sexta-feira, setembro 29

Desabafo

Dizia Camões que todo o mundo é composto de mudança, ao que Tomaso de Lampedusa respondeu que é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma. Nos últimos dias tenho comentado com alguns amigos que nos Açores depois de um sopro de mudança tudo voltou à mesma. Quem não se interessar pela novela do "Língua Afiada" pode ficar já por aqui e abster-se de ler o resto deste post, a quem interessar o assunto e as suas guerras de bastidores então bem-vindo a este meu desabafo. Como já é do conhecimento geral o "Língua Afiada" acabou, da mesma maneira que no ano anterior tinha acabado o "Choque de Gerações" programa que, esse sim, nunca devia ter acabado. Por um lado o fim do "Língua Afiada" é algo perfeitamente natural, até mesmo justificado, inclusive por mim que desde o início questionei a pertinência daquele modelo no contexto da RTP-A, questionei até a minha capacidade individual de participar num programa com aquele figurino. Mas, por outro lado, há uma série de questões que se levantam com o fim de um programa que durante quase um ano questionou, criticou, por vezes elogiou, e pensou a sociedade e a política açoriana, de uma forma livre e descomprometida e, mais importante, não partidária, como o fez o "Língua Afiada". Durante mais de trinta programas quase todas as grandes questões que afectam os Açores foram por nós tratadas e muitos dos sound bytes ali lançados criaram eco na sociedade açoriana, tanto no espectador comum e anónimo, como nos poderes instituídos e nos responsáveis políticos, que por vezes também gostam de ser anónimos. Quem fez o "Língua Afiada" sabe dos comentários, dos recadinhos, das mensagens e dos telefonemas, das conversas de corredor e dos incómodos que o programa provocava. Essa foi uma das principais razões para que o programa acabasse. Isso e a incompetência, a falta de profissionalismo e a deslealdade pessoal dos directores da RTP-A para com duas pessoas: eu e o Nuno Barata. Já aqui falei de como isto tudo se processou, mas há neste momento um dado importante que importa tornar público. Quando o "Língua Afiada" começou os directores da RTP-A assumiram connosco o compromisso da sua continuidade, que foi uma condição por todos nós assumida como legitima dada a natureza de má-língua que se pretendia dar ao programa. Ontem o director de informação da RTP-A, num telefonema incómodo, terminou a minha colaboração com a estação, dois dias antes o director da estação tinha-me assegurado que eu já era da casa. Durante todo este tempo em que emiti opinião na RTP-A fiz, pela minha parte, um enorme esforço de profissionalismo para cumprir com aquilo que me tinha sido pedido, tenho a certeza que o Nuno fez o mesmo. Hoje somos penalizados por ter feito bem aquilo que a RTP-A nos pediu. O Dr. Costa Neves vêm cavalgando há meses a onda da falta de oxigénio na sociedade açoriana, tive a oportunidade em directo de lhe dizer que na minha opinião essa falta de oxigénio não é culpa do Governo x ou y, mas antes de um atavismo intrínseco à própria mentalidade açoriana. Este caso do "Língua Afiada" é paradigmático disso. Eu até acredito que não tenham havido pressões directas da parte do secretário disto ou da presidente da câmara daquilo, ou até mesmo do gabinete de Sexa o Presidente, mas os directores da estação que, como diz um amigo meu emprenham de orelha, de tanto ouvirem criticas e desabafos contrafeitos sobre um programa em que sem papas na língua poucos diziam em voz alta o que muitos pensam baixinho sobre a actuação de quem governa os destinos desta região, incutidos dessa impressão desconfortável e sabendo que estamos a dois anos de importantes eleições, dois anos em que muitos escândalos vão rebentar e em que muitas obras vão derrapar, com base neste feeling os directores da RTP-A, decidiram tirar do ar e cortar o pio, numa atitude que não tem outra classificação que não seja um real pontapé no real rabo, decidiram tirar do ar dois indivíduos que não tem medo de falar sobre tudo e sobre todos com a mesma frontalidade com que se anda na rua de cabeça erguida. Quer o Nuno Barata, quer eu, cada um à sua maneira, somos incómodos para os poderes instituídos, para o marasmo de quem gosta que tudo fique na mesma. É por isso que vamos deixar de aparecer todas as semanas na televisão. Isto não tem nada de ilegítimo, não. Os senhores são directores e fazem o que quiserem, grave é que em pleno século XXI ainda haja um canal de televisão, de serviço público, e em regime de monopólio, onde as decisões sobre a programação são tomadas não com base em audiometrias, ou estudos de mercado, ou no real interesse dos espectadores, mas apenas com base na opinião dos seus directores e das bocas que estes ouvem nos esguios corredores dos aviões da SATA.

a falar é que nos entendemos

depois do artigo da semana passada que tanta perplexidade me causou e que gerou aqui nos comentários uma acesa discussão, o Rui Cabral, num gesto de grande inteligência que merece elogio, publica hoje o texto que reproduzo aqui em baixo. Ficam assim esclarecidas algumas questões fundamentais. Oxalá outros editores e jornalistas, ou até mesmo outros articulistas da nossa praça, tivessem a honestidade e a nobreza de carácter do Rui para não fugirem de uma discussão e esclarecerem os leitores das suas opiniões e das suas reais intenções. Faz muita falta na opinião publicada nos Açores este tipo de frontalidade. Um abraço Rui.

O que não foi dito
29-09-2006
por rui jorge cabral


No artigo ?Dizer não? (?Crónicas do Aquém? de 21 de Setembro) não se pretende lançar um estigma sobre o toxicodependente como alguém ?fraco de carácter? para toda a vida. Se é uma fraqueza que leva um indivíduo a uma dependência, é também uma enorme força que o tira de lá e o carácter está em ambas.


Também não se quis afirmar que os Planos contra a droga para nada servem. O que se pretende em ?Dizer não? é chamar a atenção para uma espécie de resignação em que se caiu, onde as medidas muito meritórias que são tomadas resultam em cuidados paliativos, perante uma doença sem cura à vista. No caso da droga, não se resolve o problema desresponsabilizando o indivíduo dependente. Associados ao tratamento da dependência, deviam estar sempre programas de formação profissional e de trabalho para quem deles necessite. Nos casos em que isso existe, a taxa de sucesso na recuperação é mais elevada. Estabilizar fisicamente um dependente e depois mandá-lo para a rua refazer a sua vida num cenário em que ele destruiu as suas relações sociais, é reenviá-lo para a droga. Isso é fácil. Difícil é conseguir despertar no indivíduo a força de vontade, sem a qual ele nunca vai recuperar. Ao que se quer ?Dizer não? é a uma sociedade que está a ter muitas dificuldades em formar homens e mulheres com um carácter que lhes permita assumir as responsabilidades da vida, sem deixarem de a gozar. Essa é a melhor prevenção para os problemas e todos os contributos são bem-vindos. Isto porque, na cadeia indivíduo/família/escola/trabalho, quanto mais tarde entrar o sentido de responsabilidade, mais difícil é a recuperação de quem fica para trás. ||

IMAGO 06


É impressionante o programa do IMAGO 06 que hoje se inicia na interior cidade do Fundão com o forte apoio da autarquia local.
Para além das muitas e váriadas sessões competitivas "que centra o seu projecto de programação nos filmes de jovens realizadores" o festival integra vários programas especiais:

Da "Nona à Sétima arte ? Para lá dos super-heróis" (uma ideia que já passou pela cabeça dos macaquins mas o bolso não permitiu) com retrospectivas dedicadas a Alejandro Jodorowski e a Dave Mckean (que integra o júri da competição Oficial Internacional) e a descoberta do festival: o jovem realizador Nicolas Provost.
Para lá das retrospectivas dedicadas a Dave Mckean e Alejandro Jodorowski, o IMAGO exibe um conjunto de adaptações de banda desenhada como: ?Bunker Palace Hotel?, de Enki Bilal; ?Jesuite Joe?, de Olivier Austen (adaptado da obra de Hugo Pratt); ?The Mindscape of Alan Moore?, de Dez Wylenz (documentário sobre Alan Moore); ?Urbicande?, de Simone Bucher (a partir da BD "La Fiévre d'Ubicande", de François Schuiten e Benoit Peeters); ?La Señorita Zuenig?, de Sofia Teixeira-Gomes (adaptação de uma história da ?Pior Banda do Mundo?, de José Carlos Fernandes); e para não ser muito exaustivo ?Cauchemar Blanc?, de Mathieu Kassovitz (adaptação de uma das primeiras histórias curtas de Moebius)

Outro dos programas especiais é "Early Years... Clint Eastwood" (que também estará presente no festival) com um programa que recai sobre a filmografia inicial e por isso menos conhecida de Clint Eastwood durante a década de 70.

Para além de tudo isto o evento contempla ainda a secção "A Sound & Vision Experience", com Filmes Concerto, Master Classes, Concertos e DJ Sets, com convidados a anunciar durante "uma festa muito especial" que em edições anteriores estiveram a cargo de nomes tão importantes como os dos Alpha, Matthew Herbert, Kid Loco, The Herbaliser, Le Hammond Inferno, Jamie Lidell, Kid Koala, Namosh, Toolshed, Any Votel ou Erlend Oye entre muitos outros.

Isto sim é um FESTIVAL.

Obrigado IMAGO pela vossa parceria com estas pequeninas mas orgulhosas iniciativas que por cá se vão realizando.



Um dos filme de Dave Mckean que será exibido no festival AQUI

Back in Town



Estive na companhia dos chernes, mergulhado nas profundidades pelágicas de uma dissertação académica. Confesso-me surpreso com a duração da apneia. Nunca pensei conseguir suster a respiração durante tanto tempo. Apesar do tabaco matar (viver mata, diria Monsieur De La Palisse), os meus pulmões parecem encontrar-se em estado minimamente satisfatório, pois lá consegui voltar à superfície com todas as faculdades neurológicas intactas. Agora que a respiração está mais pausada, as minhas primeiras palavras vão para os Brothers residentes (as Sisters continuam a monte): desculpem lá esta Quaresma, mas teve mesmo de ser.

Alexandre, prometo um Cherchez la Femme este fim de semana. Pedro, se me tornas a chamar de Professor na caixa de comentários faço um post tão contra-cultural que o William Burroughs vai parecer académico. João Nuno, desafio-te para um duelo de sabre Europa vs. Islão aparecendo eu, evidentemente, disfarçado de Lawrence. Vítor, contigo a arma escolhida será o florete e, está bem de ver, faço de mouro equipado de vermelho.

Blogosfera, pode soar a Ana Malhoa, mas já estava cheio de saudades.

quinta-feira, setembro 28

OPA

com eles: "Propusemos um conjunto de medidas que eram uma verdadeira revolução para o sector de telecomunicações" (...). Se o processo avançar, (...) será muito positivo para os consumidores e para o país...

Comédia.

Se há género cinematográfico que raramente me faz perder tempo é a comédia.
Tinha muito que pensar para me tentar lembrar de uma qualquer que possa ter visto numa sala de cinema, com a certeza de que foi há pelo menos 25 anos. Em DVD nem preciso de pensar nunca perdi mais de 5 minutos - normalmente não passo do genérico.
Poderei estar a perder grandes filmes, o que sinceramente dúvido, mas não é com filmes com o infeliz título "Eu, Tu e o Emplastro" que vão demover esta minha repulsa em relação ao género.

Mas é assim que vai o cinema em Portugal: Após ter surpreendido tudo e todos na semana passada com uma estreia absolutamente esmagadora, ?Eu, Tu e o Emplastro?, mantém-se à frente sem grandes dificuldades na tabela dos filmes mais vistos em Portugal, caindo cerca de 36% face à semana anterior e acumulando já mais de 150 mil espectadores ao fim de duas semanas.

Anda por aí numa sala perto de si.



Entretanto o Fantasporto está quase aí.

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quarta-feira, setembro 27

A colaboração que se impõe *

Ao pedido de colaboração para uma nova edição (e nova série) da revista :ILHAS a minha camarada Mariana redarguiu-me com um pedido correspondente para esta edição do Suplemento. Disse-lhe, obviamente, que sim. Não esperava, contudo, que o Vazio se apoderasse do teclado. Após alguma resistência...decidi atacar o word e um universo de (in)certezas: posso falar do prazer e da tremenda angústia que é editar um projecto editorial diferente (para fugir ao cliché alternativo), nestas ilhas, mas não me permito; podia apresentar um rol de queixumes recorrentes e escalonar todos os constrangimentos inerentes à produção de um evento, dito cultural, nos Açores...mas isso seria, no mínimo, confrangedor, também não; posso desancar nos jornais/jornalistas/editores que apregoam não poder fugir às questões da agenda política mas que quando confrontados com uma alternativa cultural, respondem-me (não todos, é certo!) - edição fechada, fotógrafo fora, jornalista de baixa... sendo que é, seguramente, mais agradável colar um Gacs, fotografar uma Miss X ou um relvado sintético, do que entrevistar um renomeado maestro - caprichos, certamente; posso abordar a extrema necessidade de associativismo, de parceria e de colaboração cultural institucional nas ilhas, de modo a que haja uma maior gestão dos exíguos recursos associados à Cultura; podia argumentar a urgência em edificar um evento com dimensão transregional/nacional que, simultaneamente, promova a Região e sedimente valores, hábitos e a fruição cultural...

O Mar não é feito de rosas nem as Cidades são apenas betão.

Antes que esgote o caractere não quero abandonar esta(s) coluna(s) sem antes sugerir os prazeres pelos quais sou perseguido no habitat que me circunda - desde a cabeceira ao sofá. Assim, e sem coordenadas pré-determinadas; a leitura de um projecto amigo - Frases para ter na Carteira, o 3º lançamento da editora Livramento (brevemente nas livrarias ou por encomenda online através do email livramento@xsmail.com), do qual destaco - Os blogues são o tunning da burguesia, uma síntese factualmente irónica de Bernardo Rodrigues; uma ida à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada para visitar a exposição de Desenhos 2005-2006 de André Almeida e Sousa (Prémio ARTCA 2005), patente até 25 de Outubro; ouvir Let's Get Out of This Country dos escoceses Camera Obscura que mais não são do que uns primos clandestinos dos Belle&Sebastian e herdeiros de Lloyd Cole; ver A Caminho de Guantanamo do inglês Michael Winterbottom (24 Hour Party People e 9 Songs), vencedor do Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim para Melhor Realizador em 2006, em exibição no Solmar; e concorrer ao Prémio MACAQUINS cujo concurso termina a 30 de Novembro de 2006 (inscrição e informações na MUU).

* publicado na edição de 27/09/06 do Suplemento de Cultura/Açoriano Oriental

CineClube, familiar!

Raramente compro algo por impulso. Mas, não resisti ao charme do autor de The Awful Truth (série de 24 episódios exibida durante 1999/2000 no canal BRAVO e com edição nacional, este mês, em DVD). Michael Moore exibe-se: ousado, polémico, sensacionalista, demagógico, manipulativo, divertido, irascível, irónico e com um peculiar sentimento de humor, na visão crítica do país mais poderoso do mundo. Uma alternativa noctívaga ao surf-de-sofá quotidiano.

um final infeliz

Ontem o boato. Hoje a notícia do fecho. Uma aventura atribulada, com demasiado coração e não totalmente ponderada.  Nestas horas e dias de incerteza(s) -  um abraço solidário aos amigos e profissionais do JdA.

terça-feira, setembro 26

Vox Populi

...Especial Bento XVI

"De visita à Alemanha natal, perante académicos, para "explicar a irracionalidade da conversão pela violência" o Papa citou um imperador que a um persa disse "Não encontrarás em Maomé senão coisas demoníacas e desumanas, tal como o mandamento de defender pela espada a fé que ele pregava". Ardeu Tróia e os "bondosos" extremistas muçulmanos, levantaram-se em fúria incontida contra os Cruzados.".

Carlos Melo Bento, quarta-feira, 20 de Setembro, no Açoriano Oriental.

"O papa já lamentou o equívoco, mas não pediu desculpa. Não podia pedir. Nem pelo incidente, fabricado pelo fanatismo e a ignorância, nem pelo teor geral da conferência de Ratisbona. Ratzinger insistiu que a fé não é separável da razão e que agir irracionalmente "contraria" a natureza de Deus."


Vasco Pulido Valente, Domingo, 17 de Setembro, no Público

"O que o Islão precisa não é de desculpas do Papa, é do seu próprio Ratzinger e de teólogos que procurem casar Maomé com Darwin."

Silver, quarta-feira, 20 de Setembro, no Observatório da Jihad

"O Ocidente, como aliás diz Ratzinger, está minado pela falta de Deus e pela presença do Satã laico e racionalista; por isso, é necessário sermos compreensivos para com os sentimentos religiosos que autorizam o apedrejamento de apóstatas, a lapidação de mulheres, adúlteros e homossexuais ou a mutilação de infiéis; é o regresso da religião."

Francisco José Viegas, terça-feira, 12 de Setembro, na Origem das Espécies.

"O Islão reduz-se ao Islão: nada do que para além dele existe merece ser visto, ponderado, interpretado e discutido. Lembro o desprezo com que Khomeyni respondeu a um jornalista que o foi entrevistar nos arredores de Paris: "não sei nem me interessa saber quem eram Beethoven, Mozart e Hegel". O Islão é absolutamente autista, absolutamente cego e absolutamente surdo."

Miguel Castelo Branco, segunda-feira, 18 de Setembro, no Combustões

"O ponto era denunciar que a violência religiosa é "maligna" e "desumana", ou seja, contrária ao espírito divino. Fatalmente, os tempos não aconselham racionalidade ou debate. E o Islão radical, para provar que não é violento, prometeu logo actos de violência ; um belíssimo paradoxo capaz de derrotar qualquer filósofo. Comentários? A loucura, por definição, não se comenta."

João Pereira Coutinho,segunda-feira, 18 de Setembro, na Pensata



...e agora para algo completamente diferente :

"Agora imagine-se um Irão nuclear. O mesmo que faz politica com reféns, atentados e terrorismo, que paga biliões pelo Hezbohlá e pelo Hamas. O mesmo que defende a varredura de Israel como começo de negociações, que aspira a fazer do golfo o seu "mare nostrum" e que mantém conflitos territoriais com a Turquia, o Iraque, o Paquistão e Omã. E importa não esquecer que esta gente prega, defende e por incrível que possa parecer faz, a sujeição da realização individual ao interesse colectivo, o martírio e o sacrifício último como forma de suprema realização. O Paraíso das 72 virgens está para eles à mão de semear de uma bomba suja em Londres, Paris ou Roma.
E esta gente vai ter a bomba nuclear. E depois é impossível negá-la ao Egipto, à Turquia e à Arábia Saudita.".


Rasputin, quinta-feira, 14 de Setembro, no Tapornumporco.

Dia Europeu das Línguas

celebrado hoje em Portugal (Açores, incluídos!).

Uma verdade da Hungria




















Tenho desde há uns meses procurado, em vão, encontrar uma qualquer edição do filme "Sátátango" do húngaro Bela Tarr.

Considerado um dos melhores filmes dos anos 90 "Sátátango" é uma comédia negra de 450 minutos (sim, são 7 horas e meia) baseada no romance do também húngaro László Krasznahorkai. A história cuja estrutura foi inspirada nos passos do tango - seis para a frente, seis para trás - é um comentário sobre o colapso do comunismo e também uma visão sobre as subsequentes degradações do capitalismo. Filme de culto, inclui nos seus muitos admiradores o realizador Gus Van Sant que utilizou algumas das técnicas de Tarr nos filmes "Gerry" (onde Tarr aparece creditado com um thank-you) e em "Elephant".
Editado pela primeira vez em VHS no ano de 1994, edição que esgotou rapidamente, será reeditado pela Facets a 28 de Novembro, mesmo a tempo de entrar num qualquer sapatinho.

Encomendas aqui.

Que os Deuses nos protejam !

Recolhera-me do mundo durante as férias mas, pelos jornais, fui ouvindo os ecos de um planeta ensandecido recorrentemente tomado pela factualidade implausível. De uma vasta galeria de bizarrias retive a trágica encenação dos pescadores Mexicanos à deriva no pacífico durante nove meses e resgatados incólumes por um "milagre"; acompanhei estupefacto a fuga de Natascha Kampusch e o relato de um longo cativeiro para, em liberdade, ser tomada de assalto pelos media; presenciei, com deleite, o escândalo do nobelizado Gunter Grass, ícone da esquerda e autor do livro "Descascando a Cebola", que durante anos andou esquecido do pormenor biográfico de ter pertencido às Waffen-SS !

De facto a realidade supera a ficção. O certo é que a realidade é uma galeria de biltres urdidos numa teia de enredos que vamos digerindo com a placidez ruminante do politicamente correcto.

Epítome dessa triste realidade foi a rendição da ONU às mãos do Hezbollah. Com efeito, na nova ordem internacional legitimou-se a doutrina da paz a qualquer custo, mesmo que isso implique negociar com terroristas. Assim, no passado mês de Agosto o secretário-geral das Nações Unidas andou pelo palco do conflito, em conversações com os "ministros" do Hezbollah, para alinhavar as condições do armistício. Esta extravagância é apenas mais um capítulo na vil novela de submissão do Ocidente ao Islão. Nunca será excessivo sublinhar que o Hezbollah, ou "partido de Deus", é efectivamente um Estado dentro do Estado do Líbano que foi incapaz de conter a ofensiva terrorista contra Israel a partir de bases estacionadas no quintal da pátria de David. Logo, como é de mediana evidência o Hezbollah, que é uma organização terrorista, deveria ser repudiado pela cúpula das Nações Unidas. Ao invés, subitamente o texto da Carta das Nações Unidas parece ter sido remetido para o baú das curiosidades de uma velha ordem internacional enrolada na utopia das "relações amistosas entre as nações" tendo por finalidade "harmonizar a acção das nações" para a consecução da paz universal entre as Nações. Agora, transformou-se em provedora de iniquidades impostas pelo terror, porquanto, incapaz de estancar o virulento fundamentalismo islâmico, parece rendida à fatalidade da expansão das teocracias muçulmanas.


Paradoxalmente, a ONU do Sr. Kofi Annan que negociou com o Hezbollah o cessar-fogo com Israel, é a mesma ONU que outorgou um segundo mandato à UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Sul do Líbano) com a garantia de que a esta força militar não caberá desarmar o Hezbollah ! Estas e outras incongruências reforçam o poder daqueles que não querem a paz das Nações mas sim subjugar o Mundo à Lei do Corão e da Sunna. Contudo, esta ineficácia da ONU não é infelizmente um dado da actualidade, assim como o desprezo do mundo árabe pela sociedade das Nações não é de hoje. Ambas, no caso do médio Oriente, remontam à resolução 181 da Assembleia-Geral da ONU, aprovada em Novembro de 1947, que decretou a retirada britânica da Palestina e a fundação neste território de um Estado árabe e um judaico independentes. Esta resolução estará porventura emoldurada nas Nações Unidas mas, como se sabe, foi desde logo rejeitada por árabes e palestinianos. Desde então o conflito tem alastrado, e por via do fundamentalismo islâmico, ameaça expandir-se à escala global. Israel foi só o começo. Afinal de contas, como magistralmente sintetizou Ezequiel Moreira da Silva, "De certa forma, Israel, com a sua sociedade plural e livre e as suas instituições políticas e jurídicas seculares representa o ocidente no médio oriente.". Aqui ao lado, na Europa, a ameaça ao modo de vida Ocidental, de tradição judaico-cristã, é uma realidade que se agiganta com uma explosão demográfica nas comunidades árabes e muçulmanas que fazem gala em professar uma cultura de repúdio pelos países que nesciamente os acolhem como "exilados políticos". Entre nós são apenas 0,55 % da população de Portugal. Contudo, o proselitismo e a empatia emocional com a causa do Islão, tem convertido uma vasta mole de Europeus nados e criados bem longe dos ensinamentos de Maomé. Moda que rapidamente será importada em massa para Portugal. Estas aberrações, que fazem lembrar os cristãos novos de outras eras, são por certo as mutações bizarras a que cada vez mais teremos que nos conformar.


Que os Deuses nos protejam!
...
era para ser mais uma crónica do JNAS no Jornal dos Açores (agradeço com orgulho o estímulo e a filantropia do Nuno Mendes, do José António Rodrigues, do João Paz e, mais recentemente, do Rui Lucas. A todos o meu reconhecimento pelo arrojo e dedicação de um jornal que nunca cuidou de editar uma linha das crónicas que durante um ano remeti para publicação à terça-feira. )

segunda-feira, setembro 25

CONVITE




























Roubado daqui ( de onde também foi sacada a citação abaixo)

contributo

[para o Cherchez la Femme] O Mr. Riley teima em não retornar à nossa companhia e ao prazer da sua escrita (apesar da insistência!). De qualquer forma não me coíbo de contribuir para um seriado de recursos imensos. Amanda Peet é uma das novas actrizes em ascensão na suposta terra de todas as oportunidades, e cuja presença vislumbrei oportunamente numa divertida série intitulada Jack and Jill.

sábado, setembro 23

Convite



André Almeida e Sousa

Desenhos 2005-2006

Prémio ARTCA 2005

Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada

25 de Setembro; 19:00



exposição patente até 25 de outubro

por uma questão de Crédito

Lajes das Flores, 205%

Calheta (São Jorge), 196%

Vila Franca do Campo, 194%

Velas, 180%

(Vila da!?) Praia da Vitória, 131%

Ribeira Grande, 116%

Povoação, 107%

Este é o ranking açórico no que respeita à  lista das câmaras municipais impedidas de recorrer ao crédito com a aprovação da nova Lei das Finanças Locais. Não está nada mal!..

CineClube

The Road to Guantanamo Parte ficção, parte documentário, "A Caminho de Guantanamo" é um olhar que nos leva ao interior da mais polémica prisão americana. O filme relata a história de três muçulmanos britânicos que estiveram detidos durante dois anos, em Guanánamo, Cuba, sem qualquer acusação. Conhecidos como "Os Três de Tipton", numa referência à sua cidade natal no Reino Unido, os três homens tinham deixado o Reino Unido para assistir a um casamento no Paquistão e acabaram capturados e detidos. Foram libertados ao fim de dois anos sem qualquer acusação. Numa altura em que voltam a estar na mesa as suspeitas de violações dos direitos humanos nas prisões americanas e em que o Presidente George W. Bush admite estar a "estudar todas as possibilidades" para Guantanamo, antevendo a hipótese do seu encerramento, o filme de Michael Winterbottom ("9 Canções", "24 Hour Party People") lança novas achas para o debate. "A Caminho de Guantanamo" ganhou o Urso de Prata para Melhor Realizador no Festival de Berlim, em 2006 (CineCartaz/Público). (...) Onde termina o "documento" e começa a elaboração "ficcional"? Ou, se é verdade que não há nenhuma fronteira estável entre uma coisa e outra, como construímos a nossa relação com aquilo que as imagens "mostram" ou "reconstituem"? A partir da odisseia de três jovens muçulmanos britânicos, envolvidos nas convulsões do Afeganistão, «A Caminho de Guantánamo» é um caso tão sedutor quanto discutível de uma via criativa essencial no cinema do presente (João Lopes/Cinema2000). Numa semana escassa em propostas cinéfilas interessantes, este filme apresenta-se-me como imperdível. Em exibição no Solmar.