terça-feira, julho 31

Alqueires, palmos e varas…pequenas e grandes!

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foto fôguetabraze.
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"Em várias regiões do Continente, bem como nas Ilhas açorianas é normal e tradicional falar-se em alqueires como medida de capacidade.
Variam de região e de ilha para ilha entre os 10 a 12 litros e, é corrente vender-se o grão do feijão, do milho, do trigo, da fava etc..., e até em certas regiões o azeite, ao alqueire.

Nas Ilhas dos Açores, além de alqueire como medida de capacidade, existe um outro “alqueire”, este como medida de superfície e que é utilizado ao longo dos anos nas medições de terrenos agrícolas ou florestais, para inventário do património dos respectivos proprietários, quer na compra e venda de propriedades rústicas quer ainda para cálculos de foros, adubações, sementeiras e colheitas.
Ainda hoje se ouve em muitos concelhos dos Açores, as pessoas mais idosas dizerem – “minha terra produziu 40 alqueires de milho por alqueire de terra”. Quando se cultiva o trigo, dizia-se: “tive uma produção de 30 alqueires de trigo por alqueire”. O alqueire, como medida de superfície é reconhecido desde os primórdios até hoje. Tal como o outro, também varia em números de ilha para ilha, indo desde os 968 e 1393 metros quadrados em S. Miguel, aos 1200 metros quadrados em Santa Maria e os 1000 metros quadrados nas restantes ilhas do Grupo Ocidental e Central.
Como se calcula esta medida de superfície, como apareceu e se oficializou pelos nossos antepassados?
Tudo indica que a base histórica destas medidas venha desde o povoamento das ilhas. É natural que os primeiros povoadores dos Açores não possuíssem grandes aparelhos ou utensílios de medições e como tal utilizavam o “palmo” da mão como medida padrão (22 centímetros). Lê-se em alguns livros de escrituras antigas, que as servidões das terras tinham nove palmos de largura, que os carros de bois tinham seis palmos de largura etc. Daí que as medidas de superfície fossem também calculadas com base em “palmos”.
Adoptaram-se para medições de terrenos, utensílios que se denominaram “Varas” que não são mais do que um pau rectilíneo de um modo geral redondo e que para os medidores mais antigos e conceituados têm duas ponteiras de metal a rematar cada um dos extremos da vara. Este instrumento, ao mesmo tempo que serve de medida, serve de bordão para os auxiliar nas caminhadas, ou saltar valas e muros, sendo as ponteiras para evitar danificar as varas ou alterar a sua medida. A primeira vara convencional mede doze palmos o que equivale a 2.64 metros.
Um alqueire de terra é duzentas varas quadradas, ou seja: - 2.64 x 2.64 m x 200 = 1393 metros quadrados. Um “moio” de terra é sessenta alqueires. Ontem como hoje e em conversa corrente com os mais velhos, fala-se que a propriedade X tem dois moios e 7 alqueires, que o senhor fulano tem uma propriedade de muitos moios e assim por diante.
Após o povoamento e quando era distribuída a terra aos povoadores para desbravar e explorar, davam-se garantias de que quem mais explorasse a aumentasse o património, melhor seria para a Coroa e daí tirariam proveitos. Era com base na posse de “moio” e “alqueires” de terra que eram atribuídos aos seus proprietários alguns títulos honoríficos.
Numa determinada área da Ilha de S. Miguel, concelho da Ribeira Grande, existe ainda um alqueire mais pequeno. Há centenas ou muitas dezenas de anos, convencionou-se uma vara com apenas dez palmos, ou seja com 2,20metros. Na mesma o alqueire são duzentas varas quadradas: - ou seja 2,20 x 2,20 m x 200 = 968 metros quadrados. Eis a razão porque em S. Miguel existem dois alqueires de terra, um de “Vara Grande” que mede 1393 metros quadrados e outro de “Vara Pequena” com 968 metros quadrados. "
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O texto é do Eng. Técnico Agrário Albano Almeida e Sousa no n. 82 da Revista Imobiliária num Especial Dossier Açores. Este trabalho do meu estimado Tio Albano Salvador, pai do Nuno Barata, serviu-me para a resolução de um bicudo imbróglio jurídico no qual a vexata quaestio passava pelos trilhos nebulosos das “varas grandes” e “pequenas”. Recentemente procurou-me um curioso destas antiguidades solicitando-me cópia do texto. Como estamos na era digital aqui fica no blog a transcrição do mesmo para préstimo de quem quiser.
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

4 comentários:

Vigia disse...

O alqueire (medida de superfície) na ilha Terceira corresponde a 968 metros quadrados e não a 1000 metros quadrados.

João Bettencourt disse...

Em São Jorge também. Utilizamos o alqueire de vara pequena.

Joao Pedro disse...

O alqueire como medida de area tambem se utiliza no Minho. O alqueire deixou de ser usado como medida de volume, passou a ser s raza entre outras

Unknown disse...

36 alqueiros de terra vara grande quantos metros quadrados tem