O Inferno do Condomínio, como sobreviver à vizinhança
Nuno Costa Santos e João Pedro Gomes
Gradiva

"o nosso comboio de capital açoriana da Cultura segue o seu destino sem abrandar a marcha e, felizmente, ainda incentiva a que outras locomotivas culturais proporcionem experiências que já vivemos de há oito anos a esta parte e que, só agora, por arrasto, foram implementadas em Ponta Delgada"...eu opto por seguir de metro...
"Tenho esperança de que a selecção nacional perca o mais rapidamente possível. É horrível ser constantemente bombardeado com notícias do futebol".Saldanha Sanches no Correio da Manhã de 16/05/06
"Garanto que não jogarei em Portugal até ao fim da carreira"A humildade de Pauleta em entrevista esta 6ª feira ao DN.

"Como nós não vamos aplicar, eu não sei se Portugal continental ou o Estado central ainda têm barcos de guerra para ocupar a ilha""Bom senso"!? É algo que não existe mais a sul...
The US has ended a three-decade cold war with Libya and announced that it no longer considers the country a state sponsor of terrorism.
General Humberto Delgado durante a campanha presidencial de 1958
«A propósito do crime organizado Baltazar Garzón, em "Um Mundo Sem Medo" narra uma estória que era contada pelo juiz Falcone e que corre mais ou menos assim: para atingir os seus objectivos políticos, numa capital de distrito siciliana, a cerca de dois meses das eleições locais, a máfia cortou radicalmente o fornecimento de heroína na região. Como consequência imediata aumentaram os preços dessa substância no mercado, o que por sua vez fez disparar o número de assaltos a casas e pessoas. Estas começaram a queixar-se do aumento da insegurança. E a máfia, puxando uns cordelinhos, cobrando uns favores, amplificou essas queixas na comunicação social. Certo é que no dia das eleições o partido dessa "malta", que havia inscrito no seu programa o fim da insegurança, ganhou. Logo que a vitória foi alcançada abriu-se de novo a torneira da heroína, o que fez baixar os preços e sequentemente o número de assaltos. Aparentemente a delinquência diminuiu. Mas a de colarinho branco, aquela que por ser invisível ninguém dela se queixa, aumentou sub-repticiamente. Chegou a hora de cobrar as sinecuras pactuadas: contratos, concessões, obras públicas, etc.
Parando para reflectir sobre a narrativa fica o burro a pensar: mas onde é que eu já vi isto?
Portugal não é a Sicília. Certo. Nem nunca aqui algum dia se falou de máfias. Certo. Falham as premissas!
É verdade que se vão ouvindo uns quantos (poucos) subversivos referirem, por exemplo, que esta converseta dos privilégios, da falta de produtividade dos trabalhadores e da falência do sistema de previdência, assacada a quem trabalha, a quem paga impostos e a quem toda a vida descontou para a segurança social, desvia as atenções das verdadeiras mordomias a que, evidentemente, só se acede por cartão (nas empresas públicas e participadas, nos institutos públicos e nas empresas privadas dos amigos, para onde se vai depois da "vida pública"). Também não se compreende bem, dizem, porque é que a maré de sacrifícios e de verdade "nas contas públicas" ignora as reformas (verdadeiramente) milionárias ao fim de meia dúzia de anos (ou menos), os lucros fabulosos da banca e não acaba com a lavandaria (off-shore) da Madeira. Lembram ainda a ameaça que uma vez um alto dirigente fez em público, dizendo que quem se metia «com eles» levava? Parece que alguns "deles" se terão portado mal e foram mesmo incomodados. Verdade verdadinha é que mal "eles" chegaram ao poder e logo, talvez por acaso, os primeiros «privilegiados» visados foram os juízes. Também referem que esta coisa de qualquer bicho careta, jornalista, comentarista, economista ou qualquer outro "ista" pouco mais que analfabeto passar, num repente, a especialista em questões de justiça, lhes parece um pouco estranho.
Mas nem Portugal é a Sicília. Nem nunca aqui algum dia alguém falou de máfias. Falham as premissas.»
José Francisco Moreira das Neves.

"Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo, porque estará sempre perdido como merece. Nós todos é que precisamos que nos salvem dele."
Jorge de Sena. Carta a Sophia, 20 de Dezembro de 1962, Araraquara, São Paulo.