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terça-feira, fevereiro 25

Maça de Darwin, macaco de Newton

Obras de dois artistas portugueses adquiridas pelo Museu Rainha Sofia na ARCO/Madrid Três obras da dupla João Maria Gusmão e Pedro Paiva, da galeria Graça Brandão, em Lisboa, fazem parte do grupo de obras de sete artistas, que o Museu Rainha Sofia adquiriu na ARCO, Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid. De acordo com a informação do museu da capital espanhola, as aquisições dizem respeito a um total de 17 peças, no valor global de 204.625 euros. Entre as obras adquiridas, há desenhos, fotografias, objetos, diapositivos e filmes, informa o museu. Cada uma das três obras da dupla portuguesa, escolhidas pelo museu - os filmes «Maça de Darwin, macaco de Newton» (2012), «Três sóis» (2009) e «Eclipse Ocular» (2007) -, é composta por «internegativos», «interpositivos» e duas cópias de exposição. «Três sóis» fizeram parte da representação oficial portuguesa na 53.ª Bienal de Veneza, em 2009, «Eclipse Ocular» foi apresentado na Tate Gallery, em Londres, em 2010, e «Maçã de Darwin, macaco de Newton», que aborda a identidade e cultura micaelense, em filme e fotografia, esteve patente na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada, em 2013.
Os parabéns à Fátima Mota e à galeria que dirige.

quarta-feira, junho 19

Vinho de missa

A Diocese de Angra quer produzir o seu próprio vinho de missa. A Cooperativa Vitivínicola do Pico será responsável pela produção deste licoroso que tem características próprias. Depois de certificado, o vinho pode ser exportado.
Uma boa iniciativa para ler e ouvir.

sexta-feira, junho 7

"A insularidade era um ponto fraco que se transformou numa força"


Entrevista ao P3 com Diana Sousa e Jesse James, fundadores, promotores, pensadores, estrategas e carregadores de latas do festival Walk & Talk. Para ler aqui.

quarta-feira, maio 1

Açores em rede

«(…) Que as ilhas sejam um mistério para fora é um problema antigo a ir resolvendo. Mas há outro. Não se transforme o arquipélago em ilhas desconhecidas entre si
Esta passagem faz parte de um texto do Nuno Costa Santos escrito para o Diário de Notícias, num conjunto de crónicas sobre o que seriam os Açores em 2012, a propósito das eleições regionais que decorreram no passado mês de Outubro. É uma imagem inverosímil sobre quem cá habita e olha para dentro e, concomitantemente, para fora. (...)
Para ler na íntegra na edição de Abril do Mundo Açoriano.

domingo, março 10

Notícias Magazine

«Açores: antes e depois da autonomia Agora há mais uma razão para ir aos Açores. Quem nada sabe da história da sua autonomia tem agora a oportunidade de a conhecer com A Viagem Autonómica , um documentário do jovem realizador de 31 anos Filipe Tavares que, através dos jornais da época, de registos audiovisuais em arquivo e de vários testemunhos, põe a nu anos e anos de uma história que muitos portugueses, continentais e açorianos, em especial os mais novos, desconhecem. (...)»
Leitura por inteiro aqui.

quarta-feira, julho 18

Um lugar para desaparecer

Fotografia Nelson Garrido
Um "graffiti mental interplanetário". Justo Navarro, crítico no El País, usou as palavras suficientes para definir a obra de Enrique Vila-Matas quando saiu em Espanha a primeira edição de Exploradores do Abismo, faz agora cinco anos. O livro é um dos grandes exemplos da deambulação do escritor, que escolheu os Açores como metáfora do isolamento e da nostalgia.

Descobriu o mistério da ilhas com o seu amigo Antonio Tabucchi. A 26 de Março deste ano, um dia depois da morte do escritor italiano, Vila-Matas recordou-o no seu blogue El Ayudante de Vilnius, nome retirado do protagonista de Ar de Dylan. Quando Tabucchi desembarcou no Corvo, "a ilha mais remota dos Açores", um homem que tinha um moinho de vento para moer cereais perguntou-lhe: "Senhor, o que vem fazer a esta ilha?" Ao Corvo vai-se por ir, escreve Vila-Matas, que se considera capaz de adivinhar o que pensou Tabucchi naquele momento: "Que teria gostado de ser um dos portugueses que chegaram aos Açores no Século XV e encontraram um paraíso".

Elegeu os Açores para centro de um dos contos de Exploradores do Abismo, sem nunca ter esgotado o tema. Afinal, considera-se vítima do feitiço daquelas ilhas. "Ilhas do meio do Oceano Atlântico, longe de tudo. Da Europa e da América. Talvez o feitiço dos Açores consistisse nessa distância. Em todo o caso era o lugar ideal para deixar para trás o barulho mundano."

Rita Malú, a melancólica protagonista do conto Porque ela Não lho Pediu, artista de romances de parede, "narrações reais mas de recorte novelesco, contadas através de fotografias penduradas nas paredes das salas de arte e com a fotógrafa como centro dessas histórias." Rita Malú é uma imitadora secreta de Sophie Calle e persegue-a em tudo, até quase deixar de ter identidade e iniciar uma carreira como detective privada; encontrar pessoas era o que queria experimentar da vida. O primeiro cliente foi uma mulher que procurava o ex-marido, escritor famoso que encenara o seu próprio desaparecimento para deixar de lhe pagar a elevada pensão a que era obrigado. Que melhor lugar para desaparecer se não os Açores? Lembrou-se de Aleister Crowley, que em 1930 fora a Lisboa para cumprimentar Pessoa e simulara o seu desaparecimento na Boca do Inferno, "o lugar tradicional dos suicidas de Lisboa", "terrível no Inverno", e fez-se à viagem.

No dia seguinte, um voo para o Faial, a ilha em frente ao Pico. "Viu-o da varanda do seu quarto do Hotel de Santa Cruz", esse "cone vulcânico que sobressaía de repente do oceano" e que não era mais do que "uma elevada e abrupta montanha poisada sobre o mar." Era lá que se propunha encontrar o escritor, não sem antes passar pelo Café Sport, "também conhecido como Peter"s Bar, um lugar extraordinário: algo intermédio entre uma taberna e um ponto de encontro, uma agência de informações e uma estação dos correios." Café de baleeiros, os mais corajosos do mundo, segundo Herman Melville em Moby Dick. Chegou ao porto da Madalena, uma das três maiores povoações do Pico, e sentiu a solidão no taxista que a conduziu para as Lajes. "A estrada que, no sopé do vulcão, ligava Madalena às Lajes revelou-se ser um estreito caminho que corria ao longo de um molhe ou quebra-mar, com muitas curvas e lombas pronunciadas, sobre um Oceano Atlântico azulíssimo e rebelde. A estrada, que outrora estivera repleta de vinhedos e das sumptuosas casas dos patrões (agora, todas em ruínas), atravessava uma paisagem pedregosa e melancólica com raras casas, minúsculas e solitárias, em pequenas colinas varridas pelo vento."

O que sobra é mistério. É a ele que Vila-Matas se cola para não se descolar do ambiente. Sai das ilhas agarrado a ele. Transporta-o para Paris, Veneza, até regressar a Barcelona e colocar essa paisagem para sempre no papel.

* Isabel Lucas in Ípsilon/Público de 13/06/12