sexta-feira, dezembro 31

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we kiss goodbye 2010 and with "naif" hope we aim for a brand new year....

Sem falsas esperanças, e longe das quiméricas efabulações do oásis,não há razões para esperar melhor do ano que aí vem. Fazer uso do trabalho e talento de cada um de nós é assim um imperativo para sobre as ruínas do passado construirmos o futuro. Como escreveu Cláudia Cardoso na última edição de 2010 do Açoriano Oriental : "O próximo ano será o que formos capazes de fazer dele". Mãos à obra.
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quarta-feira, dezembro 29

O Resto é Ruído

João Pedro Vale Bezerro, 2010
Na discussão do Plano e Orçamento para 2011, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, em concreto, na discussão da especialidade e nas propostas de alteração ao documento, o maior partido da oposição deixou cair a ‘máscara’ relativamente ao conceito que defende para a Cultura: ESTA NÃO É UMA PRIORIDADE!

Nos últimos anos, o plano de investimentos para as actividades culturais tem vindo a subir de forma gradual, sustentado, em grande parte, pelas obras com recurso a co-financiamento europeu. Na prática, esse dinheiro não é ‘receita própria’ da Região. E só existe porque existem projectos e candidaturas que o materializam. Para esse efeito, o Governo dos Açores tem efectuado um conjunto de acções de expansão, edificação e modernização das suas estruturas. Esta intenção consiste, essencialmente, na consolidação da rede regional de museus, de forma a dotá-la de valências adaptadas às exigências actuais e a um público cada vez mais informado. Para tanto, impõe-se a renovação do formato pré-existente, na medida em que se alterou significativamente a forma como ‘olhamos’ a Cultura (dentro e fora do Museu).

A dualidade de critérios com que se rege o maior partido da oposição na Assembleia Legislativa é, no mínimo, ininteligível. Se na Horta as opções políticas do Governo Regional para a área cultural são alvo de discriminação (tudo menos positiva), como é que podemos classificar a acção da sua líder partidária que é, simultaneamente, presidente do município de Ponta Delgada, quando, no início do seu mandato e no seu orçamento municipal para 2011, apresenta como prioridades a concretização de inúmeras obras emblemáticas associadas à coisa cultural? A saber: construção do Museu de Arte Contemporânea; construção de Biblioteca e Centro de Estudos Antero de Quental; adaptação do Edifício da Sinagoga a Museu Hebraico, apenas para nomear alguns. Estranho posicionamento para um partido que no todo regional queria reduzir a ZERO a Cultura!

Por outro lado, os projectos elencados pelo Governo dos Açores foram sucessivamente apontados como ‘fonte de financiamento’ às propostas de alteração do PSD/A ao orçamento regional. Em concreto, a acção referente ao Centro Cultural e de Congressos, que garante o financiamento anual do Teatro Micaelense, era colocada a 0 = zero. Bem como o corte, na sua quase totalidade, da acção que dá corpo ao novo Centro de Artes Contemporâneas a erigir na Ribeira Grande. A justificação foi sempre a mesma – não são prioridades. Pergunto: ‘prioridade’, neste caso, significa exactamente o quê?! Anular uma série de projectos devido a um enviesamento e aversão na relação com a cultura, tida como acessória ou prescindível?! E isto sem medir o impacte financeiro das alterações propostas no orçamento regional. Aliás, no que toca ao Centro de Artes Contemporâneas estamos a falar de uma verba que é comparticipada a 85%, do mesmo modo que o Museu de Arte Contemporânea de Ponta Delgada o é (num projecto que começou por ‘custar’ € 3 milhões e já está ‘orçamentado’ em € 5.8 milhões!). Só que aqui o PSD/A não tem dúvidas quanto ao elemento reprodutivo e prioritário. Será uma questão de ‘protagonistas’?! Muito provavelmente.

Este tipo de comportamentos não ajuda a dignificar a actividade política, através de posições dúbias, sem justificação que as sustente, prejudiciais ao interesse público e resultado de tacticismo político-partidário sem freio, ou seja, são sinónimo de desnorte.

A ideia de que a Cultura é o eterno ‘parente pobre’ tem tido outra ‘leitura’, nos Açores, por mérito da governação socialista. Se os valores investidos são os suficientes?! Digo, claramente, que não o são. Os recursos da Região são pequenos e a sua comparticipação na vertente cultural é proporcional à sua disponibilidade. Não obstante isso, se analisarmos o valor do investimento per capita na Cultura, verificamos que ele é significativo quando comparado com o todo nacional. As mais-valias que podem advir deste investimento são de retorno garantido.

Desinvestir ou adiar investimentos neste sector será o pré-aviso para ‘uma morte anunciada’. Aliás, estamos, ainda hoje, a ‘pagar’ o desinvestimento do passado.

Não compreender o carácter prioritário que o investimento tem na formação dos indivíduos, na economia local e na projecção dos Açores é não estar em sintonia com o que se passa na Europa, onde ficou demonstrada a importância e «(…) a influência económica do sector cultural» aliada «(…) ao desenvolvimento das novas tecnologias da sociedade da informação e ao turismo, um dos sectores em que os bens culturais são um dos principais chamarizes» (in AESE). Não ‘ler’ isto é negar uma visão de futuro para o arquipélago.

Numa altura de crise cabe ao Estado essa responsabilidade, sempre que possível em estreita colaboração com os privados, assumindo, por esta via, o seu ‘papel estratégico’. A minha opção é de defesa incondicional do sector cultural da Região, quer ao nível da criação, quer dos recursos humanos e dos equipamentos.

O Resto, como o que assisti e ouvi em plenário, é Ruído.


* Publicado na edição de 27 Dez'10 do Açoriano Oriental
** Título do livro The Rest is Noise de Alex Ross, publicado em Portugal pela Casa das Letras
*** @ Reporter X

sábado, dezembro 25

sexta-feira, dezembro 24

Para todos, sem excepção.


Votos de um Santo Natal para todos os leitores do :ilhas, mesmo que não profecem a minha religião. Para todos os açorianos espalhados pelo mundo, um abraço amigo.
E oxalá, apesar de tudo, 2011 recompense melhor os nossos esforços.

quinta-feira, dezembro 23

Casa e Objectos

Tradição e modernidade no centro histórico da Ribeira Grande_

Casa e Objectos
Largo 5 de Outubro, nº 7
Ribeira Grande 9600-515
T 296 474 322
M 961 503 811

Aviso à navegação

A nova fotografia do header do :ILHAS é da autoria de Mário Nelson Medeiros e foi retirada do álbum - São Miguel, Ilha Verde. O nosso Obrigado!

segunda-feira, dezembro 20

A ironia do veto

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Assistimos, atónitos, aos cortes nas urgências médicas de especialidades tão díspares como a pediatria ou a psiquiatria. Sabemos, por ser impossível de esconder, a vergonha a que esta espécie de Estado Social condena os nossos idosos duplamente penalizados pela sua condição geriátrica e pela ineficiência de apoios, domiciliários ou institucionais, que se não fossem as Misericórdias e as IPSS nem sequer existiriam com o mínimo de dignidade que lhes é devida. Conhecemos, por ninguém ser capaz de calar, a indignação que aí vai pela perversão de uma sociedade de rendimento mínimo que existe muitas das vezes apenas para sustentar pessoas que até poderiam prestar serviço comunitário na nossa sociedade. Vemos, com revolta, a asquerosa miséria que insidiosamente se vai infiltrando na nossa sociedade atrás do véu do baile de máscaras socialista que, em estado de negação, insiste que os Açores são a réplica do salão dourado que é o seu habitat.

A verdade é que para lá da festa os Açores e os Açorianos vivem à beira do estado de necessidade. Sem perspectivas a longo prazo estão reduzidos à luta pela sobrevivência em repetidas batalhas quotidianas para se libertarem do sufoco financeiro. Que medidas de excepção toma o Governo Regional para acudir a este estado de urgência social? Responde com um cheque-subsídio com endosso exclusivo para um determinado escalão de funcionários públicos. Um apoio com um "target" específico e para garantir o "way of life" de quem, felizmente, tem um rendimento entre os 1500 e o 2000 €uros. Infelizmente essa é uma minoria dos Açorianos e uma minoria dos funcionários administrativos e operacionais da Região Autónoma.

Esta operação de charme sobre os beneficiários do subsídio da remuneração complementar, e das respectivas famílias, poderá até passar na propaganda como uma medida que não custará um cêntimo à República e ao Orçamento do Estado - (o que é falso) - mas poderá custar milhões à Região. Os danos colaterais são previsíveis e a invocação da cláusula de solidariedade nacional para com os Açores tem a sua validade inquinada.

Hoje, de modo transversal, apesar da realidade ser outra, somos vistos do outro lado do Atlântico como uma região tão próspera que se dá ao luxo de distribuir dividendos pelo aparelho da máquina administrativa regional quando a "guilhotina" do OE é tendencialmente afiada para todos.

Entretanto, o Representante da República para os Açores, no uso das suas competências, vetou a proposta de Orçamento Regional à conta da norma que cria uma "remuneração compensatória igual ao montante da redução remuneratória total ilíquida efectuada, por via do diploma do Orçamento do Estado, em relação aos trabalhadores da Administração Regional, cujas remunerações totais ilíquidas mensais, nos termos previstos naquele diploma orçamental, se situem entre €1.500 e €2.000". Como bem expressou na nota justificativa sobrarão sempre "razões de carácter ético, ou ético-político, que desabonam e condenam uma tal medida".

Como todos sabem não está em causa uma questiúncula jurídico-constitucional mas uma tempestade política que foi alimentada por Carlos César. O Presidente do Governo Regional dos Açores ao invés de contribuir para a bonança ainda afrontou pessoalmente o autor do veto sugerindo não perder tempo como comentador de textos literários. Convenhamos que o direito de discordar do teor do veto dispensaria o remoque sobre o seu autor.

Lamentavelmente é um comissário da República quem põe o dedo da ferida pois é, por estas e por outras medidas, estes e outros "apartes", que "o centralismo existe, efectivamente. E curiosamente, e por ironia, alimenta-se de situações como esta."

João Nuno Almeida e Sousa na edição de hoje do Açoriano Oriental

Boas notícias

Fotografia Mário Nelson Medeiros - Pico Negro, ilha Graciosa
«Revista Forbes elege Açores como um dos cinco melhores destinos de viagem»
Esta notícia deve encher-nos de orgulho mas serve, igualmente, como alerta para ímpetos (in)sustentáveis que perigam o nosso carácter 'único'.

sexta-feira, dezembro 17

Boas notícias!

A TAP acaba de divulgar novos preços nas viagens para os Açores, acompanhando o que a SATA anunciou ontem.

Racionamento

"SATA disponibiliza passagens a 88,5 euros
Regional 2010-12-16 16:52 "

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Ao contrário do prometido não vamos ter passagens a € 99,99 para o Continente. A propaganda do regime alardeou no último congresso do PS passagens a menos de € 100, coisa que o Presidente do CA da SATA logo tratou de marcar como uma questão política alheia à estratégia empresarial da companhia. Afinal hoje já diz que se trata de tornar a política comercial da SATA "mais agressiva". Uma estratégia empresarial que não se percebe pois a SATA tem o monopólio do espaço aéreo entre os Açores e o resto do Mundo!

Como se percebe a dita "agressividade" não é empresarial mas apenas uma estratégia política. Fica ainda no ar a ideia de que efectivamente vamos ter um tarifário abaixo dos 100 €. Mas, tal como noutros exemplos recentes, esta medida política não é para todos mas só para alguns. Só podem concorrer residentes e estudantes e o universo de felizes contemplados com esta cautela da lotaria de natal é apenas de 10 % do total de lugares oferecidos por rota.

Fica por saber quais os critérios para a distribuição e reserva destes lugares, quais os voos abrangidos pelo tarifário, se a benesse vigora nos períodos de maior tráfego e se a promoção tem prazo de validade. São questões que se escondem perante o brilho da medida e atrás das restrições oficialmente impostas, pois estas tarifas não são para todos mas apenas para vender em regime de promoção e com o devido racionamento.

Uma medida que politicamente é a sequela de um número de publicidade enganosa e comercialmente só não é um descarado acto de dumping porque a SATA prospera em regime de monopólio e não tem qualquer concorrência que justifique, por exemplo, maior "agressividade" comercial!

quinta-feira, dezembro 16

Best of 2010



Última emissão do ano para eleger os melhores discos de 2010: Herberto Quaresma + João Nuno Almeida e Sousa + Alexandre Pascoal trocam argumentos e listas sobre as músicas que fizeram história durante o ano que agora termina.

Para ouvir em directo na Antena3 - Açores a partir das 22h00, nas seguintes frequências:

S. Miguel 87,7 MHz
Terceira 103,0 MHz / 103,9 MHz
Faial 102,7 MHz

Infelizmente, acontece!

Carlos Pinto Coelho morreu ontem, aos 66 anos, em Lisboa, vítima de ataque cardíaco.

quarta-feira, dezembro 15

Riddle This

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Pedro Arruda + Nuno Barata + Melo Bento (a.k.a. Garganta Funda) + Carmo Rodeia é = a ...
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O Silêncio de Lorna



LE SILENCE DE LORNA O Silêncio de Lorna
de Luc e Jean-Pierre Dardenne, Bélgica, 2008
105 min. / legendado em português

«Nascimento do amor Bem vindos à primeira história de amor filmada pelos Dardenne - um amor dorido, irremediado, impossível, mas um amor.

Sobre "O Silêncio de Lorna" dizem os irmãos Dardenne (ver entrevista) que tiveram vontade de trazer um pouco mais de "história" ao seu cinema. Era fácil adivinhá-lo: no seu desenvolvimento narrativo, mais "cheio" do que o costume, e no trabalho sobre as personagens, um pouco menos psicologicamente baças do que é norma, "O Silêncio de Lorna" é o filme mais romanesco que os belgas já fizeram. Ao ponto de ser o filme dos Dardenne, e mau grado o título evocar o "silêncio" da personagem da principal, onde os diálogos têm maior importância.

Pormenores que não escaparam ao júri do último Festival de Cannes, que lhes deu o prémio para o melhor argumento - um prémio que pareceria absurdo para qualquer dos seus outros filmes (não por terem "maus argumentos", antes por se decidirem muito para lá dos argumentos) mas que neste caso faz algum sentido.

O que não obsta a que continuemos a percorrer territórios cem por cento dardennianos: os subterrâneos da "prosperidade" europeia, o negativo de uma existência de classe média. Lorna (Arta Dobroshi) é uma imigrante albanesa na Bélgica (em Liège, cidade natal dos Dardenne), envolvida nos esquemas corruptos da "máfia das naturalizações" - que envolve ainda outros albaneses, italianos, russos: toda a ironia da caótica "globalização" da "nova Europa" filmada no coração da "velha". Lorna casou, em matrimónio combinado e bem pago, com um jovem "junkie" belga, Claudy ( Jérémie Rénier, um dardenniano regular), como forma de garantir a naturalização. Uma vez garantida, e é o ponto em que o filme começa, o rapaz perdeu qualquer utilidade para Lorna e para os seus "amigos" mafiosos - há que resolver o problema, tanto mais que Lorna, já com o seu novo B.I., tem que estar disponível para novo casamento comercial, agora com um russo que se quer tornar, por sua vez, cidadão belga.

O "junkie" tinha sido escolhido por ser "junkie", e por a um "junkie" ninguém achar estranho (nem a polícia) que aconteça uma "overdose". Ora sucede que o rapaz está obstinada e convictamente decidido a largar a droga. Talvez porque a sua obstinação toque a obstinação da própria Lorna, ela comove-se, e percebe tarde demais que daquele casamento combinado nasceu qualquer coisa parecida com o amor.

Sejam, portanto, bem vindos à primeira história de amor filmada pelos Dardenne - um amor dorido, irremediado, impossível, mas um amor. "O Silêncio de Lorna" é evidentemente menos duro, menos "materialista", do que o habitual no cinema dos Dardenne. Os planos, sobretudo os planos-sequência, têm inclusivamente um tipo de coreografia mais "larga", há mais espaço e movimentos mais desenhados. A câmara deixou de ser "lapa", tem outro tipo de distância para com as acções e com os actores.

Lorna é uma personagem cuja luta pela sobrevivência não deixa de evocar a mais célebre personagem feminina dos Dardenne (a Rosetta do filme homónimo), mas a presença de Arta Dobroshi (que é de facto albanesa, de origem kosovar) é menos "animal", mais refinada, com uma margem maior para a emoção e para o sentimento. Depois do ramerame (certamente pouco banal) que consome as personagens dos Dardenne durante os filmes, o costume é que apareça uma espécie de "tour de force" (para as personagens, e como na formidável sequência que precedia o final de "A Criança", para os cineastas), um movimento em rasgo onde as personagens jogam tudo, a salvação ou a perdição. Também Lorna tem direito a isso, a uma fuga das garras da máfia, mas uma fuga a que a natureza (o bosque) atribui uma estranha paz. Foge por ela, foge em nome do amor por Claudy, e para salvar o que ela acredita ser, no seu corpo, o testemunho desse amor (todos negam que esse testemunho, uma gravidez, exista, até a medicina, mas Lorna acredita e os Dardenne não filmam contra a sua crença).

Nessas cenas finais, quando vemos uma rapariga meia-louca a instalarse num casebre, a acender a fogueira, a preparar um leito, a compôr, digamos, um presépio para acolher o fruto da sua gravidez de fé, nessas cenas finais pensamos que, se calhar, "O Silêncio de Lorna" é o filme de Natal para este ano».

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Luis Miguel Oliveira @ Cinecartaz
 
Passa esta noite no Teatro Micaelense inserido no Ciclo: Lux - Prémios do Cinema Europeu.

segunda-feira, dezembro 13

A via da demagogia

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Nos Açores a crise real é encapotada com aparente abundância prodigamente distribuída pelo Governo Regional. Neste eldorado socialista os cortes salariais impostos pelo Governo da República Socialista de Portugal não são para todos mas só para alguns que não têm o privilégio da tutela da Presidência do Governo Regional. Efectivamente, pela mão de Carlos César os funcionários públicos da administração regional receberam a graça prometida de ficarem isentos desse encargo.

Carlos César contornou a redução salarial prevista no Orçamento do Estado para 2011 pois apesar de, por um lado, reduzir os vencimentos do sector público tal como obriga o OE, por outro lado, cria um subsídio de compensação selectivamente destinado aos funcionários públicos da administração regional compensando assim o corte a que estão sujeitos pelo OE. Dito de outro modo: tira com uma mão para dar com a outra.

Com pose marcial, cenho franzido e postiça armadura patrioteira, Carlos César subscreve esta excepção, porventura escrita pelo seu próprio punho, e faz dessa medida grande alarde nacional fazendo-a passar ufanamente como uma causa de justa defesa do Povo Açoriano ! A triste invocação da Autonomia e do Povo dos Açores para uma deriva pessoal de Carlos César é mais uma manobra de ilusionismo político que não serve os interesses dos Açores e dos Açorianos.

Com esta despudorada medida de demagogia Carlos César congregou um coro de socialistas de elite que apontam a falta de solidariedade do PS Açores ao PS Nacional. Porém este não é um problema exclusivo do PS e da sua comprovada desorientação que chegou ao cúmulo de opor os socialistas "portugueses do continente" contra os socialistas "portugueses dos Açores" (isto de acordo com a taxionomia de ocasião usada por César). O problema é que este "trunfo" de Carlos César dá dos Açores uma imagem "batoteira" de quem vai a jogo com a reserva mental de não cumprir com as regras que se querem iguais para todos. Além de acentuar o ressentimento centralista contra os Açores ainda por cima, por "decreto", cria Açorianos de primeira e de segunda categoria.

Se é verdade que a qualidade de Açoriano não decorre do vínculo ao governo da Região, mas sim ao solo e à terra que se elegeu como "Pátria", como justificar diferenças salariais entre os diversos Açorianos nos diferentes níveis da função pública existentes nos Açores? Como sustentar que para trabalho igual uns recebam mais do que outros só porque a entidade patronal num caso é a Região e noutros casos será o Estado ou as Autarquias Locais?

Com este subsídio de compensação Carlos César dividiu os Açorianos e esse "privilégio" de isenção das medidas de austeridade, inevitavelmente, cria uma discriminação negativa entre os funcionários públicos com vencimentos idênticos para a mesma função. Efectivamente, como sabemos na Região também prestam serviços funcionários do Estado, bem como das Autarquias Locais, sendo que perante esta "jogada" de César os funcionários afectos ao regime da administração central ou local verão o seu direito ao salário prejudicado em relação aos seus colegas.

A bandeira panfletária de salário igual para trabalho igual foi desta feita arreada pelos paladinos do socialismo feito à imagem e semelhança de César. Acenar em resposta com a bandeira da Autonomia é uma provocação que só vai acicatar o discurso do fardo despesista que representam as regiões para os habituais "vip’s" da "metrópole". Neste subsídio de compensação não há qualquer razão objectiva que se funde na "especificidade regional", ou nos "custos de insularidade", mas apenas uma ânsia de protagonismo e uma fuga para a frente numa tentativa de descolagem ao legado de José Sócrates que sempre teve em Carlos César um aliado de campanha e um cúmplice político.

Como sabemos aqui não há qualquer discriminação positiva mas apenas o acentuar das desigualdades para proveito próprio em função da velha máxima : "dividir para reinar".

O PSD Açores considerou, e bem, que a norma cesariana fomenta a desigualdade, e coloca trabalhadores contra trabalhadores, forçando injustiças entre os funcionários da administração regional, local e central. Assim, propôs, no quadro da Lei das Finanças Regionais, a redução para todos do IRS em 30% e até ao 4º escalão. O PS preferiu seguir a via da demagogia.

Post-Scriptum:

A comprovar a iniquidade da medida, o isolamento político de Carlos César, e a pressão mediática de uma publicidade negativa dos Açores, aí está o próprio Carlos César a tentar emendar a sua própria mão. Com efeito só assim se justifica o recente assédio à Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores para auscultar a vontade das câmaras para que "esta prestação também abranja a administração local". Contudo, tal como Carlos César não é dono da Autonomia nem ela se esgota nele, também importa ter presente que Carlos César não é a Lei pela qual nesta matéria são responsáveis, pessoal e financeiramente, os Autarcas que se deixarem seduzir pela proposta de César. A posteriori será que para estes, certamente do Partido Socialista, Carlos César providenciará o respectivo subsídio para compensar a referida responsabilidade? A bem da Autonomia ou do PS?

João Nuno Almeida e Sousa na edição de hoje do Açoriano Oriental

sábado, dezembro 11

Serviço Público



O Natal no Teatro chega sempre mais cedo. Uma iniciativa que se repete ano após ano, cujos efeitos, seguramente reprodutivos, fazem-se, aqui, ouvir.

Vídeo @ ARTilharia TV.

sexta-feira, dezembro 10

Conferência


Hoje, pelas 18h30, no Teatro Micaelense realizada em parceria entre a Azores Film Comission e o Gabinete do Parlamento Europeu.
Os eurodeputados Luís Paulo Alves e Maria do Céu Patrão Neves e a deputada e actriz/realizadora Inês de Medeiros serão os intervenientes no debate "O Cinema enquanto Veículo de Comunicação - A Cultura na Construção de uma Identidade Europeia", que pretende discutir a importância da Sétima Arte no relançamento de uma nova dinâmica cultural na União Europeia.

quinta-feira, dezembro 9

Agente Provocador



O convidado desta 5ª feira é Pedro Cota - o responsável pela Azores Film Commission - que amanhã organiza em Ponta Delgada uma conferência para debater: 'O cinema enquanto veículo de comunicação – A cultura na construção de uma identidade europeia'.

Para ouvir em directo na Antena3 - Açores a partir das 22h00, nas seguintes frequências:

S. Miguel 87,7 MHz
Terceira 103,0 MHz / 103,9 MHz
Faial 102,7 MHz

O que quererá isto dizer?


O Conselho de Ministros aprova hoje uma resolução que impõe para toda a administração pública os cortes salariais estabelecidos no OE.

e logo com a foto de Sua Excª o Ministro das Finanças (e de Estado) Teixeira dos Santos.
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quarta-feira, dezembro 8

Lançamento


Em Novembro de 2007 o Teatro Micaelense, em co-produção com a RTP-Açores e com o alto patrocínio do Governo dos Açores propôs, um novo olhar sobre alguns dos temas mais emblemáticos da música original feita nos Açores nos últimos 25 anos, apresentado por um ambicioso naipe de músicos que levou a palco um espectáculo inovador e requintado, servido por arranjos exclusivos de Rafael Fraga e João Paulo Esteves da Silva. A Direcção Musical esteve a cargo de Rafael Fraga e a Assistência de Direcção Musical foi de Augusto Macedo.

É este trabalho que agora vamos poder partilhar com um público mais vasto, fora da fronteira da ilha, através de um CD e de um DVD que irão ser apresentados e lançados hoje, dia 8 de Dezembro, pelas 21h30, no Salão Nobre do Teatro Micaelense.

O projecto 25 Anos de Música Original Nos Açores contou ainda, em 2007, com a edição de um Songbook contendo as partituras originais e as letras das composições revisitadas, numa versão bilingue.

A entrada é livre.

terça-feira, dezembro 7

Cultura, não é 'gasto' é Investimento



As análises feitas à Cultura e à indústria que a suporta enfermam, frequentemente, de algumas leituras superficiais que devem ser esclarecidas. Apesar da tendência crescente em tornar o produto cultural num bem rentável, há que salvaguardar que, na essência do gesto artístico estão pressupostos que o tornam, não todo, mas quase, num produto não 'reprodutível' e não 'massificável', cujo custo de investimento não pode ser rentabilizado por uma qualquer 'cadeia de valor' (in José Luis Ferreira, p. 115, Quatro Ensaios à Boca de Cena, Cotovia, 2009).

Importa distinguir o que é a actividade das chamadas indústrias criativas e aquilo que é a actividade artística, propriamente dita.

Há inúmeras actividades onde não é possível adaptar uma economia de escala. E esta condição passa a ter uma relevância, ainda maior, quando nos centramos em países e em regiões, como os nossos, com uma dimensão reduzida e com um número reduzido de utilizadores da coisa cultural.

O objectivo que alicerça o investimento cultural deve ter em conta, necessariamente, a 'obtenção de riqueza através de um bem-estar civilizacional'.

A Cultura deve ser encarada como um investimento social e como um instrumento de desenvolvimento, na medida em que “nem tudo o que conta é mensurável, nem tudo o que é mensurável conta”, nas palavras, mais que insuspeitas, de Albert Einstein.

O Governo dos Açores prossegue a missão de dotar todas as ilhas com infra-estruturas capazes de realizar e acolher espectáculos e eventos de índole diversa.

Nem todas têm as mesmas valências, pois há que acautelar as diferenças que existem em cada realidade de ilha. Fazê-lo, para além de utópico, seria querer replicar o mesmo por todos, o que na sua essência é justificável, mas impraticável. Não é, nem pode ser assim. Ninguém pode ser prejudicado pelo local onde fixou residência, mas não devemos cair na tentação de sustentar populismos e visões irrealistas. Mais do que edificar será conveniente, no acto da sua concepção, prever a gestão futura, quer em termos de recursos financeiros, quer humanos, não excluindo, como é óbvio, a sua componente programática.

A rentabilização far-se-á, se forem criadas condições para que ela se concretize.

As dificuldades geradas pelas medidas de austeridade e de contenção orçamental, do país e da região, não têm afectado, significativamente, os objectivos elencados para esta legislatura, na medida em que estes têm vindo a ser escrupulosamente cumpridos, alguns redefinidos, outros estão à mercê das contingências que advêm da tramitação legal em vigor.

Não obstante quaisquer obstáculos que possam surgir no decurso da concretização de um determinado projecto, mantém-se inalterado o carácter prioritário que este Governo atribui ao sector Cultural.

Mesmo e apesar das dificuldades emergentes «(...) tal não significa que a oportunidade, a pertinência e a legitimação da intervenção do Estado nas artes e cultura seja posta em causa. Antes pelo contrário, cada vez mais se comprova que gastos em cultura não são gastos - são investimento, é criação de emprego, é qualificação dos cidadãos, é desenvolvimento, no melhor sentido que a palavra contém».

Palavras de estímulo e confiança proferidas pela actual Ministra da Cultura, num colóquio decorrido em Setembro passado, e que aqui se aplicam ipsis verbis à acção do Governo Regional do Partido Socialista na Região Autónoma dos Açores.

O Plano e Orçamento para 2011, em particular, no Programa que à Cultura diz respeito, é um plano de confiança, demonstra ambição e revela o imenso trabalho em curso, de quem acredita no crescimento e na importância que a Cultura desempenha no desenvolvimento presente/futuro dos Açores.

Alexandre Pascoal
Novembro 2010


* Adaptação da intervenção efectuada a 23 de Nov’10 na ALRAA
** Publicado na edição de 02 Dez'10 do Açoriano Oriental
*** @ Reporter X

segunda-feira, dezembro 6

Hoje é dia de Cineclube



Informação complementar no sítio do 9500.

O Tal Canal.

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By the books ensinam os clássicos que a comunicação social é o "quarto poder". Também no mundo do "dever-ser" a separação de poderes é extensível à imprensa em geral. Livres e Independentes dos demais poderes, em particular do poder político, os órgãos de comunicação social teriam apenas por missão, e responsabilidade, informar os cidadãos para o exercício de uma democracia esclarecida. Essa cartilha deveria ser transversal.

Porém no mundo do "ser" a realidade não replica a teoria. Por vezes o "quarto poder" não é mais do que uma extensão do poder político. Efectivamente, os media podem ser uma luva à medida da "longa manus" do poder político.

Assim se explica, por exemplo, o inusitado protesto formal da Assembleia Legislativa Açoriana pelo facto da televisão regional ter interrompido o "relato" do plenário, no "derby" clássico do Plano e Orçamento, por sinal na altura em que o "mister" do PS discursava, apenas para emitir o Telejornal! Não subscreveria, nem por distracção, tal protesto.

Sempre entendi, do ponto de vista dos princípios, que os trabalhadores da RTP-Açores não são funcionários da Assembleia, do Governo de qualquer Câmara ou, por absurdo, de qualquer Junta de Freguesia ou outro poder público ! São "Jornalistas" e como tal não estão funcionalizados a trabalho jornaleiro por conta dos poderes políticos. A questão do critério editorial pode e deve ser discutida mas não justifica uma espécie de "cartão amarelo" passado pela Assembleia à Redacção da RTP-Açores. Esta é, e pode ser, muito mais do que um mero canal em circuito fechado para o poder executivo ou deliberativo no actual enquadramento mediático.

Tratar com respeito e igualdade os Jornalistas da RTP-Açores é o mínimo que se exige no plano ético. Admoestar os mesmos por não fazerem o seu trabalho de acordo com os seus critérios, mas sim pela cartilha do poder político, é reduzir os mesmos à qualidade de assalariados dos poderes públicos. No final o Serviço de Informação da RTP ficou "fora de jogo" e os verdadeiros árbitros da partida, - os telespectadores -, mostraram o inevitável "cartão vermelho" ao fazerem zapping para outros canais que não o tal.

Para o registo histórico ficou ainda a réplica do Conselho de Redacção em comunicado que repudiou a interrupção na transmissão, em directo, das declarações finais sobre o Plano e Orçamento, na passada semana. Na "segunda mão" desta partida os visados assinam uma resposta contra a "prepotência, arrogância e desrespeito pelos jornalistas" que resultou de tão insólito recado enviado pelo parlamento ! "Ultrajados e envergonhados" pelo poder político mostraram-se corporativamente solidários com a demissão do Chefe de Serviço de Informação da RTP Açores.

Tudo isto seria efectivamente ficção se na realidade a comunicação social em causa fosse efectivamente Livre e, no uso dessa Liberdade de Imprensa, fosse também capaz de escolher inter-pares a sua classe dirigente para uma missão muito além dos projectos pessoais de poder ou de "revanchismo" político de ocasião.

João Nuno Almeida e Sousa

Na edição de hoje do Açoriano Oriental

Açores, Já Experimentaste?

Não fui capaz de tirar os olhos da T-shirt.

domingo, dezembro 5

sábado, dezembro 4

With this rain, it's what I ask. Please?

Paisagens...onde o negro é cor



A nova criação da Companhia Paulo Ribeiro propõe uma cartografia dançada sobre a identidade e a geografia sentimental de oito cidades portuguesas.

Oito cidades portuguesas e uma ideia comum: fazer uma dedicatória a cada um dos espaços urbanos a partir dos seus teatros ou de um dos seus espaços culturais, como forma de homenagear as cidades que inspiram os intérpretes a criar curtos solos, que reflectem uma visão concentrada, mas deliberadamente superficial ou se preferirem turística.

Nesta nova criação, Paulo Ribeiro constrói dedicatórias expressas, ancoradas em algo que lhe foi comum em todas as cidades e que lhe proporcionou a mais bela surpresa deste percurso por Portugal: a qualidade humana dos encontros. O resultado final é uma cartografia dançada sobre a identidade e a geografia sentimental destes oito espaços lusos
.

Ponta Delgada é uma dessas cidades.
O Teatro Micaelense co-produziu.
O espectáculo sobe ao palco esta noite.

!

Uma iniciativa USBA.

sexta-feira, dezembro 3

Notas para uma Pintura Teimosa

E se eu vos falar de um olhar que não foge, que se fixa, que aprofunda, de uma mão que não se deslumbra, ciente da dificuldade dos processos e dos mistérios de uma investigação paciente, quase eremítica. Uma pintura que começa por ser alvoroço e se transfigura em corpo autónomo e transcendente, lava esquecida do vulcão que a espalhou. Território de camadas feito, sem querer saber onde começou e onde acaba, mapa cromático e de pormenores a descobrir em cada investida.
E se eu vos falar de uma pintura que sacode o supérfluo como os animais impacientes. Livre de efeitos, títulos e trocadilhos visuais, sem respirações espúrias e cansaços fáceis, gesto que começa por ser exigência para consigo e acaba como exigência para com o mundo que o contempla.
Cada quadro, um universo e uma geografia próprios. A cor como dado sensorial e orgânico, potenciador de contrastes e criador de pontos de luz – unidade nesta diversidade procurada. O inventário dos elementos - figuras humanas, narrativas cruzadas, um corpo suspenso no ar, buracos negros, espadas, copas, barco, céu, comida, espelho – torna-se um truque demasiado óbvio perante uma voz que, ao desfazer as narrativas que simula, nomeia sempre para dizer outra coisa.
Cedo se percebe que esta gramática, como acontece com aquilo que é mais fundo em nós, não é verbalizável – ou apenas é verbalizável nos termos incertos e secretos de cada um. Como a memória, substância que se vai revolvendo e alterando sempre que é invocada, barro de que é feita esta matéria. Como a crença, que sustenta tudo isto. Sublime teimosia esta, de quem, nas voltas do seu atelier, afirma, solitária e corajosamente, “eu pinto assim”.

(Texto sobre a exposição do André Almeida e Sousa - até 22 de Janeiro de 2011 na Alecrim 50, em Lisboa).

Cultura, Plano e Orçamento para 2011

Sta. Cruz da Graciosa, Ago'10

O Plano e Orçamento para 2011 reforça o empenho da Região na defesa do Património e das Actividades Culturais.

O investimento assenta nos múltiplos projectos em curso, sem descurar o apoio à actividade regular dos agentes culturais regionais nas diferentes áreas de acção, sejam de vertente tradicional ou contemporânea.

Exemplo disso é o apoio atribuído às Bandas Filarmónicas, que constituiu, em 2010, cerca de 34% do valor dispendido pela Direcção Regional da Cultura à acção 4.1.8, relativa às Actividades de Relevante Interesse Cultural. Este valor é demonstrativo da importância da actividade desenvolvida por estas colectividades junto do tecido social da Região.

O valor não será suficiente, dirão. Não é certamente, nem nunca o será, pois a insatisfação criativa é, em qualquer actividade, uma constante. Não obstante, a acção programada reflecte a estratégia delineada para esta legislatura: a de dotar o arquipélago de equipamentos modernos e com capacidade para acolher diferentes tipos de espectáculos e eventos. Esta acção deriva, essencialmente, da capitalização directa dos fundos comunitários disponíveis para o efeito, e que, neste caso, estão abrangidos pelo Programa Pro-Convergência, que consagra um máximo de 85% de comparticipação comunitária ao investimento previsto.

Para o próximo ano, estão afectos quase 23 milhões de euros no Plano para a Cultura. Apesar dos constrangimentos, que todos conhecemos, há um ligeiro aumento do investimento em 2011, em comparação com o ano anterior, de cerca de 1.1%. Este valor não é muito significativo, é certo, mas é revelador da importância estratégica que o sector representa para o Governo. Esta posição sai ainda mais reforçada, tendo em linha de conta os tempos de austeridade com que, actualmente, somos confrontados. E não deixa de ser simbólico o investimento a concretizar, que, para além do aspecto formativo, é, sobretudo, reprodutivo, quer pela criação de empregos qualificados, quer pela acção complementar na área da animação turística e, consequentemente, na dinamização da economia local.

No âmbito do programa - Defesa e Valorização do Património Arquitectónico e Cultural, o destaque em 2011 vai para: a conclusão da nova Biblioteca Pública de Angra do Heroísmo; o arranque, no decorrer do 1º trimestre, da obra do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, situado na cidade da Ribeira Grande; a conclusão do Espaço Cultural Multiusos do Corvo, a Temporada Musical, e a prossecução das Comemorações do Centenário da República, que culminarão com a inauguração da Casa Manuel de Arriaga, na cidade da Horta.

De igual modo, realça-se, ainda em 2010, a conclusão das obras do Museu da Graciosa, a inaugurar até final do ano, e a conclusão da intervenção de conservação da cobertura do Convento de São Boaventura - Museu das Flores.

Quanto à - Dinamização de Actividades Culturais, o Governo dos Açores mantém, em 2011, os incentivos à formação, à criatividade, à fruição e à itinerância, com o intuito de fomentar uma programação de âmbito regional, bem como, a continuada promoção ‘fora de portas’ dos criadores da Região, consubstanciando, por esta acção, as palavras do Presidente do Governo quando este afirma que «(…) compete (ao Governo) contribuir para a ocorrência de condições para que os nossos criadores possam concretizar as suas propostas estéticas», obviando, deste modo, os constrangimentos geográficos que nos rodeiam. E acentuando o facto da “criação cultural e artística ser universal”, pelo que a distância e o isolamento podem, no caso dos Açores, ser superados.

A este nível, saliente-se a Exposição de Arte Contemporânea na Galeria do Rei D. Luís I, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, a decorrer entre Outubro de 2011 e Janeiro de 2012, e o início do ‘acolhimento recíproco’ entre a Fundação Medeiros e Almeida e a Direcção Regional da Cultura, dando seguimento ao protocolo assinado, em Abril de 2010, entre ambas as entidades.

Alexandre Pascoal
Novembro 2010


* Adaptação da intervenção efectuada a 23 de Nov’10 na ALRAA
** Publicado na edição de 30 Nov'10 do Açoriano Oriental
*** @ Reporter X

quinta-feira, dezembro 2

Agente Provocador



O programa desta 5ª feira tem como convidados a jornalista Carmo Rodeia e o fotógrafo José António Rodrigues, os autores de Açores - Ilhas de Sonho editado pela Publiçor.

Para ouvir em directo na Antena3 - Açores a partir das 22h00, nas seguintes frequências:

S. Miguel 87,7 MHz
Terceira 103,0 MHz / 103,9 MHz
Faial 102,7 MHz

Há Mar e mar. Há Ir e voltar



Faleceu hoje Ernâni Lopes, vítima de doença prolongada.

(Podia entender-se como a tal doença prolongada a crise mas, não! Essa, por estes dias, vive-se!)

No entanto, e curiosamente, no dia em que morre o homem que decidiu - enquanto Ministro das Finanças - não acatar o pedido de baixar a gasolina feito por Mário Soares - então Primeiro-ministro - eis que o multifacetado combustível fóssil volta a subir.

Agora, talvez possamos ambicionar a sua descida – nesta escalada vertiginosa – lá mais para perto das eleições.
Enfim…

Entrada em Vigor a partir das 0:00h do dia 03-12-2010
S/Chumbo 95 1,280€
S/Chumbo 98 1,340€
Gasóleo Rodoviário 1,090€
GO Agrícola 0,680 €
GO Pescas Artesanal 0,630€
GO Pescas Costeira 0,530€

Os Cantos

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De "leitura compulsiva e obrigatória". É assim que me foi recomendada esta obra pelos atentos Pedro Soares de Albergaria e Nuno Barata. Hoje, pelas 18 horas, e com apresentação de Mário Mesquita, a Alêtheia Editores e a Fundação Jardim José do Canto, formalizam o lançamento Açoriano de mais um livro incontornável de Maria Filomena Mónica.

quarta-feira, dezembro 1

Wishlists



Enquanto celebramos a independência dos espanhóis (um assunto que apesar dos séculos não perde actualidade), uns sonham (à mesa!) com um rei... Outros há que, o mesmo é dizer - uma imensa maioria 'urbana' (seja lá o que isso for), andam a cogitar como é que vão pagar (sim, mesmo e apesar da crise) uma coisinha destas.

* visto 1º aqui

terça-feira, novembro 30

“Factura Geracional”

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No dia do juízo final sobre o plano e orçamento regional Carlos César confessou que o passivo directo da região é afinal de 1.500 milhões de €uros. Se tivermos em conta o orçamento paralelo das mais de 60 empresas regionais que medraram ao longo destes anos, adicionarmos os custos das parcerias público privadas, e somarmos as dívidas do sector empresarial que à boleia dos avales e subsídios do governo regional sobe ao podium das maiores empresas Açorianas, o valor real e efectivo da factura que está por pagar é provavelmente muito superior.

Certo é que quem vai pagar a factura não será Carlos César, ou qualquer um dos seus discípulos da teoria do "superávit", mas sim as gerações futuras. Essa factura não será, como aliás confessou o próprio Carlos César, para liquidar "no ano que vem". Ilustrando esse legado, muito para lá do ano negro de 2011, os encargos futuros, como "os das SCUT serão pagos ao longo de 30 anos.". São declarações do Presidente do Governo Regional que ficam para memória futura mas que com justiça fazem de Carlos César, e do seu Governo Socialista, o campeão absoluto do despesismo.

Em parceria partidária com José Sócrates juntos conseguiram bater o recorde do nosso endividamento. Ex-aequo têm a infame "camisa amarela" de líderes da maior crise de sempre, pedalam no pelotão da frente dos valores galopantes do défice e ainda estão no topo do ranking do desemprego. Um palmarés de campeões da ruína em "downhill" das contas públicas, e da economia, que os socialistas vão maquilhando e retocando com o glamour de uma festa que, inevitavelmente, vai um dia acabar. Na ressaca da mesma dissipar-se-á a miragem cor-de-rosa do oásis económico-financeiro que nos prometeram quando começarmos a pagar a respectiva factura geracional. Prometerem-nos um "cluster" de sucesso no meio do Atlântico numa rota sem escala para a crise nacional, europeia ou internacional que por aqui, diziam eles, não teria lugar.

Mas a nossa herança estará hipotecada ao gasto perdulário acima das nossas possibilidades e imputável ao modelo socialista de governação.

Afinal a crise em que nos atolaram tem autoria regional e a projecção futura dos seus encargos ficará por conta das próximas gerações. Esta "pegada" económico-financeira poderá implicar um verdadeiro retrocesso geracional e um imprevisível choque social. É a consequência de uma cultura do desperdício que cometeu ainda a façanha de ficar atrás das outras regiões ultraperiféricas congéneres da Europa apesar desta ter investido nos Açores mais do que em qualquer outra região. Nesse esforço de convergência, por exemplo, Madeira e Canárias aproximaram-se do nível médio de rendimento da União Europeia em percentagens acima dos 90 %. Nós por cá, a receber mais do dobro das outras regiões, não conseguimos valores aceitáveis de convergência.

Com toda esta cornucópia de euros da União e com o novo-riquismo da República subimos apenas nos valores que representam um dano social, por exemplo, temos 10 % dos agregados familiares Açorianos sob o fantasma do desemprego. E este valor tem tendência a aumentar já no próximo ano. Infelizmente para estes novos desempregados as “novas oportunidades” serão apenas a perspectiva descendente com a probabilidade de terem alguém na família que seja mais uma unidade nos beneficiários do rendimento social de inserção que, por ora, abrange cerca de 20.000 beneficiários nos Açores. Este modelo económico e social tem exaurido os Açores e as energias dos Açorianos.

Se há uma lição para o futuro a retirar desta factura geracional será percebermos que, eventualmente, teremos que refundar a Autonomia num pacto com os Açorianos que esquecendo o assistencialismo despesista convoque os Açores para "meter mãos à obra" com mais Trabalho e menos Estado.

João Nuno Almeida e Sousa no Açoriano Oriental

www.ilhas.blogspot.com

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quinta-feira, novembro 25

3º dia

3º e último dia de trabalhos parlamentares @ Horta para as intervenções finais e votação do Plano e Orçamento da RAA para 2011.

Sob escuta

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O Hôtel Costes existe e respira o l'air du temps de Paris. Por aqui fica a sugestão dos ecos remisturados e redistribuídos pelo dj de serviço.

quarta-feira, novembro 24

Portable Spiral of History

Fotografia Bernardo Rodrigues, Nov'10 *
Um projecto de Bernardo Rodrigues apresentado, hoje, na inauguração da Arte Lisboa 2010.

* Objecto fotografado na sua fase de acabamentos

segunda-feira, novembro 22

Amesterdão não é aqui !

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Amesterdão é a capital das liberalidades. Descontando enormes diferenças também entre nós somos capazes de irmanar, à nossa escala, com essas realidades de vanguarda. Assim, tal como Amesterdão tem a "Dam" também nós temos, por exemplo, as "Portas do Mar" cuja linha arquitectónica, infelizmente, é substancialmente menos interessante do que a da praça "Dam". Esta praça na capital Holandesa é um centro de animação urbana, ladeada de cervejarias, e cercada por inconfundíveis incensos de cannabis mesclada com as feromonas do bairro da lanterna vermelha mais próximo.
Como também gostamos de ser modernos não há razão para ficarmos atrás. Podemos até ficar à frente! Por exemplo : entre nós o consumo de cannabis, no lado poente das "Portas do Mar" em geral, e particularmente no deck marítimo e nas cercanias da baía dos bares do costume, é generalizado e feito ao ar livre em regime de festival. Em suma : aparentemente é tão legal como a "imperial". Essa é uma realidade factual que se recomenda seja conferida no local pelos beneméritos sociais que estudam e peroram sobre estas coisas das ciências sociais.
O certo é que a forçada comparação com o modelo liberalizante dos Países Baixos acaba aqui. De acordo com a Lei Holandesa é permitida a venda de cannabis - (incluindo a alegadamente produzida na ilha do Pico que se diz ser de qualidade gourmet) – mas apenas em coffeeshops. Nesses cafés a venda legal, e tributada pela Coroa Holandesa, está limitada a 5 gramas de cannabis per capita e apenas a maiores de 18 anos. Ademais, o consumo é efectuado no coffeeshop que, também por lei, está proibido de vender álcool e muito menos quaisquer outras drogas que não as derivadas da planta cannabis sativa L., sob pena de fechar as portas como é expectável num país civilizado. Ninguém está impedido de comprar o seu producto derivado da planta de cannabis e sair da loja com o mesmo para consumo privado, desde que não o faça em público fora da coffeeshop. O modelo é tão liberalizante que o cidadão que queira consumir a sua "erva" no coffeeshop a isso não está impedido, basta que tenha a cortesia de comprar uma bebida não alcoólica no estabelecimento.
Como se vê a semelhança com a nossa realidade só coincide com a existência do consumo. Por cá, nas "Portas do Mar" e similares, só não vê quem não quer, temos bandos de pré-adolescentes a "ganzarem" desinibidamente sem qualquer constrangimento legal ou social. Culturalmente já estão arrumados na categoria de "sensation seekers" que agrupa a miudagem que está socialmente integrada e até não têm "deficits de competências" - (para usar o léxico da psicologia) - mas apenas buscam o hedonismo de novas sensações. Recentemente foi até formalizada a denúncia de que crianças de 12 anos já vagueiam pelas ruas das nossas cidades até madrugada com overdoses de consumos vários pois a nossa cultura, e a indústria da noite, favorecem essa desgraça.
A verdade é outra e mais vasta do que a retórica moralista. No laxismo em que hoje se vive, desresponsabilizaram-se as famílias, desautorizaram-se os modelos parentais e a sociedade desregulou-se vivendo agora em auto-gestão. Para qualquer liberal que se preze o Estado deve abster-se de intervir nos costumes e na vida privada de cada um, excepto quando tenha o dever de o fazer para salvaguardar determinados bens jurídicos. O mínimo que se pede é que o Estado actue para tutela de bens socialmente relevantes como, por exemplo, a formação da personalidade infantil e a salvaguarda de um modelo formativo da adolescência a bem do seu futuro. Como qualquer liberal também o sabe a liberdade implica responsabilidade individual e colectiva, sob pena de vivermos sob uma espécie de darwinismo social.
Infelizmente, Amesterdão não é aqui.

João Nuno Almeida e Sousa na edição de hoje do Açoriano Oriental

domingo, novembro 21

'1 país de cães'

Obama destaca raízes portuguesas do seu cão
Politicamente correcto a quanto obrigas?! O The Real World da Cimeira?! Ou estes 'encontros' também se fazem destes pequenos 'momentos de descontração'?!...

sábado, novembro 20

Cinema - hoje - ao final da tarde

Programa oficial Açores - Região Europeia'10
23 Out a 27 Dez'10 Ciclo de Cinema Holandês
18h00 / Cinemas Solmar / Entrada gratuita

Storm Bound (2007)
Realizador Steven de Jong

Sinopse Três adolescentes de uma cidade portuária holandesa embarcam numa primeira viagem através do oceano. Ao se aproximarem da exótica ilha de Java, um incêndio destrói o navio. Os rapazes conseguem chegar a terra, mas não é o paraíso que esperavam.

quinta-feira, novembro 18

Aviso à navegação



O programa desta 5ª feira não se realizou por motivos de 'força maior'. Retomaremos a emissão na próxima semana, como habitualmente, depois das 22h00.

Convite

Inaugura hoje, 5ª feira, a partir das 18h30 na Galeria Fonseca Macedo.

quarta-feira, novembro 17

Up with People

Comecemos por refundar as pessoas


Lyrics to Up With People :
Yes there comes a booming sound
It used to come from underground
Now it emenates
From a kind of welfare state
Of the soul
Yeah baby of the soul

And of the sweet sweet soul
Let's be certain
Of the deliberate monologue
As sure as if it will fall
Across you
Unto you
Will most certainly leave the doing undone

Come on undone

And we are doing
And we are screwing
Up our lives today
What's that we chanted
It's this we planted
C'mon progeny

Sabe bem ter vizinhos como estes...



video daqui

terça-feira, novembro 16

A verdade reposta

...
A propaganda do nacional-socialismo produziu um aforismo que ficou célebre: se uma enorme mentira for replicada muitas vezes o Povo acreditará na mesma como se fosse verdade. Porém, não é à força da repetição "ad nauseam" de uma falsidade que esta se converte em verdade. Alguns profissionais da política do regional socialismo, licenciados pela universidade do carreirismo partidário, não aprenderam ainda essa lição e sempre que têm palco mediático repetem o mesmo espectáculo burlesco. Com a gravidade clínica de uma mania sempre que podem reincidem no número de "stand-up comedy" em que se transformou a repetição enlatada das mesmas mentiras.
Exemplo dessa performance é o recorrente panfleto dos socialistas de Ponta Delgada que, sem qualquer fundamento, afirmam que a Presidente do Município, enquanto última Secretária Regional das Finanças do PSD, deixou a Região "à beira do precipício" financeiro. Remetem-se a um passado distante, de memória longínqua, ilustrando-o com uma falsidade grandiloquente na expectativa presente de credibilizar uma mistificação. Ora, Berta Cabral foi Secretária Regional das Finanças apenas de 95 a 96. Seria humanamente impossível em tão reduzido exercício de gestão produzir os resultados propagandeados. Efectivamente, a verdade é outra.
Ao contrário da opacidade financeira do actual Governo Regional, Berta Cabral, quando foi responsável pelas finanças Açorianas, a primeira medida que tomou foi de transparência ao publicitar as contas da Autonomia. Fê-lo em sede própria e na primeira vez que se dirigiu à Assembleia Regional. Voltou a fazê-lo quando cessou o mandato e passou a Deputada Regional. Assim, em 1995, e enquanto Secretária Regional das Finanças, Berta Cabral prestou contas ao Parlamento Regional, designadamente, dando nota de que a Dívida Directa da Região rondava os 101 milhões de contos - (cerca de 504 milhões de €uros). Posteriormente, em 1996, e enquanto Deputada Regional, Berta Cabral voltou a fazer o balanço da sua gestão e do PSD quantificando o valor da Dívida Directa da Região na ordem de 113 milhões de contos - (cerca de 567 milhões de €uros). Afinal o saldo de Berta Cabral, nas contas da Região, foi apenas de aproximadamente 12 milhões de contos, ou seja, cerca de 63 milhões de €uros. Importa ainda não esquecer que se tratava de Dívida Pública Integral objectivamente espelhada no Orçamento da Região pois, à data, não tínhamos ainda mergulhado na miragem do oásis do superávit da desorçamentação que actualmente vigora na Região.
Depois deste rol de contas veio o "camarada" Guterres e a "Autonomia cooperativa" que fez o "reset" das contas regionais. Tudo isto num esforço inglório pois, apesar dessa liquidação benemérita do passivo Açoriano, o Governo do "camarada" César, partindo do "zero", conseguiu a proeza de uma dívida pública que hoje já ronda os mil milhões de €uros! Esta é a verdade dos factos que não se mascara com a mentira de ocasião agora repetida a pretexto de uma auditoria a uma empresa municipal de Ponta Delgada que foi arquivada com meras recomendações administrativas. Com dolosa má fé essa realidade também é manipulada até porque convém para encapotar outras contas. As mesmas, por exemplo, que o Tribunal de Contas quantificou em auditoria de 2008 à Região e que dava nota da tendência de aproximação de 1000 milhões de dívida regional representando mais de 20 % do PIB regional. No mesmo documento ficou emoldurado um saldo negativo da conta da região de cerca de 43 milhões de €uros, tendo em conta os encargos assumidos e não pagos, e a mácula de 33 milhões de €uros de subsídios, por coincidência atribuídos em ano de eleições, sem qualquer enquadramento legal.
Hoje, sabe-se que a dívida regional continua a crescer e expande-se através de empresas de capitais públicos criadas em catadupa. Efectivamente, só o governo PS de Carlos César, que em 1996 prometeu uma administração de contenção, criou até hoje mais de 60 empresas públicas regionais! Hoje, não se sabe qual o valor real e efectivo da dívida regional até porque as contas das empresas regionais não foram ainda apresentadas ao Parlamento do Povo Açoriano apesar de sobre as mesmas estar pendente um requerimento ao Governo para que as apresente no plenário. Ao contrário da contabilidade autárquica de Ponta Delgada que está disponível na internet, no sítio institucional do Município, as contas da Região e particularmente das empresas regionais estão "guardadas a sete chaves". A verdade é que as contas da Região padecem de uma enfermidade que é já crónica: falta de transparência, desorçamentação e subsidiação duvidosa. Querer esconder estes resíduos tóxicos da autonomia do superávit é como querer tapar o sol com a peneira. Mas as "peneiras" dos comissários políticos do costume não resistem ao endeusamento da mentira e ao mais descarado malabarismo para nos distraírem de uma Região falida e com o futuro hipotecado.
Por este andar a Região Socialista dos Açores não tarda e estará bem pior do que o Governo da República de José Sócrates.

João Nuno Almeida e Sousa na edição de hoje do Açoriano Oriental

segunda-feira, novembro 15

Nos Açores também


Por assim dizer, refundar é, por estes dias, palavra de ordem, entre aqueles que sentem todos os dias o peso da “democracia dos outros”: dos que, confortavelmente e do alto de suas poltronas, botam palavra fácil sobre as duras agruras de quem forçosamente tem que poupar; dos que crescem à custa do – cada vez maior – sacrifício daqueles que ficam cada vez mais pequenos (mesmo mais pequenos); dos que gostam de distribuir riqueza, pela alegria de verem uma mão, humildemente estendida em sua direcção.

Por assim dizer, refundar é, hoje, importante. Não para os nossos créditos, mas sim para que as nossas crenças possam prevalecer, face a um revanchismo, latente em tudo (ou quase tudo) o que se lê ou se ouve, onde o “não assunto” abunda, vende jornais e enche a alma dos profetas da desgraça, que quase se rejubilam com o seu mais provável dito – “Eu avisei! Eu bem vi que estávamos destinado a aqui chegar”.

Por assim dizer, a vida de nós todos está profundamente dependente desta necessidade de refundar, numa altura em que alguns dos responsáveis políticos, cansados da liça, já não sabem o que dizem, preocupados apenas com aquilo que os outros aparentemente disseram.

Por assim dizer, refundar assume-se – cada vez mais – como o mais alto desígnio da Nação, com ou sem FMI, que só me faz lembrar os MIB (Men in Black, para os mais distraídos), na sua árdua tarefa de preservar a Terra da presença dos feios e viscosos malfeitores, debaixo de uma ânsia amnésica de refundar a “Ordem” na galáxia (permitam-me algum exagero na ordem de grandeza).

Com “ingenuidade patética” ou não, a certeza de que refundar os corrompidos pelo poder passou a ser um imperativo moral(!), sem deixar que outros venham a seguir o mesmo caminho.

Por assim dizer, há no ar uma vontade generalizada de refundar esta Democracia, nas paragens por onde a reconhecemos. Nos Açores também!

foto daqui

quinta-feira, novembro 11

Agente Provocador



A artista plástica Nina Medeiros é a convidada, desta semana, do Agente. A sua mais recente exposição individual e os 30 anos de actividade da Academia das Artes dos Açores, da qual é a actual directora, são tópicos para a conversa a 4 desta 5ªfeira.

Para ouvir em directo na Antena3-Açores a partir das 22h00, nas seguintes frequências:

S. Miguel 87,7 MHz
Terceira 103,0 MHz / 103,9 MHz
Faial 102,7 MHz

À LEI DA BALLA

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projecto Balla uma excelente montra da pop made in Portugal

quarta-feira, novembro 10

E aqui fica o bolo...

Politicamente correcto.




Com abraços, e laços fortes

foto daqui

Aviso à navegação

O :ILHAS fez 7 anos, no passado dia 06 de Novembro, e não teve direito a bolo. Não é que daí venha algum mal ao mundo mas fica o post.

A idade e o discernimento já não são os mesmos. As nossas desculpas pelo transtorno.

Aproveito esta entrada para agradecer ao Tibério Dinis a nomeação, deste sítio relativamente bem frequentado, para Blogue Açoriano'2010. A administração agradece e retribui.

terça-feira, novembro 9

A ler o que por cá não se escreve

Jazzores: aposta ganha na criatividade *
Durante uma semana, em Ponta Delgada, os apreciadores das facções mais avançadas do jazz viram-se imersos num desafiante e arrojado programa de concertos diários. À partida, a aposta do festival era arriscada, ao convocar sobretudo projectos ligados às franjas mais livres e radicais do jazz. Com alguns concertos inesquecíveis, salas bem compostas e uma audiência verdadeiramente interessada, ficou clara a sensação de que a aposta havia sido ganha.

O arranque deu-se com o trio do lendário Charles Gayle, saxofonista negro que representou aqui as raízes mais clássicas do free jazz, com ligações ao gospel e aos blues. Gayle revelou uma forma notável, soprando livre, ágil e poderoso no saxofone tenor e surpreendendo como pianista, num registo espiritual, derivado de Monk, bastante mais amadurecido do que em gravações anteriores. Num concerto que demorou um pouco a aquecer para depois se instalar num nível altíssimo, o contrabaixista Larry Roland e, sobretudo, o baterista Michael Wimberly mantiveram um fogo contido, de grande vibração, destinado sobretudo a realçar o discurso notável de Gayle.

No segundo dia, apresentou-se no salão nobre do Teatro Micaelense o pianista norte-americano John Blum, a solo. Incompreendido e ignorado por muitos, verdadeiramente idolatrado por outros, Blum é um músico brilhante de difícil categorização. Num set de uma única peça improvisada, lançou-se sobre o teclado do piano com uma impressionante energia anímica, construindo um aparente caos de notas percurtidas, marteladas, afagadas, glissandos selvagens e cotoveladas brutais, num todo que tem tanto de pura intuição como de rigor musical. Discutível foi a utilização repetida das mesmas soluções rítmicas e harmónicas, em ciclos desenvolvidos de forma quase idêntica.

Robert Glasper, pianista que grava para a Blue Note um pós-bop algo incaracterístico, revelou ao vivo possuir uma requintada subtileza harmónica e um conceito rítmico vibrante, baseado na repetição hipnótica de motivos. Mais próximos da soul e do hip-hop do que do jazz (por momentos pareceu-nos ouvir a voz de Jill Scott), Glasper e os seus dois companheiros, Vicente Archer no contrabaixo e Mark Colenburg na bateria, demonstraram a sua fortíssima base académica e realizaram um interessante estudo jazz sobre a estrutura da canção popular.

Na noite de 31 foi a vez do trio e quinteto electroacústicos liderados pelo violinista Ernesto Rodrigues. Improvisador de grande nível e responsável por uma das mais importantes editoras europeias deste género musical (Creative Sources), Rodrigues fez-se aqui acompanhar por Carlos Santos, no computador e processamento electroacústico, e Guilherme Rodrigues, violoncelo, aos quais se juntaram posteriormente Gianna de Toni, contrabaixo, e Luís Couto, na guitarra eléctrica. Na segunda parte, em quinteto, a única a que me foi possível assistir, a música surgiu contraditória com o espaço (auditório principal), incapaz de transpor a barreira invisível do palco e comunicar a riqueza de detalhes que habitualmente integra. Uma estrutura demasiado horizontal e alguma falta de dinâmica acabaram por complicar ainda mais as coisas.

Telepático, o trio do saxofonista Evan Parker assinalou o ponto alto do festival. Acompanhado por John Edwards no contrabaixo (magistral) e Tony Marsh na bateria (colorista mais que ritmatista), Parker realizou um concerto notável onde foi possível perceber que se aproximou irreversivelmente do jazz. Longe das abstracções metafísicas que fizeram a sua glória em discos como Conic Sections, The Snake Decides ou London Air Lift, Parker é hoje um jazzmen, fraseando as linhas de free com excepcional clareza e agilidade e continuando a surpreender com secções onde utiliza a respiração contínua para actualizar o conceito de "lençóis de som" preconizado por Coltrane nos anos 60.

Finalmente, a encerrar o Festival, um dos momentos mais aguardados: o duo de Wadada Leo Smith e Louis Moholo-Moholo, duas lendas do jazz. No entanto, cedo se percebeu que Leo Smith estava num dia não, demasiado cansado para vencer a simples inércia dos movimentos físicos mais básicos. Apesar disso, Moholo depurou a sua linguagem, com ligação directa às raízes africanas do jazz, e aproximou-se da quase imobilidade de Leo Smith com um drumming encantatório que potenciou os ambientes altamente espirituais do trompetista. Acabou por se revelar a classe excepcional de ambos e a fragilidade de toda a música mais criativa, vulnerável por completo a pequenas oscilações de humor ou energia
.

* Rodrigo Amado in Público de 6 Nov'10