domingo, abril 22

Há momentos assim!


(momentos em que nos apetece dizer o que realmente precisa ser dito, sem a preocupação de saber se o que vamos dizer agrada ou desagrada, e a quem quer que seja)

Na economia açoriana, uma das insuficiências grandes que os vários sectores apresentam está ao nível da gestão. Não se pode esperar que todos sejam gestores provenientes da universidade (muito embora a ideia seja tentadora) mas, não se pode deixar também as empresas pequenas (que nos Açores dão emprego à maioria da população) continuarem a enfermar da falta de especialização, sobretudo, ao nível do seu core business.

A dimensão diminuta das empresas açorianas obriga a que certas funções satélite como a contabilidade, a gestão dos recursos humanos e o planeamento e gestão dos recursos financeiros sejam entregues a pessoas (empresas) exteriores à organização, para permitir que esta concentre toda a sua massa crítica no desenvolvimento do negócio que a justifica.

Apesar de teoricamente as coisas funcionarem nestes moldes, a verdade é que não funcionam: por vezes a nossa empresa não está qualificada para a sua área de actuação e, tão-pouco, as empresas às quais se entrega as restantes tarefas as cumprem com os desejados rigor e eficácia. Assim, sem qualquer preocupação estratégica de alimentarmos o mercado na relação com a nossa empresa e sem qualquer visão de futuro, limitamo-nos à gestão corrente, facto que se assume como negligente e ruinoso.

Nós queixamo-nos que a economia não está de saúde. Nós queremos que a economia gere empregos. Nós queremos que a economia equilibre a balança comercial e nós queremos viver como gente rica. No entanto, esquecemo-nos que somos poucos, pequeninos, mal formados, temos grandes limitações geográficas e a nossa reduzida dimensão vê-se ainda acentuada pelo forte sectarismo que caracteriza a dinâmica económica destas ilhas e que, eventualmente, poderá decorrer de um excessivo individualismo e das nossas vistas curtas.

Mas, eu não sou economista e gostava de compreender como é ainda possível – com tantos ciclos económicos e respectivas crises, com tantos economistas e suas teorias e explicações – continuarmos a deixar-nos surpreender por estes momentos mais difíceis onde, a seguir ao abrandamento vem a estagnação e com ela a ruína de muitos e o surgimento dos seus substitutos, para que tudo continue a funcionar da mesma forma mas, com outros agentes e, eventualmente,  com outros processos e escalas diferentes.

Como é que, com anos a fio de sucessivos avanços no campo do conhecimento, ainda não se consegue contrariar o factor irracional, impedindo-o de introduzir elementos dissonantes na precursão dos objectivos delineados para as sociedades? Se calhar, é também caso para dizer que os objectivos das sociedades não assentam num traço comum. E o que nós vivemos e experimentamos não é mais do que a tentativa de compatibilização dos vários sectores e dos vários quadrantes, a partir de modelos egocêntricos, que assentam na percepção que cada um de nós tem do contexto.

Apesar de tudo e neste momento, o mais importante para todos nós era perguntarmos como pode a economia tirar partido da nossa incapacidade de lidarmos com todos estes condicionalismos, para que possamos todos conhecer um benefício maior por ter nascido aqui e não noutra qualquer parte do mundo. Contudo, a falta de objectivos comuns maiores e a falta de entendimento sobre a importância do contributo de cada parcela, faz com que todos nós limitemos a nossa existência às sucessivas cambalhotas para nos mantermos de pé, a tentar safarmo-nos da morte, até que ela nos colha como nós colhemos um bago de uva.

Se, ao menos, dermos vinho…

7 comentários:

Anónimo disse...

A economia é ciencia.
A economia não tem nas suas fileiras um Darwin, como a biologia tem, um Pasteur, como a medicina tem ou um Einstein, como a fisica tem.
É uma coisa assim assim. Como as cartas do Tarot. É pouco experimental e muito ligada à fé.

É por isso que os Açores, Portugal, a Europa e o mundo estão assim.
Na bancarrota.

AM disse...

Deixo aqui alguns pontos que me parecem contribuir para o texto.

1-TODOS os modelos económicos são suportados por pressupostos. Quer isto dizer que não existem modelos que traduzem a realidade tal e qual. (fica sempre alguma coisa de fora - desconsiderada")

2-As 2 variáveis mais importantes e qualquer economia são: Confiança e Expectativas.
Na falta de uma, a economia não avança.

Na minha opinião, as expectativas são a variável mais importante. Infelizmente esta variável, não foi utilizada correctamente nos últimos anos. Os portugueses foram iludidos nos últimos 20 anos (talvez mais nos últimos 10). Os exemplos são imensos....(novo aeroporto Lisboa só a titulo de exemplo).
Criar ilusões é diferente de criar expectativas!

3-Portugal até 1985 era como uma criança à frente de uma montra de uma pastelaria.... Depois entrar para UE, o governo, empresas e portugueses, utilizaram o financiamento barato, basicamente para 2 coisas: Consumo e investimento em activos não transaccionáveis (ex.: imóveis).
Apensas 23% do financiamento que os portugueses contrariam, serviu para criar bens transaccionáveis
Reinava a ideia que as pessoas eram o que tinham, hoje as pessoas têm o que são.

4-As crises (independentemente da origem das mesmas), são a única coisa que faz separar o trigo do joio na economia (reestruturação).


Isto tudo para dizer, que a receita para o sucesso da Região e do País até parece óbvia de mais:
Ter pessoas em cargos de gestão, no governo, nas empresas, em associações, ... num extremo até em CASA..., que não criem ilusões nos outros e saibam distinguir aquilo que pode ser feito, daquilo que não pode ser feito. Gerir bem os recursos que têm, até porque estes são escassos.

P1: Mas temos essas pessoas?
R2: Temos.

P2: Então porquê razão a "receita" não funciona?
R2: Porque as pessoas, não estão nos locais (cargo) certos, pois existe um certo "proteccionismo" que não garante a eficiência na alocações de recursos mais adequados.

Anónimo disse...

Esse medicamento do header faz-me lembrar o serviço regional de saúde-a dívida no secor é de 6600 milhões, segundo o Governo Regional e, segundo o tribunal de contas, de mais cerca de 3300 milhões.

Home, se o défice regional é muito bom, porque é que se adiam cirurgias, 2 e três vezes?!

Só o cabeç de buro do Garganta pode explicar esta boa e exemplar governção- espremos que ele nos alumie!

Anónimo disse...

Caro Carlos Rodrigues
Não obstante o excelente texto para reflectir, tenho a dizer que não é tão inexplicável o falhanço das politicas económicas...
Assim, toda a teoria económica enquanto exercício teórico só pode dar certo(se obedecer ao enquadramento da teoria que lhe serve de base) pois ela é feita na razão de resultar.
O problema é desde logo a sua aplicação prática e a variante psicológica que dinamiza, ou não a sua prática.
Em segundo temos a questão de termos uma teoria que se destina a ser aplicada a pessoas, e estas pessoas não são indiferentes ás decisões económicas e por isso se movimentam e criam dificuldades ou facilidades a estas mesmas politicas.
Por último a teoria capitalista tem um grande obstáculo a sua concretização que é a necessária promoção de crises pelo desenvolvimento da sua realidade económica.
Isto tudo porque o capitalismo se desenvolve por dois elementos fundamentais, o primeiro é a detenção dos meios de produção pelos capitalistas e a segunda são os trabalhadores que constituem a mão de obra necessária à sua produção, destes dois elementos se desenvolvem contradições que são a base das crises económicas.
Os capitalistas querem maximizar os lucros e para isso têm que diminuir os salários, por outro lado, vender mais e aumentar os lucros implica que os trabalhadores comprem mais o que não o poderão fazer com vencimentos baixos destas contradições nascem as crises, tentar resolver estas contradições é a resposta necessária para a resolução desta equação.
Saudações
Açor

Anónimo disse...

Caro Carlos Rodrigues
(Continuando)
Para além da realidade central que provoca as crises económicas no sistema capitalista e que se resumem na contradição entre a produção ser obtida de forma colectiva e os meios de produção serem detidos exclusivamente pelos capitalistas, portanto de forma individual, temos as idiossincrasias próprias de cada realidade social o politica dos Países.
Assim nos Açores e em Portugal, temos que estruturar a nossa economia para que ela corresponda ás necessidades da região e do País desiderato que desde(pelo menos) a nossa entrada na comunidade, foi hipotecada pelos compromissos então estabelecidos de destruição do nosso tecido produtivo, se somar-mos a isso uma formação profissional escassa e falsificada pelo facilitismo em criar escolas e cursos profissionais unicamente para receber os subsídios Comunitários, sem qualquer controle e em que os casos irregulares como o da UGT(mero exemplo)não tiveram o melhor seguimento nos tribunais Portugueses.
Para além disso a promiscuidade entre o capital e o estado sem qualquer controle independente ou jurídico eficaz, facilitou a corrupção o laxismo e a incompetência.
Faltou também sinergias estatais e da sociedade civil que promovessem a resiliência social e politico partidária.
Muito mais havia a dizer, deixo aos interessados.
Saudações
Açor

Anónimo disse...

Na Madeira do Bobo Jardim a policia e o ministério público já andam à caça dos corruptos.

Muito cuidado com os PêPêDês que andam por aqui.

Metem tudo ao bolso!

Não é por acaso que várias câmaras nos Açores ficaram falidas.

Anónimo disse...

Em Portugal o Chuchócrates foi para Paris e o o país ficou na miséria.

Nos Açores, as operações têm sido sucessivamente adiadas, devidoà invejável situação económica da região- é caso para dizer- morra hoje, pague amanhã!

E vem o cabeça deburro defender o seu tacho!