Este não é um elogio fúnebre. Este será, antes de qualquer
outra coisa, um desabafo que não almejava fazer, mas algo ao qual estou
condenado, talvez pelo respeito aos meus princípios edificadores.
No fundo, em mim, há uma descomunal necessidade de partilhar,
com tantos quantos lerem esta apologia e não o tenham conhecido, a imagem de um homem
(um vulto para mim) que assenta na absoluta naturalidade com que relativizava
todas as situações e encaixava todos os desabafos. Um homem que marcou uma inteira
geração de profissionais do turismo nos Açores também com a sua imensa
capacidade de perdoar, mesmo a todos aqueles que se possam sentir agora magoados
com a sua súbita partida.
Em tempos não muito distantes, ouvia um amigo dizer, com
muita graça e algum respeito, que tinha sido colega de Fernando Pessoa na
McCann. Pois, para mim, ter sido colega de António José Silva não foi menos
importante. E, na mesma época, poder partilhar com ele as suas conquistas e ser
brindado com o seu sorriso triunfante, foi sempre um acontecimento de rara
beleza pelo qual lhe estou desmedidamente grato.
Hoje, o tempo pode não ser de infinita majestade e paz, mas
eu continuo a sentir-me, como diz o poeta persa Ferdowsi Tusi no “Livro dos
Reis ”, como pó na garra do leão.
Sem comentários:
Enviar um comentário