lopes, dois dos piores governos dos trinta anos da democracia e o PS, com Sócrates, obteve a sua maior votação de sempre.

E chegamos então ao fim do mandato presidencial de Jorge Sampaio e à necessidade de eleger um novo presidente da República. A Direita desde 1996 que tinha já predestinado o seu candidato e mais ainda quando, após o descalabro dos últimos três anos, se vê atirada para as cordas e sob a ameaça de uma maioriasissíma do PS. Cavaco surge aos olhos da Direita como o salvador do liberalismo. O problema será quando as várias direitas que agora aclamam o Professor de finanças perceberem que o Sr. não é um liberal e lhe descobrirem a verdadeira cara de intervencionista, conservador e moralista. Mas o Professor Cavaco era uma inevitabilidade. Na Esquerda esperava-se uma suave continuação do tronco ideológico de socialistas e humanistas, que começou com Soares continuou com Sampaio e seguiria agora placidamente para Guterres ou Vitorino. Aconteceu que nessa geração os impulsos são de outra natureza que não o serviço público e o bem da nação. Não faço aqui nenhuma reprimenda, principalmente porque acredito que a minha geração, trinta anos mais nova, é ainda mais hedonista e alheada do que a maioria da geração que viveu o 25 de Abril na flor da idade. Mas o facto é que na fasquia dos que agora têm 50 a 60 anos ninguém quis pegar no País.

Surge Mário Soares. Soares é claramente um político de uma geração pré 25 de Abril. A sua formação política foi feita ainda na ditadura num tempo de valores mais afirmativos e transparentes, de valores claros, e em que as lutas se faziam entre a liberdade e a opressão. Esta é uma das suas maiores qualidades e prova-o a forma como eles soube em trinta anos de vida política em democracia, em trinta anos de acção governativa nos mais diversos cargos, a forma como ele soube transpor essa matriz para o bem do País. Os valores que Soares representa são de facto uma das suas maiores mais-valias no momento actual que o Pais atravessa. O Socialismo democrático, o primado das liberdades individuais, o humanismo, a luta pelo estado social. Estes, e são apenas alguns, são valores essenciais ao nosso tempo.

Eu percebo que em face do momento político e em face dos candidatos, tanto à esquerda como à direita, a sensação seja de renúncia e de revolta, mais do que de apoio sincero. Eu próprio baseio muito do meu actual posicionamento político na total recusa de Cavaco Silva, não só por este ter sido o primeiro candidato a aparecer, mas acima de tudo porque muito do meu crescimento e formação política ter sido feito numa luta constante contra os governos do Professor e contra aquilo que a própria figura representa. Percebo, obviamente, que para quem está do outro lado da barricada o sentimento seja o mesmo.

Mas a questão se coloca agora, confrontados que estamos com estes candidatos, é qual deles tem melhor perfil e condições para desempenhar o cargo de Presidente da República? Mário Soares. As funções de Presidente requerem uma personalidade dialogante, por vezes mesmo um certo desprendimento, requerem valores e um absoluto e constante respeito pela constituição e pela democracia. O Presidente é o garante, é o símbolo. O Presidente é também a imagem do País no exterior. É precisamente por este carácter quase iconográfico do cargo de Presidente que Mário Soares é agora, como o foi no passado, o melhor candidato ao cargo. Num momento de inquietação no mundo e de crise no país, num momento em que avidamente se busca por estadistas no plano internacional e por líderes no plano nacional, Mário Soares é precisamente esse estadista, esse líder, que pode representar da melhor forma Portugal. Com humanismo.


APONTAMENTOS | DESAPONTAMENTO

Porque alguém disse que Ponta Delgada estava muito perto do Porto em eventos culturais, deixo aqui a título de exemplo, a programação para Dezembro de uma só sala, para que se analise o quão perto estamos...
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QUARTETO BORODIN
Quinta 1 21h00 Sala 2 10euros

CONCERTO PEDAGÓGICO ORQUESTRA NACIONAL DO PORTO Joana Carneiro direcção musical
Sexta 2 11h00 Sala 1 2euros

MASTERCLASS DE MÚSICA DE CÂMARA QUARTETO DE CORDAS BORODIN
Sábado 3 17h00 Salas de Ensaio 1, 2 e 10

ORQUESTRA NACIONAL DO PORTO Joana Carneiro direcção musical
Sábado 3 21h00 Sala 1 15euros

QUARTETO BORODIN
Domingo 4 18h00 Sala 2 10euros

CARLOS DO CARMO acompanhado pela Sinfonietta de Lisboa
Domingo 4 21h00 Sala 1 25euros

FESTIVAL Best. OFFREEL PEOPLE THE MITCHELL BROTHERS GILLES PETERSON
Quarta 7 23h00 Sala 2 15euros

PHILIP LANGRIDGE tenor David Owen Norris piano
Quinta 8 21h00 Sala 1 15euros

FESTIVAL Best. OFFRADIAN
Quinta 8 23h00 Sala 2 10euros (bilhete conjunto com o dia 9)

REMIX ENSEMBLE Rolf Gupta direcção musical Simon Cowen trombone
Sexta 9 21h00 Sala 2 10euros

FESTIVAL Best. OFFKUBIKHECKER (live) & TINA FRANK (video)
Sexta 9 24h00 Sala 2 10euros
(bilhete conjunto com o dia 8)

ORQUESTRA NACIONAL DO PORTO Alexander Briger direcção musical
Sábado 10 21h00 Sala 1 15euros

FESTIVAL Best. OFF
Sábado 10 23h00 - 06h00 15euros (bilhete conjunto para os 3 espectáculos)
SALA 2FELIX KUBIN HK 119 LES GEORGES LENINGRAD MYLO DJ TIGERTAILSFOYER SULTEAM SHADETEK presents HEAVY MECKLEMAX TUNDRA DJ AICORREDOR NASCENTEDJ Lil?John + KALAF & TYPE feat The Zany Dislexic BandSA-RA
CREATIVE PARTNERSCONCURSO ESTADO DA NAÇÃO

STEPHEN KOVACEVICH piano
Domingo 11 21h00 Sala 1 Gratuito

REMIX ORQUESTRA Franck Ollu direcção musical
Quinta 15 21h00 Sala 1 15euros

THE LEGENDARY TIGER MAN
Sexta 16 21h00 Sala 1 15euros

ORQUESTRA NACIONAL DO PORTO Marc Tardue direcção musical Reka Szilvay violino
Sexta 16 23h00 Sala 2 10euros

CONCERTO PARA BEBÉS Harpa
Sábado 17 21h00 Sala 1 15euros


CONCERTO DE NATALGABRIELI CONSORT AND PLAYERS Paul McCreesh direcção musical
Domingo 18 16h00 Sala

LANÇAMENTO DO LIVRO:?Antero de Quental sob o olhar de Luiz Freitas Branco
Cristina Gonçalves canto Paula Grimaldi piano
Domingo 18 21h00 Sala 1 25euros

CONCERTO DE NATAL ESTÚDIO DE ÓPERA
Domingo 18 21h00 Sala 1 25euros

JOVENS MÚSICOS DA RDP- MÚSICA DE CÂMARA NÍVEL SUPERIOR 2004 QUARTETO DE CORDAS TACET
Segunda 19 I 18h30 I sala
Quarta 21 19h30 Sala 2 5euros

Canções de Natal O Natal é uma época em que se recuperam as tradições.
O Estúdio deNovos talentos
ESTÚDIO DE ÓPERA19h30 Sala 2 5euros

PRÉMIO JOVENS MÚSICOS DA RDP- MÚSICA DE CÂMARA NÍVEL SUPERIOR 2004
QUARTETO DE CORDAS TACET
Quinta 22 21h00 Sala 2 5euros


EPITÁFIOS #1



Manuel de Brito (1928-2005)


Nasceu no Rio de Janeiro e quando desembarcou em Lisboa com três anos de idade, na Gare Marítima de Alcântara, achou a cidade triste. Foi paquete, moço de recados e boletineiro antes de começar a trabalhar na Livraria Escolar, à Rua da Escola Politécnica, onde conviveu com as tertúlias literárias e artísticas que aí se reuniam. O gosto pelas artes gráficas levou-o a estabelecer-se por conta própria como Livreiro e Editor. Na década de 60, quando a apagada e vil tristeza ainda dominava o país, Manuel de Brito abre no Campo Grande a Livraria 111, um dos sinais primaveris (que não marcelistas) dos novos tempos que acabariam por chegar a Portugal. Aos poucos, o eixo da cultura lisboeta deslocava-se do Chiado para as Avenidas Novas, entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Cidade Universitária. Nessa cartografia da modernidade possível, a Livraria de Manuel de Brito adquire uma dinâmica de Centro Cultural que leva o seu proprietário a abrir, em 1964, a Galeria 111, por onde passou o que de melhor e mais genuíno tinha a pintura portuguesa da altura.




Salazar a vomitar a Pátria. Paula Rego, óleo sobre tela (1960), Col. F.C.Gulbenkian

Com o tempo e as crescentes exigências da sua actividade como galerista, Manuel de Brito largou a Livraria e dedicou-se a fundo ao coleccionismo e às artes plásticas. Apanhei-o nessa fase de transição, em finais da década de 70, quando todos os dias passava a pé pela sua Livraria/Galeria a caminho da Faculdade de Letras. Grande parte da minha cultura universitária deve-se mais à 111 do que ás aulas propriamente ditas. Foi lá que conheci a Paula Rego e era lá que encontrava todas as edições dos nouveaux historiens ainda não traduzidas para português. Tenho-me na conta de bom pagador, mas hei-de estar sempre em dívida para com ele.

terça-feira, novembro 29

Publicidade, essa marota.

A TV Cabo, no seu novo anúncio, deseja a todos um bacanal, quem sou eu para discordar...

VOX POPULI

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PAULA MOTA
Homem Som,
2002-2003
acrílico s/ tela 162x146 cm
Via Galeria Fonseca e Macedo

TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS DIZER SOBRE OS COMENTADORES ANÓNIMOS

«Sempre encarei a blogosfera como um espaço de debate e confrontação de ideias, de crítica, com ou sem ironia, e também de puro divertimento. De tudo isto poderia resultar uma aprendizagem saudável, uma convivência agradável e até o estabelecimento de pontes de tolerância e proximidade entre pessoas mais ou menos conhecidas, ou até completamente estranhas. Como em tudo na vida há um «mas».A saudável democratização fez emergir uns seres funestos e pernósticos, de fenótipo humano, mas com genótipo indefinido, totalmente desprovidos de ideias, ignorando as mais elementares regras de convivência, mas a quem, infelizmente, foi dado o dom da fala. A sua presença não nos assusta. É simplesmente repulsiva! Seria desejável confrontá-los, mas não é possível. Tudo aquilo que define um ser humano ? as ideias, o carácter e a elevação ? não existe. Confrontar o quê?»

Carlos Falcão Afonso, Domingo 4 de Dezembro na nossa caixa de comments ao post «Política Cultural».

AINDA OS CARTÕES AMIGOS DO PS

«A constatação é a de que o PS-Açores continua a ser um partido «sem bases», de «funcionários públicos» arregimentados e simpatizantes de ocasião, agora com direito a «cartão de simpatizante». Uma espécie de «cartão de crédito» : o «Rosa» para os simpatizantes singulares e o «Gold» para os simpatizantes colectivos. Neste contexto, ai daqueles que apresentarem o cartão de antipatizante, o «Classic». Não têm «crédito político».

António Lagarto, Domingo, 27 de Novembro no Açoriano Oriental

O FÁCIES PRESIDENCIAL

«O Presidente da República é o rosto do país, tanto para a nação, internamente, como para o estrangeiro, externamente. E qual o rosto que queremos para Portugal.».

Maria do Céu Patrão Neves, «filha e esposa e mãe, estudante e professora» e mandatária regional de Cavaco Silva, quinta-feira 1 de Dezembro no Açoriano Oriental.

SOB ESCUTA IDEM

«Eu, por exemplo, parto do princípio, hoje como no tempo da PIDE, de que o meu telefone está sob escuta. As escutas tornaram-se também um instrumento político nas mãos das corporações judiciais.».

Miguel Sousa Tavares, sexta-feira 2 de Dezembro no Público.

MITO COMUNISTA OU EXEMPLO DE DIGNIDADE HUMANA ?

«(Catarina Eufémia) não estava grávida de gente, mas de justiça. É essa a sua herança, simples na sua imensa dignidade.».

Nuno Pacheco, sexta-feira 2 de Dezembro no Público.

KAMIKAZE BELGA

«Tinha-se tornado mais muçulmana que um muçulmano.».

Liliane Degauque, mãe de Murielle Degauque a cidadã Belga que foi a primeira kamikaze europeia a implodir-se no Iraque, Sábado 3 de Dezembro, no Público.


CRUZES CREDO !


«Joana Amaral Dias recorda que, de acordo com a Constituição de 76 e suas várias revisões, «o ensino público não será confessional». A presença da cruz nas escolas determina a confessionalidade? Se assim fosse, o retrato do Presidente da República, em inúmeros edifícios públicos, ofenderia também os monárquicos, que têm tanto direito a sê-lo como qualquer português a ser politicamente o que lhe apeteça. Como a presença da coroa (por exemplo no Teatro Nacional de São Carlos) ofenderia os republicanos, diariamente agredidos por armas reais e brasões ou outras insígnias semelhantes, patentes na maior parte dos palácios nos chamados monumentos nacionais.».

João Bénard da Costa, Domingo 4 de Dezembro no Público.

...E SEMPRE A VIL PECUNIA

«falta, para arrematar e ao arrepio do bloqueio dos aumentos na função pública, salientar a mão larga dos cofres públicos para acrescentar mais de 1000 euros por mês às algibeiras dos responsáveis dos Conselhos Directivos das Escolas dos Açores. Os professores andam arredios mas a política educativa do governo regional é para cumprir, nem que seja comprada.».

Mário Abrantes, sexta-feira 2 de Dezembro, no Jornal dos Açores

UM ROBOCOP DE PAPELÃO !

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Porventura seguindo a inspiração da mais recente moda na estatutária insular, cujo ícone vigilante é o «action man» de pedra, em versão comando do ultramar, que nos observa às portas do Hospital do Divino Espírito Santo, temos agora nas nossas estradas um Robocop de papelão! Efectivamente, numa iniciativa piloto o comando da PSP, em parceria com Prevenção Rodoviária Açoriana, tem agora ao seu serviço uma maravilha da tecnologia moderna que recebeu o nome de código de Agente Melo. Com menoscabo para esta arrojada iniciativa, com o ambicioso timbre de «Operação Observação Permanente», há até quem veja o Agente Melo, literalmente, como um boneco. A tal circunstância não será alheia a realidade de que na retaguarda do Agente Melo estão agentes de carne e osso que, muito apropriadamente, se dirá estarem a trabalhar «pró boneco».

Na verdade, o boneco é um vulgar engodo, pois fazendo o «back-up» do polícia de papel estão verdadeiros agentes da PSP trabalhando neste «projecto-piloto» para ulterior «análise sociológica dos dados». Ora, numa análise sociológica preliminar damos todos por assente que seriam de maior préstimo se estivessem afectos a outras tarefas.

À margem da ironia o facto é que esta iniciativa não dignifica a Polícia de Segurança Pública. Quando temos um corpo policial que muito faz com os escassos meios que possui, em vez de se honrar o seu indispensável ofício, coloca-se ao serviço da corporação um boneco! Dirão as luminárias responsáveis por este projecto que o mesmo tem em vista monitorizar a conduta dos condutores, privilegiando assim a prevenção rodoviária primária, e como legitimação do mesmo lá irão invocar um documento de natureza comunitária, como por exemplo, a Carta Europeia da Segurança Rodoviária.

Seja como for, a iniciativa é infeliz, e esta espécie de «big brother» terceiro-mundista ridiculariza, desde logo, a política de policiamento de proximidade. A origem de projectos deste jaez deriva de uma desventurada mentalidade habituada a colocar no topo das prioridades a sociologia, e só depois a lei e a ordem, ou até mesmo o modelo do policiamento de proximidade já experimentado noutros «laboratórios sociais» com comprovado êxito. Porém, mesmo sem cuidar de discutir o mérito ou demérito do Agente Melo, o certo é que este não é o parceiro que os homens e mulheres da PSP precisam para dignificar o seu trabalho tantas e recorrentes vezes menosprezado pela comunidade. Nestas, como noutras matérias, o pioneirismo estrangeirado ou nacional não passa de papel, dando assim razão ao bom senso que recomenda o conservadorismo das medidas da «velha guarda».

JNAS na Edição de 29 de Novembro no Jornal dos Açores

Ilhas # 1





Corvo: a ilha Farol


Fui hoje ao aeroporto esperar um amigo que vinha de Lisboa. Encontrei lá o dux veteranorum da blogosfera açoriana e o Tomás, velho colega dos tempos do Pedro Nunes, que estava de passagem por Ponta Delgada a caminho da Turquia. Devo esclarecer que o Tomás reside em Angra do Heroísmo. Adiante. Tivemos um cofee break muito agradável e aproveitámos para recordar o trabalho que desenvolvemos juntos para o Plano Director Municipal do Corvo, quando ainda não havia carreiras aéreas regulares para essa ilha e a actuação do Palhaço Pézinho no Largo do Outeiro era a coisa mais próxima que então existia do actual Festival dos Moinhos que, salvo erro, já vai na sua segunda edição. Hei-de estar sempre eternamente grato ao Tomás, que até nem é de cá, o ter-me desinquietado para o estudo do Corvo, porque foi a micro-história corvina que me fez compreender a essência da insularidade açoriana. A insularidade, ensinam os geógrafos, é uma simbiose de isolamento e vida de relação. E o Corvo representa, melhor que qualquer outra ilha, a forma exagerada dessa condição esquizofrénica. Quando eram o vento e as correntes marítimas a determinar as rotas na estrada atlântica, o Corvo era conhecido na gíria náutica pelo nome de ilha do Marco. Dá para perceber porquê. O minúsculo ilhéu era sempre o primeiro a ser avistado pelos marinheiros nas suas viagens de regresso à Europa, quando os barcos vinham com o bandulho cheio de especiarias e metais preciosos. O Corvo era uma espécie de navio-farol que assinalava a entrada na barra açoriana e Angra, onde estava fundeada a Armada das Ilhas, era o vestíbulo de acolhimento e refresco para a última etapa da travessia atlântica de regresso a casa, fosse ela Lisboa, Sevilha, Londres ou Antuérpia.

Os corsários, que não estavam para fatigas e apanhavam as presas a meio caminho, adoravam o Corvo. É frequente toparmos na documentação quinhentista e seiscentista com expressões deste tipo: lavrar os mares nas paragens do Corvo. Por regra os corsários deixavam os corvinos em paz e, se exceptuarmos os ataques dos Condes de Cumberland e Essex no período da dominação filipina, as relações até eram bastante cordiais, quando não cúmplices. A água doce e os frescos em abundância faziam do ilhéu uma loja de conveniência para os routiers do Atlântico norte. À sua maneira, o Corvo também conheceu o cheiro da centralidade. Quando veio o tempo da navegação a vapor transformou-se num apeadeiro ferroviário abandonado. Quase que o conheci assim, no seu isolamento romântico e comunitário. Ainda deu para me sentir adamita ao tomar banho nú na Lagoa do Caldeirão. Obrigado, Tomás.

segunda-feira, novembro 28

o blogger tem direito a senha?

Ando aqui reunido com o meu teclado e juntos deliberamos que aceitamos uma senha de presença - quase diária. Não me responsabilizo pelos restantes membros:ILHAS nem pelos teclados que representam. Apenas sei que o meu reclama os seus direitos dia após dia. O esforço dispendido é enorme e a ansiedade tem os seus momentos de angústia - antes e após o pénalti. E a senha "remuneratória"!? Ahhh, pode ser liquída...de preferência Tinto!

delicioso

São destas pérolas que é feito o jornalismo local. Não encontrei em nenhum outro concorrente qualquer referência ao fenómeno. A capa é assustadoramente deliciosa...

Quando os Citroen eram «AMI» !



Há uma Pátria sentimental cuja estrada de origem não tem regresso. Nesse país distante e passado, sempre solarengo e inocente, até os carros serviam para afirmar a joie de vivre. Nas estradas, ora extintas, circulavam bizarrias como o Ami da Citroen, cuja griffe do double chevron era sinónimo de arrojo futurista, nem que fosse nas formas. Da banda sonora desses dias ainda ecoam as gravações, em formato de cartucho magnético, de veneráveis vanguardas como os Blondie, Kinks, ou os The Tubes. Todos eles, como se sabe, extintos, ou pior ainda obscenamente regressados num invólucro celulítico.

No cândido imaginário desses dias tudo estava aparentemente arrumado numa doce simplicidade garrida. Assim, Laranjina C era o refrigerante que nos retemperava a goela em dia de festa. O deo que nos iniciava na higiene da puberdade era o Lander Deo Stick, disponível numa variedade de arco íris que só rivalizava com o Shampoo Foz. Os ténis eram invariavelmente de fabrico nacional e de marca Sanjo ou Ritex Sport. Enfim, o mundo era previsível e as suas fronteiras eram trespassadas em irreverentes sublevações pedalando as populares e desdobráveis Auto-Minis.

Mas, na estrada das nossas vidas seguimos destinos divergentes e não há fio de ariadne que nos leve de volta ao tempo em que os Ami da Citroen refulgiam sob o sol da nossa infância.

Há coisas que são como o Champagne

Se há coisas que são como o vinho do Porto, outras há que são como o mais fino Champagne e mais valiosas do que uma caixa de D.Ruinart ! Flamboyant, viçosa, e mais borbulhante do que nunca, Madonna está de volta com um excelente CD. A consumir com excesso...com ou sem um Champagne !



foto via : Homem Máquina

sábado, novembro 26

coisas que são como o vinho do porto

APONTAMENTOS

Na feira do livro
O Homem do Caribe, publicada em 1979, em cores,
60 páginas,
Texto de Decio Canzio, desenhos e capa de Hugo Pratt. Cores de Anna Pratt

Não é uma grande obra de Pratt mas por 1, 95 euros....