sábado, janeiro 13
quinta-feira, janeiro 11
quarta-feira, janeiro 10
Reporter X
«Não é o que não sabemos que nos cria problemas, é aquilo de que temos a certeza e que afinal não é assim» Mark Twain*
Uma citação retirada de Uma Verdade Inconveniente, recentemente exibido em Ponta Delgada. O filme, que recoloca Al Gore no prime time noticioso, expõe o político e o homem por via de uma auto-reflexão da sua vida até ao período da pós-derrota eleitoral com George W. Bush. Devido ao Natal, o filme passou infelizmente desapercebido.
Al Gore interpela a audiência com as suas preocupações em prol do ambiente e descreve as várias etapas que estiveram na preparação do filme, com preponderância para as disputadas conferências pelo globo. Uma jornada que o levou aos quatro cantos do mundo, por forma a despertar a consciência colectiva planetária para um desafio ambiental à escala mundial. A apresentação gráfica é irrepreensível. A comunicação é cuidada, quer na apresentação dos gráficos quer nas explicações científicas mais complexas, de modo que a mensagem é perceptível por todos.
Se no início o filme se apresenta descomprometido, rapidamente a apreensão toma conta do espectador. Perante o cenário de catástrofe eminente, o futuro que se nos afigura é negro. Mas como o filme não vive sem um lado político é-nos possível vislumbrar uma saída através de uma alteração radical nas nossas práticas e uma postura pró-ambiente. Essa mudança é também política, claramente subentendido, e é ela própria renovável (os EUA são o exemplo apontado!).
Uma visão catastrófica, sensacionalista e alarmista?! É possível. Mas, a aparente negação do óbvio por aquilo que permanece oculto tem sido uma constante na história da humanidade. As vozes dissonantes em torno deste filme e em torno dos movimentos ambientalistas são mais que muitas. A mim parece-me fundamental dissecar a informação que importa reter - e isso basta-me.
Estaremos todos dispostos a alterar as práticas quotidianas em prol do ambiente?! E nos Açores?! Andamos iludidos com o carácter intacto da Natureza e por aquilo que ela representa. Utilizando uma chavão corrente apetece-me dizer: Não penses naquilo que o Ambiente faz por ti. Pensa naquilo que és capaz de fazer pelo Ambiente...
* Citado em Uma Verdade Inconveniente de Al Gore (Ed. Esfera do Caos, 2006)
** na edição de 09/01/07 do AO
*** mail to reporter.x@sapo.pt
terça-feira, janeiro 9
à:mesa
segunda-feira, janeiro 8
Reporter X
domingo, janeiro 7
Bettie Xmas
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Pelos cânones da mais milenar tradição Católica o Natal finda em dia de Reis. No elenco da nossa hagiografia os beatíficos magos Gaspar, Belchior e Baltasar, teleguiados pela estrela de Belém, visitaram o Salvador precisamente no dia 6 de Janeiro do ano zero! Quem eram os "Reis Magos" que inevitavelmente têm lugar, por inerência, nos nossos presépios? Os Evangelhos são lacunares quanto à sua identificação, a História é avara quanto à integração das ditas lacunas e a Net pouco acrescenta à dimensão de lenda. De essencial julga-se que Gaspar, o rei negro, andava à deriva com um coração destroçado por uma odalisca de ébano; Belchior enfrentava o exílio certo após uma traição palaciana que lhe tomara o poder; Baltasar buscava a redenção das imagens das divindades do seu povo em crise de fé. O resto são estórias magistralmente tecidas por Michel Tournier em "Gaspar, Belchior & Baltasar", livro editado pela Dom Quixote e que revisito sempre por esta época. Seja como for, no calendário gregoriano, o dia 6 de Janeiro assinala o terminus das festividades natalicías. Revisito também com prazer e deleite a dulcíssima tarefa de enfeitar a árvore de Natal...que agora, em Janeiro, se desmancha. Para o ano há mais e se Deus quiser contaremos com o ânimo e entusiasmo desta lendária ajudante do Pai Natal !
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sábado, janeiro 6
sexta-feira, janeiro 5
Thank God its Friday # 7
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Bem sei que o tom deste "hino" dos Black Eyed Peas é lamechas mas em época de beatíficas resoluções de Ano Novo ninguém leva a mal. Infelizmente, ao contrário da benigna utopia de "One world", a verdade é que somos todos diferentes e todos desiguais. Consequentemente, o almejado "concerto das Nações" é uma horripilante cacofonia muito pior do que qualquer composição orquestral de Krzysztof Penderecki! Mas, em período de compensação entre as hostilidades da vida real, não deixa de fazer sentido, ainda que o seja ao ritmo de uma melodiazinha rapper, a interrogação : "whatever happened to the values of humanity ? Whatever happened to the fairness in equality ?" Ou seja, dito de outro modo e trauteando o refrão da canção : "Where is the love" ? Noutros tempos, em pleno vigor da geração de 70, a resposta estaria no slogan "Make Love Not War"!
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posted by João Nuno Almeida e Sousa
quinta-feira, janeiro 4
My Man #1
Edward Shils (1911-1995)
Gurus intelectuais não são propriamente my cup of tea, mas posso-vos garantir que este senhor escreveu coisas interessantes sobre o Centro e Periferia, mais a mais com tradução portuguesa desde 1992 na colecção Memória e Sociedade, primorosamente dirigida por Francisco Bethencourt e Diogo Ramada Curto para a editora Difel. A versão original, Center and Periphery. Essays in Macrosociology, foi publicada pela Universidade de Chicago em 1974, ano em que Portugal terminava o seu terceiro ciclo imperial e, simultaneamente, dava início ao que o politólogo Samuel P. Huntington viria a chamar a terceira vaga da democratização, cujas ondas de choque se fizeram depois sentir na Espanha, Grécia e América Latina.
Não faço parte do bem-aventurado reino dos cientistas sociais, nem sou grande consumidor das suas previsões oraculares, mas respeito a obra de sociólogos que, como Edward Shils, dedicaram grande parte da vida ao estudo da relação entre os indivíduos e o centro das sociedades em que estes se integram.
"As sociedades são demasiado grandes e demasiado diferenciadas para que o centro possa ter um conhecimento completo acerca do resto da sociedade. Há muitos obstáculos a uma tal saturação cognitiva. Existe além disso uma tensão entre a aspiração de conhecimento do centro, a aspiração que a periferia tem de se proteger dessa tentativa de conhecimento, e o desejo do contra-centro de penetrar os arcana imperium do centro."
As palavras são de Edward Shils, os sublinhados são meus ... e desculpem lá qualquer coisinha pelo tom erudito.
quarta-feira, janeiro 3
terça-feira, janeiro 2
Mensagem de Ano Novo
Foto Diário Insular
Sempre achei a famigerada ideia dos Açores ultraperiféricos uma enorme desonestidade intelectual, para não lhe chamar outra coisa. O facto de muitos celebrarem a homologação deste conceito pelo Directório da União Europeia como uma espécie de "conquista de Abril", quase tão preciosa como a da constitucionalização do regime autonómico, causa-me autênticos arrepios pela espinha abaixo. Em suma, a ultraperifericidade tornou-se o rendimento mínimo garantido da sociedade açoriana. Aceitar esta situação, considerá-la organicamente ligada à nossa condição insular, é quase um pedido colectivo de reforma antecipada e meio caminho andado para hipotecarmos o futuro à política assistencialista da União Europeia. Dito por outras palavras, é pôr todos os ovos no mesmo cesto. Admito o valor instrumental da ultraperifericidade enquanto abre-latas dos Fundos Europeus, mas não me venham tentar convencer que estas ilhas, a meio caminho da Europa e da América, por sinal os dois maiores pólos económicos, tecnológicos e culturais do mundo inteiro, são ultraperiféricas, coitadinhas.
Feitos estes considerandos, foi com surpresa e agrado que registei as seguintes palavras do Representante da República para os Açores na sua mensagem de Ano Novo:
"... Mas a ultraperiferia dos Açores é um prejuízo que nos habituámos a ver como uma inevitabilidade, uma condenação ou uma fatalidade. Nada menos exacto. O Mundo mudou. E se nem sempre mudou para melhor, aproveite-se da mudança o que o novo paradigma tem para nos oferecer, porque a novidade tem sempre oferta nova. O fantasma da mundialização, com os seus medos e os seus assombros ? os seus Adamastores ? veio neste ponto a desmentir a fatalidade da ultraperiferia.Os Açores não são mais o ponto mais ocidental, a cauda da Europa, mas antes o centro do Mundo que agora é global e intercontinental. Por outro lado, a Europa em que nos integramos tem hoje na sua Agenda a definição de uma Política Marítima Europeia que passa necessariamente pelo aproveitamento e valorização dos Açores com a imensidão e a riqueza dos seus mares. A sua zona económica exclusiva é algo de muito valioso que os Açores oferecem à Europa, mas que, por ser sua pertença, a Europa deve devolver aos Açores em medida equitativa e proporcional ao seu contributo. O mar deixou de ser fronteira e distância para voltar a ser caminho de comércio e de esperança. E é aqui que este porta-aviões no Atlântico, entre a Velha Europa e os Novos Mundos, vem a ganhar a centralidade que lhe abre novos horizontes, lhe volta a traçar novos caminhos e lhe potencia novos destinos."
Graças ao agregador de blogs Planeta Açores, dei com as declarações do Dr. José António Mesquita via Azoriano. Bem sei que o Representante da República não descobriu a pólvora e que o seu low profile também ajuda, mas não é todos os dias que se ouvem coisas destas e, correndo o risco de ser pouco rigoroso, parece-me que a comunicação social da Região não lhes deu o merecido destaque. É por estas e outras razões que gosto muito da companhia da blogosfera açoriana, com todos os seus defeitos, odor corporal e posts politicamente previsíveis, como este, por exemplo.
Bom Ano Novo, blogosfera. É dar-lhe vergas em 2007.
segunda-feira, janeiro 1
Parties Postcards
domingo, dezembro 31
Triste Comédia !
sábado, dezembro 30
Sem título
Na euforia própria das vitórias de Pirro, um diligente soldado americano resolveu enfiar na cabeça de Saddam Hussein um boné dos New York Yankees. Hoje de madrugada, antes de o enforcarem, Saddam recusou que lhe enfiassem outro barrete. Foi uma morte apressada e ocorreu numa data sagrada do calendário religioso islâmico, o Eid-al-Adha, a festa do sacrifício. O antigo dirigente iraquiano estava longe de ser uma ovelha inocente, mas duvido que a sua execução seja o ponto final desta história. Assinala apenas uma mudança de parágrafo.
last minute
T. 296 549 090.
McPost

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Não tenho nada contra, nem a favor, do globalizado Mcdonalds. Mas, (há sempre um "mas"), dou por assente que, entre a suculenta imagem plastificada do menu reluzente e o BigMac, real e desfalecido, que nos entregam numa cartolina reciclada, qualquer semelhança é pura coincidência. Nessas ocasiões ocorre-me sempre a imagem de Michael Douglas em um "Dia de Fúria", desejando ter à mão, pelo menos, uma justiceira Uzi para exigir do Mccriado o hambúrguer que a fotografia promete. Seja como for, não pretendo travestir-me de Michael Douglas e, muito menos, seguir o triste exemplo Jose Bove, paisant franciu que, pela força, quis boicotar o ganha-pão do palhaço Ronald McDonald. Ademais, além das royalties do dito clown do fastfood, dúvidas não restam que este "restaurante" tem como retorno imediato os postos de trabalho que inscreve e, a longo prazo, a economia terapêutica de obesos dos 7 aos 77 anos! Seja como for, razão tinham os clássicos quando apregoavam "in medio virtus", pelo que, sem fundamentalismos e com moderação, é inevitável que, como "paterfamilias", também seja arrastado pelos petizes ao antro da comida rápida. Contudo, continuo a preferir uma casa de pasto honesta a um asséptico e plastificado McDonald´s. E, já agora, que vamos na onda do progresso do franchising espero, para breve, uma filial da FNAC em Ponta Delgada, seguindo o exemplo dessa capital insular da "tirania" que dá pelo nome de Funchal ?
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posted by João Nuno Almeida e Sousa
sexta-feira, dezembro 29
CineClube
quarta-feira, dezembro 27
terça-feira, dezembro 26
bestoff
Top of the Pops #2
Embora natalício, de nascimento, seja relativo ao Natal, não está escrito nas Tábuas da Lei que seja proibido morrer nesse dia. Foi o que sucedeu ontem, 25 de Dezembro, ao James Brown. Ouvindo-o, retrospectivamente, percebe-se que não foi apenas the Godfather of Soul, como alguns lhe chamavam, mas também o paizinho de muita outra coisa, desde o funk até ao rap.
RIP, ristorare in pace, ou descansa em paz, é o que se costuma dizer nestas ocasiões. Duvido que se aplique ao James Brown. Get it all up, vinha mais a calhar.
segunda-feira, dezembro 25
domingo, dezembro 24
Alta Fidelidade
sábado, dezembro 23
aTRItos [termina hoje]
sexta-feira, dezembro 22
Xmas Card
Tomei boa nota do teu contributo, Alexandre, mas torna-se melindroso adequar um Cherchez la Femme ao espírito da quadra natalícia porque, enfim, a Imaculada Conceição, padroeira do comércio tradicional de Ponta Delgada, não se presta muito a essas coisas. A Gisele Bundchen, sim, mas é melhor ficarmo-nos por aqui, não vá alguém pensar que abriu uma loja da Victoria's Secret no Parque Atlântico.
Boas Festas, Alexandre, Pedro, Vítor e JNAS. Boas Festas, blogosfera.
um contributo
quinta-feira, dezembro 21
Geração de 70
Gianclaudio Clay Regazzoni (1939-2006)
A cruz suiça no capacete identificava-o à distância quando as câmaras de televisão ainda não tinham fechado o plano sobre o habitáculo do Ferrari. Isso e a forma intempestiva como atacava as curvas, tornaram Clay Regazzoni uma figura de referência no circo da Formula 1 ao longo da década de 1970. Nunca foi campeão do mundo e deve ter ganho apenas meia dúzia de corridas em toda a sua carreira, mas adorava o cheiro a borracha queimada e continuou a acelerar depois do BRM que conduzia se ter incendiado no GP de Kyalami em 1973. Só largou a competição em Long Beach, no distante ano de 1980, quando os travões do seu Ensign se partiram. Chocou contra um Brabham e ficou paralisado da cintura para baixo. Mesmo assim, continuou a conduzir. Morreu no passado dia 18 de Dezembro na A1 italiana a caminho da Feira Automóvel de Bolonha. O seu bigode deixa-me saudades.
quarta-feira, dezembro 20
terça-feira, dezembro 19
O Tornado da Lagoa.
segunda-feira, dezembro 18
a verdadeira questão
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras dez semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
É sobre isto e só sobre isto que os eleitores portugueses vão dar a sua opinião no próximo dia 11 de Fevereiro, mas ao arautos do não continuam a querer transformar esta questão na Sodoma e Gomorra do século XXI.
Reporter X
Vox Populi
Miguel Castelo Branco - Combustões

Gustavo Fernandes
Nabo no Pedestal - 2004
Óleo sobre tela
195x130 cm
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"O uso dos contraceptivos (que não custam caro) e, sobretudo, a "pílula do dia seguinte" (venda livre a menos de quatro euros) fizeram do aborto o resultado da ignorância, da irresponsabilidade ou da má sorte."
Vasco Pulido Valente, 2 de Dezembro no Público
"Leia-se Pasolini: "A propósito do aborto, é o primeiro, e único caso em que os radicais e todos os abortistas democráticos mais puros e rigorosos fazem apelo à realpolitik, e assim recorrem à prevaricação "cínica" dos factos consumados e do bom senso. Reduzem-no a um caso de pura praticidade, a encarar exactamente com espírito prático. Mas isto (como eles bem sabem) é sempre condenável."
cit. por Jacinto Lucas Pires, 1 de Dezembro, no Diário de Notícias.
"O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto. Tal como há uma parada do "orgulho gay" , os militantes pró-aborto defendem o orgulho em abortar."
José António Saraiva, 14 de Outubro no Sol
"A besta nazi espreita uma oportunidade de fazer vingar a sua tese racista sobre o genoma humano, com o consequente extermínio das "raças inferiores" e dos "economicamente inúteis".O aborto social que agora se pretende referendar é claramente um sintoma dessa tendência minimalista e desumana."
Artur Rosa Teixeira, 12 de Dezembro no Açoriano Oriental
"Os hospitais não têm vocação para fazerem abortos a pedido. Não cabe na cabeça de ninguém inundar com estes casos os hospitais que já não conseguem dar resposta em tempo útil a outras situações. A vocação dos hospitais é tratar doentes."
Luís Graça, Presidente do colégio da Especialidade de Ginecologia-Obstetrícia da Ordem dos Médicos, 13 de Dezembro no Público.
domingo, dezembro 17
Proposta "mobilizadora de grandes públicos"
A partir de agora é de esperar que Rui Rio continue a privatização dos espaços culturais da cidade do Porto.
Neste pressuposto deixo-lhe aqui uma ideia, talvez ainda não pensada, mas também ela "mobilizadora de grandes públicos":
Concessionar o Palácio de Cristal a uma qualquer associação de feirantes na certeza de que qualquer feira ambulante é mais rentável do que qualquer feira do livro.
sábado, dezembro 16
weekend postcards
sexta-feira, dezembro 15
Thank God its Friday # 6
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Por estes dias assalta-me um feroz desejo de evasão. Com vontade de recarregar a alma dou por mim a evocar a nostalgia da simplicidade, numa violenta saudade de uma vida ao ar livre tão diferente da clausura urbana. Inevitavelmente ocorre-me a promessa dos Depeche Mode : "Come back to the land / Lets get away / Just for one day." Contudo, bem fincado na realidade, sei que a estrofezinha não passa de um mantra electro-pop irrealizável fora da moldura de um vídeo clip. Who cares ? Ninguém. Seja como for, às sextas, também é certo que todos se evadem dos blogs. Para os resistentes fica o vídeo clip fabuloso dos Rammstein, num cover irrepreensível dos Depeche Mode, profusamente ilustrado pela lente imortal do génio maldito de Leni Riefenstahl em Olympia.
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quinta-feira, dezembro 14
Era uma vez...
quarta-feira, dezembro 13
Reporter X
Nos Açores exige-se cada vez mais profissionalismo e há mesmo quem fale em tornar a cultura numa fonte rentável. Muito bem. Gostaria que me fizessem chegar a fórmula milagrosa para tais realizações. Quem diz isto não sabe do que está a falar. Pior, ignora o quotidiano de quem (sobre)vive da Cultura. E tem dos Criadores e Gestores culturais uma ideia preconcebida e insultuosa.
São poucos os que conseguem subsistir de forma profissional tendo na deriva cultural a sua fonte de rendimento. Paralelamente e grosso modo, toda a produção regional é realizada tão-somente por intermédio de grupos amadores que, através dos tempos livres dos seus membros, conseguem levar à cena os objectivos a que se propõem. No entanto, muito desse trabalho, meritório é certo, dificilmente evoluirá e muitas das vezes estagna. A formação é pouca apesar da vontade. Pensar o Teatro, a Música e a Dança de forma profissionalizante é desde já uma prioridade. Mas que perspectivas profissionais existem para os formandos da futura escola de ensino artístico prevista para Ponta Delgada!? Um hobby!? A iniciação artística para uma formação artística no ensino superior!?...
O sistema cultural regional (um micro meio!) tem, obviamente, as suas falhas e está longe de ser perfeito. Mas não façamos da Cultura a ovelha negra do despesismo e (um)a culpada da crise que grassa no país. A gestão cultural tem de ser rigorosa e apela, cada vez mais, à imaginação, para do pouco tentar fazer muito.
* na edição de 12/12/06 do AO
terça-feira, dezembro 12
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O comité central do: Ilhas realizou mais uma sessão plenária, naturalmente à porta fechada. O conclave teve lugar na "cantina do bloco", ou seja, os comensais reuniram-se na clandestinidade e na segurança do abrigo do camarada Repórter X. Das notas desta reunião guarnecida com manjares vegetarianos - (o Diktat do Bloco oblige) - fica a certeza de que nada melhor do que pão e vinho sobre a mesa para gerar consensos entre tão díspares criaturas. O unanimismo, como seria de prever, durou apenas o tempo da degustação. Com efeito, depois do Chá (para uns da Irlanda e para outros uma infusão de Gourmet da Colmeia) o debate reacendeu-se em torno da próxima grande Gala do Ilhas. Na verdade, o pomo da discórdia incidiu sobre matérias particularmente fracturantes, como por exemplo, a pré selecção dos candidatos ao prémio revelação da Grande Gala pois, como é já público e notório, será tarefa assaz árdua seleccionar qual será o melhor blog evangélico da ilha Terceira. Apre !
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segunda-feira, dezembro 11
Desculpe, importa-se de repetir!?...
Qual de nós, em criança, não quis ser bombeiro?Vasco Garcia in AO de 04/12/06
Reporter X
domingo, dezembro 10
ambiente de trabalho
sexta-feira, dezembro 8
NÃO, PORQUE NÃO?
Irónicamente, ou talvez não, o resultado de qualquer dos links (factos, artigos de opinião e argumentário) foi este:
A saborear ...
quarta-feira, dezembro 6
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Este teu post de falinhas mansas tem o timbre da habitual sobranceria e soberba com que alguns partidários do SIM (o meu amigo incluído) olham para os partidários do NÃO. Contudo, a tua verdade não é melhor do que a minha. Mas, por outro lado, podemos discutir que projecto de sociedade queremos. Se quisermos uma sociedade dessacralizada dos valores humanos podemos então funcionalizar a vida intra uterina ao bem-estar dessa sociedade; coisa que não repugna aos Socialistas em geral, o que aliás está em congruência com o desvalor personalista da sua doutrina que, em primeiro lugar, coloca a prevalência da sociedade sobre o indivíduo. No resto, não podemos omitir que, a ir avante este projecto do teu Partido Socialista, o que se pretende instituir não é uma simples despenalização, mas sim a institucionalização de um crime sem pena e sem castigo. No fim da linha teremos o aborto a pedido como ultima ratio da contracepção, o que era dispensável, numa sociedade em que, entre outros meios de planeamento da barriga, já vulgarizou o uso do látex. Ademais, a lei vigente já prevê os casos excepcionais de exclusão de ilicitude que a não se verificarem poderão contar com a Jurisprudência suplementar do estado de necessidade. Logo, salvo melhor opinião, não havia necessidade de se abrir a portagem para essa auto estrada liberalizante do aborto cfr. o amigo Pedro Arruda e os seus correligionários pretendem. No resto, claro está que tudo isto será custeado por contribuintes que acaso adoeçam permanecerão em lista de espera muito mais do que 10 semanas, ao invés das senhoras, cachopas e operárias fabris que prioritariamente terão acesso à respectiva marquesa para uma sucção abortiva !!! Acresce ainda que a formulação da pergunta referendária oblitera a responsabilidade do progenitor e é apenas mais um passo na subjugação do homem ao feminismo radical. Lamentável a todos os níveis. Como se depreende muito mais teria a acrescentar mas não tenho tempo...ficará a promessa de uma posta mais desenvolvida e um voto esclarecido no NÃO. Finalmente, mas não menos relevante, gostaria de ver esta matéria discutida a sério por especialistas e práticos das áreas da Obstetrícia-Ginecologia e dos ramos de Direito que, como se sabe, lidam com resmas de processos crime de abortadeiras que têm entupido os Tribunais e cujas pendências só são ultrapassadas pelos processos de execução dos calotes pregados à TMN e Vodafone.
coisas realmente importantes
terça-feira, dezembro 5
Vive a Gamar.
A mim pretendem roubar-me cerca de 400 euros.
Estão doidos e com azar (eu nunca tenho tão "grande" quantia de saldo).
Que mais me irá acontecer?
segunda-feira, dezembro 4
Galeria de Vaidades #4
Entrada, 1917 (óleo sobre tela com colagem)
Centro de Arte Moderna (FCG), Lisboa.
Amadeo Souza-Cardoso (1887-1918) nasceu em Manhufe, concelho de Amarante, num tempo em que as elites portuguesas ainda resistiam à litoralização da inteligência. Começo por acentuar esta questão porque me aflige a imparável tendência para a desertificação do interior do país. Quem consultar a cartografia da população portuguesa na Idade Média ficará espantado com a amplitude do povoamento fronteiriço, junto aos chamados portos secos. Para os mais cépticos, aconselho uma vista de olhos pelo Livro das Fortalezas do Duarte Darmas, magnífico registo iconográfico da cordada de castelos raianos que habitualmente caracterizam uma paisagem de fronteira. Portugal sempre voltou as costas à Espanha, é certo, mas dantes olhava-a de frente e do alto das suas torres barbacãs. Agora, toda a gente foge em direcção ao litoral e a geografia das maternidades é regulada por critérios economicistas. O patriotismo está em vias de extinção e a pátria, no seu sentido locativo de "terra onde se nasceu", foi reformatada ao sabor do código postal dos Hospitais das zonas metropolitanas. Sintra, para onde Eça de Queiroz ia pastar, será em breve o concelho mais populoso do país. Poderia continuar pela IC-19 adiante, mas não quero perder de vista o Amadeo amarantino, conterrâneo de Teixeira de Pascoaes, o grande ideólogo do saudosismo nacional e autor da Arte de Ser Português.
Ao contrário de Pascoaes, Amadeo Souza-Cardoso trilhou o caminho dos estrangeirados e em 1906 foi para Paris estudar Arquitectura. Alojado em Montparnasse, onde os vapores verdes do absinto lhe coloriram a imaginação, depressa trocou o estirador pelo cavalete e, entre 1908 e 1916, consolida a sua formação no convívio mundano e artístico de Amadeo Modigliani, Juan Gris, Robert e Sonia Delaunay e Max Jacob, Constantin Brancusi e Alexander Archipenko. Até parece mentira, mas Domingos Rebelo também andava por lá nessa altura (1906-1912), graças a uma bolsa da família Andrade Albuquerque, que muito cedo apoiou a inclinação do jovem micaelense para o desenho e pintura. Porventura devido à sua tenra idade (15 anos) e ao enquadramento quase colegial da sua estadia em Paris, Domingos Rebelo passou ao lado das vanguardas e não respirou o l'air du temp, coisa que Amadeo Souza-Cardoso fez com sofreguidão ao ponto de se tornar o primeiro pintor modernista português com razoável projecção internacional. O grande José de Almada Negreiros, que lhe dedicou aquele seu admirável texto K4 Quadrado Azul, dizia com justiça no catálogo da Exposição Abstaccionismo (Lisboa, Liga Naval, Dezembro 1916) que Amadeo era a primeira Descoberta de Portugal na Europa do século XX. Foi uma descoberta, de facto, e tão primeira quanto efémera, pois Souza-Cardoso sucumbiria pouco tempo depois, em 1918, à epidemia da gripe pneumónica, entre nós significativamente conhecida pelo nome de a espanhola. Morreu em Espinho, a terra onde o seu amigo Manuel Laranjeira se tinha suicidado alguns anos antes. O desaparecimento prematuro de Amadeo e de Laranjeira simboliza como que um Portugal moderno nado-morto e nem mesmo a geração do Orfeu me faz esquecer essa perda irreparável.
Se forem a Lisboa nesta quadra natalícia e quiserem saber o que Portugal não foi e podia ter sido, passem uma tarde na Fundação Calouste Gulbenkian a ver a Exposição do Amadeo Souza-Cardoso e lembrem-se que ele nasceu perto de Amarante.






