domingo, março 11

A partilhar desde 1999.

(...) a sociedade atingiu um ponto em que a prioridade já não é “como impedir a partilha livre e generalizada sem fins lucrativos de obras protegidas por direitos de autor?”, mas sim “como fazer com que essa partilha contribua financeiramente para a criação artística e cultural e recompense os autores e editores das obras mais meritórias?”.
(...)
para ler no Estudo OberCom: A compensação pela partilha online de obras protegidas por direitos de autor > http://www.obercom.pt/client/?newsId=428&fileName=Policy.pdf

É Tempo de Mudar (para onde?), Renovar (o quê?), com Confiança (em quem?).


Aproximamo-nos, uma vez mais e agora a passos largos, de “Eleições”.
Para muitos, nada mais do que uma das mais bem urdidas falácias da democracia, para outros, nada mais do que um dos poucos e fracos exemplos do exercício da cidadania.

Inegavelmente, iremos eleger aqueles que, supostamente, nos defenderão durante quatro anos – tanto no Governo como na Oposição – defendendo a economia e a sustentação do “pacto societário”, com o seu desejado pensamento estratégico e com as emergentes ideologias políticas.

Onde estará o verdadeiro desafio para os próximos governantes? Que características deverão ser valorizadas nos próximos candidatos? Que estrutura governativa precisam os Açores? Deveriam ser, por ventura, as perguntas a colocar por nós neste período que, até às próximas Eleições Legislativas Regionais, devia ser da mais pura reflexão.

Tantos assuntos nos preocupam neste momento e tememos que nada de melhor possa ser feito por eles. Tantas esperanças depositadas em todos estes Governos e encontramo-nos de pantanas, vítimas da dita “Crise Internacional” que, afinal, também acabou por afectar estas ilhas paradisíacas, fazendo com que tenhamos sérias dúvidas acerca da forma como havemos de as enquadrar geograficamente. No centro do mundo ocidental, entre a Europa e a América? Ou no meio do nada, longe de tudo e de todos.

Não consigo perceber o que têm para nós estes políticos mas, não antevejo também que os Açores possam motivar um punhado de pessoas sérias e empenhadas no bem comum, como Santa Clara.

sábado, março 10

...Despertares !



"One Day"

One day maybe we will dance again
Under fiery skies
One day maybe you will love again
Love that never dies

One day maybe you will see the land
Touch skin with sand
You've been swimming in the lonely sea
With no company

Oh, don't you want to find?
Can't you hear this beauty in life?
The roads, the highs, breaking up your life
Can't you hear this beauty in life?

One day maybe you will cry again
Just like a child
You've gotta tie yourself to the mast my friend
And the storm will end

Oh, don't you want to find?
Can't you hear this beauty in life?
The times, the highs, breaking up your mind
Can't you hear this beauty in life?

Oh, you're too afraid to touch
Too afraid you'll like it too much
The roads, the times, breaking up your mind
Can't you hear this beauty in life?

One day maybe I will dance again
One day maybe I will love again
One day maybe we will dance again
You know you've gotta
Tie yourself to the mast my friend
And the storm will end
One day maybe you will love again
You've gotta tie yourself to the mast my friend
And the storm will end

quarta-feira, março 7

...

...

...

pela transitoriedade da música pop imagina-se impossível que uma canção possa perdurar e repetir-se na nossa vida como uma manifestação melódica do eterno retorno. Não sei ! Talvez assim o seja. Mas sei que esta, dos Zero 7, replica-se várias vezes na minha banda sonora depois de me ter cruzado com ela na estrada. Quis o acaso, porventura instigado por me ter passado na outra faixa, hoje de manhã no tour da minha leitura cibernética que , de memória, a revisitasse bem cedo. Como uma good tune que é entranhou-se de imediato para o resto do dia e é com a inevitabilidade de uma pulsão para a repetição que a deixo no ar. repito-lhe as notas como marcos de uma autoestrada. Se tivesse facebook e a tivesse visto por lá diria : "Gosto." !

Nuno Costa Santos

Dá corpo e conversa hoje, pelas 18h30, a uma palestra intitulada - A arte de tirar peso ao mundo, integrada no Curso Livre de Literatura e Sociedade: O Humor, organizado pela Universidade dos Açores, em colaboração com o Instituto Cultural de Ponta Delgada.

segunda-feira, março 5

...Not Now...John !

...

...
Regresso a PDL, via LX, e na playlist "random" no momento em que o trem de aterragem lavra a pista beatificada com nome Papal, os headphones do mp3 anunciam o coro dos "Oasis" com "Dont go Away"...penso no retorno, na extensão da luta pela sobrevivência, e suspiro para dentro : "Fuck ! Not now John !?!".

Fall of the House of Usher



O filme de Jean Epstein passa esta noite no 9500.

sexta-feira, março 2

...Eu hoje deitei-me assim !

...

...
Guy Laramee
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"Cada amigo é dono de uma gaveta recôndita do nosso ser, do qual só ele tem a chave, e, ido o amigo, a gaveta fica fechada para sempre. Afastarmo-nos dos amigos é, pois, encerrar uma parte do nosso ser. Eu teria sido diferente se tivesse continuado a frequentar certas amizades da minha juventude. Mas as circunstâncias separaram-nos e continuamos a viajar cada qual pelo seu lado e, por isso mesmo, mutilados. Daí que chegando a certa idade seja difícil fazer novos amigos. Todas as facetas que a nossa personalidade oferecia já foram tomadas, ocupadas e seladas pelas velhas alianças. Não há superfície livre em que a nova amizade se possa enraizar. A não ser que o novo amigo seja extremamente parecido com o anterior e faça uso dessa semelhança para entrar, por arrombamento, no recinto secreto da primeira amizade. Mas por mais afecto que nasça será sempre o imitador, o falsário, aquele que jamais acederá ao compartimento mais precioso. Compartimento irrisório, seguramente, que talvez não contenha mais do que um montículo de pedregulhos, mas que os olhos do amigo, o primeiro, transformavam no que ele queria ver: o insubstituível."
Julio Ramón Ribeyro

quinta-feira, março 1

2 em 1


Hoje, 5ª feira, pelas 20h30, o Nuno Costa Santos apresenta «Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco» na Livraria SolMar.

De seguida, e sem direito a intervalo, o 9500 Cineclube passa, pelas 21h30 (mais coisa, menos coisa), a «Saudade Burra de Fernando Assis Pacheco», um documentário da autoria de Nuno Costa Santos sobre o escritor e jornalista Fernando Assis Pacheco, figura da vida intelectual portuguesa que, prematuramente, nos deixou no dia 1 de Novembro de 1995.

quarta-feira, fevereiro 29

Hoje, 4ª feira, 19h00 > CINE SOLMAR


ADORMECIDO (2012) é a primeira produção independente do 9500 Cineclube, é um documentário poético e experimental sobre o Vulcão dos Capelinhos na ilha do Faial.

Com realização, fotografia e montagem de Paulo Abreu e captação e desenho de som de Sérgio Gregório, foi rodado nos Capelinhos em Outubro de 2011.

domingo, fevereiro 26

No Inverno



Não sou adepto mas reconheço a importância económica associada. Os eventos são óptimos catalisadores para amenizar a sazonalidade.

Esta não podia ter sido uma melhor altura para a realização do Sata.

terça-feira, fevereiro 21

...Eu hoje deitei-me assim !

(...) com mais um "versículo" lido nas vésperas de uma "quarta-feira de cinzas".
...

Bar girl,Havana, Cuba, 1954 by Eve Arnold
...

"Há ocasiões em que a taberna tem um ar sinistro e nessas alturas as noites cobrem-se de uma tristeza irremediável. Ao balcão os bêbados e a putaria do costume. A sala dos fundos quase deserta : um casal abraçado, uma velha a beber uma água mineral, um tecnocrata a discutir com um burocrata. Eu e o meu vinho tinto num recanto, olhando, esperando. Esperando o quê ? Isso, um milagre, um acaso, um encontro, um sopro de mistério ou poesia. Mas nada. Ao terceiro copo apago o cigarro e vou-me embora, não vencido, mas com vergonha por ter acreditado que ainda vale a pena esperar, neste mundo trivial, pela irrupção do maravilhoso."

Julio Ramón Ribeyro.

...riddle this !





"Que ideia a de que no Carnaval as pessoas se mascaram !
No Carnaval desmascaram-se."


Vergilio Ferreira

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domingo, fevereiro 19

Building of the Year - 2011 Awards

É favor votar.

...Eu hoje deitei-me assim !

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disguise by Thierry Mugler
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(…) às vezes penso que a vida é uma longa corrida dessincronizada na qual nos cruzamos fora do tempo com outras pessoas, como se fossem sombras que ignoramos, mas que sempre estiveram no nosso espectro, ou com outros "corredores" que descobrimos quando o nosso passo abranda e os apanhamos numa curva do passado, ou ainda com outras "personas" cujo rasto nos chega em delay mas que queremos apanhar lá à frente, acicatados pelo desejo de lhes adivinhar os mistérios que se escondem sob o véu das suas máscaras, e assim, antes da meta final, aceleramos em direcção ao futuro...depois ocorre-me o "Mito de Sisifo" e no lugar do "corredor" surge a imagem de uma humanidade condenada a ser, nada mais, do que uma "rolling stone"...strolling around.

sábado, fevereiro 18

FEZ-SE LUZ

...Despertares

...

...
"Que sabia eu da vida, eu que vivera com tanto cuidado? Que não ganhara nem perdera, mas só deixara que a vida me acontecesse? Que tinha as ambições comuns e me adaptara demasiado cedo a que elas não se realizassem? Que evitava ferir-me e chamava a isso capacidade de sobrevivência? Que pagava as minhas contas, estava de bem com toda a gente, na medida do possível, mas para quem o êxtase e o desespero depressa se tornaram meras palavras, lidas outrora nos romances? Eu, cuja autocensura nunca infligia realmente dor? Pois, havia tudo isto para reflectir, enquanto eu passava por um tipo de remorso especial: uma dor finalmente infligida a alguém que sempre pensou saber como evitar ser magoado – infligida por essa mesma razão"
Julian Barnes

sexta-feira, fevereiro 17

...Eu hoje deitei-me assim !


The next big thing ? Não sei ! Mas este Fin, que é a estreia de John Talabot, vai estar em repeat na minha banda sonora. Sombrio e minimalista, para ouvir do outro lado da noite, e ideal para o night drive onde quer que estejas.

domingo, fevereiro 12

...Eu hoje deitei-me assim !

...

...
It's not
What you thought
When you first began it
You got
What you want
Now you can hardly stand it though,
By now you know
It's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

You're sure
There's a cure
And you have finally found it
You think
One drink
Will shrink you 'til you're underground
And living down
But it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

Prepare a list of what you need
Before you sign away the deed
'Cause it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
So just...give up

...

UM DVD COM UM BOM FILME É SEMPRE MELHOR DO QUE

sexta-feira, fevereiro 10

Assim é a vida
Cair sete vezes
E levantar oito.
...



...
"Quando a exaltação morreu, fiquei reduzido à mais simples filosofia : a da resistência (dimensão natural das verdadeiras fadigas). Sofro sem me acomodar, persisto sem me aguerrir : sempre perdido, nunca desencorajado; sou uma boneca Daruma, um boneco sem pernas que sofre incessantes piparotes mas que, finalmente, retoma o seu equilíbrio, estabilizado por uma quilha interior (mas qual é a minha quilha?). É isto que diz um poema popular que acompanha estas bonecas japonesas:


Assim é a vida
Cair sete vezes
E levantar oito
.

Roland Barthes."

Inauguração

quarta-feira, fevereiro 8

...Eu hoje deitei-me assim !

O quarto vazio no fio da tua fala




Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu

E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
E o sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
O caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou.

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei
Para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber.

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada.
O meu barco vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala.
Na vertigem da voz
Quando enfim se cala

...

domingo, fevereiro 5

...Eu hoje deitei-me assim !



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

domingo, janeiro 29

Aviso à navegação

A foto do header do :ILHAS é retirada da objectiva do sempre atento © Pedro Caetano. A gerência agradece a partilha.

...Despertares

Homo ? Humus
Fama ? Fumus
Finis ? Cinis
...

"Com terrível brevidade está aqui contida a história terrena de todos os homens, mesmo dos grandes e gloriosos. O homem, de facto, não é senão terriço mas, por vezes esta lama chega a arder, a dar luz de chama e incêndio de amor. Todo o fogo, porém, é sempre acompanhado de fumo e o fumo perde-se no ar enquanto fica na Terra apenas o cinzento frio das cinzas. Toda a vida do homem consiste, pois, em transformar a escura terra que o compõe num punhado claro de cinza. E entre um e outro momento não há mais que alguma vã e lenta fumaça que os aduladores chamam fama." (*) Monroe é que o sabia ! Qual Terra ? Há sempre o Mar como nos ensina aqui "Marilyn avistada na Praia Pequena do Pópulo aviando um Chablis" (By Jed Martin).

(*) Giovanni Papini - "O Vigia do Mundo"

sábado, janeiro 28

...Out for the weekend !


é isso ... Don't piss me off please. Só se pede um "parêntese" para um bom livro e um som da frente ; mesmo que seja preciso ir lá atrás a mais uma pérola de David Bowie como esta : "Can You Ear Me". Can You ?
...

terça-feira, janeiro 24

...Eu hoje deitei-me assim !


Dusan Reljin
...

"Quando nascemos, alguma divindade marca com uma cruz preta o nosso nome e a partir daí a vida não nos dará tréguas, não encontraremos senão obstáculos, chacota, ciladas, e teremos de suar a mais pequena alegria, remando, lutando contra a corrente, vendo os afortunados a deslizar na margem, de trunfo na mão, e sem nos permitirem a menor distracção, pois é isso que se espera de nós, que cedamos um instante ao desânimo para que a arma penetre até ao cabo."


Julio Ramón Ribeyro

FELLINI + ZEE




FELLINI + ZEE @ PHARMACIA CLUB > 27 JAN 12

...Beyond "Shooting Palermo"

...
"(...) mas a Inteligência Divina abarca juntamente todas as coisas.

O passado está no presente, assim como também o futuro" -
Plotino in "Enéadas"
...
Imaginemos um homem insone. Um moderno homo laborans. Um homem-máquina que vive contra-relógio. Um workaholic num frenesim urbano e tecnológico, agarrado aos seus gadgets, e que tudo regista a 360º com uma câmara digital...incluindo, por acidente, a própria Morte ! Um ser alienado materialmente imerso nuns headphones conectados no seu mediaphone da Nokia, que não larga um segundo que seja, e cuja playlist da sua privada banda sonora apenas interrompe para mais uma milésima sms de trabalho ou de speed dating. Uma criatura que vive contra-natura, ou seja, negando a si próprio a sua humanidade e o reverso da Vida que é a Morte. Um homem assim é uma bomba-relógio em contagem decrescente pois não se deve ignorar a Morte mas sim o risco da própria Vida! "(...) o perigo não nos vem da morte mas sim da vida. A morte é uma consequência do viver ou do viver demasiado. A força da morte é metafísica, a da vida é real. Não é a morte que mata a vida, mas esta que vai morrendo. A vida é a única força. A morte é uma consequência da sua quebra.". Quem o disse foi António Maria Lisboa, em "Mistérios Medos e Mais Coisas", leitura surrealista, decerto ignorada por Wim Wenders, que em "Shooting Palermo" assina um filme que tem a ambição frustrada de ser "sobre a vida e a morte" e nos apresenta a personagem de Finn que com traços impressionistas caracterizamos como se fosse uma personagem-tipo. A vida de Finn balança entre a distopia organizada e insensível de Dusseldorf, onde o filme começa, e o caos apaixonante de Palermo, onde termina, depois de um penoso registo da decadência do romantismo teutónico.
...

...
A personagem interpretada por Campino - (um rapaz de cenho pós-punk, vocalista de uma banda germânica com o obscuro nome Die Toten Hosen – literalmente "Pantaloni Morti", ou seja, "Calças Mortas" !) – é o já apresentado Finn...um celebérrimo fotógrafo de moda que cumpre com eficácia o caderno de encargos das suas encomendas, mas...Mas, a dado ponto da sua vida, apercebe-se que mecanizou tudo o que faz, e que na engrenagem dessa existência não há qualquer fulgor ou paixão. É eficiente no seu labor, como uma peça de engenharia alemã, bem oleada e encaixada em Dusseldorf, onde vive e trabalha a criatura, - (só por coincidência a terra natal e sede da banda Die Toten Hosen) -. Porém, por baixo da frieza do germânico aço escovado algo lhe corrói a existência. Um mal de vivre que, no fundo, é o relógio biológico que subitamente começou aumentar-lhe as rpm’s. Sugere-nos descaradamente o realizador Wim Wenders com planos de Dalinianos relógios derretidos e outros delírios à Buñuel. Eu diria que é o "tédio" que o ataca. Na verdade, a receita do que lhe pedem no seu ofício resulta perfeitamente estilizada na mentira duma foto de moda mas, por detrás da mesma, no biombo da sua existência, aquilo já não tem sentido...é apenas uma técnica sem qualquer arte.
...

...
Imaginemos este mesmo argumento realizado por um cineasta Italiano e seria decerto uma obra-prima intemporal. Aqui, de contrário, temos uma mão cheia de clichés, uma aguarela em tom de souvenir, com umas pinceladas de um qualquer fresco Italiano impressionistamente tomado de empréstimo e aprisionado pela câmara de um acidental turista alemão. Este alemão, ou o seu alter-ego, aleatoriamente percorre as ruelas de Palermo, no intervalo de uma "shooting session" com uma starlet de ocasião, à mão estava Milla Jovovich, e na encruzilhada picaresca da sua vida desemboca no "Cortile Della Morte", ou seja, em toponímia lusitana aquilo que traduziríamos literalmente como o "O Beco da Morte". Seguidamente, num encontro, sem marcação prévia, algures num jardim suspenso de Palermo este homo laborans, que vive de fotografar o que está à superfície pois "ser" fotógrafo de moda é o que lhe paga o viver, encalha num diálogo casual com uma anciã atracada a uma máquina fotográfica Leica, e vendo-o com uma Plaubel na mão resolve trocar cromos e a conversa é simples como um instantâneo:
"- Que bela máquina fotográfica !" interpela-o a sexagenária entradota ;
"-Pois é! Tenho-a há vinte anos"; "-Esta Leica há quarenta anos que me sirvo dela!" – insiste a matrona;
"-És uma fotógrafa ?" – pergunta-lhe Finn; " - Fotografo Palermo, a vida, a morte..." – responde-lhe a anónima parceira de diálogo; "- Fotografas a morte?"; " – Sim ! Existe muita morte em Palermo"...quem diria !;
"- Porque o fazes?"; "-Para honrar os mortos, para os recordar...para que a lembrança deles não se perca...fala-me do teu trabalho, prefiro!";
Finn faz uma pausa e responde : " -Do meu trabalho? Como é que se diz? Sou um homem perdido!" :
"- Lost? " – questiona a Senhora subitamente poliglota; no mesmo registo Finn alinha no dueto bilingue : " - Si ! Io sono perduto" ! ; remata a velha : "- capisco quello che sucede !".
Fim do take : ciao e uma fotografia a tardoz e o filme prossegue !
...
Seria de esperar que nesta fase de perdição um homem assim - ("perduto") - se atirasse da ponte ali tão próxima rumo ao suicídio ! Afinal parecia que não tinha mais objectivos e apenas uma "objectiva" para captar a vida dos outros. Seria o rumo natural do enredo, com um toque de fatalismo eslavo é certo, no qual enxertaríamos uma adequada citação de Tolstói afinal...: "se existir um objectivo de vida, é evidente que a vida tem de cessar quando o objectivo for atingido" -(no caso de Finn o seu objectivo terminava numa grande angular). Bom, mas este filme não é um pastiche da "Sonata de Kreutzer", mas sim um patchwork de caleidoscópicas proporções. Wim Wenders mete lá tudo e não resiste a um palimpsesto cinematográfico que não esconde sequer com pudor a homenagem ao "Sétimo Selo" de Ingmar Bergman, bem lá atrás no retrovisor em 1957, ou a "Blow Up" de Michelangelo Antonioni mais recentemente em 1966. A crítica demoliu o filme e em bom rigor está longe da obra prima que é, e sempre o será, "Paris Texas". Ainda assim é um filme eficaz na forma como nos seduz e secciona o olhar entre a ordem e o caos, entre a placidez de um mar morto e um maremoto em que subitamente se pode transformar a existência e a luta contra a entropia da Morte. É um filme com uma irrepreensível fotografia e uma excelente banda sonora.
...
Mas...imagino uma matéria-prima destas nas mãos de um cineasta Italiano e teríamos decerto aqui um filme maior do que a Vida. Mas a Vida, na síntese de Giovanni Papini, no final da sua, nada mais é do que erros e renúncias : "a vida humana reduz-se toda a erros e renúncias. Enquanto somos jovens, os erros são mais numerosos que as renúncias; na velhice, aumentam as renúncias mas nem por isso diminuem os erros", escreveu paradoxalmente o escriba de Florença. Acrescenta ainda como máxima de Vida algo similar ao carpe diem : "Enquanto vives, esplende". Em "O Vigia do Mundo" Papini refere estes versos gregos perdidos no tempo e que são tidos como um epitáfio : "Enquanto vives, esplende". Ouçamos Papini : "Este imperativo parece-me bastante mais belo e profundo do que os mais famosos do Templo de Delfos, de Kant e de Ibsen. Conhecer-se a si próprio é quase impossível e seria perigoso, se possível ; servir com os nossos actos como norma universal é um dos mais inúteis achados do abstruso e obtuso Kant ; a ordem "sê tu mesmo" é uma tautologia que só entre os hiperboreais podem parecer ordens dignas de bronze. Em contrapartida, na ideia de esplender reside a própria essência da vida. Quem não é luz não dá luz e quem não se inflama e não irradia e aquece à sua volta é semelhante a lenha verde ou lama refractária : não vive e não merece viver". Com este argumentário é caso para sentenciar que um cineasta Italiano, com obrigação do lastro de uma civilização que produziu eruditos como Papini, faria decerto deste "Shooting Palermo" uma obra intemporal.
...
Mas, sem prescindir de um final feliz, entre tantos caminhos que se bifurcam entre o Bem e o Mal, a Vida e a Morte, o nosso germânico e bárbaro "herói" encontra redenção no AMOR...de uma bela Siciliana. Um lugar-comum neste filme em palco Italiano? Talvez não...afinal foi em Palermo na corte de Federico II, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, como tal Rei da Sicília...e também por acréscimo da Germânia, que foi cantada a primeira poesia de Amor composta em Língua Italiana !
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domingo, janeiro 22

A miar é que a gente se entende

No início de um novo ano a administração do :ILHAS reuniu a família para pouco ou nada deliberar, comer e chorar por mais...

intermezzo

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Aqui 0 mar não tem portas...always look on the bright side of life

BLOG EM OBRAS





Nos próximos dias o trânsito por aqui estará condicionado.
Durante este processo poderão surgir templates estranhos.
Prometemos ser breves.

...Eu hoje deitei-me assim !

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Best Of 2011 de JNAS
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aqui nos links ou em compilação em Cd para os amigos do:Ilhas e não só. 2011 foi um ano apaixonante para music lovers

sábado, janeiro 21

Gostava de fazer parte!


Apesar de, aparentemente, muitos de nós termos lido menos em 2011, o livro continua a constituir-se num enigmático sujeito a quem recorremos, e muitas vezes sem razão determinada.
Sendo verdade, não menos verdadeira é a sensação de angústia com que nós, por vezes, o terminamos. O desfasamento entre o que lemos e o que somos, remete-nos para um estádio do qual nos recusamos sair e, para apaziguar a alma, vamos devorando um atrás do outro, correndo o risco de nunca mais encontrarmos o caminho de regresso a quem um dia fomos.
Na Bertrand, a noite passada, com plateia montada frente a um singelo mas bonito arranjo de antúrios vermelhos, por detrás do qual desfilaram muitas referências nas bocas de Paula Sousa Lima, Graça Moniz, Elias Pereira, Daniel de Sá e de Paulo Simões, que também moderou o debate, falou-se dele.
E falou-se ainda das penas dos escribas açorianos e da sua (des)centralidade e falou-se também da VerAçor e dos seus heróis açorianos. Falou-se, até alguém se lembrar de dizer que a Cultura é que devia promover o Turismo. Ali, morri e vim para o céu. Trouxe comigo o livro “Indiferença” de Rui Cabral – jornalista do Açoriano Oriental. Vamos ver se gosto.

P.S. Parabéns ao Luís pela iniciativa e por nos deixar a lista

quinta-feira, janeiro 19

HOJE

...




...
Agrestes Abrigos

Estrangeiro em casa. Título certeiro para uma pintura que procura na investigação doméstica, quase sempre difícil e agreste, uma forma de abrigo. Nesta jornada são dois - e complementares - os territórios escolhidos: a arquitectura selvagem do mar e a imprevisível ondulação da urbe. Em ambos o gesto é essencialmente o mesmo e parece perseguir a vontade de se surpreender e de restituir a quem o pratica a sua inerente estranheza.

Numa das séries, embarcações várias, a fazer lembrar no melhor dos sentidos os marítimos e experimentais desenhos de Victor Hugo, e assumindo, tal como estes, mesmo nas hipóteses mais ilustrativas, possibilidades múltiplas (sim, mais uma vez esta pintura é terreno armadilhado para interpretações imediatas). Noutra, pilares, espaços, edificações, entulhos - paisagens povoadas de ruído e melodias pouco óbvias, jazz de formas rasgando um qualquer silêncio original.

O título remete para um conto de Sophia de Mello Breyner Andresen, justamente intitulado "O Silêncio" e convocado por José Tolentino Mendonça no livro "Pai-Nosso que Estais na Terra". Nele, uma mulher é surpreendida por um grito - exterior mas também interno - que altera o seu olhar sobre as suas coisas familiares, transformando-as em objectos alheios e irreconhecíveis, e acaba por atravessar o seu lugar como se não o conhecesse. A narrativa comunica bem com esta exposição, onde coexistem apaziguados botes e navios assustados pela gritaria das ondas. E onde, algures, encontramos uma frágil e solitária figura caminhando à porta do caos. Podia ser a mulher do conto de Sophia, forasteira no casulo. E também o artista, na desconfiança da sua oficina, estrangeiro perante o seu próprio trabalho.

Nuno Costa Santos
...
Hoje..AQUI...infelizmente tão longe

segunda-feira, janeiro 16

...Eu hoje deitei-me assim !


"No domingo saí um pouco. O dia foi tranquilo mas um pouco triste, como sempre são os domingos em Paris, sobretudo quando não se crê em Deus."
Michel Houellebecq - in . Extensão do domínio da luta

domingo, janeiro 15

PONTES - agora que temos as SCUT, talvez nos deixemos de atalhos.


Há coisas que começam da mesma maneira mas tem o condão de acabar de forma diferente. É como se houvesse uma força que, sobre nós, exercesse um efeito benigno e que acaba por nos ajudar a encontrar outros caminhos como se soluções diferentes fossem para os velhos problemas de sempre.

Diz-se que, nos Açores, os vultos se sucedem uns aos outros. Há como que uma condição natural da ilha que contagia o ilhéu e que o torna possuidor de uma profundidade psicológica que o catapulta para outras dimensões.

Por aqui, é como se a nossa condição humana ascendesse a um limbo na terra que nos separa dos restantes habitantes do mundo (exagero claro, quase hipérbole), sendo curioso, contudo, o facto de tal acontecimento nem sempre influenciar todos aqueles que assumem determinado caminho. Giro ainda é perceber também que muitas vezes nós falamos bem, escrevemos ainda melhor – articulando na perfeição o léxico rebuscado e impressionante – e acabamos por falhar o nosso principal objectivo que deveria ser o doutrinar (nome pomposo para o simples contágio das ideias que defendemos).

Enfim, vivemos a borbulhar no dia-a-dia, tentando afincadamente que esta efervescência possa irritar os acomodados e incitá-los à acção, procurando, no processo, que aquela não seja totalmente desprovida do factor regenerador desejável, porque, nos dias que correm, encontramo-nos todos a procurar desesperadamente salvar o status quo instalado, na vã tentativa de manter as coisas como nos habituamos a tê-las, sem que preocupados com a sua sustentabilidade estejamos.

Para muitos de nós, os banhos de água fria já começaram. E quando nos sentimos molhados até aos ossos, sem ter roupa seca e agasalho aos quais recorrer, abraçamo-nos para impedir o calor de abandonar o nosso corpo. Talvez nessa altura, passamos a nossa vida em revista e sentimo-nos invadidos por uma devastadora sensação de fragilidade que, logo em seguida, deriva num sentimento misto de culpa e frustração que nos faz prometer a nós próprios que seremos mais justos, humildes e solidários perante os nossos pares.

Todos nós conhecemos os princípios da sustentabilidade. Todos nós os elogiamos e todos nós os defendemos em fervorosos discursos. Mas, quando a vida nos corre bem, a única sustentabilidade com a qual nos preocupamos é a nossa e, rapidamente, ignoramos que a mesma está dependente de vários factores e de outras pessoas que de tanto serem negligenciadas, numa relação de interdependências que insistimos em não compreender e teimosamente não queremos valorizar, um dia acabam por nos atirar ao tapete.

Os seres inteligentes que nós somos não deviam necessitar de cair na valeta para poderem constatar e valorizar as vantagens das cadeias de valor que, reforçadas, contribuem para o bom desempenho do todo, valorizando cada componente que integra o processo. Nós somos todos culpados pelo desatino em que vivemos uns com os outros e a nossa economia não escapa a esta realidade que resulta da nossa natureza. No entanto, um amigo ensinou-me que, quando se demonstra de forma eficaz os ganhos que cada um pode tirar pela sua colaboração num processo comum, todos querem participar. É isso que caracteriza a comunidade.

Todos nós estamos cheios de teorias redondas e conversa balofas sobre os objectivos que se deviam almejar para os Açores. Apesar disso, somos poucos os que realmente nos decidimos abordar os problemas com vista a contribuirmos para que as soluções – que melhor sirvam todos – possam ser encontradas. Se o que acontece no parágrafo anterior pode ser verdade, não será menos verdadeira a nossa incapacidade de criar canais de comunicação onde os sinais de egocentrismo, sobranceria e desconfiança possam todos ser suplantados pela criação de uma visão conjunta dos resultados que a nossa sociedade pode atingir.

Não devemos contrariar a afirmação dos vários sectores da nossa economia de per se. Não devemos contrariar que cada representante busque atrair sobre si a atenção dos restantes. Contudo, não devemos favorecer a estanquicidade redutora dos mesmos nem o aproveitamento político para garantia do poder.

Devemos, isto sim, procurar garantir que quem governa preconize a criação de plataformas para entendimentos pontuais, para que as estratégias de fundo para o desenvolvimento dos Açores possam ser incrementadas com o aporte de cada sector, para que todos fiquem conscientes que os benefícios que poderão alcançar estão directamente relacionados com o contributo que estiverem disponíveis a dar na definição dos respectivos planos de acção.

sábado, janeiro 14

...Shuting Down !


All this talk of getting old
It's getting me down my love
Like a cat in a bag, waiting to drown
This time I'm comin' down

And I hope you're thinking of me
As you lay down on your side
Now the drugs don't work
They just make you worse
But I know I'll see your face again

But I know I'm on a losing streak
'Cause I passed down my old street
And if you wanna show, then just let me know
And I'll sing in your ear again

Now the drugs don't work
They just make you worse
But I know I'll see your face again

'Cause baby, ooh, if heaven calls, I'm coming, too
Just like you said, you leave my life, I'm better off dead

All this talk of getting old
It's getting me down my love
Like a cat in a bag, waiting to drown
This time I'm comin' down

But I know I'll see your face again




- "(...) A ponto de legitimar a dramática pergunta e a desencantada resposta de Martinson sobre o sentido e a funcionalidade do sistema : "What works ? Nothing Works" " in. "Direito Penal Português - As consequências jurídicas do crime" - Jorge Figueiredo Dias ; Ed. de 93 para a Aequitas -

Today's Symphony


Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
You're a slave to money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the veins meet yeah,

No change, I can't change
I can't change, I can't change
But I'm here in my mold
I am here in my mold
But I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mold
No, no, no, no, no

Well I never pray
But tonight I'm on my knees yeah
I need to hear some sounds that recognize the pain in me, yeah
I let the melody shine, let it cleanse my mind, I feel free now
But the airways are clean and there's nobody singing to me now

No change, I can't change
I can't change, I can't change
But I'm here in my mold
I am here in my mold
And I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mold
No, no, no, no, no
I can't change
I can't change

'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
Try to find some money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the things meet yeah

You know I can't change, I can't change
I can't change, I can't change
But I'm here in my mold
I am here in my mold
And I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mold
No, no, no, no, no

I can't change my mold
no, no, no, no, no,
I can't change
Can't change my body,
no, no, no

I'll take you down the only road I've ever been down
I'll take you down the only road I've ever been down
Been down
Ever been down
Ever been down
Ever been down
Ever been down
Have you ever been down?
Have you've ever been down?

have a nice weekend wherever you are



... e porque hoje é sábado,

terminamos a semana com bom gosto, masculino desta feita.



Tenham um bom fim-de-semana e, se puderem, não se esqueçam de passar pela Tiffany’s

foto daqui

quarta-feira, janeiro 11

Turismo Náutico - "pitching and rolling"

"A decorrer entre os dias 28 de Março e 1 de Abril, a RC 44 trará a Cascais 14 equipas de 10 países diferentes. Cálculos conservadores apontam para que o impacto direto na economia local ascendam aos 1,2 milhões de euros."

Todos nós sabemos que, no Turismo dos Açores, já não está tudo por fazer.
Contudo, ninguém pode negar que, neste momento, estamos como um navio de carga em mar alto, em plena tempestade. É preciso ter a carga bem estivada e com os cintos securely fastened.
A bonança há de vir mas, só para aqueles que conseguirem enterrar os seus mortos.

BLÁ, BLÁ, BLÁ!

Proliferam novos colunistas nos OCS açorianos.
Pena que mantenham os vícios antigos de tudo problematizar sem apontar soluções.

sábado, janeiro 7

...Eu hoje deitei-me assim !

Please, Reclaim your brain back!


T.P.C.
Para a comunidade de seguidores, críticos e comentaristas do :ILHAS

1. Se tivéssemos que alterar drasticamente a política preconizada para o desenvolvimento dos Açores, qual seria o caminho para o “back to the basics”?
2. Quais são as verdadeiras vantagens e desvantagens de estarmos no meio do Atlântico?
3. Será que queremos continuar a pertencer à comunidade europeia?
4. Querendo, será que é preciso continuarmos a ser parte dum qualquer “Território Nacional”?
5. Será que, se quisermos ser realmente independentes, nos podemos entregar de corpo e alma à defesa de uma das actividades económicas que mais permite a entrada de divisas estrangeiras na nossa frágil economia (na qual a definição convencional de exportação verá sempre o seu papel bastante diminuído em função da nossa posição geográfica), em vez de estarmos a fazer circular o nosso pouco dinheiro de mão em mão, e empobrecendo no processo?
6. Porque que não criar e radicar nos Açores uma força de elite para acirrarmos os velhos fantasmas da guerra-fria?
7. Se não queremos incrementar a “Industria da Guerra”, o que deve ser feito para que os nossos eventuais “Embaixadores” possam exercer a sua influência internacionalmente, no sentido de atraírem os seguidores da “Industria da Paz” para as ilhas açorianas?
8. O que é o Turismo?
9. O que vêem as pessoas no Turismo e o que procuram nele?
10. Quais as motivações dos turistas?
11. Como é que se desenvolve o Turismo em ilhas?
12. Para que deve servir o Turismo nos Açores?
13. Para atrairmos os turistas para os Açores, como se combate a falta de Sol nestas ilhas?
14. Como é que se explica que um profissional da área, tecnicamente bem formado (pelo menos teoricamente), não consiga fazer a diferença?
15. Porque não aparece alguém do sector a procurar melhorar o estado das coisas?
16. Porque será tão difícil conseguir promover uma abordagem “out of the box”?
17. Em termos monetários, as pessoas julgam que a única coisa que ganham é o seu vencimento. O que deve ser feito para que as pessoas percebam como lhes favorece o dinheiro que provem de divisas estrangeiras?
18. Porque razão nos mostramos tão fracos a trabalhar os resultados, depois de nos empenharmos tanto em analisar os nossos problemas?
19. Porque havemos nós de nos enfo®car na qualidade dos nossos produtos se o nosso mercado, em função das dificuldades cada vez maiores, valoriza cada vez mais o preço?
20. O que seria preciso realmente fazer, aos vários níveis (agro-pecuário; industrial e comércio e serviços), para termos uma verdadeira e concreta estratégia para os Açores?
21. Porque raio os economistas – versados em macro e micro economia, tão rápidos, solícitos e bem pagos a explicar as crises e os seus contornos – não conseguem arranjar condições de as evitar?
22. Qual deverá ser o papel a desempenhar pelos grandes centros do conhecimento?
23. Se o ensino é percebido como cada vez pior, porque não se afina a rota no sentido de melhor preparar os alunos para a vida que os espera fora dos circuitos protegidos?
24. No processo económico, o que representa a cultura e o desenvolvimento civilizacional dos povos?
25. Em que medida contribuem agora a cultura e o desenvolvimento civilizacional do povo açoriano para a percepção que os turistas têm dos Açores?
26. Uma nova percepção é necessária? E em que termos seria possível consegui-la?
27. Será que pessoas melhor educadas e melhor formadas ajudariam a resolver alguns dos problemas estruturais da nossa economia?
28. Quais deviam ser os principais desígnios para o sistema educativo nos Açores?
29. Porque razão não se assiste a uma verdadeira democratização da cultura, numa democracia como a nossa?
30. Porque raio não são penalizados os responsáveis pela má governação, quando a comunidade democrática é severamente castigada por escolher mal os políticos e os partidos para os representar e defender?
31. Com o exemplo do, por enquanto, falhado desenvolvimento harmonioso entre os vários países que se constituem como EU, valerá a pena manter inalterável, entre nós, o conceito?

Sugestão

Proposta de programa para esta noite.

quarta-feira, janeiro 4

Crio, logo... existo?

Numa altura em que a (es)cultural ministra encomenda, a um ex-ministro financeiro, um estudo que mostra como pode a cultura salvar a economia e, depois, cai;
Numa altura em que o seu despromovido substituto vem – com elevada estatura – dizer que “humilhante não é não haver subsídios, humilhante é não haver tanta gente como gostaríamos no teatro”;
Numa altura em que os manifestos por uma cultura defendida pelo Estado acontecem em S. Miguel e em Lisboa, numa lógica de aparente desconexão com os destinatários do fabuloso produto artístico;
Numa altura em que se pede à Região – através das autarquias, empresas municipais e Governo – que seja garantido o recurso aos artistas açorianos - na proporção de 30 “locais” para cada 100 “estrangeiros” – para que a festa se faça;
Numa altura em que a comunidade artística começa a acusar a falta da crítica profissional nas respectivas áreas artísticas (reflexo, talvez, do avanço que se conseguiu atingir na ilha do Arcanjo);
Numa altura em que, ainda, se vive segundo a lógica de segregação entre os filhos e os enteados, na interpretação insular da terciarização, qual panaceia para todos os problemas destas nove línguas de terra;
Numa altura em que toda a produção artística nos Açores está à procura de se afirmar com mais afinco (em sinal de uma maior massa crítica que, entretanto, se tem vindo a conseguir criar), perante a presença apagada do agora Director Regional da Cultura face ao por enquanto Secretário Regional da Economia que não queria que o vissem, ali, como tal;
Numa altura em que, como em casa de pouco pão, todos ralham e ninguém tem razão mas, “acarinhem a nossa capacidade de criação e não nos façam sentir órfãos na nossa própria terra, dentro de contextos que, há muito, deixaram de ser regionais” é a mensagem que perpassa.

É, por esta altura e à margem deste contexto, que a banda de rock açoriano com influências portuguesas “Passos Pesados” lançam o seu mais recente Video Clip, intitulado “Pensamentos Sós”, tema que faz parte do novo trabalho que a banda está a gravar…
Este postal, não pretendendo ser mais uma revisão à história dos “Passos Pesados”, é apenas uma pequena referência à teimosia de alguém que, um dia, ousou criar algo novo nos Açores e que, desde então, tem vindo a reinventar-se.
Poder-se-ia dizer que os “Passos” estão agora mais leves. A banda está cheia de novos jovens talentos (que não estão todos na foto do video) e, mantendo-se fiel aos critérios que justificaram a sua criação, continua à procura de experimentar novas sonoridades.
“Pensamentos Sós”, apresentado no passado dia 30 de Dezembro, no bar do Coliseu Micaelense, procura ser espelho dum percurso que também é feito de novas aventuras.
Podemos não gostar do género e podemos não gostar do estilo até, no entanto, e graças a estes músicos açorianos, não podemos negar a sua existência.



Diz-se por aí que a cultura pode salvar a economia.
Pode ser verdade mas, não acredito que seja como alguns pensam.
Experimentem virá-la para a Educação. Experimentem virá-la para o Turismo. Experimentem virá-la para outro lado qualquer mas, por favor, não deixem que se encerre sob o umbigo de quem quer que seja.
A “Pirâmide de Maslow” e, até mesmo, alguns dos seus principais detractores podem ajudar a compreender porquê, no entanto, temo que nem tantos anos de evolução da espécie nem a dita ética republicana tornem possível a escolha de outro caminho para tutelar a culta figura, que todos, um determinado dia, desejaram ardentemente possuir.

E o melhor da história é o facto dos Açores serem riquíssimos em termos culturais, desde a música à literatura, passando pelas artes plásticas, e com nomes que, injustamente, nunca referi.


P.S. o video aqui colocado não é o oficial porque, pelo que parece, ainda não foi feito o respectivo up-load na net