sábado, abril 4
sexta-feira, abril 3
Shalom
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Vou ser objecto de uma IVE...isto é uma Interrupção Voluntária da Existência, blogoesférica claro está. Como se trata de uma interrupção porventura regresso um dia destes, se não for antes, ao mural de postagens do : Ilhas. O blog fica bem entregue ao cuidado dos restantes residentes e à visita regular da nossa carteira de leitores e de comentadores compulsivos. Para todos vós: Shalom.
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Vou ser objecto de uma IVE...isto é uma Interrupção Voluntária da Existência, blogoesférica claro está. Como se trata de uma interrupção porventura regresso um dia destes, se não for antes, ao mural de postagens do : Ilhas. O blog fica bem entregue ao cuidado dos restantes residentes e à visita regular da nossa carteira de leitores e de comentadores compulsivos. Para todos vós: Shalom.
Pdl by Night (and Day)

quinta-feira, abril 2
O navio fantasma
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As habituais sereias cor-de-rosa, negando as evidentes vicissitudes do transporte marítimo de passageiros e veículos nos Açores, afinam a voz para o coro do costume. Afirmam que esta é mais uma obra estruturante para o "povo açoriano" - (o mesmo que foi riscado da letra de lei do Estatuto) - e do mesmo estalão de outras similares. Exemplo dessa ordem de grandeza são as "Portas do Mar", as "Scut´s", e as demais obras megalómanas cujo impacto, presente e futuro, nas finanças desta região do superavit é um exercício académico cujos resultados, por certo, não seriam compatíveis com os ratios de custo-benefício existentes nos países desenvolvidos. Se se considera que os barcos da Atlânticoline representarão um êxito comparável, e complementar, ao das "Portas do Mar" cremos que pouco mais há a acrescentar. São empreendimentos de utilização sazonal sendo que no caso dos barcos não se sabe ainda se será para esta saison que os veremos atracados às "Portas do Mar". A sociedade armadora e o Governo Regional prometem a sua "aparição" para o dia 13 de Maio deste ano, mas só os crentes aceitam este acto de fé.
O mais recente episódio deste intrincado processo emergiu recentemente com o Relatório do Tribunal de Contas que "afunda" a expectativa de sustentabilidade e a credibilidade deste projecto. Depois de 2 concursos internacionais para a construção de 2 navios, pelo custo total estimado em 40 milhões de €uros, fica a certeza de que já se deitaram ao mar muitos €uros mas, no horizonte próximo, não há à vista qualquer barco. Estes teimam em não sair do estaleiro e não resistem a sucessivas correcções. Nesse sentido, registou o Tribunal de Contas que já foram efectuados 4 aditamentos numa das embarcações sendo que parte dessas alterações não são "trabalhos a mais", justificáveis tecnicamente, mas apenas compreendidas como "mudanças de intenção do dono da obra"(sic.!). Por exemplo, a mais recente alteração de "intenção do dono da obra" custou aos contribuintes cerca de 4 milhões de €uros apenas para o aumento do número de camarotes e restyling da zona habitacional da embarcação ! Não se tratando de um luxuoso navio de cruzeiro mas de um modesto ferry, porventura com velocidade inferior ao mítico "Ponta Delgada", não se concebe que o projecto ande assim à deriva e ao sabor das "intenções do dono da obra". Ao Tribunal de Contas restou a óbvia recomendação de que seja apurado o grau de responsabilidade dos intervenientes, sem deixar de censurar custos adicionais que não são "trabalhos a mais", e sucessivos atrasos contratuais que não mereceram qualquer penalização dos responsáveis, nem sequer através das habituais "multas" contratuais. No resto, continuam os Açorianos à espera de um barco novo cujos defeitos congénitos prometem mais tempo de "oficina" e manutenção em doca seca do que efectiva navegabilidade. Projectado na Rússia (?), mas apadrinhado pelos estaleiros de Viana do Castelo, o ferry "Atlântida" tem um lastro considerável de falhas de estabilidade (intacta e em avaria) que mereceu até a distinção do Instituto Portuário e de Transportes Marítimos com a certificação de 100 reservas à operacionalidade e segurança da embarcação. Uma check list negra ! Tudo isto é suficiente para reiterar a certeza de que permanecem sine die as reservas de marcações para este barco de recreio cujo custo, bem repartido pelos Açorianos, subsidiaria outras formas de mobilidade.
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicasdigitais do jornaldiário.com
As habituais sereias cor-de-rosa, negando as evidentes vicissitudes do transporte marítimo de passageiros e veículos nos Açores, afinam a voz para o coro do costume. Afirmam que esta é mais uma obra estruturante para o "povo açoriano" - (o mesmo que foi riscado da letra de lei do Estatuto) - e do mesmo estalão de outras similares. Exemplo dessa ordem de grandeza são as "Portas do Mar", as "Scut´s", e as demais obras megalómanas cujo impacto, presente e futuro, nas finanças desta região do superavit é um exercício académico cujos resultados, por certo, não seriam compatíveis com os ratios de custo-benefício existentes nos países desenvolvidos. Se se considera que os barcos da Atlânticoline representarão um êxito comparável, e complementar, ao das "Portas do Mar" cremos que pouco mais há a acrescentar. São empreendimentos de utilização sazonal sendo que no caso dos barcos não se sabe ainda se será para esta saison que os veremos atracados às "Portas do Mar". A sociedade armadora e o Governo Regional prometem a sua "aparição" para o dia 13 de Maio deste ano, mas só os crentes aceitam este acto de fé.
O mais recente episódio deste intrincado processo emergiu recentemente com o Relatório do Tribunal de Contas que "afunda" a expectativa de sustentabilidade e a credibilidade deste projecto. Depois de 2 concursos internacionais para a construção de 2 navios, pelo custo total estimado em 40 milhões de €uros, fica a certeza de que já se deitaram ao mar muitos €uros mas, no horizonte próximo, não há à vista qualquer barco. Estes teimam em não sair do estaleiro e não resistem a sucessivas correcções. Nesse sentido, registou o Tribunal de Contas que já foram efectuados 4 aditamentos numa das embarcações sendo que parte dessas alterações não são "trabalhos a mais", justificáveis tecnicamente, mas apenas compreendidas como "mudanças de intenção do dono da obra"(sic.!). Por exemplo, a mais recente alteração de "intenção do dono da obra" custou aos contribuintes cerca de 4 milhões de €uros apenas para o aumento do número de camarotes e restyling da zona habitacional da embarcação ! Não se tratando de um luxuoso navio de cruzeiro mas de um modesto ferry, porventura com velocidade inferior ao mítico "Ponta Delgada", não se concebe que o projecto ande assim à deriva e ao sabor das "intenções do dono da obra". Ao Tribunal de Contas restou a óbvia recomendação de que seja apurado o grau de responsabilidade dos intervenientes, sem deixar de censurar custos adicionais que não são "trabalhos a mais", e sucessivos atrasos contratuais que não mereceram qualquer penalização dos responsáveis, nem sequer através das habituais "multas" contratuais. No resto, continuam os Açorianos à espera de um barco novo cujos defeitos congénitos prometem mais tempo de "oficina" e manutenção em doca seca do que efectiva navegabilidade. Projectado na Rússia (?), mas apadrinhado pelos estaleiros de Viana do Castelo, o ferry "Atlântida" tem um lastro considerável de falhas de estabilidade (intacta e em avaria) que mereceu até a distinção do Instituto Portuário e de Transportes Marítimos com a certificação de 100 reservas à operacionalidade e segurança da embarcação. Uma check list negra ! Tudo isto é suficiente para reiterar a certeza de que permanecem sine die as reservas de marcações para este barco de recreio cujo custo, bem repartido pelos Açorianos, subsidiaria outras formas de mobilidade.
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicasdigitais do jornaldiário.com
quarta-feira, abril 1
Agente Provocador
A emissão prossegue hoje sem a presença dos co-agentes por impossibilidade de ordem geográfica. O destaque sonoro vai para os Little Joy.
terça-feira, março 31
Ciclo Cidade no Cinema

Se Belarmino tivesse vivido noutro país, talvez fosse um grande campeão. Esta afirmação, feita no filme, faz passar Belarmino do fait-divers para a tragédia. (...) É um filme construído sobre o combate de um personagem com um décor, essa portentosa Lisboa do filme que só pode levá-lo ao K.O. em qualquer round."
João Bénard da Costa
segunda-feira, março 30
Aviso à navegação
A terra acabou de tremer na Horta. E não, não estou a ser irónico quanto ao decorrer dos trabalhos parlamentares...
Weekend Postcards
Ser artista em Portugal é um acto de fé! ** Performance que simboliza o estado da criação artística contemporânea em Portugal realizada pela artista Carla Cruz (referenciada na exposição Café Portugal) em 30 de Agosto'03 num mergulho realizado no Douro a partir da Ponte D. Luís.
domingo, março 29
Café Portugal

sábado, março 28
Djs de serviço
sexta-feira, março 27
Boas práticas

quinta-feira, março 26
Inauguração

«(...) O seu trabalho em desenho e gravura pode ser entendido, por vezes, como complementar à escultura, uma espécie de exercício prévio ou de ensaio. Mas tem uma autonomia. Nele sobressai a constância das composições binárias, nas quais uma coisa combina com outra, bem como das variações em torno de figuras geométricas elementares, como o círculo e o rectângulo».
pilherias
Noutros tempos a resposta a determinados "artigos de opinião" era dada à bengalada, agora a indiferença é o melhor remédio. Não posso é deixar de comentar que os ppdocas do costume, que me acusam a mim de manipulação são os que mais têm cavalgado esta história da Quercus para daí tirarem dividendos político-partidários. Quem manipula quem ou o quê é que eu gostava de saber?
Eles vivem
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GOYA : Saturno devorando a uno de sus hijos. Museu do Prado.
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Sócrates teimou em rever o Código do Trabalho e aumentaram substancialmente os números do desemprego em Portugal ! A relação de causa e efeito não é porventura linear mas, "por linhas tortas", o facto é que a precariedade das relações laborais é uma tendência que tem merecido o patrocínio de Sócrates e dos seus pares. Paradoxalmente o primeiro-ministro, que se arroga Socialista, revela uma profunda arrogância e indiferença para com os direitos sociais. Já não nos convence o ar condoído e as promessas de tudo fazer pelo emprego sempre que uma mega corporação "suspende" a laboração. Em época de crise este Governo tem sido a muleta da Banca e do Capitalismo especulativo sem que o faça para assegurar, no mínimo, o emprego de quem presta trabalho à conta dos grupos económicos que têm tido o salvífico amparo de Sócrates. Os apoios do Governo remedeiam as dificuldades de quem perdeu milhões no jogo real do capitalismo, mas não cuidam de exigir em retorno as indispensáveis garantias de manutenção do ganha-pão dos trabalhadores. Em suma: é um Governo que optou pelos cifrões em vez de dignificar as pessoas. No seu curriculum está já inscrito um caminho de retrocesso social no catálogo de direitos adquiridos. Nesse palmarés ocupa lugar de destaque a revisão do Código de Trabalho sob duas grandes linhas orientadoras: precariedade e flexibilidade. Nesse sentido seguiu também a reforma da função pública com o novo regime de vinculação, de carreiras e remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas. Nestes domínios a lógica do Governo parece ter sido a de dividir para reinar! Com efeito, o clima de instabilidade e a crispação nas relações laborais têm vindo a aumentar exponencialmente e, enquanto os respectivos actores estiverem em guerra civil, o Governo aproveita para estender os domínios da sua política de extermínio dos direitos sociais. Essa gula vampiresca pelos direitos dos trabalhadores parece não ter fim, nem há fastio que demova o Governo de seleccionar novas vítimas. Agora, no alvo dos Socialistas, está a possibilidade de extirpar o subsídio de férias dos pensionistas para equilibrar o Orçamento de Estado! É seguramente uma experiência piloto antes de se avançar ainda mais e acabar de vez com "privilégios" laborais como o subsídio de férias e de natal! Não posso deixar de recordar neste contexto o poema de Maiakovski : "Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada." Dito de outro modo, como bem notou recentemente o provedor dos cidadãos, eles comem tudo e não deixam nada. Eles vivem enquanto o resto definha.
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicasdigitais do jornaldiario.com

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GOYA : Saturno devorando a uno de sus hijos. Museu do Prado.
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Sócrates teimou em rever o Código do Trabalho e aumentaram substancialmente os números do desemprego em Portugal ! A relação de causa e efeito não é porventura linear mas, "por linhas tortas", o facto é que a precariedade das relações laborais é uma tendência que tem merecido o patrocínio de Sócrates e dos seus pares. Paradoxalmente o primeiro-ministro, que se arroga Socialista, revela uma profunda arrogância e indiferença para com os direitos sociais. Já não nos convence o ar condoído e as promessas de tudo fazer pelo emprego sempre que uma mega corporação "suspende" a laboração. Em época de crise este Governo tem sido a muleta da Banca e do Capitalismo especulativo sem que o faça para assegurar, no mínimo, o emprego de quem presta trabalho à conta dos grupos económicos que têm tido o salvífico amparo de Sócrates. Os apoios do Governo remedeiam as dificuldades de quem perdeu milhões no jogo real do capitalismo, mas não cuidam de exigir em retorno as indispensáveis garantias de manutenção do ganha-pão dos trabalhadores. Em suma: é um Governo que optou pelos cifrões em vez de dignificar as pessoas. No seu curriculum está já inscrito um caminho de retrocesso social no catálogo de direitos adquiridos. Nesse palmarés ocupa lugar de destaque a revisão do Código de Trabalho sob duas grandes linhas orientadoras: precariedade e flexibilidade. Nesse sentido seguiu também a reforma da função pública com o novo regime de vinculação, de carreiras e remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas. Nestes domínios a lógica do Governo parece ter sido a de dividir para reinar! Com efeito, o clima de instabilidade e a crispação nas relações laborais têm vindo a aumentar exponencialmente e, enquanto os respectivos actores estiverem em guerra civil, o Governo aproveita para estender os domínios da sua política de extermínio dos direitos sociais. Essa gula vampiresca pelos direitos dos trabalhadores parece não ter fim, nem há fastio que demova o Governo de seleccionar novas vítimas. Agora, no alvo dos Socialistas, está a possibilidade de extirpar o subsídio de férias dos pensionistas para equilibrar o Orçamento de Estado! É seguramente uma experiência piloto antes de se avançar ainda mais e acabar de vez com "privilégios" laborais como o subsídio de férias e de natal! Não posso deixar de recordar neste contexto o poema de Maiakovski : "Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada." Dito de outro modo, como bem notou recentemente o provedor dos cidadãos, eles comem tudo e não deixam nada. Eles vivem enquanto o resto definha.
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicasdigitais do jornaldiario.com
quarta-feira, março 25
Agente Provocador
O triunvirato da agência local da Antena 1 volta a reunir-se. Sobre a mesa do estúdio, os temas mais aguardados da semana. David Nascimento é convidado a dar o mote sobre o Festival Internacional do Chá do Atlântico. O destaque sonoro desta semana recai sobre os Telepathe.
ambientalismos
Não querendo vir para aqui chover no molhado, parece-me importante, agora que os principais esclarecimentos já estão feitos, (por carta aos sócios da Quercus e em breve na comunicação social), discutir duas matérias de fundo sobre participação cívica e ambiente.
Comecemos pelo problema da participação dos cidadãos na vida pública e a dicotomia sociedade civil e partidos políticos. A voz corrente é de que os partidos políticos são uma entidade nefasta e obscura que controla os destinos das pessoas e que, por outro lado, as organizações da dita sociedade civil são formas de contra poder, impolutas, isentas e sempre do lado da verdade. No meu entender estes dois juízos estão profundamente errados. Os partidos políticos são antes de mais uma manifestação da sociedade civil, fazem parte integrante dela, são feitos de pessoas e regem-se por regras e princípios como qualquer outra organização. É claro que estão sujeitos a manipulações por parte de interesses, sejam eles individuais ou colectivos, tal como está qualquer outra organização. Pressupor, numa visão maniqueísta, que de um lado está a razão e do outro a raiz de todos os males é minar a sustentabilidade do próprio sistema democrático. A lógica dos pesos e contra-pesos só pode funcionar se for em movimentos pendulares e sem preconceitos moralistas sobre a actuação de cada uma das partes. Umas vezes são os partidos que tem razão, outras serão os organismos da sociedade civil e vice-versa.
Aqui entra a questão da participação individual dos cidadãos. A militância em todas as suas vertentes, seja ela num partido politico, numa organização corporativa ou numa associação ambientalista. Creio que todos estamos de acordo que não deve haver limites à participação dos cidadãos, ou se calhar não, alguns há que têm uma visão da sociedade em que deve haver compartimentos estanques com barreiras à actuação de cada um. Se na esfera estrita da militância político-partidária, por imperativos ideológicos, isso pode ser assim. Já no campo da participação cívica tal parece-me absolutamente absurdo. Os únicos limites à participação dos cidadãos devem estar no âmbito do bom senso e do bom gosto, para citar o bom Antero. Ou, posto de outra maneira, na capacidade individual de perceber quando determinados interesses são ou não conflituantes e a capacidade para justificar o contrário. A única exigência aceitável é a frontalidade e a transparência de cada um em afirmar ao que vem em cada situação, seja num partido, numa organização ambientalista, ou numa Câmara do Comercio.
A imposição interna de restrições à participação nas organizações é um erro, porque deturpa o princípio das liberdades individuais. Para além de que parte de uma visão distorcida da realidade e de um pressuposto de que os indivíduos não são livres de pensar e agir de acordo com a sua consciência. Cabe ao foro individual de cada um decidir, conforme as circunstâncias de cada caso, o âmbito e alcance da sua intervenção cívica e político-partidária. Mesmo em cargos de liderança ou de cunho executivo. Esta é precisamente a questão. As formas de participação e o cunho ideológico ou mesmo partidário que cada cidadão dá à sua actuação cívica marcam a sua personalidade pública e a visão que os outros terão dele. Tantos e tantos políticos que foram eleitos precisamente pelas convicções, preocupações e participações cívicas que demonstraram. O único requisito será o da transparência das decisões e o velho amigo bom senso e bom gosto.
No caso concreto do ambiente quer-se fazer crer que uma organização ambientalista é uma espécie de polícia da acção executiva e que para fazer parte dessa guerrilha é preciso usar uma t-shirt do Che, um keffieh e ser vegetariano… Ser ambientalista é ser o acusador de tudo o que os esbirros do poder fazem, até quando espirram. Não deixa de me surpreender que até conhecidos monárquicos tenham caído nesta visão passionaria que uma certa esquerda folclórica criou do verdadeiro ambientalista. Também tenho a minha velhinha t-shirt do subcomandante Marcos e posso ir vesti-la para discutirmos este assunto, mas o que eu quero aqui dizer é que as causas ambientalistas não são património de ninguém, nem mesmo dos próprios ambientalistas. E conceber um mundo em que para se ser ambientalista não se pode ser mais nada é ceder a uma visão maniqueísta e deturpada da realidade. E já nem vou outra vez ao argumento de numa comunidade pequena ser impossível ter um polícia para cada causa.
O centro da questão está numa visão da sociedade em que nem o poder está isolado num castelo, nem as organizações da sociedade civil estão acantonadas na floresta, como guerrilheiros rebeldes, à espera de um momento para atacar. A dinâmica democrática deve, ou deveria, ser de permanente diálogo e comunicação entre as partes, sendo que dessa dinâmica deviam surgir as melhores soluções para o avanço da sociedade.
Durante quase uma década fui sócio da Quercus, neste momento deixarei de o ser, não por qualquer tipo de mágoa ou ressentimento, mas apenas porque – e invertendo o aforismo do irmão Groucho Marx – não quero ser sócio de um clube que não me quer a mim como membro.
Por último e porque é de ambiente que se trata, gostava de chamar a vossa atenção para uma incongruência profunda que penso atravessa os movimentos ambientalistas na região. Nos últimos tempos fizeram um enorme alarido com a questão da Fajã do Calhau, utilizando-a isoladamente como símbolo de todos os males. Algo semelhante está a acontecer com uma petição sobre a Sorte de Varas, ou mais recentemente com um movimento mais estético do que ambiental contra um projecto na Praia dos Moinhos. Todos estes movimentos, descoordenados e mais ou menos esotéricos, pecam por uma incapacidade de ver ou atacar a verdadeira raiz dos problemas, que está não nas questões em si, mas no planeamento ou falta dele da acção governativa. Já antes chamei aqui à atenção para a inaceitável intervenção promovida na Fajã do Araújo e na praia do Lombo Gordo, esse crime ambiental, da responsabilidade da autarquia do Nordeste mereceu dos ditos movimentos ambientalistas o absoluto esquecimento. Fico com a sensação que para os puros do ambientalismo açoriano um crime só o é pelo tamanho ou visibilidade da ferida. Já para não falar nas SCUTS ou na brevemente inaugurada "avenida" da Dra. Berta. No caso dos Touros choca-me que se parta para uma guerra entre pontos de vista, mais por preconceitos de classe e de cultura, do que puramente por motivos ambientais ou de defesa dos direitos dos animais, é que não vejo os mesmos activistas a levantarem uma pena que seja contra os crimes denunciados pela RTP-A no tratamento e abate de vitelos nos matadouros regionais. Quanto à Praia dos Moinhos, pelo que vejo querem discutir arquitectura e não ambiente, e mais uma vez seria bom que os intervenientes tivessem tão claras as suas filiações e militâncias partidárias como eu tenho as minhas. Mas tudo isto não passa de ambientalismos.

Faja do Araujo

Faja do Araujo e Lombo Gordo
Comecemos pelo problema da participação dos cidadãos na vida pública e a dicotomia sociedade civil e partidos políticos. A voz corrente é de que os partidos políticos são uma entidade nefasta e obscura que controla os destinos das pessoas e que, por outro lado, as organizações da dita sociedade civil são formas de contra poder, impolutas, isentas e sempre do lado da verdade. No meu entender estes dois juízos estão profundamente errados. Os partidos políticos são antes de mais uma manifestação da sociedade civil, fazem parte integrante dela, são feitos de pessoas e regem-se por regras e princípios como qualquer outra organização. É claro que estão sujeitos a manipulações por parte de interesses, sejam eles individuais ou colectivos, tal como está qualquer outra organização. Pressupor, numa visão maniqueísta, que de um lado está a razão e do outro a raiz de todos os males é minar a sustentabilidade do próprio sistema democrático. A lógica dos pesos e contra-pesos só pode funcionar se for em movimentos pendulares e sem preconceitos moralistas sobre a actuação de cada uma das partes. Umas vezes são os partidos que tem razão, outras serão os organismos da sociedade civil e vice-versa.
Aqui entra a questão da participação individual dos cidadãos. A militância em todas as suas vertentes, seja ela num partido politico, numa organização corporativa ou numa associação ambientalista. Creio que todos estamos de acordo que não deve haver limites à participação dos cidadãos, ou se calhar não, alguns há que têm uma visão da sociedade em que deve haver compartimentos estanques com barreiras à actuação de cada um. Se na esfera estrita da militância político-partidária, por imperativos ideológicos, isso pode ser assim. Já no campo da participação cívica tal parece-me absolutamente absurdo. Os únicos limites à participação dos cidadãos devem estar no âmbito do bom senso e do bom gosto, para citar o bom Antero. Ou, posto de outra maneira, na capacidade individual de perceber quando determinados interesses são ou não conflituantes e a capacidade para justificar o contrário. A única exigência aceitável é a frontalidade e a transparência de cada um em afirmar ao que vem em cada situação, seja num partido, numa organização ambientalista, ou numa Câmara do Comercio.
A imposição interna de restrições à participação nas organizações é um erro, porque deturpa o princípio das liberdades individuais. Para além de que parte de uma visão distorcida da realidade e de um pressuposto de que os indivíduos não são livres de pensar e agir de acordo com a sua consciência. Cabe ao foro individual de cada um decidir, conforme as circunstâncias de cada caso, o âmbito e alcance da sua intervenção cívica e político-partidária. Mesmo em cargos de liderança ou de cunho executivo. Esta é precisamente a questão. As formas de participação e o cunho ideológico ou mesmo partidário que cada cidadão dá à sua actuação cívica marcam a sua personalidade pública e a visão que os outros terão dele. Tantos e tantos políticos que foram eleitos precisamente pelas convicções, preocupações e participações cívicas que demonstraram. O único requisito será o da transparência das decisões e o velho amigo bom senso e bom gosto.
No caso concreto do ambiente quer-se fazer crer que uma organização ambientalista é uma espécie de polícia da acção executiva e que para fazer parte dessa guerrilha é preciso usar uma t-shirt do Che, um keffieh e ser vegetariano… Ser ambientalista é ser o acusador de tudo o que os esbirros do poder fazem, até quando espirram. Não deixa de me surpreender que até conhecidos monárquicos tenham caído nesta visão passionaria que uma certa esquerda folclórica criou do verdadeiro ambientalista. Também tenho a minha velhinha t-shirt do subcomandante Marcos e posso ir vesti-la para discutirmos este assunto, mas o que eu quero aqui dizer é que as causas ambientalistas não são património de ninguém, nem mesmo dos próprios ambientalistas. E conceber um mundo em que para se ser ambientalista não se pode ser mais nada é ceder a uma visão maniqueísta e deturpada da realidade. E já nem vou outra vez ao argumento de numa comunidade pequena ser impossível ter um polícia para cada causa.
O centro da questão está numa visão da sociedade em que nem o poder está isolado num castelo, nem as organizações da sociedade civil estão acantonadas na floresta, como guerrilheiros rebeldes, à espera de um momento para atacar. A dinâmica democrática deve, ou deveria, ser de permanente diálogo e comunicação entre as partes, sendo que dessa dinâmica deviam surgir as melhores soluções para o avanço da sociedade.
Durante quase uma década fui sócio da Quercus, neste momento deixarei de o ser, não por qualquer tipo de mágoa ou ressentimento, mas apenas porque – e invertendo o aforismo do irmão Groucho Marx – não quero ser sócio de um clube que não me quer a mim como membro.
Por último e porque é de ambiente que se trata, gostava de chamar a vossa atenção para uma incongruência profunda que penso atravessa os movimentos ambientalistas na região. Nos últimos tempos fizeram um enorme alarido com a questão da Fajã do Calhau, utilizando-a isoladamente como símbolo de todos os males. Algo semelhante está a acontecer com uma petição sobre a Sorte de Varas, ou mais recentemente com um movimento mais estético do que ambiental contra um projecto na Praia dos Moinhos. Todos estes movimentos, descoordenados e mais ou menos esotéricos, pecam por uma incapacidade de ver ou atacar a verdadeira raiz dos problemas, que está não nas questões em si, mas no planeamento ou falta dele da acção governativa. Já antes chamei aqui à atenção para a inaceitável intervenção promovida na Fajã do Araújo e na praia do Lombo Gordo, esse crime ambiental, da responsabilidade da autarquia do Nordeste mereceu dos ditos movimentos ambientalistas o absoluto esquecimento. Fico com a sensação que para os puros do ambientalismo açoriano um crime só o é pelo tamanho ou visibilidade da ferida. Já para não falar nas SCUTS ou na brevemente inaugurada "avenida" da Dra. Berta. No caso dos Touros choca-me que se parta para uma guerra entre pontos de vista, mais por preconceitos de classe e de cultura, do que puramente por motivos ambientais ou de defesa dos direitos dos animais, é que não vejo os mesmos activistas a levantarem uma pena que seja contra os crimes denunciados pela RTP-A no tratamento e abate de vitelos nos matadouros regionais. Quanto à Praia dos Moinhos, pelo que vejo querem discutir arquitectura e não ambiente, e mais uma vez seria bom que os intervenientes tivessem tão claras as suas filiações e militâncias partidárias como eu tenho as minhas. Mas tudo isto não passa de ambientalismos.

Faja do Araujo

Faja do Araujo e Lombo Gordo
Ciclo Cidade no Cinema
Rita Cruz Dourado apresenta hoje pelas 21h30 na BPARPD o filme Chungking Express de Wong Kar-Wai. A entrada é livre.
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