terça-feira, outubro 4
segunda-feira, outubro 3
Divertindo audiências
... tal como o próximo 9-1/11-1
Faça um esforço e, com um jeitinho hitchcokiano, imagine que se aproxima o dia. O dia que, para alguns, até pode ser o do juízo final.
Aqueles, tementes ao seu deus e não desejando provocar a sua ira, decidem valorizá-lo, não vá o diabo tecê-las... e ficarem apeados.
Desconfiados de que nem o mestre-de-cerimónias sabe, parados que estão à espera da perecível nota da república, muitos deles, sem saída, tentam, já agora, descortinar quem sairá em braços: o aluno brilhante que, no teste da sonda mandado fazer, fica 30% atrás do pequeno mais bem classificado mas, ainda assim, é o seleccionado; ou o professor que apresenta um programa de governance brilhante mas, por não ter agradado ao chefe, não é promovido; ou ainda o Terceiro, rapaz entendido em números, que não compreende como o transferiram para esta Ponta, enfim, como diria a minha avó: “sortes são sortes” e o argumentista é quem decide, acrescento eu.
Como a data de 11 de Setembro já se encontra bastante tratada no cinema alternativo, escolhe-se o dia de reflexão para os eleitores da Madeira. Oxalá não sejam, naquela ilha, surpreendidos por este filme como que por mais uma daquelas enxurradas, eventualmente provocadas pelos efeitos do anticiclone dos Açores, para lhes estragar os desígnios democráticos do “day after”. É que cada herói precisa do seu vilão. E ali, com o buraco, ele está mesmo a jeito, já que ninguém se parece importar com a crise internacional que justificará outras tomadas de posição.
Não escondo: esta curta-com-aspiração-a-longa-metragem, bem produzida, ambiciona a uma distribuição nacional. Ponha, por isso, o Sr. Silva português as barbas de molho se não quiser inquietar-se, pois, nós por aqui não o fazemos por menos. É que, agora, todos nos mandam exportar.
Notas finais:
Aos madeirenses, recomendo que se sugira à CNE a antecipação do dia de eleições.
Aos açorianos peço que me perdoem pelo facto desta fita não apresentar a ficha técnica com os respectivos créditos
domingo, outubro 2
Publicidade Institucional # 12
...
Se eu soubesse dançar
convidava-te para um tango,
guiava-te nos labirintos do coração.
Voaríamos sobre os campos
como num desenho animado,
seríamos uma ameaça
à estabilidade nacional.
Se eu soubesse dançar
inventava-te um deus novo,
um deus que não temesse
o conhecimento do amor,
um deus que oferecesse à carne
o esplendoroso sangue
de um vulcão vivo.
Mas há o peso a urdir
o fim que vem do céu
para a terra e na terra
se funde com a morte.
E há as folhas das árvores
sem nome, lavadas pelo frio,
que alargam os braços
à medida do tronco do tempo,
abraçam-nos, dançam com o tempo
em tanto silêncio.
Sobre a terra continua a cair todo o céu.
E no entanto a respiração do mundo
atinge-nos como um estrépito,
também nós dançamos o tango silencioso,
nossos braços transformados em ramos,
nossos dedos como folhas pesadas.
E por dentro o sangue transforma-se-nos
numa resina crua, mágica,
um segredo sem negrume
revelando-se em todas as palavras
naturalmente proferidas,
um segredo sem negrume
revelando-se no olhar,
na respiração do mundo
dentro de nós suspirada.
...
"Convite" : Henrique Manuel Bento Fialho. "A dança das feridas".
Num postal aberto à descoberta de um blog, ora alegre, ora triste, -(mas obrigatório) - ,onde se escreve e se lê sempre com prazer e ironia. Bem diferente deste :Ilhas, na versão JNAS, mas com quem partilho uma dolorosa certeza : esta terra, que se ama com devoção divina, continua a ser um poço infernal de preconceitos. Mudaram-se os tempos, mas com eles o lastro, de "soberba" e "orgulho", permanece atracado aos anos zero do novo milénio, e quem disser, ou assumir, o contrário, será, mesmo entre iguais, perpetuamente um pária sem "humanistas" que o amparem.
sábado, outubro 1
múltiplos desabafos
Dos gastos em questão, pode dizer-se que os turistas chegam praticamente comprados. Com a agravante de que quase nunca serão os que se tenta comprar que realmente vêm. Ou crês, por exemplo, que umas vacas continentais, postas nas principais praças de Lisboa a fingirem que eram açorianas, fizeram com que alguém ficasse perdido de amores por estas ilhas? Teria tido muito melhor resultado pagar a viagem a um milhar de lisboetas. Que depois correriam o risco de serem mal recebidos. Não por falta de simpatia, que é fácil até haver excesso dela, mas por falta de jeito. (...)"
Daniel de Sá
Com réplica de Valdemar Oliveira
Chamou a minha atenção para este escrito um amigo. Um amigo, pessoa que valorizo e alguém que no anonimato e muitas vezes sozinho, como eu, vai procurando, na torpeza dos dias que correm, insurgir-se contra a letargia daqueles que advogam que é preciso fazer mas, nada fazem.
Não procuro fazer qualquer apologia ao seu autor (até porque não tenho arcabouço) mas, não posso deixar de me apoiar na forma como o mesmo se refere ao, em certa medida, desaire do desenvolvimento turístico dos Açores.
Não é apenas mais um texto a culpar este ou aquele sector da economia, este ou aquele departamento, esta ou aquela pessoa. Não! Isto seria chover no molhado, e nós sabemos que o resultado acaba por ser, quase inevitavelmente, a inundação, que antecede sempre a constatação da desoladora destruição.
No texto, para além das metafóricas comparações entre príncipes e reis desnudados, julgo ter identificado ainda a preocupação com uma outra dimensão do Turismo, enquanto actividade que, sobretudo, envolve as pessoas – as de lá e as de cá – numa relação que, neste momento, é, entre nós e em muitos casos, decepcionante. Para todos, arrisco dizer.
Esta dimensão deriva da valorização e entrega da comunidade e de cada um dos seus indivíduos e constitui-se, para muitos, como a cereja no topo do bolo, marcando o desejo de regressar quando se é recebido, não necessariamente de braços abertos mas antes, com atenção e carinho. Atenção para não irmos além do que nos deixam algumas nacionalidades e carinho porque somos todos humanos. Esta é a dimensão social do turismo.
Qualquer coisa que se deseja interiorizada hoje: o respeito pelo envelhecimento; a necessidade de evitar as drogas; o exercício activo e consciente da cidadania; o respeito pelos géneros; enfim, o que puderem lembrar-se, atira-se com ela para os bancos das escolas, como se as crianças fossem os únicos seres humanos à face da terra a ter que apreender tais noções.
Claro que desta forma, todos os nossos problemas de hoje continuarão ser – muito facilmente - considerados como questões geracionais, agravadas com o problema que deriva da falta do exemplo que, melhor ou pior, devia ser sempre passado por aqueles que se constituem no modelo para os demais: em casa; na empresa; nas mais diversas instituições; na política (porque não?); etc.
Há muita gente a falar de turismo. É verdade. E disso já se orgulham algumas pessoas a quem devíamos perguntar que pontes desejaram construir? Que modelos defendiam? E por que causas vale agora a pena morrer?
Este texto mostra que a problemática turística não se resume às questões económicas, mais ou menos próximas do sector. Este texto mostra que todos nós temos estado desatentos e que, afinal, estamos a cometer os mesmos erros que outros destinos turísticos, outrora em processo de afirmação.
Será porque, tal como o adolescente inconsequente que confortavelmente culpa o “generation gap” das suas desventuras, também nós queremos dar as nossas próprias cabeçadas, insistindo aprender só com os nossos erros, em vez de aprendermos com os dos outros?
Apesar de não pertencer a nenhum movimento cívico (se calhar cobardemente), mantenho bem presente duas máximas do fundador do escutismo mundial – Robert Baden Powell – “Não existe ensino que se compare ao exemplo” e “Deixe o mundo um pouco melhor do que encontrou”, não declinando por isso a responsabilidade de lutar – ainda que sozinho – por aquilo e por aqueles que precisam, tal como senti ter feito o autor dos múltiplos desabafos contidos em artigo de opinião.
sexta-feira, setembro 30
...Eu hoje deitei-me assim !
...
So, so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,
Running over the same old ground.
What have we found? The same old fears.
Wish you were here.
...
Grande sarilho...
"(...) Um estudo elaborado pela consultora Deloitte, a pedido a Confederação do Turismo Português, revela que a reclassificação do IVA no alojamento turístico, restauração e golfe teria por consequência imediata um aumento de receitas que poderia ir até ao máximo de 335 milhões de euros para Estado. Do lado do consumo, a redução estimada pode ir até aos 400 milhões de euros. (...)"
Como é que ficamos?

A senhora na base do ponto de interrogação é a D. Restauração. Encolhida por tamanha aflição
quinta-feira, setembro 29
Uma verdadeira pérola*
Aqui, para os que quiserem perceber o contexto e tirar ilações mais abrangentes
* Por Maria José Silva, CEO da RAVT
quarta-feira, setembro 28
Sempre a tempo, pelo menos, de uma nova bifurcação!
Falando no Dia Mundial do Turismo, David Scowsill, Presidente & CEO do World Travel & Tourism Council, disse:
"Today, on World Tourism Day, we call on governments around the world to recognize the central role that our industry plays in their economies today, as well as its leading role as a driver of global sustainable economic recovery.
"Travel and tourism acts as a universal bridge connecting people, cultures, and communities all over the world. And at the same time, travel and tourism is a world leader in contributing to the global economy by creating jobs, generating wealth, and improving the quality of life of its citizens. Many governments understand this. Unfortunately, many others do not. (...)"

Quero crer que os Açores se encontrarão perante a próxima bifurcação, nesta estrada penosa que temos trilhado, no que concerne ao Turismo.
Espero que desta vez possamos escolher acompanhar o racicínio de David Scowsill e procurar disseminar esta mensagem por todos os quadrantes e todos os sectores da frágil economia açoriana.
Oxalá!
P.S.
E, como para mim se tratava também de um "best kept secret", provei ontem o licor de ananás de Augusto Arruda. Devo dizer, sem reservas, que se trata de um fino néctar, cuja elegância deixa transparecer a genuinidade do fruto rei, tratada com mestria, desde sempre.
...Despertares
...
Guisela Rhein - Rodrigo Calazans - by Mario Testino
John Updike - Brasil
Chico Buarque - Novo Disco em 2011
RIO - MARIO TESTINO livro completo e folha a folha aqui em wishful thinking também de evasão
