quinta-feira, setembro 7

Atitude(s)

Numa época em que tanto se fala do desinteresse público pela política, pelos políticos e pela coisa Pública referência para 2 iniciativas que, infelizmente, se distinguem por um posicionamento aparentemente antagónico: uma partilha a outra dita. É fácil dizer-se que ninguém quer saber da Política/Políticos/Partidos. O inverso também é verdadeiro se os políticos pouca importância auferem às opiniões dos seus concidadãos ou por aquilo que possam dizer, contribuir e partilhar.

Links

"Links have a direct value on the Web and can be seen as a pseudo-monetary unit."

Esta citação de Jill Walker, que descobri via Giuseppe Granieri, fez-me regressar à lista de links do :ILHAS, ou como se diz em bloguês a nossa blogroll, que, como os leitores mais atentos terão reparado estava em letargia absoluta há vários meses. Os links, com o seu poder propagandístico, são uma ferramenta essencial para a construção da notoriedade de um blogue, por vezes até mais do que os próprios posts. Da mesma maneira que uma pessoa que tenha, digamos, friends in hy high places, um blogue que consiga links de blogues de referência rapidamente entrará na "alta-roda" da blogoesfera. A aceitação e o reconhecimento expressos por um link são um valor quase monetário. No :ILHAS, que no contexto da blogoesfera portuguesa é um blogue não da antiguidade mas da idade média, a nossa política de linkagem foi sempre por amizade ou por afinidade. A regra era uma regra de gosto mais do que de proveito. Com a passagem do tempo e do crescimento da lista a escolha tornou-se mais complexa e as razões mais variadas. No início desta aventura havia regras não escritas mas muito claras, uma delas era linkas quem te linka, uma regra simples de reciprocidade. E no início, devo dizer, a única vez que quebrei esta regra foi com o Renas e Veados e por razões de temor homofóbico que ainda hoje me envergonham. E, também no início, fomos linkados por uma razoável lista de alguns dos melhor relacionados blogues nacionais, facto certamente explicável por termos relações de amizade com o País Relativo e o Desejo Casar, dois blogues extremamente importantes nos idos de 2003. Mas como a blogoesfera é uma realidade de tempo rápido, cedo fomos confrontados com blogues que morriam e aí, em respeito a uma das regras clássicas desse código de conduta da blogoesfera, a opção foi pelo strike. O strike significava, em língua antiga, uma referência errada, um erro na escrita ou um link desactivado, era a referência visual para o leitor perceber que aquele link estava desactivado. Mas como os blogues são tão emocionais como as pessoas que os escrevem, cedo percebi que era impossível controlar os strikes. Blogues que morriam de vez, blogues que hibernavam no inverno e regressavam no verão ou vice versa, blogues que de dois em dois meses tinham um post, como um soluço, enfim nunca nada, na maioria dos casos, era definitivo e isso implicava estar regularmente, constantemente, a por e a tirar strikes. Há medida que a lista de links aumentava essa tarefa e essa atenção constante tornavam-se cada vez mais difíceis. Por outro lado, com o impressionante crescimento que a blogoesfera sofreu e com a chegada constante de novas e variadíssimas personalidades aos blogues, as regras de conduta, os códigos implícitos, foram-se perdendo. Em muitos casos as pessoas não sabiam o que significava um strike e tomavam isso como uma ofensa, uma desconsideração. Ao fim de uns meses de reflexão e depois de ler o livro de Granieri tomei a decisão de retirar os strikes, principalmente por uma questão de memória. Em muitos destes blogues que foram descontinuados e, felizmente, em muitos dos melhores, os seus criadores tomaram a decisão, acertada, de os manter on-line, preservando assim um manancial de arquivos que representam hoje uma memória histórica e criativa daquilo que foi, é e será a blogoesfera. Os strikes muitas vezes eram uma barreira à curiosidade, funcionando quase como um impedimento para que o leitor fosse investigar o passado de determinado blogue. A blogoesfera é uma realidade imediatista, que habita no tempo da fracção de segundo, mas a blogoesfera só crescerá, não em tamanho mas em maturidade, se aprender a conhecer e respeitar o seu passado. A alteração na lista de links do :ILHAS foi feita com esse propósito em mente. Optamos por uma diferenciação da cor mantendo os blogues abertos conforme são blogues actualizados regularmente ou não, em alguns casos, quando os blogues foram retirados da rede optamos por manter os nomes mas desactivar os links, até por que em alguns casos os endereços url foram raptados por outros blogues o que criava alguma confusão e esta coisa de roubo de endereços é matéria mais para o Abrupto. Assim a lista de links do :ILHAS é cada vez mais um convite à leitura, sem barreiras, ou rótulos prematuros, apenas referenciamos aos nossos leitores, com a cor mais clara, que esse blogue não é um blogue actualizado, mas tem um passado, uma história, que é tão ou mais importante do que o nosso tempo actual. Porque as listas de links são e devem ser isso, uma dica, um convite, uma sugestão, um ponto de referência para o ontem o hoje e o amanhã da blogoesfera. E será sempre uma lista incompleta. Por último devo dizer que respeito mas desconfio sempre de um blogue que não tem um blogroll.

quarta-feira, setembro 6

Homílias em MP3*















* para as freiras do Convento da Esperança.

A T-SHIRT IDEAL...

...para o encerramento das Noites de Verão











http://www.ingeniu.com/ecommerce/control/product?category_id=300&product_id=TEQUAL118

Trio de Lopes com música de Sassetti











Será que tem a potência necessária para atrair espectadores para para o cinema português?
Estreia dia 14 em Lisboa e Porto (... e o resto é paisagem).

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Argumento JOÃO LOPES e FERNANDO LOPES
A partir de textos de DIOGO LOPES (?98 Octanas?)
Música Original BERNARDO SASSETTI
Um filme de FERNANDO LOPES

http://www.clapfilmes.pt/98octanas/

[quente] frio

A ideia ou a intencionalidade em afirmar que o Desenvolvimento (o turístico, em particular) nestas ilhas não irá crescer como na Madeira é comum às diversas entidades institucionais e privadas dos Açores. Perante esta evidência insofismável do Não à importação de um modelo dito desenfreado, a sociedade açoriana responde Sim à ideia globalizante implementada por um determinado investimento externo, cuja acção se desenvolve em torno da aplicação do modelo que todos dizem rejeitar. Em que ficamos!?...

segunda-feira, setembro 4

blogues d' ouvir

Na deriva constante pelo universo bloguístico musical dei com este ouvido 1 pouco mouco para perceber que esta Vítima ainda respira e dá entrevistas (+++ recomendado). Antes o vício fez paragem n' A Forma (agora extinta), com pruridos aqui e aqui. 1, 2, 3 ou + blogues p/ dia adoçam...o discernir do palato auditivo!

Uma Verdade Inconveniente

Uma referência obrigatória a propósito deste filme e da tomada de posição em defesa do Ambiente pelo ex-vice-presidente dos EUA Al Gore. Um valor pelo qual devemos lutar intransigentemente!..

domingo, setembro 3

Reporter X

Tropecei nesta curiosidade nos anúncios classificados do AO (edição de ontem, sábado). Um exemplo caricato de autopromoção institucional em versão não corrigida. É a chamada ansiedade da saída!..

[quente] frio

Direcção de um grupo da SIRAM demite-se em bloco. Responsáveis pela K-eventos apresentaram pedido de demissão mas por agora desconhecem-se os motivos. A direcção da K-eventos, empresa pertencente ao grupo SIRAM, acaba de apresentar o seu pedido de demissão em bloco. Segundo apurou o DIÁRIO, os responsáveis por eventos como Madeira Live Festival, Azores Fashion Week e Fashion TV Madeira já não fazem parte dos quadros do grupo.
in DdN de 19/08/06

sábado, setembro 2

weekend postcards

Graciosa. Porto da Folga (com São Jorge + Pico como cenário). Agosto 2006. Após uns dias memoráveis recordo com nostalgia uma ilha com um potencial imenso mas cuja desertificação humana constringe, para já, a confiança dos que lá vivem. A Graciosa apresenta-se-me, hoje, num esbatimento reflexivo das múltiplas memórias de infância, de um passado recente, cujos resquícios rapidamente desvanecem na urgência do Tempo. No entanto, e na busca de uns dias tranquilos regressei com alma cheia...

sexta-feira, setembro 1

quente [frio]

Após uns dias de retiro o regresso a casa e a inevitável confrontação com o desperdício da abundância. No frigorifico a validade não perdoa e no caso dos vegetais o frio é quem mais ordena. Algo que me persegue nas ausências do quotidiano e por intermédio das quais deparo frequentemente com verdadeiras pérolas = fungosidades de laboratório. Este Agosto o meu maior esquecimento foi um tomate espanhol!...

CineClube

Miami Vice (...) Várias pessoas me deram conta da surpresa de descobrir um filme como «Miami Vice», de Michael Mann, a ser tão estimado por alguns críticos de cinema (por mim, creio que estamos mesmo perante um dos melhores títulos americanos de 2006). Embora correndo o risco da generalização, não posso deixar de sublinhar que tal surpresa depende do velhíssimo preconceito segundo o qual o "crítico" só pode ser esse bicho enjaulado que se mantém prudentemente distante de tudo o que tenha a chancela de "popular" ou ostente o rótulo de "sucesso". Já nem me atrevo a contrariar o preconceito porque ele persistirá independentemente do que eu, ou seja quem for, possa escrever sobre este ou qualquer outro filme. De qualquer modo, equívoco por equívoco, creio que vale a pena repudiar também outra noção corrente segundo a qual os filmes que desfrutam de maior visibilidade no mercado (em particular no Verão) são necessariamente objectos de produção académica. O caso de «Miami Vice» é, também nesse aspecto, fascinante: eis um filme que encaixa num modelo regular da grande indústria, ao mesmo tempo que está imbuído de um sentido de experimentação que muitos objectos "vanguardistas" e "bem pensantes" não sabem sequer fingir. Convém lembrar que Michael Mann gosta de desafiar os limites do seu próprio quadro de trabalho. Afinal de contas, em 1979, com «Fúria de Vencer/The Jericho Mile», ele foi um dos primeiros a ver um dos seus telefilmes a ter distribuição nas salas de cinema. Mais recentemente, tem experimentado as potencialidades das novas câmaras digitais, por vezes assumindo-se mesmo como operador dos seus filmes: aconteceu em 2004, em «Colateral», com Tom Cruise. Agora, para filmar as aventuras da dupla interpretada por Colin Farrell e Jamie Foxx, Michael Mann leva ao extremo o desafio de transfigurar a noite: é uma transfiguração visual que acaba por ser, obviamente, genuinamente dramática. Ou como um grande narrador é sempre alguém atento à luz e seus sobressaltos. Texto de João Lopes (in Cinema 2000). Em exibição na CL.

The Wind That Shakes the Barley Irlanda 1920: trabalhadores da cidade e do campo unem-se para formar uma guerrilha armada para enfrentar os impiedosos esquadrões "Black e Tan" que, chegados de Inglaterra, irão bloquear a tentativa de independência Irlandesa. Guiado por um forte sentido de dever e amor pelo seu país, Damien (Cillian Murphy) abandona a sua promissora carreira como médico e junta-se a seu irmão, Teddy (Padraic Delaney), numa perigosa e violenta luta pela liberdade. As ousadas tácticas dos lutadores pela liberdade levam os ingleses a um ponto de ruptura e ambos os lados finalmente concordam em assinar um acordo para evitar mais derramamento de sangue. Mas, apesar da aparente vitória, irrompe a guerra civil e, membros de famílias que lutaram lado a lado, estão agora uns contra os outros, encarando-se como inimigos e pondo a sua lealdade à prova. * Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes em 2006. No Solmar.

domingo, agosto 27

Fim da 1ª etapa

Mais belo que o belo
A exposição "9 ilhas 9 fotógrafos", presente no Teatro Micaelense, é de uma qualidade rara e imperdível. Nunca as nossas ilhas terão sido tão bem captadas e registadas. Gente de fora que sabe muito da sua profissão e que não deixa passar nada do que se lhe mete pelos olhos dentro. Olhos que vêem a luz. Olhos que do feio fazem o belo mais belo que o belo.


Expresso das Nove
Sexta-Feira, 25 Agosto 2006

quinta-feira, agosto 24

terça-feira, agosto 22

FÉRIAS

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Blogar todos os dias também cansa. Consequentemente, cedo entrei de estágio para as habituais férias prometidas pelo calendário estival. Primeiro seguiu o Vox Populi (como já bem observou o Alexandre), secundado pelas crónicas mensais do Jornal dos Açores, e daí em diante fui entrando no doce prazer de postar "coisas realmente insignificantes" profusamente ilustradas por pin up's como Kate Moss ou Asia Argento.

No gozo das férias por cá vou passando e lendo o que resto da "comunidade" vai postando. Tradicionalmente, algures no mês de Agosto, tenho a pretensão de partilhar algumas sugestões de leitura com os bloggers que ao longo do ano são frequentes leitores deste blog; afinal de contas durante as férias, para quem é um leitor compulsivo como eu, é tempo de nos atiramos a alguns livros que, na voragem dos dias que passam, vão ficando em standby. Na lista que se segue não há qualquer colagem literal ou subliminar do título ao leitor. Importa sim o sumo destas delícias que já consumi e cuja leitura ou releitura recomendo com apreço.
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Para o Nuno Barata: "Um Herói Português - Henrique Paiva Couceiro" (Ed. de 2006 da Alêtheia) o mais recente ensaio de Vasco Pulido Valente que recupera a memória de uma outra direita precedente à República e ao Salazarismo. Henrique Paiva Couceiro serve de personagem tipo no enredo de um Portugal que se afundava na I República. O antigo Governador de Angola, que havia participado em várias campanhas de África, como Monárquico que era sustentava que nada o impediria de defender a "tradição". Consequentemente abominava o Partido Republicano e a república jacobina de Afonso Costa. Quixotescamente organizou a resistência à República e com os "pinocas", seus sequazes exilados no Norte e na Galiza, pretendeu lançar uma carga a cavalo pela Coroa para varrer do mapa o Partido Republicano. Não teve sorte e acabou ostracizado pela I República e pelo Estado Novo. Um livro que se lê com paixão na revisitação do nosso passado.
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Para o Pedro Arruda recomendo partilhar a leitura que conclui recentemente: "A possibilidade de uma ilha", de Michel Houellebecq (Ed. de 2006 da D. Quixote), que assinala com o habitual escândalo o regresso do enfant-terrible das letras francesas. O romance gravita em torno da biografia de Daniel 1 narrada pelo próprio e, num cenário pós-apocalíptico, pelos seus clones Daniel 24 e Daniel 25. Daniel 1 é um humorista niilista e cáustico que ganhou a vida a satirizar cinematograficamente a humanidade. Sintomaticamente o seu maior sucesso comercial fora uma paródia intitulada "Broute-moi la Bande de Gaza - mon gros colon juif" (g.m. "Lambe-me a faixa de Gaza - meu grande colono judeu"). Houellebecq afirma que os artistas dividem-se entre revolucionários e os decoradores sendo que "os revolucionários são pessoas capazes de assumir a brutalidade do mundo e de lhe responder com uma brutalidade acrescida." À margem destes os humoristas, no seu desencantado modo de ver a humanidade, não têm por finalidade "transformar o mundo, mas em torná-lo aceitável, transformando a violência, necessária a toda a acção revolucionária, em riso e, acessoriamente, ganhando também muita massa.". Longe do fulgor de "Partículas Elementares" ainda assim esta última excrescência literária de Houellebecq lê-se com sobressalto e com bolinha vermelha, pois o autor nada tem de decorativo. Nas palavras do ensaísta Eduardo Lourenço "sob a aparência do cinismo, A Possibilidade de uma Ilha, é um livro grave. Talvez seja a máscara que convém pôr num mundo que não conhece a fundura da sua perdição.".

Para o Tózé Almeida, uma lamentável defecção do :Ilhas, fica o registo de uma outra dissolução magistralmente narrada em "A Obra ao Negro" (Ed. 2002 da D. Quixote) de Marguerite Yourcenar. Pela vida errante de Zenão dissolve-se a ordem de valores da Idade Média abrindo-se ao leitor uma janela para uma nova ordem precursora da Modernidade. Um livro denso e apaixonante cuja sabedoria contagia pois, como diria Zenão, "a vida empareda os loucos e abre uma fresta aos sábios.".

Para a mais erudita, mas também, por dever de ofício, errante participação da blogoesfera Açoriana deixo à consideração do Carlos Riley uma longa crónica de viagens de Henry Miller, por vezes acompanhado de Lawrence Durrell, numa demanda pela metade da alma coeva da nossa civilização. Uma espécie de "Cherchez la Femme" civilizacional e de costumes que tem por destino essa divindade Europeia que é a Grécia. A narrativa em tom coloquial, instigada pelo entusiasmo de uma ninfeta de Miller, ficou condensada em "O Colosso de Maroussi" (Ed. De 1996 da Livros do Brasil).

Para o Alexandre Pascoal presumindo que como militante do Bloco é um prócere entusiasta das artes circenses aqui fica a recomendação de "Shalimar - O Palhaço" (Ed. De 2006 da D. Quixote) de Salman Rushdie. A milhas da obra-prima que é "O último suspiro do mouro" este livro de Rushdie, com um palhaço assassino a servir de fio condutor da narrativa, é um patchwork épico que atravessa parte do nosso Século XX. Em suma: nas palavras de Rushdie é mais uma peça para a "crescente irascibilidade do mundo". O livro requer alguma tenacidade e paciência mas a leitura é gratificante.

Para o André Bradford fica a sugestão de um Clássico da Língua Portuguesa: "Eusébio Macário" de Camilo Castelo Branco (Ed. Ulmeiro 1998). Esta "história natural e social de uma família no tempo dos cabrais" é livrinho que nos reconcilia com o pesaroso Camilo Castelo Branco de "Amor de Perdição" pois foi arquitectado para ridicularizar. Um retrato impiedoso de públicas virtudes, "Eusébio Macário" fustiga os vícios privados, ilustrados num estilo rendilhado, e devidamente embrulhados numa farsa de costumes de chorar a rir. Com razão lá diziam os clássicos que "ridendo castigat mores". A edição faz-se acompanhar de um indispensável rol de notas de rodapé.

Para o João Pacheco Melo recomendo a revisitação de uma pequena mas deliciosa monografia: "Corografia Açórica" (Ed.1995 da Jornal de Cultura) por João Soares de Albergaria de Sousa. Neste ensaio oitocentista o autor assevera que "Os Micaelenses são altos e fortes e os melhores agrícolas dos Açores: os civilizados são muito tratáveis pela sua sinceridade e franqueza; e os que se não têm familiarizado com os estrangeiros, reúnem as boas qualidades dos Açorianos."! Nem imagino o que diria hoje o autor dos autóctones, em especial da estirpe que idolatra o Sandro G e afins.

Para o indispensável Carlos Falcão, em complemento de outras leituras nas cercanias de Goa, sugiro "A Índia Portuguesa em meados do Séc. XVII" de Carl Boxer (da Edições 70).

Para o Nuno Mendes, um dos melhores livros que reli este ano: "A Invenção de Morel" (Ed. de 2003 da Antígona) de Adolfo Bioy Casares. Em 120 páginas é um livro tão fantasticamente complexo, embora de leitura voraz, que ando desde o ano passado a tentar escrever um post sobre esta obra-prima da "literatura fantástica" sem nunca encontrar o caminho para a ilha de Morel!

Para as Miauu Girls, capitaneadas pela Maria Graça da Silveira, um livro excelente que recebi no dia do meu aniversário: "Cisnes Selvagens - Três Filhas da China" de Jung Chang (Edição da Quetzal / 2004). Uma saga familiar, vista pelo lado do ascendente feminino, num país que despreza a condição feminina entre outros valores que nos habituamos a respeitar no "mundo Ocidental".

Para o Rui Lucas, que este ano tive a gratificante honra de conhecer profissional e pessoalmente, fica a indispensável sugestão de leitura para quem partilha o gosto pelos trilhos de Santiago. O "(Des)Caminho para Santiago" de Cees Nooteboom (Ed.de 2003 da ASA) é um erudito e completo guia para quem quiser andar perdido por terras de Espanha.

Para o humor desconcertante do Nuno Costa Santos serve adequadamente "O Avesso da Vida" de Philip Roth (infelizmente julgo que não há tradução portuguesa pelo que terá que se amanhar com a Brasileira da Companhia das Letras/1987).

Para o Guilherme Marinho, sempre a par da agenda política Espanhola (além da nossa como é óbvio) fica o atrevimento da recomendação de "Vagabundo ao serviço de Espanha" desse grande senhor das letras que foi Camilo José Cela (um merecido prémio Nobel da Literatura). Por vezes gongórico, outras vezes coloquial, este pequeno livro de viagens mergulha no sangue garrido do lastro histórico de Espanha. (Ed. De 2002 da Asa).

Para o Pedro Gomes ocorreu-me "A Grande Ruptura" de Francis Fukuyama (Ed. de 2000 da Quetzal) uma obra densa que pretende dissecar e incensar a sociedade da informação. Pelo volume é uma garantia de leitura para um semestre!

Para a Mariana Matos, como é óbvio não cometeria a ousadia de recomendar poesia, pelo que optei por uma obra cujo gosto fosse possível partilharmos. Presumo que "Errata: Revisões de uma vida", de George Steiner, preenche este propósito. (Ed. 1997 da Relógio De Água)

Para o empresário cultural Victor Marques é também tempo de férias e o desejo de evasão evoca porventura outros quadrantes. Fica assim a sugestão de "Noa Noa - Voyage de Tahiti" de Paul Gauguin (excelente Ed. De 2003 da Assírio & Alvim). "Noa Noa, que em tahitiano quer dizer cheiroso; ou seja, como cheira o Tahiti" que, como se sabe não é aqui, evoca o relato duma evasão apaixonada, pela pena peculiar de Gauguin, que apenas ambicionava, entre outras coisas, "o gozo do dia a dia sem contratempos.".

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Finalmente, não poderia olvidar os meus dois comentadores favoritos: o Ezequiel e o Edgardo, ambos de pena cortante, por vezes lancinante, são contudo visitantes recorrentes deste blog cujos comentários só o enriquecem. Para o Edgardo, acaso encontre o livro num alfarrabista, fica a recomendação da "Antologia do Humor Português" de Armando de Mello (é mesmo com dois ll) da Edições Afrodite. Para o Zeke uma leitura mais actual na demanda da compreensão global mas também Europeia do resto do mundo. Que, como se sabe, tende hoje a ser o mundo do Islão cujos muçulmanos formam entre nós "coágulos lentamente absorvidos" (na fórmula de Houellebecq). Actual e de leitura compulsiva aqui fica para o Zeke, em particular, a sugestão de "O Ocidente e o Resto" de Roger Scruton numa edição de 2006 para a Ed. Guerra e Paz.
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Prometo voltar algures em Setembro com outras Ilhas. Posto isto até um dia destes num blog perto de si!
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posted by João Nuno Almeida e Sousa