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domingo, abril 8

...Máscaras


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For the Love of God by Damien Hirst
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"A beleza é um dom da piedade divina: A suavidade e a majestade do rosto do homem são uma das mais comovedoras defesas contra a angústia do fim corpóreo. Mas a defesa dura só poucos anos. A face, desfigurada pela fadiga, pelo pensamento e pelo pecado, revela cada vez mais, com o tempo, o tremendo aspecto que aguarda sob a frágil epiderme. Morrer não é mais, enfim, - falando em linguagem totalmente terrestre – que tirar para sempre a máscara"

Giovanni Papini in "Vigia do Mundo"

domingo, abril 1

O Senador Erótico

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Rihanna com Boneco de Pau.
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"Completamente oposto ao bom Regália era o seu despótico e extravagante chefe: o senador, professor e director Paollo Mantegazza. Era ele o verdadeiro nume do Museu, da Sociedade e do Archivio. Era ele que tinha fundado este triângulo científico; era ele que tinha imposto o ensino da antropologia nas universidades italianas; era ele o homem célebre, o polígrafo popular, o presidente, o chefe, o soberano, o tirano, o padre eterno de tudo.

Paolo Mantegazza, quando o conheci, rondava pelos sessenta anos, mas sempre direito, rijo, vigoroso, de tez viva, com olhos imperativos e observadores apesar de enterrados numas olheiras de bistre, vincadas por papos arroxeados. Usava uns grandes bigodes à celta e uma pêra branca à Napoleão, uma longa cabeleira que lhe caía pelo pescoço, como a do poeta Aleardi, e tinha um grande sinal numa das faces. Era um belo homem e sabia-o; era famoso e sabia-o; era poderoso e sabia-o; era também libidinoso e via-se.

Quando voltava de Roma, alto e envolto na sua peliça de grandes bandas, com a sua voz lombarda que ressoava até à última sala do Museu, dava realmente a impressão de um poderoso na terra, e todos lhe chamavam, por antonomásia o Senador.

Considerara, muito antes de Sigmund Freud, que o sexo era o fundamento, a chave e a essência da vida humana, e se tivesse tido um pouco mais de paciência, de doutrina e de génio, teria podido preceder os sexologistas dos nossos dias e deixar uma enciclopédia sexualista semelhante à que compôs mais tarde Havelock Ellis. Tinha escrito "A Fisiologia do Amor", dois volumes sobre "Amores dos Homens", "Um dia na Madeira" (romance sobre o acasalamento entre casais de doentes), "Uma página da higiene do amor", e enflorava de conselhos e de anedotas eróticas o seu "Almanaque Higiénico", mas faltava-lhe uma teoria, uma ideia sua. Por mais que tivesse pensado toda a vida nas mulheres e na conjugação dos sexos, não aprofundara nem resolvera problema algum: contentava-se com rebuscar em livros de história e de etnografia todas as notícias que lhe surgissem sobre a vida sexual, mas, de seu, apenas punha um pouco de lasciva malícia e de literatura, entre o materialista e o romântico.

Tinha um gabinete amplo, forrado de volumes de ciência, mas, por cima da secretária, por cima da sua cabeça, havia um espaço sem livros: ocupava-o o retrato de uma mulher formosa, vestida de malha, de cara gorda e provocante: era o retrato de Miss Zaco, uma famosa amazona de circo. Era a sua Vénus, a sua divindade protectora naquele sacrário da ciência do homem. Mas não se contentava com aquela imagem: já velho, desposou uma rapariga que, segundo diziam as más-línguas, nem sempre lhe era fiel. Mas ele não se importava; e consta ter dito um dia: "Semeie o campo quem quiser, contanto que o campo seja meu".

Paolo Mategazza, não obstante um certo verniz romântico, era um dos mais ingénuos materialistas que acaso encontrei. Certo dia, discutindo psicologia comigo, saiu-se com esta frase, que daria por inventada se a não tivesse ouvido com os meus ouvidos: "Quando um dia virmos passar a alma sob os nossos microscópios fixados no cérebro, todos estes problemas serão resolvidos".

Mas a sua obra-prima a este respeito foi a criação daquilo a que ele chamava o Museu Psicológico. Ao fundo do Museu de Antropologia havia uma porta sempre fechada: e a chave estava fechada à chave na secretária de Mantegazza. Mas quando me foi dado granjear, com o andar do tempo, a estima do Senador, consegui obter uma vez a tal chave e penetrar no proibido recesso da minha ciência predilecta. O Museu Psicológico consistia numas três salitas ladeadas de altas vitrinas: Na primeira, estava escrito: Vaidade. Havia lá dentro pesados colares de pedras de cor, diademas de latão incrustados de pedaços de espelho, brincos em forma de escaravelhos gigantes, sapatinhos chineses, e, sobretudo, condecorações imperiais e reais e de outras ordens honoríficas já em desuso, de todos os países.

Numa segunda vitrina estava escrito: Crueldade. Continha correntes de galeote, estranhos engenhos dentados, facalhões bárbaros e gravuras que representavam cenas da Inquisição em Espanha. A terceira vitrina era dedicada à Luxúria. Exibia curiosos anéis dos quais se serviam, ao que parece, certos selvagens na cópula : uma almofadinha em feitio de bóia, usada na China por certas luxuriosa requintadas; fotografias obscenas onde homens e mulheres tinham o rosto tapado por mascarilhas pretas. Mas a preciosidade mais vistosa era uma escultura romana em bronze, na qual a obsessão erótica de Mantegazza julgava ter reconhecido uma cena de pederastia, quando, para qualquer visitante não prevenido, se tratava apenas de Hércules tentando agarrar Anteu pelas costas para o derrubar.

As duas últimas vitrinas ostentavam o rótulo: Sentimento Religioso. Aí figuravam rosários e amuletos, um moinho de orações proveniente do Tibete, cilícios, um ou outro ex-voto de velha prata. Mas os mais notáveis documentos de mania religiosa consistiam em longas tiras de pele humana curtida, em que se viam as tatuagens da Madonna do Loreto, e, por baixo, os ferros que tinham servido para marcar para sempre nos braços e no peito dos penitentes os símbolos da Virgem e do Filho.

Com tão heteróclita confusão de trapalhadas, o senador Mantegazza julgava ter ali protegidas pelo vidro as maiores manifestações do espírito humano e possuir o material mais seguro da psicologia positiva. Aquele pequeno museu - agora desaparecido ou disperso sabe-se lá por onde - ficou-me na memória como o mais cómico monumento da parvoíce materialista do século XIX."

No Museu parece que não havia lugar para os submersos e resgatados ossos do "homo amorudo"!


Giovanni Papini in "O Passado Remoto"

Edição de 1971 dos Livros RTP exumada algures num alfarrabista

domingo, janeiro 29

...Despertares

Homo ? Humus
Fama ? Fumus
Finis ? Cinis
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"Com terrível brevidade está aqui contida a história terrena de todos os homens, mesmo dos grandes e gloriosos. O homem, de facto, não é senão terriço mas, por vezes esta lama chega a arder, a dar luz de chama e incêndio de amor. Todo o fogo, porém, é sempre acompanhado de fumo e o fumo perde-se no ar enquanto fica na Terra apenas o cinzento frio das cinzas. Toda a vida do homem consiste, pois, em transformar a escura terra que o compõe num punhado claro de cinza. E entre um e outro momento não há mais que alguma vã e lenta fumaça que os aduladores chamam fama." (*) Monroe é que o sabia ! Qual Terra ? Há sempre o Mar como nos ensina aqui "Marilyn avistada na Praia Pequena do Pópulo aviando um Chablis" (By Jed Martin).

(*) Giovanni Papini - "O Vigia do Mundo"

terça-feira, janeiro 24

...Beyond "Shooting Palermo"

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"(...) mas a Inteligência Divina abarca juntamente todas as coisas.

O passado está no presente, assim como também o futuro" -
Plotino in "Enéadas"
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Imaginemos um homem insone. Um moderno homo laborans. Um homem-máquina que vive contra-relógio. Um workaholic num frenesim urbano e tecnológico, agarrado aos seus gadgets, e que tudo regista a 360º com uma câmara digital...incluindo, por acidente, a própria Morte ! Um ser alienado materialmente imerso nuns headphones conectados no seu mediaphone da Nokia, que não larga um segundo que seja, e cuja playlist da sua privada banda sonora apenas interrompe para mais uma milésima sms de trabalho ou de speed dating. Uma criatura que vive contra-natura, ou seja, negando a si próprio a sua humanidade e o reverso da Vida que é a Morte. Um homem assim é uma bomba-relógio em contagem decrescente pois não se deve ignorar a Morte mas sim o risco da própria Vida! "(...) o perigo não nos vem da morte mas sim da vida. A morte é uma consequência do viver ou do viver demasiado. A força da morte é metafísica, a da vida é real. Não é a morte que mata a vida, mas esta que vai morrendo. A vida é a única força. A morte é uma consequência da sua quebra.". Quem o disse foi António Maria Lisboa, em "Mistérios Medos e Mais Coisas", leitura surrealista, decerto ignorada por Wim Wenders, que em "Shooting Palermo" assina um filme que tem a ambição frustrada de ser "sobre a vida e a morte" e nos apresenta a personagem de Finn que com traços impressionistas caracterizamos como se fosse uma personagem-tipo. A vida de Finn balança entre a distopia organizada e insensível de Dusseldorf, onde o filme começa, e o caos apaixonante de Palermo, onde termina, depois de um penoso registo da decadência do romantismo teutónico.
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A personagem interpretada por Campino - (um rapaz de cenho pós-punk, vocalista de uma banda germânica com o obscuro nome Die Toten Hosen – literalmente "Pantaloni Morti", ou seja, "Calças Mortas" !) – é o já apresentado Finn...um celebérrimo fotógrafo de moda que cumpre com eficácia o caderno de encargos das suas encomendas, mas...Mas, a dado ponto da sua vida, apercebe-se que mecanizou tudo o que faz, e que na engrenagem dessa existência não há qualquer fulgor ou paixão. É eficiente no seu labor, como uma peça de engenharia alemã, bem oleada e encaixada em Dusseldorf, onde vive e trabalha a criatura, - (só por coincidência a terra natal e sede da banda Die Toten Hosen) -. Porém, por baixo da frieza do germânico aço escovado algo lhe corrói a existência. Um mal de vivre que, no fundo, é o relógio biológico que subitamente começou aumentar-lhe as rpm’s. Sugere-nos descaradamente o realizador Wim Wenders com planos de Dalinianos relógios derretidos e outros delírios à Buñuel. Eu diria que é o "tédio" que o ataca. Na verdade, a receita do que lhe pedem no seu ofício resulta perfeitamente estilizada na mentira duma foto de moda mas, por detrás da mesma, no biombo da sua existência, aquilo já não tem sentido...é apenas uma técnica sem qualquer arte.
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Imaginemos este mesmo argumento realizado por um cineasta Italiano e seria decerto uma obra-prima intemporal. Aqui, de contrário, temos uma mão cheia de clichés, uma aguarela em tom de souvenir, com umas pinceladas de um qualquer fresco Italiano impressionistamente tomado de empréstimo e aprisionado pela câmara de um acidental turista alemão. Este alemão, ou o seu alter-ego, aleatoriamente percorre as ruelas de Palermo, no intervalo de uma "shooting session" com uma starlet de ocasião, à mão estava Milla Jovovich, e na encruzilhada picaresca da sua vida desemboca no "Cortile Della Morte", ou seja, em toponímia lusitana aquilo que traduziríamos literalmente como o "O Beco da Morte". Seguidamente, num encontro, sem marcação prévia, algures num jardim suspenso de Palermo este homo laborans, que vive de fotografar o que está à superfície pois "ser" fotógrafo de moda é o que lhe paga o viver, encalha num diálogo casual com uma anciã atracada a uma máquina fotográfica Leica, e vendo-o com uma Plaubel na mão resolve trocar cromos e a conversa é simples como um instantâneo:
"- Que bela máquina fotográfica !" interpela-o a sexagenária entradota ;
"-Pois é! Tenho-a há vinte anos"; "-Esta Leica há quarenta anos que me sirvo dela!" – insiste a matrona;
"-És uma fotógrafa ?" – pergunta-lhe Finn; " - Fotografo Palermo, a vida, a morte..." – responde-lhe a anónima parceira de diálogo; "- Fotografas a morte?"; " – Sim ! Existe muita morte em Palermo"...quem diria !;
"- Porque o fazes?"; "-Para honrar os mortos, para os recordar...para que a lembrança deles não se perca...fala-me do teu trabalho, prefiro!";
Finn faz uma pausa e responde : " -Do meu trabalho? Como é que se diz? Sou um homem perdido!" :
"- Lost? " – questiona a Senhora subitamente poliglota; no mesmo registo Finn alinha no dueto bilingue : " - Si ! Io sono perduto" ! ; remata a velha : "- capisco quello che sucede !".
Fim do take : ciao e uma fotografia a tardoz e o filme prossegue !
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Seria de esperar que nesta fase de perdição um homem assim - ("perduto") - se atirasse da ponte ali tão próxima rumo ao suicídio ! Afinal parecia que não tinha mais objectivos e apenas uma "objectiva" para captar a vida dos outros. Seria o rumo natural do enredo, com um toque de fatalismo eslavo é certo, no qual enxertaríamos uma adequada citação de Tolstói afinal...: "se existir um objectivo de vida, é evidente que a vida tem de cessar quando o objectivo for atingido" -(no caso de Finn o seu objectivo terminava numa grande angular). Bom, mas este filme não é um pastiche da "Sonata de Kreutzer", mas sim um patchwork de caleidoscópicas proporções. Wim Wenders mete lá tudo e não resiste a um palimpsesto cinematográfico que não esconde sequer com pudor a homenagem ao "Sétimo Selo" de Ingmar Bergman, bem lá atrás no retrovisor em 1957, ou a "Blow Up" de Michelangelo Antonioni mais recentemente em 1966. A crítica demoliu o filme e em bom rigor está longe da obra prima que é, e sempre o será, "Paris Texas". Ainda assim é um filme eficaz na forma como nos seduz e secciona o olhar entre a ordem e o caos, entre a placidez de um mar morto e um maremoto em que subitamente se pode transformar a existência e a luta contra a entropia da Morte. É um filme com uma irrepreensível fotografia e uma excelente banda sonora.
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Mas...imagino uma matéria-prima destas nas mãos de um cineasta Italiano e teríamos decerto aqui um filme maior do que a Vida. Mas a Vida, na síntese de Giovanni Papini, no final da sua, nada mais é do que erros e renúncias : "a vida humana reduz-se toda a erros e renúncias. Enquanto somos jovens, os erros são mais numerosos que as renúncias; na velhice, aumentam as renúncias mas nem por isso diminuem os erros", escreveu paradoxalmente o escriba de Florença. Acrescenta ainda como máxima de Vida algo similar ao carpe diem : "Enquanto vives, esplende". Em "O Vigia do Mundo" Papini refere estes versos gregos perdidos no tempo e que são tidos como um epitáfio : "Enquanto vives, esplende". Ouçamos Papini : "Este imperativo parece-me bastante mais belo e profundo do que os mais famosos do Templo de Delfos, de Kant e de Ibsen. Conhecer-se a si próprio é quase impossível e seria perigoso, se possível ; servir com os nossos actos como norma universal é um dos mais inúteis achados do abstruso e obtuso Kant ; a ordem "sê tu mesmo" é uma tautologia que só entre os hiperboreais podem parecer ordens dignas de bronze. Em contrapartida, na ideia de esplender reside a própria essência da vida. Quem não é luz não dá luz e quem não se inflama e não irradia e aquece à sua volta é semelhante a lenha verde ou lama refractária : não vive e não merece viver". Com este argumentário é caso para sentenciar que um cineasta Italiano, com obrigação do lastro de uma civilização que produziu eruditos como Papini, faria decerto deste "Shooting Palermo" uma obra intemporal.
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Mas, sem prescindir de um final feliz, entre tantos caminhos que se bifurcam entre o Bem e o Mal, a Vida e a Morte, o nosso germânico e bárbaro "herói" encontra redenção no AMOR...de uma bela Siciliana. Um lugar-comum neste filme em palco Italiano? Talvez não...afinal foi em Palermo na corte de Federico II, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, como tal Rei da Sicília...e também por acréscimo da Germânia, que foi cantada a primeira poesia de Amor composta em Língua Italiana !
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sábado, setembro 17

...Despertares


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Vontade de partir, de largar tudo,
de acordar amanhã num hotel em Veneza,
de esquecer o passado, o futuro, o mundo
e baralhar as cartas expostas na mesa.

Vontade de zarpar, de abandonar
as mínimas coisas algum dia amadas
e procurar no mapa das estradas
o que teima em faltar.

Vontade de abalar sem um aceno
sequer de despedida
e de um modo expedito mas sereno
recomeçar a vida.
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(Torquato da Luz)
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domingo, setembro 4

l'amicizia è la méglio gioventu




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"Quando decidimos tornar-nos amigos; prestamos o maior de todos os juramentos"

Arístóteles


terça-feira, agosto 2

...Eu hoje deitei-me assim !

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Trasformarsi senza limiti...e partir, sem destino, nem hora, na companhia de uma bella "italiana".
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tramonto...algures na Toscana
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domingo, julho 31

...Eu hoje deitei-me assim !



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"Lost in Translation", de Sofia Coppola, "dobrado" na Língua dos ascendentes de Sofia soa ainda melhor. Aqui, o "ciao" não tem a definitividade de um "bye" (no original e em HD)mas a esperança de um reencontro em qualquer Língua. Mas com tanto neon também poderia ter sido ilustrado com um clássico do Italo-Disco e aqui é o Inglês que ganha outro charme remasterizado com o brilho da Classe de 80
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segunda-feira, julho 25

...Eu hoje deitei-me assim !



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Um filme-folhetim ! Um "fresco" poderoso em cujo friso acompanhamos os bailes da vida . Diz tanto dos caminhos sinuosos desta estrada, tantas vezes sem qualquer sinal antes da curva, ou dos caminhos que se bifurcam, e da nossa incapacidade de saber o que vem a seguir. Mas é assim mesmo. Alguns têm essa lucidez. Outros não : têm o privilégio da inconsciência. Vejo e revejo sempre com emoção este "romance" em formato DVD com um sublime final porque, in fine, e aperto alla speranza : "tutto è veramente bello"

quarta-feira, julho 13

...Eu hoje deitei-me assim !

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Matteo e Mirella, "la coppia impossibile" de la "meglio gioventù" ou, a expressão cinematográfica, e dramatizada, daquilo que na vida real se convencionou chamar, nestas, e noutras ocasiões, "vítimas das circunstâncias". Uma personagem bibliófila, como "Matteo", mais cedo ou mais tarde, por exemplo, ficaria refém deste dilema irresolúvel de Milan Kundera em "A Insustentável Leveza do Ser" : "Nunca se pode saber o que se deve querer porque só se tem uma vida que não pode ser comparada com vidas anteriores nem rectificada em vidas posteriores. (...) Não há forma nenhuma de se verificar qual das decisões é melhor porque não há comparação possível. Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. Como se um actor entrasse em cena sem nunca ter ensaiado." Não há solução. Só resistência. "Enganas-te" ?

terça-feira, julho 12

...Eu hoje deitei-me assim !

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"Canzonissima" foi um show de variedades dos anos 50 e 70 da RAI. Aqui, em versão remasterizada, um clássico de Fausto Leali repescado da banda sonora da "La meglio gioventù" que não me canso de rever, ouvindo com nostalgia canções de um tempo inocente que não vivi, nem voltará.

"A Chi" ?

A chi piace.