terça-feira, outubro 11

Com os pés na Terra

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Com os pés na terra, justamente, diz o Povo "O mal dos outros não nos serve de bem". Com a mesma franqueza popular, e porque não pertenço à mesma casta, não rejubilei com a anunciada orfandade política da família socialista com a reforma antecipada de Carlos César.Do folhetim do seu futuro político apenas me interessava o episódio em que, perante o Povo Açoriano, se definissem as respectivas personagens das próximas Regionais. Antecipadamente, de modo voluntarioso e com coragem, Berta Cabral assumiu-se como alternativa no boletim de voto dos Açorianos. Do lado do meu elenco a liderança estava consolidada e há muito que estava em construção um projecto de alternativa.

Mas, até à presente data, um tabu alheio, que apodrecia quotidianamente, arredou dos sucessivos castings para as lutas do dia a dia muitos daqueles que, de qualquer forma, fazem da política a sua vida e profissão. À margem daqueles que sempre se refugiaram no discurso redondo, ou no conforto calculista e estratégico do silêncio, estive sempre com aqueles que, independentemente de quem estivesse do outro lado da trincheira, responderam à chamada na primeira linha. Sempre na defesa do seu estandarte e de quem o lidera.

Efectivamente, que coragem existe em só se aceitar ir à luta sabendo previamente quem, do outro lado do ringue, disputa o título de pesos pesados? Que nobreza existe em apenas se aceitar um convite para a festa perguntando, e sabendo de antemão, quem são os restantes comensais e convidados? Nenhuma! Modestamente, mas com orgulho, integro o pelotão daqueles que de Carlos César, em discurso directo, até mereceram o rótulo "guarda pretoriana" - (de Berta Cabral presumo !) – pois, efectivamente, o derrotaram por duas vezes numa eleição "paroquial" e de freguesia mas, ainda assim, simbólica. Com vontade local de mudar e de alternância integramos uma lista do PSD que, pela primeira vez, conquistou a Freguesia da Fajã de Baixo que, como se sabe, simbolicamente era um ex-libris invicto do PS. Derrotamos o PS e derrotamos uma lista que integrava o próprio Carlos César. Numas segundas eleições, já sem Carlos César nas listas, mas em campanha como se estivesse, voltamos a derrotar o mesmo PS que se exibia numas eleições de freguesia com a iluminura de Carlos César fotografado no adro da Igreja ladeado dos seus correligionários. Diz o Povo que "não há duas sem três", mas o facto que importa reter é que não é o adversário quem faz a nossa luta pois, no campo de batalha, esta faz-se com as forças que incendeiam as nossas convicções.

Afinal, razão tinha quem inspirou tantos de nós quando disse que "a política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha." Acrescento que, sem paixão, é um frete de conveniência. Porém, em qualquer Democracia, real ou ficcionada, a política também não vale sem limites e nem tudo se decide sob o império de qualquer César que, em trânsito, ocupe a cadeira do poder. Em contrapeso, de acordo com o pulsar comunitário, há também um império do Direito que coloca o princípio acima da prática e aqui o princípio era mesmo o da limitação de mandatos. Todavia, a prática também terá condicionado a gestão desta decisão política. Com efeito, como se disse, "não há duas sem três", e Carlos César já tinha averbado duas derrotas, políticas e pessoais, nas últimas nacionais e nas presidenciais. Destas levou ainda a certeza de ter em Belém uma "força de bloqueio" a qualquer tentação a alcandorar-se a mais um mandato. O futuro dirá qual o seu legado e o julgamento da história ficará entretanto adiado enquanto não se apurar outro tabu: o real e efectivo estado das contas públicas na Região. Com os pés na terra caberá ao PSD seguir o rumo sereno de construir uma alternativa em 2012 e começar já a nível regional a estruturar as autárquicas de 2013 porque é preciso regressar à nossa Terra.
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João Nuno Almeida e Sousa na edição de 10 Outubro do Açoriano Oriental.

domingo, outubro 9

...Despertares

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para "despertar" da vigília e, agitar antes de usar, mais um dia pardacento, nada melhor do que uma "grande malha". Eu sei que é pecaminoso, e devia mas era estar na missa, mas não resisto à tentação deste "afro-tuga-beat" ! Escaldante e dominador como um voodoo electrizante. Download it, na candonga mais próxima, e daqui é directo para o mp3 a marcar, nos "headphones", a pista para o oceano. Talvez pelo caminho, para os lados de São Roque, também se dance nas ruas, decerto com sotaque diferente, mas no sangue é a mesma língua latina.
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Regional politiquismo (toca e foge)

sábado, outubro 8

Não me chamem Sr. Ministro...

E depois, em Portugal, dá nisto:

O secretário-geral do PS, António José Seguro, disse hoje no Porto que Portugal não tem ministro da Economia.

Minudências da nossa corte política.

E, já que se trata de música...


Seres o Meu Amor, dos Connection
(Letra de Aníbal Raposo e música de Mário George Cabral & Aníbal Raposo)

"(...) Música..., [nas palavras de António Melo Sousa, no poema «Alma Breve», musicado por Mario George Cabral dos Connection] amante primeira, terna e eterna companheira de todas as horas, segredos e silêncios (...)".

Música, do Povo. Com dignidade mas, sem demagogia.

Retratos da vida

Cada vez percebo menos de política. Afinal, pelo que leio e ouço, parece que todos desejavam a continuação. Uns e os Outros!

A isto chama-se dar música ao povo. Pelo menos que seja boa!


Tema de abertura de "Les uns et les autres" - "Retratos da vida" no Brasil -, de Claude Lelouch, 1981

PS: Hoje à noite grande chuva de estrelas!

Vais por aqui. Estás a ver D. Sebastião? Não tem nada a haver!


E pronto!
Afinal, foi a ética que prevaleceu. Contudo, o homem, molecular talvez, resignado e contido também.

A voz quase trémula e o desejo pela escaramuça praticamente aniquilado, este não era, hoje (ontem), o animal político ao qual nos habituamos, durante quase 32 anos.

Hoje (ontem), homem de palavra mas, das palavras, o homem de sempre. Das palavras que parecem ir e vir, construindo a circunstância de todos os outros, dos quais, agora, alguns almejam o dictaphone e treinam habilidades várias, para o circo que se aproxima da cidade.

Coitadas das agências de rating: indispuseram o mundo, fizeram a América espirrar e constiparam a Europa. Dão, portanto, ao homem, a oportunidade de dar o peito às balas pelo seu Povo (Povo à beira de um ataque de nervos, na procura de soluções para evitar o colapso económico-financeiro destas frágeis ilhas, que não se resumem às finanças públicas) e, no entanto, nem a crise o salva, nem ele nos salva da crise.

Aprecio a coragem e valorizo quem pelo couro chora em bica.
Levanto-me por aquilo e ergo-lhe o braço: Eis o verdadeiro estadista! – digo. Que... usa o seu elevado sentido de estado para... recuar? E ficar... a gozar os rendimentos? – pergunto-me, triste.
Enfim, não me preocupo – há de gozar os que a crise lhe permitir.

Insistiram comigo pá e eu estive quase mas, ainda assim: I have to step down. O Kennedy dá-me aqui um jeitão bestial e, ainda fecundo, desacelero o passo. Afinal, I’m no longer a young boy. Deixai, por isso, vir a mim as criancinhas, pois, é delas o reino dos Açores.

Reino do qual republicanamente se retira, como um brigadeiro estelar na reserva mas, moral. Um certo guru da ética, ao qual poderão recorrer todos aqueles que, no exercício das tarefas que lhes forem superiormente distribuídas, virem as suas mãos sujas, como aquelas às quais se referiu, há dias, D. José Policarpo.

Espera lá!
Não sei porque me perdi com estes pensamentos. É que, sem saber bem dentro do que cabem elas, estas são questões internas, com as quais nós não nos devíamos preocupar. Tanto tempo, tanta ansiedade e, afinal, nada disto parece ter a menor importância.

Estarei enganado? Será isto uma ratoeira?
E se há tramoia? Escondida por detrás de tanta moral e bons costumes.

Essa agora, que disparate!
Ele nunca nos trocou as voltas... são as brumas.
Claro! Agora que penso melhor sobre isto... nós temos a rota, temos o mapa e o timoneiro. Ele, na nossa agenda, deixará de marcar e nunca mais nos condicionará.

E o 9500 é parte do paraíso...



Obrigado Ana Cristina Gil pelo quinhão do "paraíso" que nos atribui.

sexta-feira, outubro 7

Os Açores não são a Madeira

Carlos César termina mandato em 2012 e não se recandidata ao governo dos Açores
Ponto.

Qual é o jornal regional que é capaz de publicar 2 páginas sobre o filme "Sangue do Meu Sangue" e que com conhecimento do facto, é incapaz de gastar 50 caracteres para divulgar que o mesmo filme terá projeção na próxima 2ª feira pelas 21h30 no 9500 Cineclube - sala 2 do Cine Solmar - prestando assim um mau serviço aos seus leitores?

(...)
Grande filme português? Sim, sem dúvida. Mas não tenhamos receio de desafiar o nosso complexo de inferioridade e digamos, sem equívoco: grande filme. Ponto.
João Lopes, DN, 4 de Outubro de 2011

quinta-feira, outubro 6

...Eu hoje deitei-me assim !

O que tem descoberto ?
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Anna Calvi
"Que a música pode dar todas as respostas e colocar ainda mais perguntas".

Pedro Cabrita Reis

Para visitar a partir de hoje e até 30 de Novembro na Fonseca Macedo.

Tomas Tranströmer

Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
Subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!

"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho como um afectado
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.

A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos depois, peguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei?

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Desde a montanha

Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.

«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.

Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.

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Tomas Tranströmer - Prémio Nobel da Literatura 2011

RIP



Visionário, revolucionário, inovador, pioneiro - algumas das muitas palavras utilizadas para descrever Steve Jobs.

Morreu Steve Jobs

Foto Blugydesign

Pode até ser um exagero circunstancial mas o Mundo nunca mais foi o mesmo...

terça-feira, outubro 4

ESTREIA NACIONAL


SANGUE DO MEU SANGUE de João Canijo (2011)
2ª feira, dia 10, no 9500 Cineclube [Cine Solmar - sala2]

Limites

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Há limites para tudo. Limites para a desresponsabilização política do PS de César, e dos seus "delfins", pela hecatombe económica cujo fosso se cava cada vez mais fundo numa enorme vala comum onde se enterram falências a esmo. Limites para a repetida falsidade da nossa "saúde" financeira quando "toda a verdade" sobre as nossas finanças regionais está por revelar, escondida que está sob o véu das contas marginais ao orçamento regional por onde "sangram" milhões em sociedades comerciais que mais não são do que um prolongamento tentacular do governo regional. Limites para as paroquiais guerrilhas alimentadas por um culto de personalidade do líder do PS que institucionalmente enxovalham a região como a que, por exemplo, recentemente foi protagonizada pelo Presidente do Governo Regional que não quis representar os Açores, ao lado do Presidente da República, num importante acto de projecção nacional aquando da inauguração do Centro de Estudos Natália Correia, por sinal na Freguesia onde César reside e que tanto alardeia estimar! Com esse afecto enviou um substituto que ficou "aos papéis" e optou pela demagógica inauguração de um lanço das SCUTs que, no caso, mais não se tratou do que "cortar a fita" a meia dúzia de quilómetros de pavimento entre Vila Franca e…Vila Franca!

Limites também para o nepotismo à escala regional mas em registo dinástico, até com subliminar evidência fotográfica, em que o pater e "Querido Líder" César reúne com o filius familiae César, qual "Jovem General", em audiência no âmbito das propostas de plano e orçamento do PS ! Só faltou trocarem flores ao melhor estilo de opereta, num momento que lembra o lado mais piroso da Coreia do Norte, onde as "rosas", como a "kimjongilia", celebram alegremente o nome da família e da corte, quando tristemente a realidade social e económica até murcha qualquer "cravo" mais resiliente. Limites para a desfaçatez deste PS que confunde o partido com o governo e que alimenta um tabu. Limites também para, do outro lado, se prestar atenção ao suspense de um folhetim que não existe porque dele não há que temer em qualquer cenário. Limites pois para a novela e o enredo da sucessão de César como se os Açorianos fossem reféns deste PS feito à sua imagem e semelhança. Citando com inteira justiça um artigo de opinião de Luís Rendeiro no Diário Insular, aqui ao lado na Terceira, e com a propriedade de quem vive numa ilha tarjada de "cor-de-rosa" a verdade é também esta: "O PS de César amordaçou e amedrontou os Açorianos. Tanto, que se fez temer em vez de se fazer respeitar".

Para isto também é preciso pôr um limite. Mas, para lá do que se diz e opina, também há limites legais, que tarde ou cedo, são o sinal de stop a este desgoverno. Limites que nem decorrem daquele que diz magnanimamente ter escrito pelo seu punho a sua própria sentença, como o fez Carlos César, atirando à cara dos Açorianos essa falsa generosidade, com a norma limite para os mandatos do Presidente do Governo Regional dos Açores agora inclusa no Estatuto Político Administrativo da nossa região. Esse limite era já programático desde a revisão Constitucional de 2004 no "princípio da renovação" da nossa Lei Fundamental. Este é também um limite pelo qual "ninguém pode exercer a título vitalício qualquer cargo político de âmbito nacional, regional ou local" razão pela qual, seguindo o texto constitucional, importa "determinar limites à renovação sucessiva de mandatos dos titulares de cargos políticos executivos". Como se sabe não há nenhum tabu quanto à possibilidade de César pater ser recandidato a Presidente do Governo. Apenas uma farsa a que importa pôr um limite.
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João Nuno Almeida e Sousa na edição de 3 de Out. do Açoriano Oriental

Mais IVA?



E cá nos Açores, a onde será a reunião?