sábado, março 25

AÇOREANA DMC - Uma Grande Equipa

Em tempos pensei e escrevi que, por mais anos de vida tivesse e por mais bem sucedida fosse a minha carreira profissional, a vida teria dificuldade de me colocar perante outro desafio e outro projeto tão importantes como foi para mim o reposicionamento do Terra Nostra.

Não me podia ter enganado mais!

Como nem sempre fui esta pessoa sociável que muitos conhecem, com a força inabalável de tudo fazer para, à minha passagem, procurar deixar o mundo um pouco melhor, é importante referir que costumo, e com verdade, atribuir ao Primitivo Marques (a quem fiquei sempre grato) um papel muito importante naquela que considero ter sido uma mudança radical, sobretudo, no que diz respeito ao entendimento do conceito de “comercial”, fazendo com que a desajeitada larva que eu era se tivesse transformado numa ágil borboleta.

Mas o que me enche de alegria e me faz sentir honrado é o facto de muitas pessoas, sobretudo aquelas que melhor conheceram o Rodrigues Carroça, meu pai, dizerem que dele herdei a arte de fazer as pessoas sentirem-se especiais na sua presença. Quando eu era ainda uma criança, vivia (sem saber) fascinado com a gentileza com que o meu pai se dirigia a todas as pessoas com quem ele se cruzava. Era, pois, habitual eu e ele nos perdermos em conversas sobre como iríamos construir, quando eu crescesse, uma organização que teria como único objetivo ajudar todas aquelas pessoas que tivessem dificuldades (fosse no que fosse!), uma espécie de agência de resolução do infortúnio dos amargurados que não sabiam como desenvencilhar-se por entre o mar burocrático que promove o naufrágio dos mais fracos e desprotegidos.

Estive imerso em trabalho árduo durante todo o ano de 2016 e apresentei a nova imagem da Açoreana DMC na BTL, no passado dia 16: um estrondo com réplicas que se fazem sentir por muitos lugares e, julgo que por muito tempo ainda. Foi então que percebi que a minha sensação de realização não se encontra em fazer coisas grandes. Afinal, a minha realização, tanto profissional como pessoal, está em fazer pessoas felizes, algo que quase nunca é tarefa fácil.

Com um agradecimento especial a todos aqueles que ajudaram a dar forma a esta pequena maravilha, fiquem com o filme que mostra como se recria uma marca inspirada numa grande equipa, com pessoas agora mais felizes.


Mais projetos não tardam. Fiquem atentos ao TREMOR e façam o favor de dar largas à vossa imaginação.


P.S. Não podia fazer melhor homenagem ao meu pai. Todos os dias!

sábado, novembro 19

"Sabores do Cozido" - Não é para qualquer um!

Como determina a tradição, depois da remodelação do hotel em 2013, estreou-se hoje mais uma carta “Outono Inverno” no Restaurante Terra Nostra e muitas são as notas interessantes sobre os pratos fantásticos que calarão as bocas dos mais versados conhecedores gastronómicos da praça.

Poderia dedicar esta tosca prosa a tantas e boas iguarias: caso da caldeirada de peixe, da tempura de polvo e do pernil com feijoada (a minha preferida). Mas não! Apetece-me falar dos “sabores do cozido”. Porquê? Porque é um rasgo de génio, algo que parecia impossível, algo que não é para qualquer um!



É verdade que o Mundo evolui (!) porque a humanidade não ficou parada à espera do amanhã. Também não é mentira nenhuma que essa evolução se fez sentir mais nuns sítios do que noutros e quanto maior a dimensão do aglomerado populacional, maior a velocidade e o número de áreas em que ela se manifestava no horizonte global das sociedades.

Se os pré requisitos atrás referidos estão na génese da evolução da nossa espécie, estão na génese também da verdadeira revolução que acontece todos os dias naquele que é um dos grandes, dos maiores, restaurantes de Portugal.

Podem deliciar as vistas com as fotos com que tempero esta pequenina nota (sim, porque o que se passa no Restaurante TN é muito maior), mas se quiserem compreender verdadeiramente o que vos digo, vão ter todos que ir ao Terra Nostra saborear o resultado daquele que foi, tão-somente, um desafio de um amigo, feito ao Chef Luís Pedro, um dos mais revolucionários Chefs dos Açores da atualidade.




Está de parabéns, uma vez mais, toda a equipa do Terra Nostra a quem deixo um abraço, na pessoa do seu Diretor, Simão Markovitch.

quinta-feira, outubro 13

Uma iniciativa com futuro!


Um português que não esperou por D. Sebastião

Não sei se retomo a minha presença por esta casa.
Mas seja como for, não resisto a "postar" um texto de Miguel Sousa Tavares sobre António Guterres, o grande senhor nações unidas (não a tendo visto por aí escrita, posso assumir legitimamente a paternidade da expressão).

"Maior que Portugal", diz Miguel Sousa Tavares:
"Meço a frase com todo o cuidado: António Guterres é um dos raros portugueses de quem eu, convictamente, posso afirmar que é maior do que Portugal. Ele e Mário Soares são os únicos políticos portugueses que, em 40 anos de andanças jornalísticas, vi serem conhecidos e reconhecidos lá fora. O seu extraordinário desempenho na candidatura a secretário-geral da ONU, apesar dos tão invocados esforços diplomáticos e influências movidas, deve-se, única e exclusivamente, ao seu mérito próprio. Ela só foi possível porque, num processo aberto e fundado na qualidade de cada candidato, António Guterres foi, de longe, o melhor. E isso é, desde logo, uma característica que o faz diferente da nossa maneira de ser: ousar bater-se e conseguir triunfar pelo mérito próprio, exclusivamente.
Conheci pessoalmente António Guterres quando ele era líder da oposição socialista ao último governo de Cavaco Silva. Convidou-me para irmos almoçar no seu restaurante favorito, na Praça das Flores, e a partir daí, durante cerca de um ano, almoçávamos uma vez por mês, tendo cada almoço uma espécie de tema predefinido — para o qual ele vinha incrivelmente preparado, documentado e com ideias firmes que queria confrontar com as minhas. Mas, por favor, não façam confusão: eu não sou o arquiteto Saraiva, cuja ideia de jornalismo se resume aos almoços que tem com os políticos para satisfação do ego e memória futura. Detesto almoços de trabalho em geral e almoços com políticos em particular. Mas Guterres era diferente: estava na oposição, tinha vontade de discutir e de se confrontar a si próprio e um genuíno espírito de serviço público que eu nunca antes tinha conhecido. Nunca, em 40 anos de jornalismo, encontrei alguém em Portugal que estivesse mais bem preparado e motivado para governar — e eu sempre pensei e penso que governar Portugal, de acordo com aquilo em que se acredita ser melhor para o país, é o pior emprego que se pode ter.
Então, Guterres foi para primeiro-ministro. E, logicamente, os nossos almoços acabaram: porque ele deixou de ter tempo para isso e porque a natureza da nossa relação mudou necessariamente. Mas um dia telefonou-me para que eu fosse almoçar em São Bento. Foi um almoço estranho, que durou umas quatro horas e em que a maior parte do tempo foi gasta a falar da vida e de assuntos pessoais. Lembro-me de uma frase premonitória que ele disse e que eu retive pela convicção com que foi dita: “Não vou ficar aqui muito tempo e quando sair vou querer dedicar-me a qualquer coisa no domínio internacional, no campo dos direitos humanos ou semelhante.” Saiu com um pretexto absurdo, cansado dos facas longas do PS, da pequena intriga da política e da mesquinhez do país. Não o disse assim exatamente, mas eu sinto que foi isso que pensou quando falou do “pântano”. E eu, que lhe dediquei um livro de crónicas políticas intitulado “Anos Perdidos”, eu, que então não lhe perdoei não ter querido arrostar até ao fim com a luta contra os nossos males mais profundos, enquanto seu admirador pessoal, compreendi bem a sua desistência e, do fundo do coração, desejei-lhe toda a sorte do mundo.
E hoje ele é o secretário-geral do mundo. Não sei se os portugueses se dão bem conta daquilo que António Guterres conseguiu para Portugal. Representa bem mais do que as Bolas de Ouro de Cristiano Ronaldo, o título europeu da Seleção e até o Nobel de Saramago.
Não haverá multidões à sua espera no aeroporto, desfile de vitória até aos jardins do Palácio de Belém, sumidades e autoridades a chegarem-se à frente e a quererem fazer selfies com ele. Mas nos últimos 50 anos, pelo menos, nenhum português nos deu mais motivos de orgulho do que ele. E conseguiu-o através da atividade que o português comum mais gosta de desprezar: a política. Parabéns e obrigado, António Guterres!"
E eu assino por baixo!