quarta-feira, dezembro 12

Açores profundos


Rosais, 2004, Pães de Véspera


Em Março de 1839 o jornal portuense Revista Literária, na sua coluna de Belas Artes, noticiava desta forma a descoberta da técnica que mais tarde viria a ficar conhecida pelo nome de fotografia: Desenho obtido pela luz, ou processo pelo qual os objectos se desenham por si mesmos sem a ajuda de um lápis. Por muito que a técnica inventada pelo senhor Daguerre tenha evoluído até aos sortilégios da presente era digital, a sua definição primordial de desenho obtido pela luz conserva ainda hoje toda a actualidade e aplica-se que nem uma luva, creio eu, a este livro de fotografias do Paulo Monteiro, designadamente à forma como ele soube retratar o pão, cuja rugosidade nos é transmitida com a subtileza de um desenho a carvão.

Ao iniciar assim a apresentação da obra do Paulo, destacando a qualidade estética das suas fotografias mais abstractas – os pães de véspera da ilha de S. Jorge, e os pães do Império da ilha do Corvo – estou a desviar-me daquilo que ele próprio considera ser o centro de gravidade deste livro – o seu carácter documental relativamente à antropologia religiosa do povo açoriano – e é nesta perspectiva que os Açores profundos devem ser apreciados. Aliás, por falar em chaves de leitura, julgo útil chamar a atenção para a página 115, onde são feitos os agradecimentos, e os do Paulo vão em primeiro lugar para a Cristina Rodero, pela inspiração. Ora, Cristina Garcia Rodero, é uma fotógrafa espanhola que alcançou notoriedade internacional em 1989 com a publicação da obra España Oculta, trabalho de fotografia assumido como recolha documental e antropológica das tradições festivas e religiosas das gentes dos pueblos espanhóis nas décadas de 1970 e 1980, e que claramente serviu de modelo ao Paulo Monteiro para a realização deste seu projecto sobre os Açores profundos que, é bom recordá-lo, levou 12 anos a concretizar e abrange todas as ilhas do arquipélago, cobrindo as celebrações do Espírito Santo desde o Corvo até Santa Maria, isto para não falar de muitos outros festejos que ao longo do calendário litúrgico marcam o tempo próprio das diferentes freguesias açorianas.

Os apreciadores de fast food cultural, com o seu olhar apressado sobre as coisas, dirão porventura desta obra, encolhendo os ombros – "mais um livro de fotografia sobre procissões e, ainda por cima, a preto e branco". Bem, de facto, estas imagens estão nos antípodas dos Açores coloridos e sexys das campanhas publicitárias, onde as técnicas fotográficas estão ao serviço da ilusão da realidade, enquanto que aqui se procura retratar – não direi a realidade, mas – aquilo que ainda existe de verdade nos Açores profundos. Daí o carácter – e a urgência – documental da presente obra, pois estes Açores a preto e branco que durante séculos pairaram no tempo como uma bola de sabão, estão prestes a rebentar e a desaparecer. Paradoxalmente, o projecto do Paulo que, tal como o de Cristina Rodero, demorou mais de uma década a concretizar, foi feito a uma velocidade de contra-relógio, no sentido em que representou uma corrida contra a roda do tempo, um tempo que nos escorre das mãos como água entre os dedos.

Os Açores do Paulo são, por assim dizer, uma paisagem protegida em papel e película fotográfica. Protegida da crescente e indiscriminada tendência de todos os concelhos açorianos para municipalizar a religiosidade popular, transformando-a num festival; e protegida também da tentação – mesmo que bem intencionada – do poder político governamental transformar o Espírito Santo numa espécie de logo identificador da marca Açores. O património cultural açoriano é um dos mais ricos e íntegros do país, razão pela qual a revista National Geographic, em inquérito realizado no mês passado aos destinos insulares, colocou este arquipélago no topo de um invejável ranking mundial, sem que para isso fosse necessário fazer qualquer campanha promocional nas principais Bolsas e Feiras de Turismo europeias. Parte significativa do activo patrimonial – para usar uma expressão muito do agrado dos economistas – das ilhas dos Açores está directa ou indirectamente ligado à religiosidade popular e, nesse sentido, os documentos fotográficos do Paulo Monteiro, literariamente emoldurados pelo talento e competência da Madalena San Bento e do Álamo de Oliveira, representam um contributo sério e rigoroso para o enriquecimento e preservação do património açoriano.

Mas isto é dizer pouco de um livro de fotografia que se situa num patamar muito diferente de todos os outros – e são muitos – que até agora foram publicados sobre os Açores. Prefiro tomar de empréstimo as palavras de Pedro Miguel Frade: Tempos houve em que a fotografia constituiu, à sua maneira e enquanto não se sabia (…) que o sagrado já estava a sangrar, uma guarda avançada da laicização do mundo …hoje, poderia bem ser que ela estivesse para se tornar num dos únicos modos da sua sagração. Creio que o Paulo Monteiro conseguiu interpretar da melhor forma com os seus Açores profundos este desejo do Pedro Frade que, se estivesse vivo, decerto saudaria entusiasmado a publicação de um livro – e com isto termino – que foi para mim um privilégio apresentar.

Alta Fidelidade


Até ao final do ano um post quase diário com a lista dos melhores discos de 2007 1. To Build a Home The Cinematic Orchestra do álbum Ma Fleur. Entretanto e até lá... a antecipação no Agente... dentro de minutos...

LIVRO + EXPOSIÇÃO



"AÇORES PROFUNDOS" de PAULO MONTEIRO
LANÇAMENTO DE LIVRO E INAUGURAÇÃO DE EXPOSIÇÃO
TEATRO MICAELENSE
12 DE DEZEMBRO 18H30 ATÉ 12 DE JANEIRO

Foto:
RABO DE PEIXE, ILHA DE SÃO MIGUEL, 1998.
MOMENTOS APÓS A CERIMÓNIA DO BAPTISMO DE UM BARCO DE PESCA ARTESANAL.

terça-feira, dezembro 11

Contributos para os provocadores

Nesta noite em fortes tons de azul dedico um intervalo na euforia para nomear o meu best of de fimes de 2007.
Porque me será sempre difícil escolher apenas cinco dos muitos filmes vistos ao longo de um ano e porque nem sempre sei em que ano é que os vi, inicio esta lista com 3 filmes produzidos em 2006, mas que por via da data de exibição nacional poderão vir a figurar em muitas listas de 2007.
Taxidermia de György Pálfi
O Labirinto do Fauno de Guillermo del Toro
As Vidas dos Outros de Florian Henckel von Donnersmarck

Dos efectivamente realizados em 2007 a minha escolha, sem qualquer ordem, vai para:
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias de Cristian Mungiu
O Escafandro e a Borboleta de Julian Schnabel
Silent Light de Carlos Reygadas
Syndromes and a Century de Apichatpong Weerasethakul
The Darjeeling Limited de Wes Anderson

Como em 2007 não vi nenhum filme português, pelo menos que me lembre, o que à partida é mau sinal, deixo 2 propostas de animação;
Ratatouille de Brad Bird
Paprika de Satoshi Kon

Mas toda esta selecção poderá ficar totalmente baralhada nos próximos dias com o visionamento de algumas novidades e de outros que sistematicamente vão sendo adiados: Promessas Perigosas de David Cronenberg; Control de Anton Corbijn; O Assassinato de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford de Andrew Dominik; Inland Empire de David Lynch; Paranoid Park de Gus Van Sant; No Country for Old Men de Ethan e Joel Coen; I'm Not There de Todd Haynes ; ... ...

Estas são as minhas escolhas no dia em que o mais velho realizador de cinema no activo completa 99 anos.


Parabéns Manoel de Oliveira

Reporter X

Plasticidade *

Numa correria cada vez mais antecipada, o Natal traz consigo o frio (pouco, este ano) e o frenesim da prenda, celebrado pelas campanhas publicitárias em prol de um consumo homogeneizado. Daí que tenha recebido com agrado a proposta do governo inserida num ante-projecto de Decreto-Lei, que prevê a redução dos sacos de plástico utilizados no comércio alimentar. Mas, para surpresa minha, ao final do dia o governo recuava na sua proposta e remetia para várias alternativas, esclarecendo que essa hipótese já tinha sido «(…) abandonada (…) por já haver uma taxa sobre sacos de plástico e outras embalagens, a taxa da Sociedade Ponto Verde». Contudo, mantinha-se a intenção de reduzir os sacos de plástico nas paisagens – um cenário que, infelizmente, se observa também na região Açores.

A necessidade de implementação de uma medida desta natureza revela-se por demais evidente, para não dizer urgente. Na maioria dos países europeus os sacos são, há muito, disponibilizados por um preço simbólico. São dadas várias hipóteses ao consumidor: um saco de papel, uma caixa cartonada ou um saco de plástico mais resistente e, por isso, reutilizável. Por cá, estas possibilidades de escolha não se colocam, mas há atitudes individuais que podemos tomar.

Não obstante as possibilidades à nossa mercê, caímos na tentação da versão mais fácil, ou seja, o de retirar sem pudor os múltiplos sacos que se nos colocam à disposição no final da passadeira. Algo que faço quando olvido o saco verde (passo a publicidade!) é o de reduzir o número de sacos ao mínimo indispensável, mas, muitas das vezes, tenho que convencer a menina da caixa de que não necessito de mais. Podia comprar outro saco verde, mas o facto é que os esquecimentos são mais que muitos e a coisa torna-se ridícula… Adiante! A culpa não será de quem atende, mas sim do cliente maioritário, que reclama o saco a que tem direito e, não satisfeito com isso, é capaz de pedir mais uns quantos para levar para casa. Esta é, pois, uma questão que passa, sobretudo, pela reconversão de determinadas práticas.

Uma dessas alterações passa pela reciclagem e pela redução substancial do volume de lixo doméstico que produzimos. Ao efectuarmos uma pequena operação de separação de papel, vidro e embalagens (plástico e metal), conseguimos reduzir significativamente as idas ao caixote do lixo e, por acréscimo, do número de sacos que “utilizamos” para o efeito.

A título de exemplo: do enorme desperdício que criamos em Portugal, são, anualmente, utilizadas pelos cidadãos, duas mil toneladas de sacos de plástico, sendo que a grande maioria não é reciclada, embora essa possibilidade de reciclagem exista. Um pequeno grande dado que nos dá muito que pensar nesta época de consumo desenfreado.


* edição de 11/12/07 do AO
** Email Reporter X
*** Fotografia X Reporter X

segunda-feira, dezembro 10

disclaimer

Eu não estou aqui para ter um "tacho", nem para ganhar dinheiro, nem para ser conhecido ou reconhecido, não estou aqui para ter um BMW, um barco, uma casa na Caloura e um apartamento em Miami, ou férias na Bahia e voar em executiva. Estou aqui, nesta vida, da qual o blog faz parte, para ser bom com aqueles que amo, justo com os outros e verdadeiro comigo próprio.

É só para informar aqueles que possam ter dúvidas. Para quem anda nesta coisa dos blogues, de tempos a tempos, é bom fazer estes pequenos reclames.


Pedro de Mendoza y Arruda Oliveira Rodrigues

Best Of

Na próxima emissão do AGENTE PROVOCADOR o tempo será de balanço e de escolhas para os melhores Discos, Livros e Filmes de 2007. O agente instiga os ouvintes a participar nesta "eleição" através do envio das suas listas para o email agente.provocador@programas.rdp.pt. Um Top5 + 1 sugestão nacional. Para ouvir o contraditório, e daí talvez não, na próxima 4ª feira depois do noticiário das 22h00.

equitativo

Só para demonstrar que a "bordoada" quando nasce é para todos, deixo aqui uma sequência de links que servem para desconstruir uma notícia. De viagem ao Brasil, Carlos César, Presidente do Governo Regional da Região Autónoma dos Açores, faz um discurso para uma sala cheia de emigrantes açorianos nas várias diásporas, por ocasião de um encontro de Casas dos Açores. Perante tal plateia anuncia uma redução de 30% nos preços das tarifas da SATA nas viagens com origem nos EUA e Canadá, em 10% dos lugares, em cada voo. Imagino, o som da TSF não é elucidativo quanto a este aspecto, que a sala tenha rejubilado. Depois o Carlos Tomé escrevinha um press release, o Gacs difunde, o Jornal Diário copia, o Açoriano Oriental faz manchete de meia capa, completada com um corta e cola do comunicado numa noticiazinha de página 3 ou 5, já não sei, o povão engole, a deputada Carla Bretão fica obrigada a dizer que acha bem, a campanha de reeleição de César pula e avança e o resto da malta bate palmas. Posto isto, cumpre-me dizer o seguinte: 1º. Eu sou socialista, embora não cesarista, e quero que o PS e Carlos César ganhem as eleições em 2008; 2º. Não sou eu que vou "ensinar" o PPD/PSD-A a fazer oposição, nem a dita Comunicação Social açoriana a fazer o seu trabalho, mas meus amigos, isto que o Carlos César fez chama-se, em português vernáculo, dar milho aos patos, e os patos somos nós todos. Quem queira dar-se ao trabalho de desconstruir isto, facilmente percebe que estamos a falar de um desconto de menos de 100€ em qualquer coisa como 20 lugares por avião, ainda por cima na época baixa. Qualquer agência de viagens de média dimensão consegue fazer muito melhor do que isto.
Assim vão as glórias do mundo açoriano…

piadas de ocasião

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo não pagou a factura da EDA

Reporter X

Jardim António Borges. Ponta Delgada. 09.12.07. As bicicletas estão novamente autorizadas a circular no jardim da cidade. Não há nada como uma boa conversa.

Hoje vou adormecer assim.



Hoje, vou adormecer com esta curta de Wes Anderson, um prólogo para o seu último filme The Darjeeling Limited, e que é uma das curtas mais vistas dos últimos tempos.
Vejam o filme e saberão porquê.

Desculpe, importa-se de repetir?!

Autarquias são o principal foco de corrupção
Via Marretas.

domingo, dezembro 9

CineClube

A Bússola Dourada Lyra é uma menina órfã, de 12 anos, que parte numa viagem extraordinária para encontrar e salvar o seu melhor amigo Roger. Lyra prometeu encontrá-lo nem que para isso tenha de ir até ao fim do mundo. Mas não é só Roger que está em perigo. Várias crianças desapareceram e corre o boato que estão a ser levadas para uma agência experimental algures no Norte onde serão vítimas de abomináveis experiências. Baseado no galardoado livro de Philip Pullman, "A Bússola Dourada" é uma aventura que decorre num fantástico mundo paralelo. Visualmente interessante, óptimo elenco, no entanto, padece de uma má realização. Espera-se melhor do 2ºcapítulo. Mas e apesar disso estamos perante entretenimento recomendável.

Gangster Americano A herança de Francis Ford Coppola é evidente neste «Gangster Americano». Ridley Scott filma um gangster do bairro de Harlem, em Nova Iorque, "imitando" a melhor tradição cinematográfica americana, mas sem nunca conseguir recuperar o seu fulgor. Interpretado por Denzel Washington (o gangster) e por Russell Crowe (o polícia), este é um filme "industrialmente correcto", de execução sofisticada, mas sem alma. João Lopes in Cinema 2000. Ambos em exibição na Castello Lopes de Pdl.

sábado, dezembro 8

sobre aviões, "tostões" e outros populismos

O Rui Gamboa, com o aparente beneplácito do João Nuno, instiga-nos a falar de assuntos que interessam debater. E avança com o transporte aéreo de passageiros. É sem dúvida um tema que tem tanto de interessante como de importante. Mas é também um tema que exige uma abordagem séria e fundamentada. A intervenção apresentada pela deputada Carla Bretão no congresso do PSD-A, apesar de demonstrar grande destreza na utilização das inúmeras potencialidades do Word, comete dois equívocos, se é que assim se podem chamar, fundamentais. Primeiro compara o incomparável, com propósitos puramente demagógicos e populistas. Segundo, lança uma série de objectivos retóricos sem nunca descrever a forma de os atingir. A comparação simplista do preço de uma tarifa Açores–Lisboa com Lisboa–Londres / Bruxelas / Milão e Amesterdão, seria apenas ridícula, não fosse um gesto demagógico grave, o que a torna desonesta e indecente. O preço de uma tarifa aérea é determinado por uma miríade de factores, sendo que o mais importante deles todos é o número de passageiros transportados. Querer comparar as potencialidades dos Açores, enquanto mercado receptor e emissor de passageiros, com Lisboa, Londres, Bruxelas, etc. é uma bizarria abjecta e indesculpável. No resto a deputada Carla Bretão lançou uma série de propostas buriladas em frases de belo efeito mas convenientemente omitiu a forma de atingir esses objectivos. Promover a gradual liberalização, reduzir as tarifas com o continente e inter-ilhas, criar uma tarifa única para os emigrantes, aumentar e criar novas ligações com os EUA, ajustar horários, aumentar as ligações, potenciar as infra-estruturas de Santa Maria e Lajes. Tudo isto são nobres propósitos, mas nem uma única vez é avançada uma explicação sobre como estes objectivos podem ser implementados. Como conseguir uma redução de tarifas com o nível actual de fluxo de passageiros? Como equilibrar a liberalização com a manutenção dos mínimos imprescindíveis para cargas e passageiros? Como é que se potencia o dito "mercado da saudade", em que destinos, com que regularidade de escalas? Os transportes aéreos são, de facto, uma questão fundamental para o futuro dos Açores e para o bem-estar dos açorianos. É por isso mesmo que esta questão merece ser tratada com um pouco mais de seriedade e sensatez, e bastante menos populismo e politiquice. O discurso político do PSD-A, para se constituir verdadeiramente como alternativa, terá que passar por muito mais do que o fogo-fátuo de pretensões avulsas. Compreendo que para os militantes do PSD-A seja doloroso constatar o estado actual da causa social-democrata, mas do congresso do passado fim-de-semana a única coisa que realmente sobressaiu foram fados e fantasmas. Infelizmente para todos.

Jantar:Blogger

Porque o blogger endémico também janta e porque andamos a adiar (a evitar, dirão alguns!) um encontro desta natureza decidiu-se marcar a coisa para dia 19 de Dezembro em hora e local a determinar. Enviem-nos um email para o :ILHAS (o da oninet está desactivado) com o vosso nome (+ guests) + sugestão de hora e local. Até já...

Alta Fidelidade


Propaganda Duel O tema que esteve presente em quase todo o diálogo em off da última emissão do provocador. Foi um guilty pleasure à época, hoje é memorabilia kitsch. Para saudosistas dos idos 80's. Por obséquio, um fast forward da Casa a esta maldita k7...

VISÃO



Segundo o tema de capa da revista Visão desta semana Produtor Cultural Independente é uma das dez profissões que terão mais sucesso no futuro.
As outras são: Engenheiro de novas energias (ufa! que não é engenheiro civil); Jurista especializado em propriedade intelectual; Gestor de relações com clientes (sim, já não chega um sorriso); e-Formador (é, é); Fisiologista de controle de peso; Chef de cozinha (assim mesmo sem é no fim); Engenheiro de redes informáticas (estava a ver que vinha agora o civil); Técnico de gerontologia (descubram rapidamente o elixir); Gestor de I&D na indústria farmacéutica.
Porque será que não acredito nesta Visão?

quinta-feira, dezembro 6

Vox Populi

"As coisas são como são
...em virtude de serem assim mesmo."

Gastão Pacheco no Correio dos Açores
...

...
Outono - 1919
José Malhoa
Óleo sobre madeira
Museu do Chiado
, Lisboa

...
"O maior risco, quer para as pessoas discriminadas quer para o público, encontra-se nos preconceitos e desinformação."
Joana Amaral Dias, no Mundo à Sexta

"O que pensar de um Estado que, por um lado, teve a coragem democrática de estabelecer Autonomias Políticas nos seus territórios insulares mas, por outro lado, discricionariamente e sem estar em causa a Unidade Nacional, trava indevidamente a evolução político-administrativa destes territórios, alimentando suspeitas, preconceitos e ódios incultos e invejosos."


Alberto João Jardim, no Diabo.

"O Governo do PS como os anteriores já teve momentos em que esqueceu as regiões autónomas."

Carlos César, no Diabo

"a Costa Neves apenas tem restado dizer, como tem feito, que fará melhor que o PS/A. Não é suficiente nem convence, é a diferença entre alternativa e alternância."

Guilherme Marinho, no Chá Verde

"A política não pode ser o céu das falsas unidades."

Pedro Gomes no Congresso do PSD Açores

"(...)maioria dos venezuelanos, neste caso, parece ter tomado à letra a celebrada pergunta régia de Juan Carlos e referendou-a nas urnas : Por que NO te callas?"

Dionísio Sousa no Vent(ilha)dor

Day Two


É latente o desconforto e a amargura no PSD-Açores - a tal revolta silenciosa de que fala Costa Neves pressente-se sobremaneira nos seus correligionários. Um partido longe da desejável pacificação interna. Frustração, confiança e simultaneamente vingança são sentimentos contraditórios que perpassam pela alma do PSD. O debate democrático necessita da intervenção do maior partido da oposição nos Açores para a fundamentação autonómica. Neste momento, e apesar do que o líder Costa Neves possa dizer, Querer não significa forçosamente acesso ao Poder. Os dados estão lançados…

Quem vê, TV ?

...

...
"Quem vê TV, sofre mais que no WC". Assim era o refrão escatológico de um longínquo êxito da pop Lusitana. Porém, razão tinham os Táxi muito antes do seu tempo e se hoje não permanecem actuais em termos musicais bem poderiam servir de jingle ao estado geral da televisão que nos é onerosamente impingida. Ainda recordo o tempo miserento, a preto e branco, em que televisão era o equivalente a canal 1 da RTP. Ficcionou-se à data que aquilo era um serviço público e que os Portugueses tinham que pagar o frete com uma taxa de radiotelevisão. Depois veio o tempo das sociedades anónimas de comunicação, e hoje já não se paga qualquer tributo ao Estado pela graça de sermos telespectadores. Hoje pagamos uma tarifa diferenciada para termos sinal decente numa powerbox que pertence à TV Cabo. Em contrapartida o pacote base disponibilizado cifra-se em meia dúzia de canais Nacionais e um rol de generalidades pelos restantes canais. Acaso o cidadão comum queira fazer um upgrade para os jogos da bola, ou para o cinema em casa, a "taxa" da TV por cabo é sempre a subir. Contudo, ao invés da subida de preços, a qualidade do produto que é posto no mercado tem vindo a descer na proporção inversa. Sem moralismos de ocasião o certo é que a oferta televisiva é rasteira, primária, e reduz o espectador a um vegetal alimentado pelo ecrã televisivo. Em suma: no mercado todos se esforçaram, com êxito, em nivelar por baixo. Consequentemente, todo e qualquer produto de qualidade é relegado para horas indignas do prime time e truncado com uma xaropada de comerciais que anestesia qualquer telespectador de mediana resistência. Quanto ao resto, salvo honrosas excepções, é lixo infame que conspurca e mistura reality shows com programas de informação. Mas o Povo gosta e cada um tem o que merece. Sem que a razão explique tal fenómeno, e perante a inutilidade dos regulamentos das entidades reguladoras para calibrar a qualidade mínima do produto televisivo, o que resta não é a lei do mercado mas sim a lei da selva. Afinal, razão tinha também César Beccaria quando, há mais de duzentos anos, vaticinou que a "A infâmia não é regulada nem pelas leis, nem pela razão : é sempre a obra da opinião pública". Ora, hoje a deformação da opinião pública faz-se à conta da televisão e da sua infame qualidade. Está para vir o tempo em que a opinião pública "reivindique" a qualidade de um bem que é hoje essencial à aldeia global em que vivemos. Até lá "Quem vê TV" das duas uma : ou gosta de ruminar a manipulada dose diária de imagens ou é masoquista.
...
João Nuno Almeida e Sousa nas crónicas digitais do jornaldiário.com

quarta-feira, dezembro 5

Agente Provocador # 4

Top of the Pops



Língua. Caetano Veloso


No passado mês de Novembro ocorreu o 2º centenário da partida de D. João VI para o Brasil. Passou despercebido, claro. Em contrapartida, o comemorativismo oficial prefere sublinhar o 2º centenário das Invasões Francesas, com documentários televisivos e Exposições documentais na Biblioteca Nacional. Cada um olha para a História como quiser. Eu cá gosto de lhe olhar para as pernas e acho de muito bom gosto que o D. João VI tivesse resolvido governar Portugal a partir do Rio de Janeiro. Agostinho da Silva dizia, cheio de razão, que o verdadeiro português é o português à solta. Esta música do Caetano Veloso que, como todos sabem, é brasileiro, faz-me sentir orgulho em ser português; o Tratado de Lisboa, não. Este monismo europeu já começa a cheirar a esturro. Até dá vontade de gritar, como o Caetano na canção, SEJAMOS IMPERIALISTAS.

terça-feira, dezembro 4

Reporter X

Rua do Mercado. Ponta Delgada. 03.12.07. Para além das múltiplas condicionantes a que está sujeita a circulação dos minibus, já nem sequer o espaço reservado ao ponto de recolha para peões escapa à usurpação automóvel. Não obstante essa circunstância, os infractores haviam assegurado o pagamento do estacionamento através da exposição do respectivo ticket de parquímetro. Inventivo.

segunda-feira, dezembro 3

pequena interrupção,

ou talvez não,

na nossa cobertura do congresso do PSD-A, para exultar os Klauzz Kinzzki Collectiva, liderados pelo inadjectívavel (que é em si um novo adjectivo que significa fantástico, extraordinário, muita bom…) Mário Roberto, que ganharam o Prémio Cidadania do Festival de Micro Filmes de Lisboa com a curta Ditadura.

E a coincidência não podia ser melhor porque o prémio foi atribuído este fim-de-semana e o filme é precisamente sobre autarquias, investimentos, convergência, política e partidos…



Parabéns

sobre bloggers e congressos

Suspeito que, por alguma inexperiência e manifesta falta de paciência, tenhamos perdido a melhor parte do XVII Congresso do PSD-A. Os discursos da manhã de Sábado, ouvir as bases, sentir o estado de alma dos militantes. Até porque, dizem-nos, o episódio lúdico mais interessante terá sido suscitado exactamente pela presença destes vossos escribas na reunião magna dos sociais-democratas. Mas pronto, são coisas. A verdade é que ser blogger não é ser espião, nem repórter, é, se calhar, um misto das duas coisas mais uma pitada grande de saudável loucura e irresponsabilidade. Já o disse e reafirmo, o convite que o PSD-A nos fez é merecedor de um rasgadíssimo elogio e deixa-me desde logo com a enorme curiosidade de saber se o PS-A será capaz de repetir o gesto. Abrir a porta a bloggers é esperar o inesperado, mas é também aceitar que da pluralidade e da diferença de opiniões pode surgir uma visão nova das coisas, ou então, em última instância, foi só uma maneira de consumar aquela velha máxima que diz que não importa que falem mal de mim, desde que falem. Infelizmente, os Açores ainda são muito pequeninos nestas coisas e os açorianos também ainda não estão totalmente familiarizados com a discussão aberta de opiniões contraditórias. Por várias razões acabei por passar a maior parte do tempo sozinho e eu próprio senti algumas vezes que a minha presença era tão esquisita e incómoda como um cachecol azul no meio da claque do Benfica. Infelizmente, nos Açores não há gente, nem blogues, suficiente para que a creditação de bloggers a um congresso partidário seja feita e vista com naturalidade. Somos ainda poucos por cá o que faz com que praticamente todos os bloggers tenham, para além de uma ideologia e opiniões próprias, um qualquer engajamento político ou partidário, mesmo aqueles que não militam em nada militam no Partido do Não Militar em Nada. Parte dos congressistas olhava para mim com expectativa e afabilidade, inclusive alguns com sincera simpatia e consideração pessoal, facto que eu tenho que referir e agradecer, mas a restante maioria fitava-me com perplexidade misturada com desconfiança, que rapidamente se transformou em hostilidade. O que é que este desavergonhado deste socialista, ou "taliban", nas palavras de um militante, vêm para aqui fazer? Dito de uma forma muito prosaica, estávamos ali para ver e, se possível, escrever uns quantos posts com as nossas visões e opiniões do desenrolar do XVII Congresso do PSD-A. Mas, é claro que a nossa missão não era só observar, nem tão pouco reportar, mas sim opinar e se possível brincar, desconstruindo um pouco o cerimonial e o discurso de um congresso partidário. Infelizmente, mais uma vez, como na maior parte do tempo só lá estava eu, muito do que tínhamos planeado não foi possível fazer. Não que faltasse o oxigénio, que isso nós tínhamos a nossa própria botija, mas porque num circo de um homem só não é possível ser ao mesmo tempo o palhaço e o mestre-de-cerimónias. Resta-me exprimir o meu sentimento de imenso gosto por uma experiência absolutamente entusiasmante e enriquecedora, para além de que, saio deste XVII Congresso do PSD-A com a certeza de que os próximos dez a onze meses vão ser extraordinariamente interessantes politicamente, e, por último, agradecer sinceramente a todo o PSD-A pela oportunidade que nos deram. Os videos seguem dentro de momentos.

domingo, dezembro 2

Day One


Devido a problemas eminentemente técnicos, e alguns contratempos profissionais, aliados ao trânsito caótico do final da tarde de 6ª feira, os vídeos de acompanhamento às primeiras horas do XVII Congresso do PSD não foram uploadados em tempo "útil". Aqui a reposição que se impunha do nosso 1º dia de “trabalhos” - circunscrito à sala Hortência, à acreditação, aos discursos iniciais, aos "colegas" jornalistas, ao post cirúrgico, ao bar, à conversa circunstancial e, claro, à laranjização da decoração natalícia...

Epílogo


Depois das palavras, das moções, das muitas intervenções, depois dos votos, depois da trivela do Quaresma, o encerramento. Manuel Arruda vai chamando pelo microfone os diversos membros dos corpos dirigentes que tomam o seu lugar no cenário. No fim entram os líderes, Luís Filipe Menezes primeiro e Carlos Costa Neves atrás dele. Antes dos discursos, passa num ecrã gigante montado a um canto um slide-show com fotografias de Costa Neves em várias poses artísticas: lavrador, alpinista, numa fábrica, cumprimentando cidadãos, etc. tudo ao som de um tema instrumental que pretende rivalizar com o já clássico Vangelis dos congressos e comícios do PS. A sala assiste em silêncio. Depois vêm os discursos e o primeiro a falar é o vice-presidente do PSD-Madeira. Convêm assinalar que o próprio Alberto João não veio aos Açores porque amanhã inaugura, em Lisboa, uma Casa da Madeira, deve ser para poupar no dinheiro das passagens. Mas pelo estilo e pela retórica ninguém diria que não era o próprio Alberto João Jardim que ali discursava. Num tom manifestamente populista e demagógico, agitando todas as bandeiras do anti socialismo e do anti continental, falando de autonomia como se de um proto separatismo se tratasse, acusando Sócrates de ser um ditador, it takes one to know one, os cerca de trinta minutos de agit prop do social-democrata madeirense foram o momento mais efusivo da noite. A cada atoarda a sala reagia com entusiasmo e aplauso, e a verdade é que estes congressistas estavam bem carenciados de entusiasmo. Mas a propaganda e o estilo madeirenses deviam preocupar tanto Menezes como Costa Neves, é que no registo do aplaudómetro nem um nem outro se conseguiram sequer aproximar dos valores obtidos pelo enviado de Alberto João. Luís Filipe Menezes, que veio a seguir, cumpriu apenas os serviços mínimos, num discurso que para a região deixou apenas a estafada noção da autonomia inacabada, e que para fora bateu novamente na já gasta tecla do passado, dos anos que uns e outros passaram no governo, Santana, as crises e as debilidades ou não do actual Governo do PS. A única nota a salientar foi a confirmação do ónus que o PSD nacional põe nas próximas legislativas regionais, que o partido deseja que sejam o tiro de partida da dinâmica de vitória para uma eventual conquista de poder também a nível nacional. Estamos, obviamente, no campo dos ses e dos talvez e dos supúnhamos, resta saber se os próprios sociais-democratas põem fé neste discurso. Carlos Costa Neves, visivelmente cansado e abatido, veio a seguir para cumprir a promessa do dia anterior de fazer o seu primeiro discurso de campanha e de conquista do poder. Não quero ser drástico, mas pareceu-me que a dinâmica não passou sequer de uma intenção. Carlos Costa Neves simplesmente não galvaniza os seus próprios militantes. Num discurso vago e genérico, aqui e ali até um pouco atabalhoado, Costa Neves só conquista a plateia nos seus momentos mais intimistas, pessoais, diria até populistas, como por exemplo quando fala dos conselhos que a sua mãe lhe dá, que até a mim me enterneceu. Mas, no restante, os congressistas vão assistindo ao discurso com respeitoso enfado. Das propostas de governação fala-se de tudo aquilo a que já estamos acostumados a ouvir, de crescimento económico, de convergência, de investimentos nas ilhas mais pequenas e desfavorecidas, de transportes, de passagens aéreas, etc. Todo o jargão do palavreado político-partidário que tão bem conhecemos, e que até gostávamos de ver resolvido para melhor, mas que ninguém, nem mesmo Costa Neves, explica qual o modos operandi para solucionar a contento esses problemas. Na questão da extinção das sociedades anónimas fica a curiosidade de saber se Costa Neves vai ou não dar instruções aos seus autarcas para que façam o mesmo com o enxame de empresas municipais que nascem como cogumelos em todas as autarquias dos Açores. O discurso lá continuou, penosamente, com Costa Neves esforçando-se para conquistar a plateia. No fundo o que se prova é que não basta ser simpático, bem educado, ter tido uma carreira política de relevo e conhecer os corredores de Lisboa e Bruxelas, para conquistar o poder. E depois acabou, cantaram os hinos, beijos e abraços, palmadinhas nas costas e voltaram todos para casa, á espera das eleições de 2008, de um novo congresso e, muito provavelmente, de 2012.

sábado, dezembro 1

exôdo



terminada a função todos rumaram a casa, este vosso escriba também.

episódio

curtas impressões sobre congressos

Os caminhos da actividade partidária são tão recortados como a estrada para o Nordeste e ainda não houve quem inventasse uma possível SCUT que tornasse mais rectilínea a actividade de gerir um partido. Acrescente-se a isto o facto do partido ser um dos do arco do poder e a dificuldade é ainda maior. O actual PSD e o seu XVII Congresso são a imagem disso. Ser militante do PSD, tal como do PS, é querer ser poder. Ser militante e não ter poder é desesperar. De um congresso como este deveria sair uma mensagem muito forte para o eleitorado açoriano das verdadeiras capacidades do PSD-A, dos seus intentos, da sua vontade, do seu potencial. A alternativa, tão apregoada por Costa Neves, materializada em algo mais do que um casamento arranjado, quais noivos indianos, entre figuras de listas opositoras nas directas. Feliz ou infelizmente não creio que nada disso tenha sido aqui conseguido. E é certamente sintomático que da sessão de encerramento o discurso mais aplaudido tenha sido o do vice-presidente do PSD-Madeira com a sua retórica populista ao melhor estilo da escola Alberto João. A quente e antes de análises mais profundas, e outros momentos de humor, o que este "agente infiltrado" pode dizer é que termina esta experiência de reportblogger com a sensação de que este congresso foi mais um evento social do que político e que, e isto sim é grave, os próprios militantes do partido, silenciosamente, pensam o mesmo.

o fantasma do natal futuro



uncut&unedit&unabridged

Restauração

Um pouco de História para acabar o dia.

Dia Mundial de Luta contra a Sida

O 1 de Dezembro comemorado em Lisboa.

Pausa nos trabalhos


Até ao final da bola. Para descomprimir tempo para um extrato do filme Airport - o "disaster movie" por excelência, num Clássico de 1970 com Dean Martin e Burt Lancaster.

"governo alternativo"

A votação está a decorrer de forma ordeira e, digo eu, até um pouco monótona. Circunstancialismos das listas unitárias. Até este facto, que pretendia ser um gesto demonstrativo de alguma coesão dentro do partido, contribui para o desinteresse de um congresso de parcas lutas e poucas novidades. E falando de novidades o facto mais interessante até ao momento é a nova lista da Comissão Política Regional, composta pelos seguintes nomes e por esta ordem:

Carlos Costa Neves
Berta Cabral
António Marinho
José Manuel Bolieiro
Jorge Macedo
Joaquim Ponte
Duarte Freitas
Aires Reis
Luís Garcia
José Carlos Carreiro
António Menezes
Joaquim Machado
Francisco Pimentel
Rui Menezes
Carla Bretão
Pedro Nascimento Cabral
Robert Câmara
Paulo Ribeiro
Alexandre Gaudêncio

Estas são as personalidades que irão compor aquilo a que Costa Neves chamou ontem de "governo alternativo". É também nestes ombros que irá cair a maior parte do peso do próximo ano de campanha eleitoral. Ora a mim, e assim à partida, surge-me uma questão. Na eventualidade do PSD-A ganhar as próximas legislativas regionais vai a primeira vice-presidente do PSD-A assumir o cargo de vice-presidente do Governo Regional? Tendo em conta que a Dra. Berta Cabral sempre deu como desculpa para a sua não candidatura à liderança do PSD-A o seu compromisso com a cidade de Ponta Delgada que posição irá a ilustre autarca assumir na circunstância do seu partido ganhar as eleições em 2008, objectivo que, julgo, ela também partilha e irá trabalhar para o alcançar, ou não?

Votação


16h00. No regresso dos congressistas após a pausa para almoço acontece a votação dos corpos dirigentes do PSD. Alguns sorrisos de ocasião. A sala vai ficando preenchida... os resultados são, digamos... expectáveis!

* edição live&direct

2º dia



Acabados de regressar ao Royal Garden para a cobertura bloguística do 2º dia do Congresso do PSD-A somos surpreendidos pelo facto de a nossa presença ter sido considerada por um dos militantes "uma pouca vergonha". Felizmente viemos munidos de bastante oxigénio, podemos até fornecer umas garrafas do precioso gaz aos mais necessitados. Ontem tive a oportunidade de agradecer a simpatia do Partido Social Democrata por convidar blogues para acompanhar um congresso de um partido político, uma iniciativa inédita na região e merecedora de elogio, mas aparentemente nem todos os militantes concordam com o líder na sua campanha por mais [C] O2 na Região Autónoma dos Açores. E eu que até achei que me tinha portado tão bem...

sexta-feira, novembro 30

já chega,

por hoje...

alguns problemas técnicos, algum cansaço, a maratona infindável da leitura de moções, o abandono a que os restantes bloggers me votaram, bem como o surf de amanhã obrigam-me a abandonar, por hoje, as "hostilidades". Amanhã há mais. Não posso no entanto deixar de agradecer a enorme amabilidade do PSD-A em nos convidar e a forma extremamente cordata como fomos tratados por todo o povo social-democrata. Até amanhã "camaradas".

o fantasma do velho natal


versão uncut & unedit

Incontinências

Cheguei atrasado, filmei pouco e não jantei. Miudas giras foi coisa que também não me pareceu. É difícil passar despercebido... Amanhã passamos à acção.

prólogo

Nas suas escassas palavras de abertura, Manuel Arruda, lançou o mote para tudo o que aqui se vai passar nas próximas 48 horas, "fazer melhor do que aqueles que estão no poder", sendo que a sílaba tónica é a conjugação do verbo estar e onde todos os que aqui estão querem estar é no poder. Bem, todos não, eu preferia estar em casa a ver uns episódios seguidos do Heroes, deitar cedo e amanhã de manhã ir surfar, mas adiante. Este PSD é notoriamente um órfão de 12 anos seguidos de oposição e o que aqui se respira é sede de poder. Infelizmente para Costa Neves, como antes para Vitor Cruz, essa sede transforma-se em desconfiança, em apreensão dos militantes em relação ao líder. Continuando com as metáforas futebolísticas, esta angústia do militante é um pouco como a do guarda-redes antes do pénalti, a maior probabilidade é sofrer um golo mas algo o faz acreditar que pode defender e atira-se às cegas para um dos lados. Da mesma maneira, o partido atira-se para Costa Neves com a angústia de quem acha que vai sofrer um golo. A chegada de Costa Neves à sala é anti apoteótica, e o seu discurso começa com uma mini ovação em que de braço levantado no v costumeiro os congressistas gritam PSD durante menos de 30 segundos. Aliás, de acordo com o meu aplaudómetro, todo o discurso de Costa Neves foi recebido com manifesto desentusiasmo. Uma hora e apenas dezoito rondas de parcos aplausos, sendo que duas delas foram a pedido. Fica a sensação de que o líder não conquista o congresso. Isto apesar da tentativa de pacificação interna, feita nos primeiros vinte minutos de discurso, com um apelo enfático à união das hostes, o estender de mão a Natalino (que de forma insólita chegou atrasado e obrigou Costa Neves a repetir o pedido de aplauso ao candidato derrotado), as listas unitárias e o apresentar, mais ou menos espúrio, de medidas de organização interna, como um Núcleo de Autarcas Social Democratas e um Gabinete de Estudos, liderados, respectivamente, pelos "pesos pesados" Francisco Alvarez e Luis Bastos. Mas depois dos 20 minutos de discurso sobre o partido Costa Neves atira-se ao PS com esta frase bombástica: "com os socialistas não saímos da cepa torta". Eu por mim temo que esta frase tenha um vago pendor premonitório, quase uma profecia, e que o próprio Costa Neves tenha consciência de que enquanto o PS tiver Carlos Cesar o PSD não vai sair da cepa torta. Mas, é claro que o líder do PSD se estava a referir aos Açores em geral e aqui está também, julgo eu, o seu maior erro. 40 minutos de discurso zurzindo no estado da região, lançando todos os petardos a Carlos Cesar, transmitindo uma imagem fatalista e desiludida do que são os Açores e, por maioria de razão, do que são os açorianos é um enorme erro. É que, por mais que doa a Costa Neves e ao PSD-A, foram os açorianos que elegeram livremente Carlos Cesar para lhes dar o que têm hoje. Por mais que, por entre o seu discurso de catástrofe e de critica generalizada, Costa Neves tente afirmar que os açorianos estão fartos do PS e que corre por aí uma revolta surda o facto é que o âmago do seu discurso apenas reflecte a enorme ressaca em que o PSD ainda está mergulhado, ansiando, este sim, mais ou menos silenciosamente, por um tropeção no PS que possa dar a estes militantes a vaga esperança de, um dia, estar no poder. No final Costa Neves lá fez o que se lhe pedia, anunciou que este tinha sido o seu último discurso de oposição. Ainda bem, porque uma coisa é certa o PSD precisa urgentemente de mudar de discurso, sob pena de nunca mais sair da dita cepa torta. Depois lá se seguiu para as moções e o jantar, que isso sim é bom porque traz dinheiro para a economia dos restaurantes aqui ao lado do hotel. São dez e meia e os militantes lá vão regressando, um desgraçado toca em vão umas musiquinhas aqui mesmo ao meu lado numa guitarra que soa a 4 instrumentos diferentes, ninguém lhe liga nenhuma, lá ao fundo Pedro Gomes conversa animadamente com a jornalista Berta Tavares. Vou tomar uma cerveja ao bar e socializar com os sociais-democratas.

futebol sem golos



Esgotada a azáfama inicial de cumprimentos e creditações, Manuel Arruda arranca com o XVII congresso regional do PSD-A, sendo que as suas primeiras palavras foram para assumir um certo sentimento de anti clímax que perpassa por toda a sala – o líder já está eleito e assim o congresso não serve para nada, ou serve para muito pouco. Congresso sem eleições é como um jogo de futebol sem golos, muita correria, um ou outro tackle mais violento, mas no fim vai tudo para casa com uma sensação triste de vazio. Costa Neves discursou durante uma hora, da qual mais de 40 minutos foram para carpir do desastre da governação socialista e das culpas desse Adamastor moderno que dá pelo nome de Carlos Cesar. Na sala respirava-se, a custo, o pouco oxigénio que o Governo Regional libertou para o Royal Garden nestes dois dias. Agora vou ali comer um bife à Favorita e já volto com a análise completa ao discurso do "líder".

congresso



Num gesto que tem tanto de arrojado como de desesperado o PPD/PSD-A convida os escribas do :ILHAS a estarem presentes no seu XVII congresso regional. O colectivo, honrado, aceita o convite, mas o que ninguém esperava é que apenas a esquerda e a esquerda da esquerda deste blogue exageradamente plural pode realmente estar presente. Veremos o que vai sair daqui…

Mr. Peace ?

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Ao arrepio da imagem de Mr. Danger, que é apregoada pelo sacripanta de Caracas, a prestigiada Economist benze George Bush como Mr. Peace. Recorde-se que a Economist não é uma subsidiária do estilo punchline da Mad Magazine e não costuma fazer humor com assuntos que merecem toda a seriedade. Em suma: para uma das mais importantes publicações do mundo - capitalista e imperialista - Mr. Bush é o grande pacificador! Nele são depositadas elevadas expectativas diplomáticas no "processo de paz" do médio oriente...no qual apenas os néscios acreditam. Pessoalmente, como bom sionista que sou, não creio que haja paz enquanto Israel não for uma Nação reconhecida e respeitada pelas tribos Árabes que circundam a "terra prometida". Acredito até que nunca haverá paz no médio oriente enquanto a chusma árabe e muçulmana não seguir o exemplo de Israel, ou seja, o modelo de um Estado de Direito moderno, democrático, com eleições livres e Tribunais soberanos, e claro está, com total independência dos ditames e dogmas da religião e reconhecimento do primado da igualdade. Enquanto essa utopia não for uma realidade não há Bush que valha ao estafado "processo de paz".
...

quinta-feira, novembro 29

Feira do Livro

A Feira do Livro da Tabacaria Açoriana decorre até 22 de Dezembro e está entalada num edifício situado entre a Av. Marginal e a Rua dos Mercadores. Muitos livros, de facto. Muito refugo, também. Os livros infantis (e acessórios) ocupam quase 50% do espaço expositivo, há muitas novidades a preços de livraria e uma secção dedicada aos autores açorianos - com uma reposição quase integral do catálogo das edições Salamandra. E, claro, algumas curiosidades, preciosidades e pechinchas. Tempos houve em que a abertura, desta feira, era um momento cultural aguardado com muita expectativa. Actualmente, e tendo em linha de conta a melhoria substancial da oferta livreira em Ponta Delgada, isto para não falar da importância cada vez maior da internet e das compras online, o seu grau de importância tem vindo a esmorecer. Mas, e apesar disso, este não deixa de constituir-se como um momento de romaria para muitos, em particular aqueles que gostam de olhar e folhear o papel da escrita.

:blogues

O :ILHAS foi arrastado.

quarta-feira, novembro 28

“Escândalos”

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Fez furor, pelas razões erradas, a "escandalosa" 1ª página do Diário de Notícias na qual se denunciavam os faustosos vencimentos dos gestores públicos Açorianos. Uma auditoria do Tribunal de Contas, qualificada como "arrasadora", concluíra que o ganha-pão dos gestores das empresas públicas Açorianas era "milionário". Tudo de acordo com a habitual visão perdulária da nossa Autonomia. Com efeito, mesmo sem auditorias, o preconceito instalado no continente ajuda a edificar uma visão dos Açores como o eldorado das novas oportunidades; visão que remonta à submersão das restantes províncias ultramarinas, e que só por si justifica notícias sensacionalistas como a que elaborou o DN. O certo é que os Açores - (e a Madeira idem) - oferecem aos quadros superiores da Nação, públicos ou privados, regalias e "alcavalas" sem singela comparação com outras parvónias deste País. A ser assim, como efectivamente é, muitos concidadãos migram para estas paragens em demanda de melhores oportunidades pecuniárias. Das duas uma: ou por cá estanciam, cuspindo no prato que lhes servem, sempre amaldiçoando o triste fado de para cá terem sido desterrados, ou então, fundam uma nova vida e casos há em que a sua alma é mais Açoriana do que a de muitos autóctones que apenas são Açorianos pelo acidente biológico de terem cá nascido. Voltando à vil pecunia, o dito estadão remuneratório dos gestores públicos, incluindo o vencimento base e pagamentos em espécie, cifra-se num valor próximo dos 5.ooo €. Pessoalmente o que me repugna, e que reputo de absoluta indigência mental "de vão de escada", não é a suposta cifra anafada do recibo de vencimento dos visados. O que me repugna e escandaliza é que o Tribunal de Contas e o DN tenham tomado por comparação o referencial de "rendimento médio" de 600 euros mensais por cada Açoriano. Não sei se para a média contribuíram os valores "milionários" dos gestores públicos, mas o cômputo geral deixa na sombra as cifras negras da realidade de muitos Açorianos. Apesar da retórica de progresso e paridade social dúvidas não restam que na nossa sociedade são muitos os cidadãos que não auferem os medianos 600 € mensais. Com efeito, no campeonato nacional do rendimento mínimo o nosso ranking é que nos deveria escandalizar. Na verdade, nos Açores do novo milénio as fileiras de licenciados qualificados, muitos deles com variadas especializações complementares, no desemprego ou a realizarem tarefas inadequadas à sua formação, remuneradas abaixo dos ditos 600 €, é que deveria escandalizar as nossas consciências públicas. Essa triste realidade, da qual ninguém tem inveja, é que não pode deixar de nos indignar e escandalizar. Mas, a avaliar pelas reacções, a pauperização do rendimento médio dos Açorianos e a hipoteca do seu rédito de polichinelo, designadamente, para custear a gestão pública de investimentos faraónicos, que têm por paradigma a matriz e o modelo das Scut´s, é uma realidade que não escandaliza ninguém e até parece reunir o consenso do arco do poder! Que não revolte ou escandalize ilustres tribunos da metrópole, como por exemplo sucedeu com a erupção de indignação do Dr. José Miguel Júdice, neófito porta-voz dos Socialistas da capital, é perfeitamente natural. O que me espanta é que ninguém se escandalize com a falácia do rendimento mediano, convencional, e nominal, dos Açorianos quando a realidade do seu rendimento efectivo é o reverso de uma realidade que para outros é cor-de-rosa.
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João Nuno Almeida e Sousa amanhã nas crónicas digitais do jornaldiario.com

Reporter X

Mobilidade Sustentável *

O Direito à Mobilidade em Ponta Delgada esteve em discussão no passado fim-de-semana. O debate, promovido pelo Bloco de Esquerda como forma de marcar os dois anos de presença na Assembleia Municipal de Ponta Delgada, contou com a presença do vereador José Medeiros, com o pelouro do trânsito da Câmara Municipal; do prof. Armindo Rodrigues, da Universidade dos Açores; Luís Cabral, presidente da Junta de Freguesia de Santa Clara; Heitor Sousa, economista de transportes da Carris (Lisboa); José Sá Fernandes, vereador da Câmara Municipal de Lisboa pelas listas do Bloco de Esquerda, e Lúcia Arruda, a deputada municipal do Bloco de Esquerda/Açores.

O colóquio abordou uma temática sensível à qualificação da vida na cidade e na ilha, tendo em conta os problemas diagnosticados: o uso excessivo do transporte individual, com os custos ambientais e de mobilidade que acarreta; o planeamento urbano pouco eficaz e a falta de articulação entre os diversos sistemas de transportes, que pela sua inexistência retira a este mesmo planeamento qualquer eficácia que ele pudesse conter. A ausência de uma rede integrada de transportes inviabiliza a possibilidade de uma célere mobilidade, sobretudo para quem dela necessita diariamente, sendo que são aqueles que menos podem os que mais sofrem no orçamento familiar e na sua produtividade e, exponencialmente, no seu modo de vida.

A plateia ficou a saber que Ponta Delgada foi seleccionada para o Projecto Mobilidade Sustentável, paralelamente com outros 40 municípios nacionais. Convém salvaguardar que este é um projecto ambicioso e que irá produzir um documento contendo a indicação de práticas a desenvolver e cuja implementação se antevê arrojada, na medida em que carece da introdução de soluções impopulares e com as quais a câmara terá de lidar (de modo a que não encolha eternamente os ombros e faça da vontade alheia a sua). Espero sinceramente que este não seja um projecto de cosmética e não acabe no fundo da gaveta.

Ponta Delgada e a ilha (Scuts incluídas) necessitam urgentemente de um plano de transportes eficaz, sob pena de nos arriscarmos a perdermo-nos numa imobilidade caótica e de resolução cada vez mais difícil. Caso não se tomem medidas capazes de ultrapassar o crescente fluxo automóvel ao centro (e ao perímetro) urbano, de nada valerá a campanha publicitária que “vende” os Açores, as suas belezas naturais e a “recauchutada” qualidade de vida.

Habitar, neste momento, em Ponta Delgada, é “insustentável”.


* edição de 27/11/07 do AO
** Email Reporter X
*** Fotografia X PBase.com

segunda-feira, novembro 26

República das Bananas

O Bob voltou. A ilha é que é outra. E depois do directo o vazio. O silêncio paira. Será da falta de oxigénio?!

Alta Fidelidade


Ouvi em repeat o 1º disco de Norah Jones. O 2ºe 3º já nem por isso. Este soft/jazz/rock inebria e pode, eventualmente, converter-se num aditivo transgressor. Na inevitabilidade, a solução será ouvir com moderação - situação para a qual já desenvolvi um filtro. Apesar de guilty o prazer é atenuado pela feminilidade (ausente das propostas corny dos 2 playlisters anteriores). O que muito me satisfaz. Segue para a mestra de cerimónia

Incontinências

Este ano o natal chegou mais cedo do que o habitual.

domingo, novembro 25

Reporter X

Largo da Matriz. Ponta Delgada. Novembro 2007. Qual dos Cultos será mais privilegiado - o religioso ou o automóvel?!

sexta-feira, novembro 23

Porque Debater é Preciso

O BE organiza um Colóquio Autárquico, sob o tema Pelo Direito à Mobilidade. Esta iniciativa acontece amanhã, sábado, no Hotel Camões, a partir das 14h30.

nem só de nostalgia se faz a vida

Nada contra os enormes Joy Division, mas para mostrar que ainda hoje se vai fazendo excelente música por esse UK a dentro, deixo-vos com os recentíssimos The Wombats e o seu divertidíssimo tema Let's Dance to Joy Division, and celebrate the irony...



Bom Fim-de-Semana, blogoarquipélago, acho que estamos todos a precisar.

O Museu em sua Casa

No próximo domingo dia 25 de Novembro começam a ser publicadas no Jornal Açoriano Oriental as fichas do projecto O MUSEU EM SUA CASA. Trabalho do MUSEU CARLOS MACHADO com o apoio dos AMIGOS DO MUSEU e com o patrocínio de várias entidades públicas e privadas. Logo com a primeira ficha serão aindas disponibilizadas as caixas que permitirão a sua colecção e arquivo.

quinta-feira, novembro 22

...Eu hoje deitei-me assim

...When routine bites hard,
And ambitions are low,(...)



...
...hoje mais cedo do que o habitual! Bem sei que como lullaby este "Love will tear us apart" é pouco eficaz. Mas, dos Joy Division, não se esperam canções de embalar. Contudo, a sua canção mais famosa está gravada na pedra tumular de Ian Curtis, porventura, como derradeiro ajuste de contas póstumo pela mão da viúva Deborah. "Love will tear us apart" foi lançado em Junho de 1980, um mês após o suicídio de Ian Curtis, e foi o único hit da Joy Division ficando-se pelo infortunado 13º lugar do Top Britânico. Seja como for permanece eternizada no original e em mais de uma dúzia de cover/versions que vão desde o untuoso Paul Young até às vozes magnetizantes das meninas Nouvelle Vague. Hoje, com a pressão barométrica a subir, encerra a trilogia dos Joy Division...amanhã há nova ordem com a alvorada às 7 da matina.
...

Reporter X

Jardim António Borges. Ponta Delgada. Novembro 2007. Bicicletas, Não! Lagarta, sim.

ainda os anos 80's



cantem comigo:

Ê vô pra baxe
Na rua do alfabet
Ê vô curoá a primera fema quê conhecê
Ê vô falá tã sexy
Quéla vá me querê da cabeça ós pés

yeah, yeah, yeah
yeah, éla vá
yeah

scolari

A grande verdade, que ninguém quer assumir, é que com o regresso de Scolari ao banco da selecção nacional, a equipa das quinas voltou a não ganhar. Quer-me parecer que em vez de uma petição a pedir o regresso de Figo deviam era fazer uma petição para por o felipão nas bancadas e pedir o regresso deste senhor ao banco. É que, bem ou mal, com ele a equipa ganha. Quer dizer, é só a minha opinião, obrigado.


Flávio Murtosa

Parábolas

...
Depois das directas do PSD Açores o Dr. Carlos Costa Neves recebeu um balão de oxigénio e Natalino Viveiros inscreveu-se na lista de "disponíveis" pois não é crível que se afaste em definitivo da vida política activa. Quanto ao líder reeleito já havia prometido "vida nova", pelo que, insuflado com os ares da vitória emerge com novo fôlego ostentando saúde e humor q.b. Sinal dessa vitalidade está na retoma das suas farpas no Açoriano Oriental com a ilustrativa parábola do aquário onde coabitam, no mesmo habitat, um "polvo insaciável", uma "moreia de bom tamanho", e um "cavaco" cuja qualidade se presume residir numa neutralidade dissuasora! Se a ilustração é poderosa não deixa de sugerir o imobilismo do actual viveiro político da nossa Região sem se vislumbrar, no futuro próximo, qualquer "moreia" capaz de contrariar o equilíbrio actual. Ademais, a metáfora extraída da biologia marinha esbarra com a infeliz realidade de que os pesos e contrapesos do actual cenário político na Região deixam tudo na mesma. Logo, nem sequer há lugar para a habitual citação do "Leopardo" de Giuseppe Tomasi de Lampedusa : "É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma", porquanto, até à data, nada mudou e tudo ficou na mesma. Quase tudo, na verdade. Com efeito, apesar de um acto eleitoral com escassa participação dos militantes do PSD-Açores, Costa Neves fez o pleno nestas directas, excepto na Ilha de São Miguel, porventura, por força da secundarização política dos militantes de São Miguel. A causa poderá ser outra, mas o sinal de descontentamento dos militantes de São Miguel é incontornável, mesmo para a mais esguia das "moreias". Seja como for, está nas mãos do líder ler os sinais. No resto, esperamos que olhe para o futuro pois o passado, recente e longínquo, já lá vai, e até Mota Amaral já assumiu os erros de transição na liderança do PSD/Açores, apesar do mota-amaralismo ser ainda uma referência geracional no PSD. Assim, no actual líder depositamos a esperança de que retempere o espírito "predatório" que se exige a quem está na oposição, nem que seja, para dar "caça" aos camaleões que por aí andam e que, como se sabe, é o nome comum a vários répteis da subordem dos sáurios, da família dos camaleonídeos, capazes de mudar de cor conforme o ambiente. Importa contrariar esta tendência antes que a situação assuma contornos de "partido único" onde o poder se resume ao Partido Socialista cujas directas, por certo em formato plebiscitário, estão também para breve. Para tal não bastam parábolas oxigenadas e povoadas alegoricamente pela fauna da nossa praça. Na realidade, é preciso povoar o nosso habitat político com novas espécies e, sobretudo, com novas ideias para o futuro que não será um tempo de parábolas mas de acção.
...
João Nuno Almeida e Sousa nas crónicas digitais do jornaldiario.com

discos pedidos

os verdadeiros anos 80



ao cuidado dos Agentes [+/-] Provocadores

quarta-feira, novembro 21

Agente Provocador


Antena 1 - Açores. 22h10-23h00. Emissão #3 substancialmente nostálgica para os provocadores de serviço. Quanto ao Agente Provocador himself perdeu as tardes (mas sobretudo as noites!) a ouvir o vídeo em epígrafe... Passados 20 vinte anos, ainda não conseguiu recompor-se ao trauma auto-infligido. Logo terá a medicação adequada para uma recuperação progressiva.

...Eu hoje deitei-me assim

...

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Na habitual atmosfera rarefeita de optimismo dos Joy Division é inevitável o transe claustrofóbico à beira do precipício . Este Atmosphere - que não escapa à regra - emerge da colectânea "Permanent" - editada em 1995 - envolto na inevitável névoa de negrume existencial assombrado por Ian Curtis que, dos confins do além, continuou a lançar discos !

terça-feira, novembro 20

Da hipérbole no discurso político

"o maior jardim em construção, em Ponta Delgada, desde o Jardim António Borges." "uma obra histórica" "dimensão ambiental, estética, funcional e educativa," "dimensão única e impar" "De tal modo que se pode afirmar que desde o século XIX que não se constrói um parque de grandes dimensões em Ponta Delgada" "nada será comparável a um parque desta dimensão, cujo projecto enriquecerá a poética da cidade" "este é o maior investimento de iniciativa municipal realizado, desde sempre, no Concelho de Ponta Delgada"


"o novo "pulmão verde" "É o maior investimento de iniciativa municipal realizado no concelho de Ponta Delgada, sendo este um dia histórico", afirmou Berta Cabral, lembrando que desde o século XIX que "não se constrói um parque de grandes dimensões" na cidade." "nada comparável à dimensão do futuro Parque" "Mais do que um pulmão verde, integrado numa estratégia de desenvolvimento sustentável, será uma área de lazer e de convívio entre gerações, conjugando edifícios, praças e alamedas", indicou Berta Cabral."


Se o exagero pagasse imposto não havia deficit. Ou, nada como eleições para por a mexer os milhões. Ou ainda, a vaca da vizinha não é maior do que a minha...

P.S. Cara Luísa, este post é obviamente um ataque gratuito à tua chefe e não a ti, :)

...Eu hoje deitei-me assim

Here are the young men, the weight on their shoulders,
Here are the young men, well where have they been?
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Mais pungente dO que o Adágio para cordas de Samuel Barber ; muito mais espectral do que Albinoni, mesclado com a voz de Jim Morrisson, em "An American Prayer" ; mais angustiante do que o celebérrimo Adagietto de Gustav Mahler em "Morte em Veneza"...para o efeito tragam os Joy Division. Há décadas que não os ouvia esquecendo que "Decades" era o meu tema favorito da banda de Ian Curtis.
"Decades" é a última faixa do último álbum de originais dos Joy Division e tresanda a requiem pela voz fantasmagórica de Ian Curtis. A consumir com moderação e em caso de sobredosagem recomenda-se um antídoto dos New Order da estirpe de Blue Monday.

segunda-feira, novembro 19

:jornais

Ainda em fase de testes mas finalmente online.

A CIMA - Associação Cultural pretende contractar ao abrigo do Programa Estagiar T dois estagiários de acordo com o seguinte:

1 Técnico (a) de Secretariado
1 Técnico (a) de Multimédia

Os interessados deverão contactar a CIMA - Associação Cultural, até ao dia 26 de Novembro para o nº 917 512 170 ou enviar, devidamente preenchida, a Ficha de Inscrição de Candidato a Estágio para o email cima.ac@sapo.


LINKS:
Programa Estagiar T
Ficha de Inscrição

moral, essa rameira

Falemos de notícias, de notícias que importam e não de giros de carro em torno do edifício Solmar para mostrar que chove. Ontem nesse mesmo telejornal da RTP-A a Teresa Nóbrega Filipa Simas, mais uma vez, fez serviço público. De acordo com dados do Hospital do Divino Espírito Santo a maioria das utentes que se dirigem ao Serviço de Obstetrícia do hospital para a consulta de IVG tem entre 14 e 16 anos. Repito, 14 e 16 anos. Como os digníssimos especialistas desse hospital são todos objectores de consciência, estas adolescentes são encaminhadas para o Faial e para Lisboa. Perdoem-me a franqueza mas isto não passa de uma pulhice dos Srs. Drs. Ui, Ui, grandes problemas morais com a IVG. Mas mandar estas miúdas, uma semana para fora de casa, desacompanhadas e desprotegidas, para praticar um acto médico sensível e psicologicamente perturbador, isso já não lhes faz confusão nenhuma. Pois é, a moral tem destas ambiguidades. Santíssima para umas coisas, selvática para outras. Feitos Pilatos da sexualidade alheia os Srs. Drs. marimbam-se para quem mais precisa e lavam as pudicas mãos do sofrimento destas raparigas. As que tiverem posses, lá irão, acompanhadas pela mãe ou pelo pai, para o apartamento de Benfica e à Clínica dos Arcos. O resto, bem o resto, ou amarga com a gravidez e a criança, ou paga para fazer clandestino, ou vai sem nada para uma pensão rasca para que na Alfredo da Costa lhe permitam, por fim, o exercício de um direito. Schopenhaur dizia que a compaixão era a base de toda a moral, mas quer me parecer que a filosofia dos Drs. do hospital do divino é mais nietszcheiana que dizia, e bem, que o homem é o mais cruel de todos os animais.

P.S. se os Srs. Drs. se sentirem ofendidos com este post, façam o favor de se dirigir à ERC.

Act: a reportagem em causa é da autoria da Filipa Simas a quem deixo desde já os meus parabéns pelo trabalho bem feito, por erro meu dei os créditos de autoria á Teresa Nóbrega.

domingo, novembro 18

sábado, novembro 17

a:termita

Beco do Jardim António Borges. Ponta Delgada. Novembro 2007. Património edificado em ruínas. Mais do que um mero exemplo, o retrato de um centro histórico condenado a desaparecer. Soluções?! Haverá com certeza. Interesse (que não o da feroz especulação imobiliária)?! Isso já não sei.

quinta-feira, novembro 15

Alta Fidelidade


Encontros improváveis e deveras surpreendentes Devendra finta Oasis em Don't Look Back In Anger. A provocação que ontem me faltou. Segue para Assim...

Reporter X

A Cultura que nos Assiste *

A produção cultural nos Açores está condicionada pelo seu carácter disperso, pela idiossincrasia da sua cultura, pela formação dos seus executantes, pelo confronto com outras influências e, sobretudo, pelo isolamento, cada vez menor, a que estão sujeitos os criadores insulares. O confronto com novas linguagens, abordagens e um público esclarecido definem, em muito, a evolução operada no sector. Público e artistas/criadores partilham, actualmente, um palco comum. Assistimos a toda uma aprendizagem, difícil, a que estão sujeitos os diversos agentes culturais nas diversas áreas. A mutação de valores e de práticas alterou substancialmente as formas de ver e de olhar a cultura. A abertura de novos espaços e a renovação e reabilitação de outros possibilitou uma maior fruição e a programação regular de múltiplas formas artísticas, bem como o encontro regular de forma mais ou menos informal com artistas, jornalistas e críticos e tem permitido a difusão de capital informativo fundamental na prossecução de uma maior disseminação cultural. No entanto - e não obstante todas as alterações operadas no sector cultural público, privado, associativo e mesmo recreativo -, persiste um carácter amador intrínseco à actividade.

Existe uma série de condicionantes que interferem com uma actividade criativa regular, o que delimita a evolução em termos de dinâmica e mesmo de programação atempada, sendo que esta continua a ser, a par com uma articulação em rede de várias instituições, uma das lacunas a melhorar a curto prazo na região. Obviamente que a actividade cultural não gera per si rendimentos que a façam subsistir por si mesma. Toda e qualquer actividade cultural, seja ela de cariz associativo, de intercâmbio ou a itinerância, carece de um apoio institucional, municipal ou governamental. Contudo, acredito que, no conjunto das entidades envolvidas em torno da questão cultural, os números gerados pela dinâmica económica local são significativos, muito embora não haja dados que o comprovem, pelo menos, em termos oficiais.

Um desafio que se coloca.


* edição de 13/11/07 do AO
** Email Reporter X
*** Fotografia X Fernando Resendes

p. 161, 5ª frase completa

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De regresso a casa passo pela casa dos outros e dou conta desta provocação. Mesmo à mão, ainda por arrumar algures na estante, está o "The Real Bettie Page" uma biografia notável da Rainha das Pinups, escrita por Richard Foster, numa Edição Birch Lane Press. Vou à pag. 161 ( de 214 ) e na 5ª frase completa leio . "Some of the bad feelings started early on"...Hum ! Será um mau presságio ?

Um repórter do Século Americano

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foto de Timothy Greenfield-Sanders
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Se há escritor que, na literatura moderna, ocupa o merecido lugar de repórter do Sec. XX Americano, o seu nome é Norman Mailer. Admirável pelo seu registo pop da América contemporânea foi também um polemista notável que se definia como um "conservador de esquerda". Morreu no passado Sábado com 84 anos de idade vividos com aguerrida paixão pela vida. Não só deixou uma vasta e heterogénea obra literária como em sinal da chispa que o consumia casou seis vezes e a sua paternidade conta-se em vários descendentes. Vencedor por duas vezes do prémio Pulitzer, Norman Mailer, assina em "O Canto do Carrasco" um dos retratos mais fiéis e desapiedados da pena de morte nos Estados Unidos, exumando a vida e o processo de execução de Gary Gilmore. Norman Mailer teve a mestria de relatar o caminho para o cadafalso de Gilmore, que ficou na história por assinalar o triste regresso à pena de morte nos Estados Unidos em 1976, após uma moratória do Supreme Court, sem resvalar para o cliché e sem fazer do leitor um militante abolicionista. O livro serviu de acendalha para um aceso debate na sociedade Americana sobre as causas da criminalidade e sobre a pena capital. Nada de extravagante em Norman Mailer que sempre foi adepto de causas fracturantes e do politicamente incorrecto. Serve de exemplo o profundo desprezo que nos anos 60 exibiu contra o movimento feminista, designadamente nas páginas da Playboy da qual era cronista regular. Sem pejo chegou a afirmar numa emissão da NBC que estava profundamente consternado pois temia que as mulheres iriam dominar o mundo. Outro exemplo da sua paradoxal veia de polemista estava na recusa da sociedade da informação, pois rotulava a internet como a suprema inutilidade, o que não o impedia, contudo, de ser regular colaborador do blog The Huffington Post ! Numa América em efervescência, na transição da década de 60 para os anos 70, Norman Mailer era um ícone que vivia no estilo boémio de Greenwich Village em Nova York e que, paradoxalmente, alternava os bacanais nocturnos com o treino obsessivo de Boxe que idolatrava como se fosse uma arte. O resultado foram escaramuças que ganharam notoriedade e um ou outro registo criminal. Mailer não só registou o seu tempo com biografias notáveis, como por exemplo a de Picasso ou a de Lee Harvey Oswald, mas também, sem modéstia, recriou o passado indo à suprema ousadia de ficcionar uma espécie de autobiografia de Jesus Cristo com o livro "The Gospel According To The Son". O último livro deste judeu, nado e criado em New Jersey, foi lançado ainda este ano. "O Castelo na Floresta" assume-se como uma fantasia em que o Diabo desencaminha um infante que mais tarde seria o mefistofélico Adolf Hitler. Suprema ironia ou derradeira vingança de um judeu militante ? Talvez mereça que se comece por aqui a espreitar a sua obra que é geralmente desprezada pela intelectualidade reinante.
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicas digitais do jornaldiário.com

quarta-feira, novembro 14

Agente Provocador # 2

Ilhas #3

Das Ilhas como território

Nos princípios da década de 90 travei conhecimento com uma francesa encantadora no Hotel Monte Palace. Chamava-se Anne Meisterscheim, nome de sonoridade germânica que denunciava o seu pays natal, a Alsácia-Lorena. Era socióloga, casara com um corso, divorciara-se do corso, apaixonar-se pela Córsega e fizera uma tese de doutoramento sobre a relação dos ilhéus com o espaço insular. Viera aos Açores participar num Colóquio sobre “Ilhas e Desenvolvimento Sustentado”, organizado pelo Carlos Santos, e apresentou uma palestra que de imediato cativou a minha atenção – as ilhas como espaço de utopia. Foi ela que me ensinou porque é que os ilhéus traçam estradas e caminhos sinuosos, independentemente da orografia do terreno. Por outras palavras, a Anne deu-me um fundamento intelectual decisivo para achar o projecto da SCUT para o Nordeste um verdadeiro disparate. Mas estou-lhe também agradecido por outras razões, sendo uma delas o ter passado a olhar para o espaço de uma forma diferente daquela a História e Geografia me haviam habituado, já que a Anne valorizava muito na sua abordagem ao espaço insular uma vertente quase que etológica do território, e daí o seu entusiasmo pela Córsega e pelas ilhas, que se lhe apresentavam como case studies perfeitos dessa relação umbilical e orgânica das sociedades insulares com o seu home turf. Suponho que a melhor tradução literária do seu objecto de estudo, seja aquela célebre passagem das Ilhas Desconhecidas onde Raul Brandão descreve os beijos e lágrimas com que uma corvina cobria as pedras da sua ilha antes de embarcar para a América. Ora, se quem parte tem um gesto destes, qual será o gesto daqueles que ficam?

terça-feira, novembro 13

Alta Fidelidade


O YouTube revela-se-me um imenso exercício nostálgico. E apesar de, numa primeira reacção a quente, dar-me ganas para corromper esta nova playlist vou manter a linha agridoce por mão de Superstar, numa justa homenagem dos Sonic Youth aos The Carpenters, contida no álbum If I Were a Carpenter.

segunda-feira, novembro 12

contas de mercearia

Peço desculpa por discordar do aparente consenso no blogoarquipélago sobre os 5 milhões de euros da Câmara de Angra para investir na Cultura em 2008. Parece-me um pouco sinistro que se levantem uma série de posts [link, link] aparentemente chocados com o montante avultado. Meus caros, é precisamente o contrário. O dinheiro é pouco. Comparativamente, a cultura é sempre o parente pobre de todos os orçamentos e neste caso não é excepção. O investimento na cultura, ainda para mais nos Açores, tem que ser substancialmente maior. Sem muito dinheiro posto na cultura é impossível haver produção e oferta cultural. A cultura não se auto-financia, nem se paga a si própria. E se os públicos querem usufruir de eventos culturais de qualidade a preços acessíveis, e têm esse direito, alguém tem que pagar os custos, os cachets dos artistas, as deslocações, a logística e a produção. Aliás, o problema recorrente na região são os eventos feitos de pelintrice e manigância em que não se põe o dinheiro necessário e se engana o público. Se querem discutir cultura vamos partir de duas premissas principais – os montantes recorrentemente insuficientes que são postos nos orçamentos para a Cultura e a inexistência de uma politica estruturada e de visões programáticas para o sector. O resto são contas de mercearia e demagogia fácil.

p. 161, 5ª frase completa

(...) Nunca casou, embora tenha partilhado certa vez uma casa com duas mulheres solteiras, e acabado por se zangar com ambas.
Paul Johnson in Criadores, pág. 161, Cap. 7 sobre Jane Austen, ed. Alêtheia. Siga para Chá, antes que esfrie.

CineClube

"Planeta Terror" é a parte realizada por Robert Rodriguez do projecto "Grindhouse", co-assinado por Quentin Tarantino de quem já estreou "à Prova de Morte". É uma homenagem aos filmes de série Z e às salas de cinema que os exibiam e em que na versão original trailers de filmes imaginários uniam os dois filmes. E, tal como no filme de Tarantino, voltam os riscos na cópia, as falhas de som e tudo o que um filme série Z tem direito. E para além disso, zombies ao ataque e um mulher voluptuosa com uma arma em vez de uma das pernas (in Cinecartaz). Na sala 1 do Solmar.