terça-feira, maio 23

recomendação de leitura



O Inferno do Condomínio, como sobreviver à vizinhança
Nuno Costa Santos e João Pedro Gomes
Gradiva

Vanitas vanitatum et omnia vanitas



Confesso que apesar de ser espectador frequente da Sic-Comédia depois do burlesco debate de ontem com Carrilho vou passar a estar mais atento às "sitcoms" (ou comédias de situação na língua de Camões) do Canal 1 da RTP. Com efeito, o circo de ontem na arena do prós e contras, "ao vivo e em directo", foi absolutamente hilariante e o estilo "non sense" de Manuel Maria rivaliza com os delírios dos Monthy Pitons no seu melhor.

Quanto ao narcisista Carrilho é caso para dizer que não tem emenda e representou o Partido Socialista no seu pior. Com uma desfaçatez de proporções homéricas Carrilho foi um estereotipo da repelente esquerdazinha caviar, cujo habitat natural oscila entre o "jet set" da cultura postiça e o "passe partout" da "beautifull people" que, de quando em vez, condescende em descer à terra para misturar o seu perfume com os odores subsovaquianos do povo...o que é aliás assaz frequente em época de campanhas eleitoral com as arruadas e as peixeiradas de feira. Apesar de tudo o povo ingrato não elegeu Carrilho - (e por arrasto a sua portentosa mulher e o infante Diniz Maria) - para presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Mal digerida a derrota Manuel Maria Carrilho atirou-se à escrita de um "best-seller" do estilo de Dan Brown. Surge pois a obra "Sob o Signo da Verdade" que dizem as mais línguas não passa de literatura de cordel cor-de-rosa. Em bom rigor o género literário mais próximo será o da literatura fantástica. Com efeito, o enredo desenrola-se a partir de uma teia conspirativa que armou um conluio para derrotar Carrilho. Imagine-se o tamanho do ego deste homem que acredita na existência de uma "associação criminosa" cujo objecto social é a sua derrota nas urnas! O argumento sucinto congrega um cartel de grotescos agentes imobiliários, mancomunados com tenebrosas agências noticiosas, que foram untando as mãos aos medonhos escribas e peçonhentos "opinion makers" da imprensa. Logo, para o imaculado Carrilho a sua derrota resultou de uma conspiração que instrumentalizou a comunicação social contra a sua campanha!

Miguel Sousa Tavares, um dos putativos conspiradores a juntar a uma extensa lista que inclui nomes de "comentadores ventríloquos" (para o usar o léxico de Carrilho) como José Pacheco Pereira ou Marcelo Rebelo de Sousa, escreveu hoje, no Clube de Jornalistas, que "Manuel Maria Carrilho foi derrotado não pelos comentadores mas pelos comentários que ele próprio atraiu sobre a sua pessoa. Um ano depois, continua, pelos vistos, sem ter percebido nada.". Tal conclusão explica e justifica o delírio do "complot" engendrado nas literatas meninges de Carrilho sempre deslumbrado com o espelho que reflecte a sua imagem e encantado com as luzes da ribalta cintilando na sua melena de intelectual de esquerda. Contudo, não imagino que estes ingredientes sejam suficientes para um pastiche Português do "Código Da Vinci" ou algo semelhante, mas seguramente serviriam para uma revista à Portuguesa onde Carrilho seria o cicerone de uma comédia aparvalhada onde todos se riem dos dislates da estrela de cartaz.

Quem não viu ontem o debate em registo de vaudeville por favor não perca hoje a reposição do mais recente descarrilamento de Manuel Maria na RTP-N à 1 hora e 30 minutos (hora de Lisboa).

"Cultura Viva"

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Foi com a bênção diocesana do Bispo de Angra que o actual triunvirato da Cultura Açoriana inaugurou, com pompa e circunstância, o Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado. Atenta a "coreografia" de estilo litúrgico, agregando no altar, em torno dos flancos de Carlos César, o ainda Director Regional da Cultura assistido pelo novel Director do Museu Carlos Machado, os mais incautos por certo comungaram da ideia de que tal feito havia nascido por obra e graça do actual executivo, porventura, coadjuvado pela beatífica intercessão do Padre Duarte Melo.

Ademais, a epístola oficial do Presidente do Governo Regional dos Açores, apostando num profético advento próximo de uma "cultura viva", tendo por objecto uma "política museológica" assente em "planos de abrangência regional", tinha o timbre de uma boa nova que fazia tábua rasa do antigo testemunho cultural do qual deriva o acervo agora "inaugurado".

Apesar de não se tratar das obras da "Igreja de Santa Engrácia" o certo é que a inauguração da renovada "Igreja do Colégio", e do seu espólio, constituem uma obra que decorre há mais de 30 anos. A sua inauguração é por isso um acto de justiça para com o passado. Recorde-se a propósito que no longínquo ano de 1973, mais concretamente a 30 de Abril, foi celebrada a escritura pública de doação ao Município de Ponta Delgada, da "Igreja de Todos os Santos", vulgarmente conhecida por "Igreja do Colégio". No citado documento os proprietários disseram que "de hoje e para sempre fazem doação pura e irrevogável à Câmara Municipal de Ponta Delgada da dita Igreja e, bem assim, dos quadros, imagens e outras alfaias religiosas existentes na dita Igreja e que os ditos doadores desejam que àquela Igreja fiquem vinculados para sempre.". Com argumentos formais e jurídicos tão veementes não causa espanto que o imóvel em causa, que acolhe o Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado, em parte substancial composto pelo lastro da referida doação, esteja nesta data inscrito na Conservatória do Registo Predial de Ponta Delgada a favor do Município! Na verdade, o auto de cedência ao Governo Regional, outorgado em cinco de Setembro de 1977, pelo Professor José Guilherme Reis Leite, à data Secretário Regional da Educação e Cultura, tinha já por afectação funcional constituir um anexo patrimonial do Museu Carlos Machado, pelo que, como não podia deixar de ser, a cedência foi "a título precário". Como se vê, afinal, concorreram para a referida obra não só o Governo Regional, este e o anterior, mas também particulares e o próprio Município de Ponta Delgada enquanto proprietário do imóvel e do acervo que lhe está indissoluvelmente ligado. Não querendo partilhar de iniquidades alheias é justo ainda que se refira o esforço, dedicação e desvelo do anterior Director do Museu Carlos Machado, Dr. António Oliveira, cuja participação neste projecto surge ofuscada pela vaidade de outros neófitos nesta peregrinação a favor da preservação do nosso património. Por outro lado, também é justo que se diga que durante largos anos, com justificações várias, também muitos concorreram para que a "Igreja do Colégio" tivesse sido enxovalhada com um abandono vil, chegando ao ponto de servir de depósito e estaleiro de obras, o que mesmo para o católico mais relapso não deixava de ser uma profanação.

Hoje, com a devolução à cidade de Ponta Delgada desta notável "Igreja do Colégio", parafraseando as palavras do Presidente do Governo Regional "estamos, assim, todos, de parabéns.". Queira a providência Divina iluminar os poderes instituídos com a percepção de que, de facto, estamos todos de parabéns, pois se a cultura não deve ter dono, então o património cultural deve ser comungado por todos, sem sectarismos, bairrismos, partidarismos, e demais "ismos" que só nos diminuem. Que se cumpra a promessa de Carlos César de mais e melhor "cultura viva".
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JNAS na Edição de 23 de Maio do Jornal dos Açores.
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segunda-feira, maio 22

Conferências do Casino

Uma reflexão sobre Portugal. Um ciclo reabilitado pelo CNC na comemoração dos seus 60 anos e parte integrante da Festa no Chiado. Impõe-se uma extensão (ou versão insular) às ilhas de uma iniciativa impulsionada por Antero.

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"o nosso comboio de capital açoriana da Cultura segue o seu destino sem abrandar a marcha e, felizmente, ainda incentiva a que outras locomotivas culturais proporcionem experiências que já vivemos de há oito anos a esta parte e que, só agora, por arrasto, foram implementadas em Ponta Delgada"
...eu opto por seguir de metro...

Este fim-de-semana visitei a recém-inaugurada Igreja do Colégio que de ora em diante albergará o Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado. A DRC e todos os técnicos envolvidos, nesta recuperação, estão de parabéns pela excelência do trabalho realizado, que beneficia e dignifica a cidade, a ilha e os Açores pela fruição de um imóvel Patrimonial admirável.

domingo, maio 21

"Tenho esperança de que a selecção nacional perca o mais rapidamente possível. É horrível ser constantemente bombardeado com notícias do futebol".
Saldanha Sanches no Correio da Manhã de 16/05/06

Assusta-me estar de acordo com Saldanha Sanches mas o assédio jornalístico em torno da Selecção Nacional e dos inúmeros diários (directos) do Mundial ultrapassam, em muito, os limites da Razoabilidade. É uma hipnose colectiva vendida como de um profundo sentimento nacionalista se tratasse!!!...

sábado, maio 20

FOODING Suplemento gastronómico francês, desenhado pela Change is Good, que põe à prova e propõe 289 restaurants, terrasses, auberges et bistrots testés dans toute la France. Publicado com a edição de 18 de Maio do Liberation.

quinta-feira, maio 18

NOT BANNED

last days...

Bons Exemplos



Assinalando a efeméride do Dia Internacional dos Museus recordo que também em matéria museológica Portugal é um País assaz bizarro.
Não! Não vou voltar aos enredos do priorado do Padre Duarte Melo até porque, na senda da prometida reforma do Museu Carlos Machado, o seu Director apresenta-nos hoje uma ousada e inovadora exposição de Arte Sacra! Confesso que apesar da truculência a que se prestam os fait-divers da política de sacristia, e dos correspectivos enredos de adro de Igreja, a minha estupefacção com a política cultural deste país não se queda pelas cercanias da sotaina de um Director de Museu mas, ao invés, é mais vasta e complexa do que a urdidura das santas e eclesiásticas vestes.

Recentemente, como bom Português, adoptei a económica divisa do "faça férias cá dentro" e abalei rumo a Lisboa com a família para as férias da Páscoa. Devidamente acomodados na capital da metrópole senti ser meu dever patriótico e paternal efectuar um tour histórico a bem da educação dos meus infantes. Quis o acaso que depois de um santo almoço de Bacalhau à Brás em Alfama, regado com vinho da Estremadura, desse comigo às portas do Museu Militar com a pretensão de ilustrar à descendência os feitos heróicos dos nossos egrégios avós. Foi com estupefacção que junto à aldabra dos pesados portões do antigo Arsenal Régio li um douto edital, assinado por um major, publicitando que por motivo da época quaresmal o museu estaria encerrado! Julgava eu que tão extravagante postura militar fosse excepção mas cedo me desenganei pois àquele boicote cultural juntava-se uma greve nacional dos funcionários dos Museus. O evento, obviamente, cobriu-nos de ridículo perante os estrangeiros que nos visitavam. Além do Museu Militar ainda tentei nesciamente mostrar aos petizes a glória dos Jerónimos, o que não foi possível devido à greve; Torre de Belém, ibidem; Museu Nacional de Arte Antiga, vulgo das «Janelas Verdes», idem?pelo que acabei por render-me à evidência que, ainda não seria desta, que cumpriria o dever educacional de deixar na memória dos meus filhos alguma estima histórica pela Pátria.

Em Espanha pude observar o anverso desta política cultural de museus negligenciados, encerrados ou em permanente remodelação. Recordo que em Santiago de Compostela, cidade Museu é certo, deparamo-nos com um feliz exemplo de dinâmica cultural e museológica. Na centralíssima Rua do Vilar estava patente um sortido do melhor que o acervo artístico do Estado Espanhol tinha para oferecer. El retrato español en el Prado. Del Greco a Goya era e é uma exposição itinerante do Museu do Prado, que oferecia ao visitante um friso cronológico dos melhores retratos do Prado que, de quando em vez, abandonavam a inércia dos salões do Prado e exibiam-se pelas províncias Espanholas. Assim, ao alcance de todos estava parte da colecção Nacional Espanhola de esplendorosos quadros de mestres como Velásquez, Goya, Zurbarán, ou de El Greco.

O certo é que para qualquer visitante Português a exposição tinha a grave pecha de ser abundante em reproduções pictóricas do rosto infame da linhagem prognata dos Habsburgos. Como bom Português senti algum despique em ser confrontado com uma ampla galeria de retratos de Filipe II de Espanha e I de Portugal, a quem, aliás, devia, por ascendência materna de D. Isabel, uma costela Lusitana. Esta terrífica criatura, austera e fria, foi o exemplo vivo do monarca absoluto e fervoroso adepto da Inquisição. Para consolo da alma Lusitana a sua prole não vingou e consta que este déspota e suserano imperial, faleceu coberto de vermes e de úlceras, depois dum doloroso e demorado sofrimento, no Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial que, como se sabe, tinha mandado erguer para glória futura da sua dinastia. Foi com este parco consolo, bem Portuguesinho por sinal, que sai da exposição lamentando que em Portugal não tivéssemos seguido certos exemplos de Espanha, entre os quais a prática de exposições itinerantes, inteiramente grátis, do nosso património museológico. Convenhamos, que afinal de contas longe vão os tempos dos adágios xenófobos do tipo "De Espanha, nem bom vento, Nem bom casamento." Pelo menos deixe-se que o vento traga bons exemplos ou então que se façam casamentos de conveniência com quem já mostrou saber lidar com o património cultural.
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

BANNED

Dizem eles que não é apropriado para as crianças verem...

quarta-feira, maio 17

E do outro lado do mar...



destaque regional para:
In The Wings of Ambition [Nas Asas da Ambição]
Portugal 2005, North America Premiere
Director(s): Mafalda Gameiro

um contributo fundamental para o

# CHERCHEZ LA FEMME

Por estes dias podemos encontrá-la neste júri - I love cinema and I could not deprive myself of movies one way or another, afirmou Monica Bellucci no início da 59ª edição de Cannes. Quem, também, não passou incólume foi o tão propalado Código que no final da sua world premiere foi descrito como um fiasco. Um inicio de Festival deveras promissor...

um Jardim de Incompatibilidades

"Como nós não vamos aplicar, eu não sei se Portugal continental ou o Estado central ainda têm barcos de guerra para ocupar a ilha"
"Bom senso"!? É algo que não existe mais a sul...

Bons ventos sopram de França






BLOGER EM AFINAÇÕES


terça-feira, maio 16

Dúvida

Em que apostam quando postam os blogers?



\?/
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o
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teoria(s) da conspiração

Foram hoje divulgados, pelo Departamento da Defesa dos USA, os vídeos com as imagens das câmaras de vigilância do Pentágono. Segundo as autoridades norte-americanas as imagens captam o embate do Boeing 757 numa das faces do edifício (!!!). Após alguns visionamentos não podia ter ficado mais esclarecido. A conspiração mora aqui. Sem, obviamente, esquecer a propaganda inerente. Acredite no que lhe aprouver.

Reporter X

Para além do Abandono, a que está sujeito durante grande parte do ano, a Esperança imposta por Antero agudiza-se neste período de festa que se diz cristã mas é sobretudo pagã.

segunda-feira, maio 15

o Mecenas Líbio

The US has ended a three-decade cold war with Libya and announced that it no longer considers the country a state sponsor of terrorism.

E ainda há quem veja nesta aproximação um claro interesse de Washington, para diversificar as suas fontes de petróleo, de que a Líbia é um dos maiores produtores mundiais. Afinal, neste ajuste de contas, Kadhafi é amigo, na justa medida em que omite os seus aliados terroristas para patrocinar em exclusivo the american way... A versão oficial higienizada.

Um ano de Jornal

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Há largos anos, mais concretamente há cerca de 20 anos (!), Viriato Soromenho Marques, hoje especialista Catedrático em áreas como a "Filosofia da Política, da Cultura e do Ambiente", veio aos Açores numa campanha promocional da leitura de Jornais. Naqueles verdes anos, pela mão do Prof. Sá Couto, uma vasta trupe de alunos da cadeira de Filosofia da Escola Antero de Quental participou animadamente na conferência que integrava um roteiro de propaganda do slogan "Ler Jornais é Saber Mais.". Era um dever de cidadania dizia-nos, e bem, o Prof. Sá Couto.
No momento em que escrevo mais uma crónica para o Jornal dos Açores que, por estes dias, comemora o seu primeiro ano de existência, recordo o slogan, a campanha, a cidadania, o debate, e sobretudo o fervor, a ambição, e a esperança próprias da juventude daqueles dias e que julgo ter sido também uma imagem de marca deste novo diário micaelense. Decorrido um ano de circulação entre nós do Jornal dos Açores este é também a materialização de que ler jornais é de facto saber mais e, simultaneamente, um combate diário contra a penúria das nossas taxas de leitura e uma insurreição contra a indigência de mentalidades já formatadas numa sociedade pouco dada ao contraditório. Mas, o "quid" editorial de um jornal que não está acomodado será sempre saber mais de quê?

Como leitor diário arrisco-me hoje a dizer que o Jornal dos Açores empenhou-se numa irreverência séria, apostando num jornalismo vivaz que prometia ser uma alternativa e não um complemento à imprensa diária já existente cujos pergaminhos de antiguidade era impossível negar ou sequer disputar. Hoje faço votos para que o Jornal dos Açores não malbarate os seus jovens talentos que, apesar de "serem daqui", nada ficam a dever a algumas estrelas estrangeiradas dos "media" que por cá gostam de se pavonear. Volvido um ano de vida deste Jornal é tempo de felicitar o empenho pessoal de João Paz, Nuno Mendes e do José António Rodrigues. A estes "três mosqueteiros", responsáveis pela defesa do projecto editorial deste Jornal, juntou-se uma jovem equipa de jornalistas cujo mérito principal é acreditar diariamente em mais uma edição do Jornal dos Açores.

Como cronista convidado tenho página reservada à terça-feira desde 17 de Maio de 2005 cujo caderno de encargos tem por obrigação a liberdade de expressão e a participação cívica devidamente temperadas q.b. com ironia e algum humor que alguns, infelizmente, confundem com sarcasmo. O certo é que foi com elevado sentido de responsabilidade que honradamente aceitei o convite da redacção do Jornal dos Açores para assinar uma crónica semanal. É particularmente gratificante possuir inscrito o meu nome no rol de notáveis cronistas deste Jornal como o são, por exemplo, André Bradford, Carmo Rodeia, Emanuel Carreiro, José Borges, Jorge Macedo, Mário Abrantes, Paulo Belo Maciel, Paulo Noval (cito-os por ordem alfabética e não por ordem de preferência pessoal como é óbvio). Com estas palavras não pretendo olvidar o balanço de um ano de escrita, o que farei por imperativo de consciência, até porque, palavras o vento leva e só a escrita fica, mas este é apenas o momento de felicitar o Jornal dos Açores e com estima fazer votos de produtiva longevidade. O futuro reserva-nos outras edições cujas páginas estão ainda em branco mas, parafraseando as palavras do Director, nesta nau «com garra, tenacidade e determinação, vamos navegando na escrita à procura de um porto seguro.».
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JNAS na Edição Especial de 16 de Maio do Jornal dos Açores.
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domingo, maio 14

















Depois de ler algumas entradas destes livros, percebi que nada sei sobre os assuntos em questão.

Abril antes de Abril


General Humberto Delgado durante a campanha presidencial de 1958


Lembrar é, também, uma forma de homenagem e nestes tempos em que a memória se torna selectiva é imperioso lembrar ainda mais. "Obviamente demito-o" disse Humberto Delgado a propósito de Salazar, viria a morrer por isso e essa morte horrível corporiza o que de mais abjecto tinha o regime que durante mais de quarenta anos dominou Portugal. Humberto Delgado, o General sem medo, foi Abril antes de Abril.

Reporter X

Sunday Postcards Pôr do Sol na Ferraria. São Miguel. Açores. Abril 2005.

Contributo para o CHERCHEZ LA FEMME

CLIQUE NA IMAGEM PARA REDIRECIONAR*


sábado, maio 13

Costumo vaguear online pelas múltiplas páginas da Greenpeace e foi com agrado que registei a presença, nos Açores, do Esperanza. A equipa de cientistas residente, que percorre o globo exaltando a necessidade da preservação dos Mares, destacou o trabalho que tem sido realizado nas ilhas. Mas, se no Mar tem existido um esforço para a salvaguarda das cotas de pesca e da não intrusão das grandes frotas pesqueiras europeias, persiste em terra um desafio - o de preservar e de coexistir em harmonia com o Frágil ecossistema que nos rodeia. Actualmente, e para o futuro que se avizinha, está amplamente instituída uma lógica de ganância económica sustentada nos benefícios assentes na Natureza dita intacta, cuja posição se revela cada vez mais fragilizada e encurralada pelos planos que lhe têm sido propostos. Sem, no entanto, ter sido auscultada em todo este processo. E nesta oferta desmesurada (= betão + construção civil + crescimento urbano desenfreado não planificado + novos percursos rodoviários desenquadrados) e ambiciosa estará porventura o fim de uma coexistência pacífica (e o esgotar de um recurso diferenciado). O futuro ambiental dos Açores requere medidas bem mais penalizadoras do que as instituídas e uma população atenta e sensível (+ educada civilizacionalmente pró-ambiente). Não sei se podemos exigir Respeito pela Natureza àqueles que nos visitam se as populações das ilhas pouco respeito cedem à Natureza (!!?/uma generalização abusiva, concerteza). O equilíbrio depende das medidas instituídas pelo Governo/Municípios e pela atitude responsável de cada um de Nós. Aqui apetece-me gritar (numa fuga ao cliché instituído) - Merecíamos Melhores Cidadãos !...

Muitas páginas se vão escrever...















While in Paris on business, Harvard symbologist Robert Langdon receives an urgent late-night phone call: the elderly curator of the Louvre has been murdered inside the museum. Near the body, police have found a baffling cipher. While working to solve the enigmatic riddle, Langdon is stunned to discover it leads to a trail of clues hidden in the works of Da Vinci -- clues visible for all to see -- yet ingeniously disguised by the painter. Langdon joins forces with a gifted French cryptologist, Sophie Neveu, and learns the late curator was involved in the Priory of Sion -- an actual secret society whose members included Sir Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo, and Da Vinci, among others. In a breathless race through Paris, London, and beyond, Langdon and Neveu match wits with a faceless powerbroker who seems to anticipate their every move. Unless Langdon and Neveu can decipher the labyrinthine puzzle in time, the Priory's ancient secret -- and an explosive historical truth -- will be lost forever.


















A famous museum... a shocking murder... a distinguished symbologist... an alluring cryptologist... secrets written in code.
No, it's not that "other" story.

When the curator of The Norman Rockwell Museum in Stockbridge, Massachusetts, is murdered, the police desperately need help with the investigation. Langford Fife, Professor of Symbology at Stockbridge Community College and the son of a certain Deputy Sheriff from Mayberry, North Carolina, is called to the scene. He may have received his degree in symbology through a correspondence course but he's "just as competent as those high-falutin' professors from Harvard with their fancy sheepskins from accredited schools." With cryptologist Sopha Poisson of the Quebec Secret Service, Langford sets out to uncover the clues hidden in the paintings of Norman Rockwell... clues which will lead them to a secret society, a legendary bloodline and a battle with sinister forces.

quinta-feira, maio 11

#9 no Top 10!

Top Net
São estes os dez sites açorianos mais visitados na net, segundo o apuramento feito a 8 de Maio passado (o número abaixo de cada site indica o lugar que o mesmo ocupa no ranking mundial do "www.alexa.com":

01. www.acores.com
89.606

02. www.jornaldiario.com
160.296

03. www.azores.gov.pt
174.620

04. www.viaoceanica.com
230.535

05. www.acores.net
282.960

06. www.auniao.com
381.128

07. www.expressodasnove.com
541.626

08. www.diarioinsular.com
609.836

09. www.ilhas.blogspot.com
737.041

10. www.jornalacores.com
885.540
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via Expresso das Nove
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Azores Fashion Week - 2006 -

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Isabel Figueira, Nayma, Soraia Chaves, e um largo et cetera de fashion-teasers são algumas das... "supermodelos" (à falta de adjectivação conforme com o código de boas maneiras deste blog) que por estes dias, à conta do Azores Fashion Week 2006, vão incensar as paisagens cá do burgo.

Porventura, não foi fácil aliciar estas soberbas criaturas para desfilarem nas nossas passerelles, cujo cartaz habitual não passa do habitual monsters ball (o.s. a vulgar parada de monstros) que semanalmente exibe as suas silhuetas de torresmo regional nas páginas da revista Açores e demais concorrência. Mas, «Felizmente conseguimos chegar aqui» cfr. disse um satisfeito e impante Hermano Cabral, director executivo da K Açores que organiza o evento. Apre, imagino o esforço titânico e extenuante que terá sido trabalhar para esta nobre causa! Mas, mutatis mutandis, parafraseando o poeta: «Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.»

Queira a providência que todo este esforço não seja em vão. Aliás, a bem da raça queira nosso Senhor que algumas das beldades se deixem embevecer pelo pulsar das nossas ilhas e aqui fiquem cativas de corpo e alma. Imagino os frutos da miscigenação com estas gazelas da passerelle e o bem que fariam ao aperfeiçoamento da raça autóctone. Enfim, lá diz o povo que a Esperança é a última a morrer. Mas também consta da crendice popular que a Esperança é Verde o que no caso de uma Isabel Figueira à la Sporting é bem capaz de ser verdade.
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posted by João Nuno Almeida e Sousa
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Portugal não é a Sicília

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Portugal não é a Sicília, mas o certo é que este post, que abaixo transcrevo com a devida vénia, deixou-me circunspecto a pensar nas analogias. Em suma: excelente e pertinente prosa do Dr. José Francisco Moreira das Neves no Joeiro.
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«A propósito do crime organizado Baltazar Garzón, em "Um Mundo Sem Medo" narra uma estória que era contada pelo juiz Falcone e que corre mais ou menos assim: para atingir os seus objectivos políticos, numa capital de distrito siciliana, a cerca de dois meses das eleições locais, a máfia cortou radicalmente o fornecimento de heroína na região. Como consequência imediata aumentaram os preços dessa substância no mercado, o que por sua vez fez disparar o número de assaltos a casas e pessoas. Estas começaram a queixar-se do aumento da insegurança. E a máfia, puxando uns cordelinhos, cobrando uns favores, amplificou essas queixas na comunicação social. Certo é que no dia das eleições o partido dessa "malta", que havia inscrito no seu programa o fim da insegurança, ganhou. Logo que a vitória foi alcançada abriu-se de novo a torneira da heroína, o que fez baixar os preços e sequentemente o número de assaltos. Aparentemente a delinquência diminuiu. Mas a de colarinho branco, aquela que por ser invisível ninguém dela se queixa, aumentou sub-repticiamente. Chegou a hora de cobrar as sinecuras pactuadas: contratos, concessões, obras públicas, etc.
Parando para reflectir sobre a narrativa fica o burro a pensar: mas onde é que eu já vi isto?
Portugal não é a Sicília. Certo. Nem nunca aqui algum dia se falou de máfias. Certo. Falham as premissas!
É verdade que se vão ouvindo uns quantos (poucos) subversivos referirem, por exemplo, que esta converseta dos privilégios, da falta de produtividade dos trabalhadores e da falência do sistema de previdência, assacada a quem trabalha, a quem paga impostos e a quem toda a vida descontou para a segurança social, desvia as atenções das verdadeiras mordomias a que, evidentemente, só se acede por cartão (nas empresas públicas e participadas, nos institutos públicos e nas empresas privadas dos amigos, para onde se vai depois da "vida pública"). Também não se compreende bem, dizem, porque é que a maré de sacrifícios e de verdade "nas contas públicas" ignora as reformas (verdadeiramente) milionárias ao fim de meia dúzia de anos (ou menos), os lucros fabulosos da banca e não acaba com a lavandaria (off-shore) da Madeira. Lembram ainda a ameaça que uma vez um alto dirigente fez em público, dizendo que quem se metia «com eles» levava? Parece que alguns "deles" se terão portado mal e foram mesmo incomodados. Verdade verdadinha é que mal "eles" chegaram ao poder e logo, talvez por acaso, os primeiros «privilegiados» visados foram os juízes. Também referem que esta coisa de qualquer bicho careta, jornalista, comentarista, economista ou qualquer outro "ista" pouco mais que analfabeto passar, num repente, a especialista em questões de justiça, lhes parece um pouco estranho.
Mas nem Portugal é a Sicília. Nem nunca aqui algum dia alguém falou de máfias. Falham as premissas.»

José Francisco Moreira das Neves.

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quarta-feira, maio 10

Alta Fidelidade *

Gotan Project - Lunático (Ya Basta!, 2006)

Com datas marcadas para Julho nos Coliseus de Lisboa e Porto o projecto Gotan Project regressa a Portugal para promover o 2º disco de "originais" - Lunático.

5 anos após o sucesso mundial do álbum de estreia La Revancha del Tango, de inúmeros concertos pelo globo e com cerca de 1 milhão de discos vendidos, os Gotan Project (o trio internacional, composto pelo guitarrista argentino Eduardo Makaroff e pelos produtores parisienses Philippe Cohen Solal e Christoph H. Müller, com sede sonora em Buenos Aires), marcam presença com uma aproximação às raízes do Tango.

Os Gotan Project partiram de uma ideia genialmente simples e inventiva - a fusão entre as novas tendências da electrónica e a sua mistura com as componentes orgânicas do tango tradicional. Este novo registo repete a dose e inspira-se numa lenda de Buenos Aires - Carlos Gardel, cantor e actor celebrizado pela sua divulgação do tango. Atribuíram ao título do disco o nome do seu cavalo de corrida - Lunático (justamente!!!).

Mas, como os tempos associados à indústria musical não estão de feição, a acutilância estética é menor do que em La Revancha del Tango. Pelo que, neste regresso, os Gotan Project elegeram solidificar a sua base de apoio, numa clara aproximação com o seu público. Em Lunático o risco é calculado mas não devemos abandonar a esperanza aos argumentos lançados por este trio que se propôs regenerar o som do tango. Um disco seguro e conceptualmente melancólico.

* crónica semanal publicada no suplemento SARL/Jornal dos Açores de 05.05.06
** Proposta disponível na discoteca DISREGO (CC Parque Atlântico)

terça-feira, maio 9

essencial para acompanhar a dobradinha do próximo domingo


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tea time

...para que nada fique na mesma para sempre.

...Por enquanto tudo na mesma.

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«É preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma» disse-o sabiamente Lampedusa num axioma que serve à justa na recente afinação operada no Governo Regional, cuja expectativa de remodelação foi, afinal, um verdadeiro flop. Mas, nem poderia ser de outra forma, pois a calibragem efectuada na distribuição de poderes no Governo Regional é feita com os mesmos ingredientes existentes há cerca de dez anos. Resta à propaganda do costume apostar na aparência de mudança e dinâmica quando, afinal de contas, tudo fica na mesma, porquanto, no elenco do Governo Regional permanecem as mesmas personagens dos episódios antecedentes e o script é apenas mais do mesmo.

Assim, com o mesmo casting e o mesmo enredo, as cenas dos próximos episódios da Governação Socialista não prometem quaisquer novidades. Claro que de vez enquanto há uma estrela da companhia que improvisa um registo diferente, sem que, contudo, cause qualquer abalo na estrutura da narrativa que soma e segue. O caso de Manuel António Martins, agora apelidado de tresloucado, mas outrora homem de confiança do PS, é um bom exemplo de que mesmo dentro do PS nada muda. Com efeito, ao invés de se aprofundar o debate do caso político de Manuel António Martins, o PS prefere o silêncio e o adiamento do contraditório para as calendas gregas de um julgamento sine die ! Fica assim à superfície a suspeita de que o caso de Manuel António Martins indicia uma estratégia de hegemonia da sociedade Açoriana pelo Governo do PS que aposta em estar presente em todas as instâncias de poder da sociedade civil. Como não houve qualquer debate ou inquérito parlamentar fica por esclarecer se as acusações de Manuel António Martins se reportavam a um caso isolado ou, ao invés, eram moeda corrente de gestão pela mão do anterior homem forte do PS junto da lavoura Micaelense. Cá por mim o pior deste estado de coisas, mesmo se dermos de barato que as acusações do ex-deputado Socialista têm pouco para debater, é que vivemos mergulhados num marasmo em que nada de substancial se debate! Nem "Portas do Mar", nem SCUT´s ou sequer as vicissitudes da gestão pública da rede de transportes aéreos além-mar ou marítimos inter ilhas.

Quem beneficia deste status quo é claramente o poder instituído que, numa cultura de silêncios, vive sem sobressaltos, programando na sua agenda as cenas dos próximos capítulos com absoluta indiferença pela crítica. Contudo, o pior que pode acontecer a qualquer poder é o desprezo pela crítica, quer de quem faz parte do elenco, de quem saiu da "entourage", ou de quem é mero espectador do palco da política. Por vezes o deslumbre narcisista dos poderes instituídos é de tal ordem que a companhia sobe à cena ainda extasiada com os níveis de audiência e popularidade que tinham no início do cartaz, sem que contudo perceba o desinteresse do público e o desalento dos dissidentes. Porém, no mundo das vidas reais, designadamente, da "realpolitik", nada fica na mesma para sempre.
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JNAS na Edição de 9 de Maio do Jornal dos Açores.
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segunda-feira, maio 8

Faça-se você mesmo




















http://www.vexatori.de/zib/spstudio.html
Terminado o campeonato de matraquilhos, deixo-vos a ementa a ser servida com todos os ingredientes, no próximo domingo pelas 17h.**


Dobrada à moda do Porto



Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

Álvaro de Campos

** No Jamor

Uma dobradinha QUENTE era o que eu agora precisava para atacar esta gripe.

enviado:especial

Segundos é melhor do que terceiros (e assim sucessivamente). Uma entrada do Enviado Especial:Alexandre Correia.

domingo, maio 7

HIM de Maurizio Cattelan é uma das obras expostas no Palazzo Grassi (antigo centro de exposição internacional de Giani Agnelli, o fundador e presidente de Fiat), em Veneza. Este espaço irá albergar a colecção de arte do bilionário françês François Pinault (proprietário da Fnac, Printemps, La Redoute, Christie's e +++). A obra de reconversão/renovação foi projectada pelo arquitecto japonês Tadao Ando. Em França a polémica. Por via Actual.

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Sandro Ghit

união de facto

Garantidamente!!! Uma Marretada com carácter premonitório...

e o futuro também passa por aqui.











Depois de "Sonho de Uma Noite de S. João", co-produzido por uma produtora nacional, neste caso a espinhense Appia Films, Portugal faz mais uma incursão na longa metragem de animação.
Com estreia marcada para Outubro, "De Profundis" com argumento e realização de Miguelanxo Prado, conta com a participação da lisboeta Zeppelin Films produtora de "A Suspeita" de José Miguel Ribeiro.

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Todo o passado está aqui...

















Time Out: Film Guide 2006
16.000 filmes referenciados
1766 páginas - ?31,50 euros (fnac) ; $18.87 (amazon.com)

O futuro da novelas gráficas?



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Alta Fidelidade *

Skalpel - Konfusion (Ninja Tune)

Movendo-se pelos sons "tradicionais" do jazz - Made in Poland - a dupla Marcin Cichy e Igor Pudlo tem vindo a reinventar o espírito dusty e smoky do jazz do seu país tal como era tocado nas décadas de 1960 e 70, quando era considerada uma música "underground" e de protesto contra o regime comunista (absolutista) vigente. Protagonizam um som baseado no jazz old school e em breaks. A sua descoberta dá-se por intermédio de DJ Vadim numa das suas incursões pelo leste europeu e foram de imediato recrutados pela editora londrina - Ninja Tune (a residência de inúmeros projectos como Coldcut, Amon Tobin, Bonobo, Mr. Scruff, entre muitos outros). E, desde então, têm lançado inúmeros ep's e um 1º álbum com o titulo homónimo de - Skalpel. Konfusion marca o regresso dos Skalpel, à edição em grande formato, numa abordagem mais obscura, em que as batidas se apresentam de forma mais espaçada, envolvendo todo o disco numa aura espessa. Este novo registo apresenta-se como o lado B do disco de estreia. Como notas dominantes - predomina a linha de baixo melódica, o sax etéreo e o piano. Konfusion não é um objecto de mera fruição mas composto com o intuito de solidificar a confiança criativa (e estética da dupla). O press release da Ninja é suficientemente esclarecedor na definição de Konfusion, senão leiam: "Very much one for jazzers, beat heads and strong cigarette smokers".

* crónica semanal publicada no suplemento SARL/Jornal dos Açores de 21.04.06
** Proposta disponível na discoteca DISREGO (CC Parque Atlântico)

sábado, maio 6

ÍCONES DO SEC. XX - # 7

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Sigismund Schlomo Freud, ou simplesmente Freud, foi e é indubitavelmente um ícone do Século XX. Em suma: um verdadeiro sex simbol do Século passado. Nado em Frieburg, na obscura Morávia, viveu a maior parte da sua vida em Viena acabando os seus dias em Londres, nessa intemporal Pátria da Liberdade que é a Inglaterra sempre pronta a acolher os exilados de Nações vítimas de derivas totalitárias.

Freud foi pela sua obra e personalidade uma figura fascinante do Século XX, cujo legado é ainda hoje motivo de acesas polémicas académicas. Contudo, a sua obra e a mestria das suas teorias causaram verdadeiros abalos sísmicos na vida do homem comum. A doutrina Freudiana corroeu os alicerces dominantes do positivismo e do livre arbítrio que, no Sec. XIX, tinham sido elevadas à categoria de sacrossantos dogmas explicativos da acção humana.

Com a «Interpretação dos Sonhos»(1900), obra seminal de Freud, este fundou a psicanálise cujas coordenadas plasmou num livro que é ainda hoje um dos mais importantes best-sellers do Sec. XX. Na «Interpretação dos Sonhos» Freud teorizou e sistematizou as bases da psicanálise advogando que na patine dos nossos sonhos encontramos a estrada para a dinâmica do subconsciente que motiva e justifica a nossa psique. Mas quem foi Freud por detrás do ícone?

Resumidamente : Em 1873 Freud era apenas mais um aluno que ingressava nos bancos da Faculdade de Medicina da Universidade de Viena obtendo a respectiva licenciatura em 1881. Logo no ano seguinte desposou Martha Bernays cuja fecunda união deixou uma vasta prole de seis filhos, entre os quais Anna que seguiu as pisadas do pai assumindo também a carreira de psicanalista. Em 1895, conjuntamente com Josef Breuer, publicou os «Estudos sobre Histeria» que seriam um ensaio para a obra maior de 1900 que, como se disse, é a «Interpretação dos Sonhos». Nesta obra, que se pretendia de carácter científico, Freud teorizava que os sonhos são manifestações de pulsões sexuais reprimidas durante a infância. Mas, a psicanálise levou-o mais longe e na obra «Psicopatologia Quotidiana» (1901) defendeu a possibilidade da construção de memórias falsas reportadas à infância. Assim, parte do nosso imaginário seria falsificado e incompleto, ou até deslocado em termos temporais e espaciais, por camadas subsequentes da nossa vivência ou até pelos constrangimentos morais e sociais do Superego.

Contextualizar hoje Freud é aceitar que falamos de um homem que esteve na vanguarda do Sec. XX. Mas o Dr. Freud era também uma criatura de comportamentos obsessivo-compulsivos. Com efeito era um dandy e um maníaco do asseio, pelo que, era diariamente visitado por um barbeiro que lhe tosquiava as pilosidades de que tanto se vangloriava. Era supersticioso e um colector compulsivo de estatuetas antigas que idolatrava com fervor museológico. Por outro lado, tinha por vício o consumo desmesurado de charutos, que continuou a fumar mesmo depois de ter sido violentamente intervencionado cirurgicamente a um cancro da boca, do qual, aliás, não sobreviveu. Mas até na morte Freud foi vanguardista pois assumiu conscientemente a eutanásia com uma overdose de morfina. Nada que cause grande espanto pois a sua relação com as drogas remontava ao início da sua carreira clínica onde fez uso e abuso da maldita cocaína para fins «terapêuticos», até que, com a morte de um companheiro de «terapia», deu conta dos efeitos colaterais que rotulou como «cocaine psychosis».

Com ou sem cocaína, Freud transformou-se num ícone popular com as suas teorias sobre o desenvolvimento psicosexual, sendo inclusivamente pioneiro na investigação da sexualidade infantil, teorizando que o desenvolvimento sexual da criança segue por etapas, desde a gratificação oral, própria da amamentação, até ao período fálico onde a criança se defronta com o complexo de Édipo (ou de Electra no caso das meninas) que, para Freud marcava a nossa existência. A propósito em «Moisés e a Religião Monoteísta»(1938) disse que «um herói é quem se levantou corajosamente contra o seu pai, acabando por vencê-lo».

Enfim, para Freud o ser humano nasce «polimorficamente perverso», pelo que, a libido, naturalmente, tem múltiplos objectos que são fonte de prazer. Contudo, apesar dessa liberal percepção da sexualidade, Freud não foi particularmente simpático a propósito da psicologia feminina, pois acreditava que as mulheres eram uma espécie de subproduto da natureza, porquanto, a falta de um pénis faria delas um arremedo de macho mutilado em permanente conflito de aceitação da sua condição, o que em casos agudos poderia resvalar na indefinição misógina.

Freud sempre acreditou que as forças que comandavam a nossa natureza tinham por ascendente a energia libidinosa de Eros e a percepção de mortalidade de Thanatos. Porém, na concentração de forças opostas dos instintos primários do Id, em luta permanente com os out-puts da moral dominante do Superego, o desafio do ser humano residia em lograr alcançar um Ego forte e saudável.

Mas, uma das maiores pechas da teoria Freudiana reside em reduzir a conduta humana à condição animalesca de seres sexualmente condicionados. A outra foi ter tido a pretensão de aplicação Universal das suas teorias esquecendo as suas próprias palavras pois disse e bem que «devemos lembrar-nos de que o provável não é necessariamente certo, nem a verdade é sempre provável.» (in «Escritos sobre Judaísmo e Anti-Semitismo» Editados entre nós pela Ed. Vega.)

O capítulo final da vida de Freud é contemporâneo do nazismo. Assim, com a subida ao poder de Hitler um Judeu iconoclasta e influente como Freud era um alvo a abater. Após os eventos da «noite de cristal» Freud ironiza: «Grandes progressos alcançou a humanidade. Na Idade Média teria sido queimado. Actualmente os torcionários satisfazem-se queimando os meus livros.» Porém, a besta nazi não era motivo de ironia e sarcasmo, mas de profunda inquietação e Freud arriscava-se a ser literalmente queimado como os seus livros. Mais tarde, com a Anschluss da Áustria, Freud, à cautela, exilou-se em Londres e num escrito sobre «Anti-Semitismo na Inglaterra» escreveu com desalento o seguinte: «Cheguei a Viena, quando tinha quatro anos. Depois de setenta e oito anos de assíduo trabalho tive de deixar a minha casa, vi dissolver-se a sociedade científica que eu tinha fundado, as nossas instituições destruídas, a nossa editora ocupada pelos invasores, os livros que eu publicara reduzidos a polpa, os meus filhos expulsos das suas ocupações. A perseguição actual não deveria, antes, dar lugar a uma onda de simpatia?»

Faleceu pouco tempo depois em Setembro de 1939 sem antever a vitória dos Aliados e da Liberdade sobre o horror do holocausto.
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Freud nasceu a 6 de Maio de 1856.
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posted by João Nuno Almeida e Sousa.

Para acabar bem o dia...

ou começar bem a noite,













RTP2 - HOJE 23h45 (locais)
MASSIVE ATTACK - COLLECTED


"Collected é a celebração da obra dos Massive Attack.
Grupo britânico de Bristol, onde nasceu o género que se alastrou por toda a Europa, no inicio dos anos 90: o trip-hop. A sua música conquistou a cena mundial e Portugal assistiu e participou nas várias idades do grupo, assimilando a hipnose da sonoridade, perpetuando o culto de uma das bandas mais acarinhadas pelo público nacional. No programa que a 2: produziu e estreia em exclusivo, poderá assistir aos os maiores êxitos do grupo, com a videografia ímpar dos Massive Attack."


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sexta-feira, maio 5

I Wish I Could !

Reporter X

6ª feira solarenga.

A minha vila tem uma sala de cinema...











Anunciado como o primeiro filme de terror português, e com honras de inauguração do último Fantasporto, "Coisa Ruim" está em exibição no Cine Teatro Miramar, em Rabo de Peixe, até domingo dia 7.

Apesar de começar e terminar com um exorcismo, "Coisa Ruim" não é um filme de terror.
Com um ritmo interessante, uma muito boa fotografia e alguns excelentes detalhes narrativos e visuais "Coisa Ruim" é, e apesar de todas as evidentes influências - que criam a sensação de "dejà-vu" - e do desfecho precipitado, um bom filme perceptivelmente português que merece ser visto.

http://www.coisaruim.com/



PS1: De susto, só mesmo o verde alface das cadeiras.
PS2: O meu amigo Mário Reis acaba de me enviar, entre outras pérolas, a curta "Sombras de Thule" realizado pela etic, que vem rotulado como o 1º filme de terror realizado por uma escola.
Esta curta e outras curtas serão notícia dentro de dias.


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o


O Lado B do Cherchez la Femme # 9



Candy came from out on the island,
In the backroom she was everybody's darling,
But she never lost her head
Even when she was given head
She said, hey baby, take a walk on the wild side
She said, hey babe, take a walk on the wild side
And the coloured girls go, doo doo doo, doo ...


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A Bettie do Mr. Riley, e demais acólitos devotos, é sem dúvida um ícone do Sec. XX. Fica aqui o postal do Lado B que até é soft se tivermos presente o portfolio da diva. Amanhã prometo mais um sex-simbol do Sec. XX.
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

quinta-feira, maio 4

citação

"Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo, porque estará sempre perdido como merece. Nós todos é que precisamos que nos salvem dele."

Jorge de Sena. Carta a Sophia, 20 de Dezembro de 1962, Araraquara, São Paulo.

in Correspondência Sophia & Sena 1959-1978 Ed. Guerra & Paz

a post for my mate Riley


Yulia Tymoshenko

CHERCHEZ LA FEMME #9



Bettie Page, a.k.a. The Tease from Tennessee

A senhora ainda existe, mas já se retirou da vida artística há muito tempo e, portanto, não levará a mal que revele aqui a sua idade. Betty Mae Page nasceu em Nashville, Tennessee, a 22 de Abril de 1923. Para muitos, o Tennessee é famoso por três ordens de razões: o álcool que lá se destila, de seu nome Jack Daniels (a propósito, as destilarias do Estado vizinho, Kentucky, produzem um bastante melhor, o Wild Turkey); o Festival de música country, que Robert Altman ajudou a popularizar na Europa com o filme Nashville; o estimável Senador Al Gore, vítima romântica do sistema eleitoral americano em 1999, às mãos do colégio eleitoral do Estado da Florida, governado por Jeb Bush, o irmão badofa do George W., que foi parar à Casa Branca com menos votos que o seu competidor directo. Lembram-se?

Falando de coisas mais agradáveis, a Bettie Page foi a Pinup Queen do pós-guerra e, da Coreia à Trafaria, a perfeita encarnação da She-Devil que endoideceu a geração do meu pai, uma geração de estimáveis cavalheiros que se organizavam em Clubes de Fotografia para fixar em sais de prata os seus fetiches imaginários. O corpo de Bettie, que não era loira e tinha o canudo de professora de Inglês, adequava-se que nem uma luva às fantasias dos fotógrafos amadores e foi daí que ela saltou para as capas das revistas, da Playboy à banda desenhada, onde o grande mestre do desenho anatómico feminino, Alberto Vargas, a imortalizou como o ícone flamejante do erotismo moderno. E, de facto, bem vistas as coisas, ao pé dela a Marilyn Monroe parece uma vagem de baunilha, a Madona Ciccione foi lá beber todo o quadro conceptual Sado-maso e até a Uma Thurman, rapariga que levo muito a sério, lhe copia por vezes a franjinha de colegial perversa.

Enfim, sirva ao menos esta posta para restaurar os créditos perdidos da senhora. Uma nota final de alguém que confessa a sua fraqueza pelos lados Bês da vida: The Real Bettie Page. The truth about the Queen of the Pinups, foi das poucas coisas que comprei na pretérita Feira do Livro em Ponta Delgada. Custou-me 0.95 cêntimos e, ainda por cima, era servido em hardcover. Dois vivas à Cultura Popular.

A Ordem dos Arquitectos apresentou o Inquérito à Arquitectura do Século XX em Portugal no passado dia 27 na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e a respectiva Base de Dados Digital que alojará a informação relativa ao IAPXX. O site disponibiliza toda a informação contida nas 6112 fichas que foram levantadas ao longo dos 32 meses deste projecto, bem como 82.328 fotografias tiradas pelas seis equipas que percorreram o país. Toda a informação relativamente às obras está geo-referenciada e a base de dados é pesquisável através de diferentes critérios de busca. O site está aberto a sugestões, contributos e correcções que possam ajudar a rectificar a informação. A foto, em destaque, representa a Casa de Raul Lino (1928), sita à Avenida Gaspar Fructuoso, em Ponta Delgada, que na espuma destes dias é alvo de obras de reenquandramento e/ou recontextualização urbanística (somos óptimos a anular Património em detrimento de monólitos inconsequentes!!!). Um caso a acompanhar com Apreensão. O Expresso anunciou, na edição do passado fim-de-semana, um cd-rom com esta extensa recolha do inquérito à arquitectura portuguesa do séc. XX mas, para fugir à regra, a coisa ainda não chegou às ilhas...

quarta-feira, maio 3

O Lado B do 25 de Abril


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Publicado o post «Cantigas de Abril» confesso que já esperava o habitual coro de impropérios e vozes de falsas virgens ofendidas acusando o mesmo ser um vil ataque à memória de Abril! Como pauto o meu conceito de democracia pela bitola da Liberdade pouca mossa causaram as confirmadas expectativas dos comentários pouco abonatórios que foram feitos. Não quero contraditar opinião diversa da minha que respeito e aceito... embora em matéria de Liberdade de consciência não pode valer nunca a tirania da maioria. Mas, por respeito a essa opinião oposta à que expressei no post em causa, cabe-me apenas esclarecer, quem eventualmente não quis ficar esclarecido, que o texto versava somente sobre o Lado B do 25 de Abril, porquanto, sobre o Lado A não faltam trovadores de serviço à causa.

Posto isto, factos são factos, pelo que, estranho a perplexidade de alguns, como por exemplo, o «camarada» Alexandre Pascoal, que se interroga quem terá sido o meu professor de história portuguesa contemporânea... porventura para acusar o dito pela responsabilidade da infame afirmação descabida de em Portugal termos resvalado para uma «deriva comunista»? Nesta matéria da história Portuguesa contemporânea, ou de sociologia hodierna, pouca mais-valia faria a referida formação pois, infelizmente, tenho já idade suficiente para recordar como autodidacta os idos do PREC! Seria fastidioso desenrolar aqui o extenso catálogo de cromos que, por métodos avessos à Democracia, cedo quiseram ficar donos do 25 de Abril, mas seria injusto não nomear o camarada Vasco Gonçalves e El Comandante Otelo Saraiva de Carvalho. Seriam estas personagens ficção? Creio que não.

Creio também que a maioria silenciosa que sobreviveu ao estilo de Democracia Popular que se pretendia importar, e que por cá se propagandeava com recepções épico proletárias a vampirescas criaturas como o ignóbil Ceuasescu, respirou de alívio quando teve a certeza que as ditas personagens ficariam para sempre retidas no limbo do imaginário folclórico de Abril. O facto de anualmente descerem a Avenida da Liberdade, de cravo ao peito, entoando baladas repetidas ad nauseam, era a excepção que confirmava a regra pois, de um modo geral, os referidos especímenes Abrilescos hibernavam o resto do ano no mofo das memórias da revolução.

Há quem diga que o PREC, as nacionalizações, a caça ao «facho», os saneamentos, a guerra civil nas antigas colónias, o abandono vil das populações autóctones de Timor, Angola, Moçambique e por aí fora, a reforma agrária e demais episódios de Abril, são acessórios em relação ao principal. São capazes até de replicar a existência de tais resíduos acessórios com a letra da Pedra Filosofal, cujo êxito musical, convenhamos, fora do contexto de Abril nunca teria acontecido. Aceito tudo isso, mas custa-me, contudo, aceitar que comentadores com inteligência acima da mediania, guarnecida com a devida bagagem cultural, façam vista grossa à vilania que povoou o Lado B do 25 de Abril. Com efeito o que escrevi, e reitero, era tão só a recuperação desse cântico negro do 25 de Abril que muitos dolosamente querem «banir» (palavra muito em voga nos tempos que correm) da história recente de Portugal.

Contudo, citando Vital Moreira, ex-camarada de topo do Partido Comunista e actual colaborador com o Partido da Rosa «o pior que pode suceder a uma colectividade nacional é deixar-se embalar pelas suas grandezas e perder a memória das suas misérias.» ...

(*) ilustra este post o único «facho» que merece a minha veneração...o resto é acessório.
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posted by João Nuno Almeida e Sousa


se não começam a sair ases mudo de jogo


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terça-feira, maio 2

note to self

Quando em locais públicos e em conversa casual deixar de dizer merda tantas vezes seguidas...

a deportação de portugueses

do Canadá revista por este canadiano. Trágica Ironia.

Cantigas de Abril


Recordo a revolução dos cravos na voz incontornável de Paulo de Carvalho. Enquanto escrevo vou ouvindo «E depois do Adeus», canção que serviu de senha ao golpe militar da sublevação do 25 de Abril de 1974, e que hoje bem poderia ser o hino apócrifo deste Portugal irremediavelmente por cumprir. Os primeiros versos de José Niza, para a canção que Paulo de Carvalho imortalizou, são um prenúncio dessa errância, que a Revolução não resolveu, pois ainda hoje Portugal ainda se interroga: «Quis saber quem sou. O que faço aqui. Quem me abandonou. De quem me esqueci»?

Este eterno enigma é um fado que condensa o sentimento de um certo Portugal que se perdeu. Mas, a mitomania revolucionária persiste em deixar na penumbra o lado B do 25 de Abril, acreditando que o decurso dos anos encarregar-se-á de remeter para o esquecimento o lado negro da nossa história recente. Contudo, também aqui, ainda que com paradoxal ironia, é caso para dizer que há sempre alguém que resiste e há sempre alguém que diz não! Com efeito, ainda há quem teime em recordar os efeitos colaterais da grande festa do 25 de Abril.

Logo após a «Revolução da Liberdade» Portugal resvalou numa deriva comunista que representou para o País anos de atraso. À semelhança do que acontecera no passado, designadamente com a paradigmática fuga da corte Portuguesa para o Brasil aquando das invasões Napoleónicas, após o 25 de Abril a Pátria assistiu a mais um episódio de sangria das suas elites. Como se sabe com o desvario do PREC iniciou-se a caça ao «facho», com saneamentos à la carte, ocupações de propriedades ao estilo da revolução dos sovietes, nacionalizações dos «meios de produção», ao que tudo acresce um largo rol de êxitos da cartilha marxista-leninista louvados no cancioneiro de intervenção que se tornou moda depois da revolução.

Com Abril abrimos também caminho para a «emancipação» do nosso Portugal ultramarino, criminosamente abandonado num ápice, ao abrigo de uma descolonização que zelosamente cuidou de destruir séculos de entrega histórica. Mas, tudo isto eram minudências pois o passado era algo que pouco importava aos capitães que teciam loas aos amanhãs que cantam e ao homem novo numa república de igualdade. Para estes militares de Abril pouco importava sequer honrar os seus irmãos de armas que tombaram na Grande Guerra em nome da República e das colónias ultramarinas. Muito menos importava sequer honrar os outros Portugueses ultramarinos que, diligente e dolosamente, foram abandonados à mercê dos abutres que cedo mergulharam sobre os despojos do Império de Angola a Timor.

O Portugal de Abril que hoje se festeja é também o Portugal de um gang de tiranetes que se prestava a idolatrar Fidel Castro, Enver Hoxa, Ceausescu, e demais pandilha, cujos exemplos pretendiam importar para Portugal! A festa de Abril, que por um fio não descambou numa guerra civil, teve assim um lado perverso que alguns teimam em não esquecer. Para estes Portugal esteve suspenso até ao 25 de Novembro, e só encontrou o seu lugar na modernidade com a revisão Constitucional de 82 que representou o fim da folia com o enterro do Conselho da Revolução que, até então, manipulava o país e servia de supremo Tribunal da Nação.

Claro está que toda esta realidade não rivaliza com as luminosas mitomanias da pedra filosofal e quejandos que todos os anos se vão arrastando nas comemorações do 25 de Abril. Cá por mim não vou nessas cantigas!
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JNAS na Edição de 2 de Maio do Jornal dos Açores
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Dedico este post ao meu primo Nuno Barata que este ano, porque não quis, não escreveu sobre o 25 de Abril, contudo julgo que subscreveria integralmente e sem reservas esta crónica.

working class hero

O trabalho, deste dia, foi passado entre o banho e o chicharro. No final, o descanso à sombra de um tinto alentejano com vista para Manhattan e em busca de umas versões perdidas...