sábado, março 25

AÇOREANA DMC - Uma Grande Equipa

Em tempos pensei e escrevi que, por mais anos de vida tivesse e por mais bem sucedida fosse a minha carreira profissional, a vida teria dificuldade de me colocar perante outro desafio e outro projeto tão importantes como foi para mim o reposicionamento do Terra Nostra.

Não me podia ter enganado mais!

Como nem sempre fui esta pessoa sociável que muitos conhecem, com a força inabalável de tudo fazer para, à minha passagem, procurar deixar o mundo um pouco melhor, é importante referir que costumo, e com verdade, atribuir ao Primitivo Marques (a quem fiquei sempre grato) um papel muito importante naquela que considero ter sido uma mudança radical, sobretudo, no que diz respeito ao entendimento do conceito de “comercial”, fazendo com que a desajeitada larva que eu era se tivesse transformado numa ágil borboleta.

Mas o que me enche de alegria e me faz sentir honrado é o facto de muitas pessoas, sobretudo aquelas que melhor conheceram o Rodrigues Carroça, meu pai, dizerem que dele herdei a arte de fazer as pessoas sentirem-se especiais na sua presença. Quando eu era ainda uma criança, vivia (sem saber) fascinado com a gentileza com que o meu pai se dirigia a todas as pessoas com quem ele se cruzava. Era, pois, habitual eu e ele nos perdermos em conversas sobre como iríamos construir, quando eu crescesse, uma organização que teria como único objetivo ajudar todas aquelas pessoas que tivessem dificuldades (fosse no que fosse!), uma espécie de agência de resolução do infortúnio dos amargurados que não sabiam como desenvencilhar-se por entre o mar burocrático que promove o naufrágio dos mais fracos e desprotegidos.

Estive imerso em trabalho árduo durante todo o ano de 2016 e apresentei a nova imagem da Açoreana DMC na BTL, no passado dia 16: um estrondo com réplicas que se fazem sentir por muitos lugares e, julgo que por muito tempo ainda. Foi então que percebi que a minha sensação de realização não se encontra em fazer coisas grandes. Afinal, a minha realização, tanto profissional como pessoal, está em fazer pessoas felizes, algo que quase nunca é tarefa fácil.

Com um agradecimento especial a todos aqueles que ajudaram a dar forma a esta pequena maravilha, fiquem com o filme que mostra como se recria uma marca inspirada numa grande equipa, com pessoas agora mais felizes.


Mais projetos não tardam. Fiquem atentos ao TREMOR e façam o favor de dar largas à vossa imaginação.


P.S. Não podia fazer melhor homenagem ao meu pai. Todos os dias!

sábado, novembro 19

"Sabores do Cozido" - Não é para qualquer um!

Como determina a tradição, depois da remodelação do hotel em 2013, estreou-se hoje mais uma carta “Outono Inverno” no Restaurante Terra Nostra e muitas são as notas interessantes sobre os pratos fantásticos que calarão as bocas dos mais versados conhecedores gastronómicos da praça.

Poderia dedicar esta tosca prosa a tantas e boas iguarias: caso da caldeirada de peixe, da tempura de polvo e do pernil com feijoada (a minha preferida). Mas não! Apetece-me falar dos “sabores do cozido”. Porquê? Porque é um rasgo de génio, algo que parecia impossível, algo que não é para qualquer um!



É verdade que o Mundo evolui (!) porque a humanidade não ficou parada à espera do amanhã. Também não é mentira nenhuma que essa evolução se fez sentir mais nuns sítios do que noutros e quanto maior a dimensão do aglomerado populacional, maior a velocidade e o número de áreas em que ela se manifestava no horizonte global das sociedades.

Se os pré requisitos atrás referidos estão na génese da evolução da nossa espécie, estão na génese também da verdadeira revolução que acontece todos os dias naquele que é um dos grandes, dos maiores, restaurantes de Portugal.

Podem deliciar as vistas com as fotos com que tempero esta pequenina nota (sim, porque o que se passa no Restaurante TN é muito maior), mas se quiserem compreender verdadeiramente o que vos digo, vão ter todos que ir ao Terra Nostra saborear o resultado daquele que foi, tão-somente, um desafio de um amigo, feito ao Chef Luís Pedro, um dos mais revolucionários Chefs dos Açores da atualidade.




Está de parabéns, uma vez mais, toda a equipa do Terra Nostra a quem deixo um abraço, na pessoa do seu Diretor, Simão Markovitch.

quinta-feira, outubro 13

Uma iniciativa com futuro!


Um português que não esperou por D. Sebastião

Não sei se retomo a minha presença por esta casa.
Mas seja como for, não resisto a "postar" um texto de Miguel Sousa Tavares sobre António Guterres, o grande senhor nações unidas (não a tendo visto por aí escrita, posso assumir legitimamente a paternidade da expressão).

"Maior que Portugal", diz Miguel Sousa Tavares:
"Meço a frase com todo o cuidado: António Guterres é um dos raros portugueses de quem eu, convictamente, posso afirmar que é maior do que Portugal. Ele e Mário Soares são os únicos políticos portugueses que, em 40 anos de andanças jornalísticas, vi serem conhecidos e reconhecidos lá fora. O seu extraordinário desempenho na candidatura a secretário-geral da ONU, apesar dos tão invocados esforços diplomáticos e influências movidas, deve-se, única e exclusivamente, ao seu mérito próprio. Ela só foi possível porque, num processo aberto e fundado na qualidade de cada candidato, António Guterres foi, de longe, o melhor. E isso é, desde logo, uma característica que o faz diferente da nossa maneira de ser: ousar bater-se e conseguir triunfar pelo mérito próprio, exclusivamente.
Conheci pessoalmente António Guterres quando ele era líder da oposição socialista ao último governo de Cavaco Silva. Convidou-me para irmos almoçar no seu restaurante favorito, na Praça das Flores, e a partir daí, durante cerca de um ano, almoçávamos uma vez por mês, tendo cada almoço uma espécie de tema predefinido — para o qual ele vinha incrivelmente preparado, documentado e com ideias firmes que queria confrontar com as minhas. Mas, por favor, não façam confusão: eu não sou o arquiteto Saraiva, cuja ideia de jornalismo se resume aos almoços que tem com os políticos para satisfação do ego e memória futura. Detesto almoços de trabalho em geral e almoços com políticos em particular. Mas Guterres era diferente: estava na oposição, tinha vontade de discutir e de se confrontar a si próprio e um genuíno espírito de serviço público que eu nunca antes tinha conhecido. Nunca, em 40 anos de jornalismo, encontrei alguém em Portugal que estivesse mais bem preparado e motivado para governar — e eu sempre pensei e penso que governar Portugal, de acordo com aquilo em que se acredita ser melhor para o país, é o pior emprego que se pode ter.
Então, Guterres foi para primeiro-ministro. E, logicamente, os nossos almoços acabaram: porque ele deixou de ter tempo para isso e porque a natureza da nossa relação mudou necessariamente. Mas um dia telefonou-me para que eu fosse almoçar em São Bento. Foi um almoço estranho, que durou umas quatro horas e em que a maior parte do tempo foi gasta a falar da vida e de assuntos pessoais. Lembro-me de uma frase premonitória que ele disse e que eu retive pela convicção com que foi dita: “Não vou ficar aqui muito tempo e quando sair vou querer dedicar-me a qualquer coisa no domínio internacional, no campo dos direitos humanos ou semelhante.” Saiu com um pretexto absurdo, cansado dos facas longas do PS, da pequena intriga da política e da mesquinhez do país. Não o disse assim exatamente, mas eu sinto que foi isso que pensou quando falou do “pântano”. E eu, que lhe dediquei um livro de crónicas políticas intitulado “Anos Perdidos”, eu, que então não lhe perdoei não ter querido arrostar até ao fim com a luta contra os nossos males mais profundos, enquanto seu admirador pessoal, compreendi bem a sua desistência e, do fundo do coração, desejei-lhe toda a sorte do mundo.
E hoje ele é o secretário-geral do mundo. Não sei se os portugueses se dão bem conta daquilo que António Guterres conseguiu para Portugal. Representa bem mais do que as Bolas de Ouro de Cristiano Ronaldo, o título europeu da Seleção e até o Nobel de Saramago.
Não haverá multidões à sua espera no aeroporto, desfile de vitória até aos jardins do Palácio de Belém, sumidades e autoridades a chegarem-se à frente e a quererem fazer selfies com ele. Mas nos últimos 50 anos, pelo menos, nenhum português nos deu mais motivos de orgulho do que ele. E conseguiu-o através da atividade que o português comum mais gosta de desprezar: a política. Parabéns e obrigado, António Guterres!"
E eu assino por baixo!

quinta-feira, junho 30

MUU COLEÇAM


À venda na MIOLO:

Morada
Rua Pedro Homem, 45
9505-529 Ponta Delgada
São Miguel, Açores

Horário
2ª a 6ª | 10h00 às 18h00
Sábado | 10h00 às 15h00

sexta-feira, novembro 6

12 anos


O :ILHAS faz hoje 12 anos repletos de intermitências. Há a possibilidade de uma terceira vida (3.0) mas ainda discutimos o modelo, cujas negociações serão, muito provavelmente, mais difíceis do que as que visam “assegurar um governo da iniciativa do PS”.

Daremos notícias nos próximos dias (ou semanas). Até já!

terça-feira, setembro 29

15 POEMAS DE AMOR E UM DIVERTIMENTO

É levezinho, mas são 15
É sério, mas diverte
É pequenino, mas é vermelho!

Um vermelho que brota do coração
E, escorreito, vai direito ao peito
Bem sei que é de amigo, o abrigo

Pois, a caminho, digo aos gritos
Se a necessidade aguça o engenho
A angústia liberta o génio

Ah! Bravo rapaz,
Que não nos mate o silêncio!






quarta-feira, setembro 23

Na melhor vontade

Todo o tempo é tempo de mudança. Mesmo o extemporâneo!

É tempo de maré baixa. E o seu vazio coloca agora a nu a impregnada marca de todas aquelas pessoas que nos tocaram, manifestando-se no seu pleno. Mesmo quando só muito mais tarde damos por isso, percebemos que, afinal, incorporamos um conjunto de características dos vários modelos que, consciente ou inconscientemente, resolvemos seguir em determinados momentos e dos quais resultaram a pessoa que julgamos ser.

No entanto, e por muito interessante, segura e desejável que esta calma sedimentação possa parecer, nem sempre o que somos e o que fazemos resulta apenas desta forma diferida de evoluir. Há, também, pela dinâmica que carateriza a nossa existência, pessoas que nos marcam desde o primeiro momento em relacionamentos desassombrados, nos quais o respeito e a confiança mútuos ajudam a trilhar o caminho que, juntos, se faz.

Por outro lado ainda, numa perspetiva mais egocêntrica, o nosso prazo de validade, neste ciclo vicioso que mui habilmente designamos de tempo de vida e que condiciona toda a nossa atuação em relação a tudo em que estamos envolvidos, não é suficiente para determinar, nem mesmo com o enorme conjunto de interseções aleatórias, o resultado desta que é uma equação sui generis.

Muito embora se afigure como uma tarefa praticamente impossível porque a maioria dos adultos considera que os porquês têm idade, há, portanto, a necessidade de encontrar, nesta linha de contínuo longo que é a vida, outras justificações para que algumas pessoas procurem dar o seu contributo de forma incessante, durante toda a sua existência, para causas que, sendo já de muitos, são também por elas eleitas como suas.

Vem esta pequena reflexão a propósito da responsabilidade que é fazermos afirmações mais ou menos perentórias ou, até mesmo e tão somente, termos a coragem de verbalizar os nossos pensamentos. É que a vida, como nós a conhecemos, dá muitas voltas (talvez pelo constante saltitar desta bola a que chamamos Terra) e, não poucas vezes, apanha-nos pelos colarinhos para nos forçar a demonstrar e a pôr à prova as nossas teorias, o que nos deixa com um nó na tripa e aquela dor no baixo ventre.

No dia 30 de Junho de 2010, escrevia, num "Aviso à Navegação", que o Turismo era muito mais do que uma simples atividade económica e interessava a todos, a propósito daquele que considerei ser um importante registo deixado por um dos açorianos que, ao longo dos tempos, mais se entregou a esta causa, quando, numa mensagem perfeitamente atual, afirmava que "precisamos de ser mais criativos (no Turismo)".

Neste momento muito particular da minha carreira profissional, sinto uma (particular também) grande responsabilidade que me impele em direção ao futuro e que me obriga a honrar todos aqueles com quem contracenei e tiveram um papel importante no aludido percurso, pelo exemplo que deram, pelo entusiasmo com que lutaram por aquilo em que acreditavam, pela ajuda e amizade que me dispensaram e pela confiança que sempre em mim depositaram.



Encontro-me, assim, genufletido perante todos aqueles (grandes vultos para mim) que foram importantes nesta minha caminhada e importantes na formação do meu caráter, a aguardar pela sua bênção para a minha próxima missão.

segunda-feira, setembro 14

R.I.P. AJS

Este não é um elogio fúnebre. Este será, antes de qualquer outra coisa, um desabafo que não almejava fazer, mas algo ao qual estou condenado, talvez pelo respeito aos meus princípios edificadores.

No fundo, em mim, há uma descomunal necessidade de partilhar, com tantos quantos lerem esta apologia e não o tenham conhecido, a imagem de um homem (um vulto para mim) que assenta na absoluta naturalidade com que relativizava todas as situações e encaixava todos os desabafos. Um homem que marcou uma inteira geração de profissionais do turismo nos Açores também com a sua imensa capacidade de perdoar, mesmo a todos aqueles que se possam sentir agora magoados com a sua súbita partida.

Em tempos não muito distantes, ouvia um amigo dizer, com muita graça e algum respeito, que tinha sido colega de Fernando Pessoa na McCann. Pois, para mim, ter sido colega de António José Silva não foi menos importante. E, na mesma época, poder partilhar com ele as suas conquistas e ser brindado com o seu sorriso triunfante, foi sempre um acontecimento de rara beleza pelo qual lhe estou desmedidamente grato.


Hoje, o tempo pode não ser de infinita majestade e paz, mas eu continuo a sentir-me, como diz o poeta persa Ferdowsi Tusi no “Livro dos Reis ”, como pó na garra do leão.


terça-feira, junho 23

I Dont Belong Here


A etapa final da peça "I Dont Belong Here" acontece nos Açores a 27 e 28 de junho no Arquipélago - Centro De Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande, e a 4 de julho no Auditorio do Ramo Grande, na Praia da Vitória.

'I Dont Belong Here' é uma coprodução do Teatro Micaelense no âmbito da rede 5 Sentidos com o patrocínio da AMI - Assistência Médica Internacional e do Governo dos Açores através da Direção Regional das Comunidades e da Direção Regional da Cultura.

Os bilhetes estão à venda no Arquipélago (ACAC) e no Teatro Micaelense.

quinta-feira, abril 9

O sectarismo que liquida a memória

Saldanha Sanches foi meu professor. Guardo dele a imagem de um homem livre e desassombrado, independente e de uma integridade de carácter inquebrantável. A sua biografia fala por si. Um professor culto, com sentido pedagógico, que não faltava às aulas, nem a qualquer das suas obrigações lectivas. Usava gravatas roxas com calças verde cana e achava que estava bem. Marimbava-se para estas coisas do “parecer bem”.
Fez-me oral de Direito Fiscal e, a páginas tantas, perguntou-me o que achava que ia acontecer depois do Estado Social. Respondi-lhe que depois do Estado Social era o “estado a que nós chegamos”. Ele fartou-se de rir e, depois de enxugar as lágrimas, olhou para os papéis e balbuciou um “fez a sua oral”. Subiu-me um ponto na nota que eu trazia.
Pois é deste homem que se serve João Taborda da Gama, em artigo publicado hoje no Diário de Notícias, para atacar gratuitamente Sampaio da Nóvoa. O argumento básico e cabotino é que Nóvoa, enquanto presidente do júri que reprovou Saldanha Sanches nas provas de agregação na Faculdade de Direito de Lisboa, teria tido falta de coragem para evitar este desenlace.
Vamos a factos, então. Nóvoa presidiu a esse júri, porque era então o Reitor da Universidade de Lisboa. Não participou na votação, nem podia participar, por não ser da área em questão. Como presidente, dispunha de voto de qualidade (ou de voto de Minerva, como preferem dizer alguns académicos), se esse voto fosse necessário em caso de empate. Acontece que o candidato foi reprovado por seis votos contra três.
A reprovação de Saldanha Sanches foi de uma enorme injustiça. Muitos dos seus pares afirmaram esta injustiça no meio académico e fora dele. Mas esta injustiça só se deveu à elite professoral da Faculdade de Direito de Lisboa, que sempre conviveu mal com certas liberdades e nunca lhe perdoou certas acções, em certos momentos históricos. Esta injustiça não pode ser imputada ao então Reitor. Facto dolosamente omitido e que não interessaria (até porque não se sabe como terá votado ao certo) – não fosse a intenção do argumento do articulista – é que Marcelo Rebelo de Sousa, também presidenciável, fazia parte do júri e era da área.
Não sei se apoio a candidatura de Sampaio da Nóvoa, nem sequer é isto que interessa. Mas não se liquida a memória de ninguém a pretexto de um sectarismo escroque e desonesto.

segunda-feira, dezembro 22

Does anyone even care?





An why not?!

Neste período, no qual temos dificuldade de ver o caminho por onde queremos caminhar.

As a bad seed, kneel before Him. Seja ele ou ela quem for.



Yes, I still believe. No Amor. E no seu oposto.

E venha mais um. Dele já não nos safamos.

sábado, outubro 11

"Conferências das Furnas"


Bem se poderia dizer que ninguém pára a Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Economistas. Ela tem sido Almoços conferências, Debates e Conferências. Aqui e ali, um pouco por todas as ilhas deste oceânico arquipélago.

A discussão está instalada. Não há ninguém que possa dizer que não vale a pena e os temas abordados têm sido dos mais interessantes e importantes para a economia dos Açores.

Com uma afluência muito considerável, os oradores brindaram a plateia com intervenções muito relevantes para a necessária reflexão, que tem que acontecer em torno dos caminhos que a economia pode tomar para se desenvolver nos Açores.

Deliciados, todos viram como seria desejável e importante termos menos Estado na economia, tenha ela a dimensão que tiver. É que nem mesmo os mais recalcitrantes costumeiros ficariam indiferentes à inquietude deste espírito açoriano, influenciado pelo pragmatismo do Federal Reserve Bank.

Ainda preocupados com as subidas em flecha das dívidas públicas um pouco por toda a Europa, percebemos que esta está metida num grande sarilho e que, afinal, sempre é verdade: “a cultura come a estratégia” e, no caso da europa (não me agrada dizê-lo), as muitas e heterogéneas culturas comem a unificadora estratégia de todos os europeístas envolvidos na criação desta grande manta de retalhos.
 
Gazelas. Muitas gazelas, é o que me apetece pedir ao Pai Natal, para o início de mais um ano económico nos Açores, que não tarda a começar.

É claro que as desejadas gazelas teriam que ter muito cuidado, para não se tornarem presas fáceis de uma excessiva proximidade que caracteriza as relações entre empresas e entre as empresas e a coisa pública, para que se possam tornar instituições e vingarem perante o efeito predador do passar dos anos.


Parabéns à Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Economistas por estar a marcar a agenda nos Açores.

sexta-feira, outubro 3

Clã - Eu Ninguém





Casos raros de metamorfose que nos vão acontecendo “de longe a longe”, nem sempre implicam que nos prestemos a sentir como Gregor Samsa, na obra maior de Franz Kafka.
Enfim, poder ser “Travesti” de quem se quiser, parece-me um mote interessante para quem faz um grande esforço para viver, com a maior intensidade, a vida que tem, sem contudo comprometer a essência do Ser que porventura formos, antes, agora e depois.
Somos pessoas. É verdade. Sentimos!
Pessoas que constroem relações, criando também as suas próprias estórias que, podendo ou não um dia virem a ser rezadas pela história de nós todos, farão as delícias de quem por nós se interessar. E isto nada mais deve ser do que senão o absolutamente essencial para fazermos a nossa caminhada.
Importante é ainda não esquecermos que, mesmo que algumas vezes possamos não dar o devido valor, estamos todos em trânsito. Alguns, num circuito mais ou menos fechado como num tabuleiro do monopólio, inquietos por voltarem a passar pela casa de partida, e outros, sacudindo o bafio, entregam-se ao imprevisibilíssimo destino das aventuras que escolhem, num insondável amarelo cerebral.
Seja como for, certa é a necessidade de valorizar o caminho. É nele que a vida se perde ou se ganha!

segunda-feira, setembro 29

As Primárias do PS

I - O dia de primárias no PS foi, no essencial, uma vitória para o partido. A adesão em massa dos eleitores, a tranquilidade dos procedimentos e a expressividade dos resultados é disto prova inequívoca. A Comissão Eleitoral está de parabéns, tendo sido capaz de montar e acompanhar um processo complexo e a uma escala totalmente inovadora para um partido político com a dimensão do PS, correndo contra as adversidades que um calendário curto e a decisão improvisada de convocar este modelo eleitoral lhe colocava.

II – Costa teve uma vitória estrondosa e acaba por ter de agradecer à estratégia de Seguro, por lhe ter conferido uma legitimidade além das fronteiras do PS. Uma diferença de 70% (Costa) contra 30% (Seguro) é uma abada eleitoral em toda a linha. Embora continue a entender que as primárias representam uma irreversível desvalorização da militância, que ocorre à margem dos Estatutos e com reflexos inevitáveis no esbatimento ideológico do partido, o certo é que a estratégia de Seguro lhe saiu completamente furada e que Costa tem hoje uma legitimidade muito mais forte do que a que resultaria de um simples congresso extraordinário.

III – Apesar disto, temos de reconhecer que Seguro teve uma saída limpa. Admitiu a derrota, demitiu-se de Secretário-geral do PS, cumpriu a palavra dada e fica apenas como militante de base. Em democracia, tão importante como ganhar ou perder, é saber tirar as devidas consequências das derrotas e das vitórias. A clareza política não se compadece com “desculpas” e, de facto, Seguro, depois de ter exposto o PS da forma como expôs e durante tanto tempo, não tinha outra saída digna. Saiu como deve de ser.

IV – Porém, é um facto que emergem cicatrizes inquestionáveis destes últimos quatro meses. Apesar dos resultados de Costa e da saída irrepreensível de Seguro, não há como não reconhecer que a unidade e coesão do partido ficou tremendamente abalada com todo este processo, a sua delonga e a forma como ambas as candidaturas conduziram a campanha e os diversos debates televisivos. António Costa tem um ano para refazer a unidade no PS e terá ainda de concentrar-se no programa eleitoral, sem poder descurar-se de nenhuma. 

V - O maior derrotado da noite é o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas. Depois de desejarem à força toda o oponente eleitoralmente mais frágil, eis que não só lhes sai o candidato mais forte como, ainda por cima, vem revestido de uma prévia legitimidade extra-partidária, com expressivos resultados e com renovada energia. É caso para dizer, de facto, como disse António Costa, " este é o primeiro dia do fim deste Governo".

VI - Cá pelas nossas bandas, não há dúvida que esta é também uma vitória para Carlos César. Depois de ter sido designado mandatário nacional da campanha de Costa nas primárias; sendo amigo e parceiro de combate desde os tempos da JS; sendo quem, no Congresso do PS-Açores, lançou pela primeira vez o nome de Costa para a calha da liderança do PS; e com os resultados que obteve na federação de que é presidente honorário (87%, é obra), é natural agora que se transforme numa relevante peça no xadrez político nacional. Carlos César deixa, assim, Vasco Cordeiro definitivamente liberto da figura tutelar. Para Vasco esta é a derradeira oportunidade de cortar o natural cordão umbilical que lhe une ao histórico líder do PS-Açores. Na psicanálise política, para que as rupturas aconteçam, não basta que os protagonistas o desejem. Na natureza como na política, as rupturas só acontecem quando o ambiente lhes é propício. Este é o momento.

domingo, setembro 28

ao viés


Para Breyten Breytenbach, intelectual sul-africano (um dos maiores, dizem), entrevistado por Clara Ferreira Alves (Atual nº 2185|Expresso 13 Setembro 2014), “vivemos numa nova configuração tribal”. E “uma das piores tribos é a dos turistas. Matam tudo. (…) Os turistas são uma massa sólida pior do que o terrorismo, de certo modo”.
Ler esta fecunda e provocatória afirmação categórica, foi como ter sido atingido nos queixos por um forte uppercut (de esquerda, claro), resultando numa tal sensação de desnorte à qual se juntou a de náusea, provocada pela visão emproada e preconceituosa da claramente-intelectual-também interlocutora, lançada sobre a classe média, supostamente carregada de “mediania, indiferença estética. Mau gosto. Tédio”, como numa espécie de tentativa de extrapolação do raciocínio(?) do entrevistado.
Há coisas que nos deixam abananados, verdadeiramente perplexos, quando vêm de supostos vultos (seja lá o que isso for). Eu, que estava absolutamente crente nos testemunhos provenientes da O.M.T. e que se referem ao Turismo como a “Indústria da Paz” e uma das mais importantes para a preservação da memória colectiva das civilizações, tenho que dar a mão à palmatória: depois de alguns anos passados, a malta já se esqueceu das guerras mundiais e da silenciosa-mas-vibrante guerra fria, que fizeram com que todos quantos com elas sofreram aspirassem a uma nova ordem social mundial.
Ok! É verdade que a deliciosa aspiração depressa se tornou em algo talvez demasiado global e indiferenciado para qualquer intelectual que defenda acerrimamente a causa que o alimenta, ainda que, em alguns casos, o faça com um discurso de surdos. Não é, por isso, de estranhar que os aludidos possam dar-se ao luxo de assim falar, até porque, aparentemente, aquela “massa sólida pior do que o terrorismo” vem da “classe média, pilar dos regimes e da estabilidade”. Nada pior, para os intelectuais que querem continuar a poder fazer-se ouvir.
Não me sai da cabeça que, agora, talvez tenhamos que condescender alguns ataques terroristas, perpetrados contra turistas nos sítios do costume. Pelo menos os mais levezinhos, talvez. Mas o meu pior e verdadeiro receio é poder vir a ser obrigado a ter que compreender, verdadeiramente, as palavras destas duas alminhas que se podem ter perdido pelo mundo.


foto daqui




quarta-feira, setembro 24

Qual é o próximo?

O que importa é que tentaram. Não vale a pena andarmos à procura das razões para o encerramento do Ateneu Criativo, elas são por demais conhecidas. Os parabéns pelo esforço e persistência. Agora é tempo de pensar o próximo projecto!

domingo, setembro 14

Excelência, Sim. Mas não nos acomodemos!

Para os mais atrevidos, "A EXCELÊNCIA" poderá ser vista como o anti-herói das grande empreitadas que ainda esperam a humanidade. No entanto, se pensarmos como K. Sriram

"Excellence can be obtained if you:
... care more than others think is wise;
... risk more than others think is safe;
... dream more than others think is practical;
... expect more than others think is possible."

Conseguiríamos ser bastante melhores naquilo que fazemos e tudo seria bem diferente.

Entre outras coisas, não deixem, por isso, de ler o artigo de Ávaro Dâmaso no AO

segunda-feira, agosto 4

O canto da sereia neoliberal

Passei toda a minha vida a ouvir os sacerdotes do neo-liberalismo com a história de que "Estado é mau gestor por natureza" e que "os privados é que são bons". Pois o caso BES/GES, se dúvidas houvesse, vem provar à exaustão que isto não é assim nem por natureza, nem por princípio.

Fartavam-se os mesmos fanáticos de falar nas vantagens da privatização da Segurança Social. Pois nem quero imaginar as insónias que passaria um pensionista nas últimas semanas se a sua pensão estivesse a cargo de um qualquer fundo gerido pelo BES. Aliás, imagino o alívio dos pensionistas do Fundo de Pensões do BES por entretanto ter passado para a Segurança Social...

E os mesmos iluminados fartavam-se de sugerir a privatização da Caixa Geral de Depósitos, ávidos de abocanhar mais uns quantos milhões, com o argumento de que a Banca era coisa para estar exclusivamente nas mãos de privados. Pois bastou o BPN para irem todos “pedir pelas almas” para que o Estado os acudisse dos perigos da propalada “crise sistémica”. E julgámos todos que o gangsterismo bancário estava limitado aos "banqueiros" arrivistas e aventureiros, do tipo BPN e BPP, que se aproveitaram do laxismo trazido pelo thatcherismo nos anos 80 e do favoritismo político que as ligações partidárias permitiram; afinal, o caso BES/BESI mostra que a falta de escrúpulos atinge o círculo dos banqueiros de mais elevado pedigree e que as regras do jogo parecem ser aquelas. E lá ficou o contribuinte com o preço dos mandos e desmandos do BPN, como – provavelmente – acontecerá no fim das contas do processo BES.

São uns queridos…. uns fofos esta direita radical e estes banqueiros nacionais.

É certo que a coisa pública esteve longe de ser um exemplo de boa gestão todos estes anos nas mãos de quem esteve. É um facto. Mas para vermos "bons gestores privados" e as “virtudes da boa gestão privada” já nos bastam os exemplos que temos tido e preço que temos pago.