terça-feira, março 27

Portugal...Quo Vadis ?

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"Compreender como era o nosso país há trinta anos e como se situa nos tempos presentes, dando também perspectivas do seu futuro" é este o script traçado por António Barreto, sociólogo e investigador do Instituto de Ciências Sociais, para a produção da monumental série documental "Portugal, um retrato social" que estreia hoje no Canal 1 da RTP. Este ambicioso fresco televisivo do nosso Portugal terá emissão semanal, sempre às terças-feiras, e sempre após o Telejornal por volta das 21 horas (pelo fuso horário da metrópole), ou seja, pelas 20 horas dos Açores. "Portugal, um retrato social" é obra de um dos mais notáveis intelectuais Portugueses que levou dois anos a concluir esta adaptação televisiva de uma vida de trabalho académico. No primeiro episódio, "Gente Diferente", interrogamo-nos sobre quem somos, quantos somos e onde vivemos. Daí em diante seguem-se mais seis episódios: "Ganhar o Pão"; "Mudar de Vida"; "Nós e os Outros"; "Cidadãos"; "Igualdade e Conflito"; "Um País como os outros".

Depois disto asseveram-nos que não há como duvidar de que o Portugal de hoje tem diferenças abissais em relação ao de há 30 anos. Por exemplo : Depois da revolução dos cravos, uma das maiores revoluções ainda em curso entre nós é a dos "costumes". Sinal dessa realidade é dado por António Barreto quando em entrevista ao Público, depois do trabalho de campo realizado para o documentário, confessou estupefacto : "eu não sabia que em Portugal havia dezenas de discotecas que funcionam até às cinco da manhã para crianças dos 13 aos 16 anos. Não sabia que essa discotecas têm um limite de idade para cima: não se pode entrar com mais de 16 anos. Não sabia que centenas de pais, aflitos com a maneira de tratar com os filhos, vão para a porta das discotecas às cinco da manhã esperar as crianças?". São estes sinais do tempo que importa também perscrutar para reflectirmos, casuisticamente, se a dado momento há evolução ou retrocesso social. No cômputo geral a produção da série, em sintonia com o optimismo militante do politicamente correcto, conclui o óbvio : "A sociedade portuguesa é hoje aberta e plural.". Nesse caminho, como será Portugal daqui para o futuro ?
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Seja como for, à hora em que passam noutros canais novelas filmadas em São Miguel, mas com sotaque do Bairro Alto, estarei a ver este "Portugal, um retrato social" que estreia hoje às 20 horas no Canal 1 da RTP. A não perder.
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

tubarãoesquilo



já está visível o novo projecto do Paulo Querido, a rede editorial TubarãoEsquilo, para acompanhar com muita atenção.

Dia Mundial do Teatro

Comemorado no Teatro Ribeiragrandense com o Grupo de Teatro Amphitheatrum da Associação Arte-Palco, apresenta Aos Amores, peça com encenação de Elisa Gomes, que está em cena desde 24 de Março. Depois do espectáculo, o público será convidado a participar num brinde ao Teatro e ao convívio com os actores. A noite completa-se com uma perfomance com direcção do actor/encenador Nelson Cabral. Trata-se da 1ª mini LARGADA DE VELHAS realizada nos Açores, com a participação dos alunos do Curso de Animador Sócio-Cultural da Escola Profissional de Nordeste; que será animada pelo 2º mini CONCERTO dos TOMANÉS - trupe de música feliz - constituída por João Luís Macedo, Nelson Cabral e Paulo Simão.

CineClube

Half Nelson Dan Dunne (Ryan Gosling) é um jovem professor que a cada dia que passa vê os seus ideais desvanecerem perante a realidade. Todos os dias ele tenta entusiasmar os seus alunos de 13 e 14 anos, rejeitando uma abordagem convencional e tentado fazê-los perceber como ocorrem as mudanças e que eles são capazes de pensar por eles próprios. Apesar de brilhante e dinâmico na sala de aula, Dan passa a maioria do tempo fora dela inconsciente. As suas desilusões tornaram-no toxicodependente, numa dependência cada vez mais grave. Ele balança entre as aulas e as ressacas, mas um dia é descoberto por Drey, uma das suas alunas. Apesar da diferença de idades e situações, daí nasce uma amizade cúmplice que transforma as suas vidas. "Half Nelson" ganhou os Prémios do Júri nos Festivais de Locarno e Deauville e Ryan Gosling foi nomeado para Melhor Actor nos Óscares (in CineCartaz). Um destaque à OST. Em exibição esta semana no Solmar.

weekend postcards

O fim-de-semana foi de egocentrismos mas sobretudo de celebrações pelo regresso da :ILHAS aos escaparates. A noite de 6ª foi um volta que estás perdoado aos discos, com uma ou outra nostalgia e alguns percalços. Para repetir + vezes.

segunda-feira, março 26

O que fazer com Salazar?

Era por demais previsível este desfecho para esse disparatado concurso televisivo chamado Os Grandes Portugueses. Não só pela exclusão inicial do ditador da lista dos candidatos, como por toda a polémica que se gerou em torno do programa, como ainda pela campanha publicitária promovida pela RTP, em que de forma emotiva e maniqueísta se apelava às qualidades e defeitos das personagens. Tanto pediram que conseguiram: ganhou Salazar. É claro que cada uma das pessoas que se deu ao trabalho de telefonar para dar o seu voto terá a sua motivação para o fazer e esse não me parece ser agora o dado mais importante de analisar. Foi por protesto, foi por vontade, foi por gozo... O facto é que o Portugal contemporâneo está confrontado com a realidade de na arena mediática António Oliveira Salazar ter sido eleito o nosso Maior, logo seguido por Álvaro Cunhal. O que é que isto diz de nós? Será que é apenas um problema de falta de cultura, será que foi o sistema de ensino que falhou, falhou a própria história que quis apagar o ditador dos manuais, será que é o próprio povo que gosta de ser subjugado? Alguns dirão que isto não importa nada, é apenas um concurso televisivo com uns míseros 210 000 votos, por telefone, nada de embandeirar em arco, o importante é pôr as coisas no seu devido lugar. Pela minha parte opto por perceber que há aqui um sinal, mais um, da mentalidade de um povo que é demasiado letárgico para acreditar em si mesmo. A Liberdade e a Democracia são valores primordiais, mas são valores exigentes, que requerem um trabalho constante de construção e manutenção. As ameaças a estes valores são muitas nos tempos que correm. A televisão é um dos maiores instrumentos de propaganda e de doutrinamento que a humanidade alguma vez criou. Se as mensagens transmitidas pela televisão não forem explicadas e comentadas na praça pública corremos ao risco de ser governados por ela. A Liberdade e a Democracia são demasiado frágeis para permitir que um ditador, mesmo que morto, seja eleito o nosso melhor. O Salazar tirânico, déspota, assassino, defensor da censura política e ideológica, torturador e exilador, tem que ser contado para que nunca surja outro como ele.

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Uma pequena grande ideia de BN entretanto defraudada.
HOJE, ESTOU COM VERGONHA DE TER NASCIDO PORTUGUÊS.

domingo, março 25

Grandes Portugueses - A Final

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Portugal está suspenso da grande final da mega sondagem popularucha patrocinada pelo Canal 1 da Televisão Estatal! Aos Portugueses foi lançado o desafio: "Quem é para si o maior português de sempre?" O rol surpreendente dos 10 finalistas é o seguinte:

D.AFONSO HENRIQUES
ÁLVARO CUNHAL
ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR
ARISTIDES DE SOUSA MENDES
FERNANDO PESSOA
INFANTE D.HENRIQUE
D.JOÃO II
CAMÕES
MARQUÊS DE POMBAL
VASCO DA GAMA
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Uma conclusão prévia importa reter: entre os dez finalistas não consta uma única alminha do Portugal hodierno e democrático, sugerindo que para os Portugueses de hoje o melhor de Portugal já era e que o melhor Português será, inevitavelmente, um Português morto! Como diria o inolvidável Jorge Luís Borges os Portugueses, a quem ele se reportava como "essa vaga gente", são "ténues como se nunca houvessem existido" e "fazem parte do tempo, da terra e do que é esquecido." Talvez por ser assim os Portugueses voltam-se inevitavelmente para o Portugal do passado. Logo, a final de hoje do concurso dos "Grandes Portugueses" será feita com fantasmas e quimeras de antanho. Creio até que teremos uma segunda volta com o poltergeist de Cunhal e uma surpreendente aparição de Salazar. Será que os Portugueses querem mesmo ressuscitar estes espectros
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

cavaquices

S. Exa. o Presidente da República de Portugal vai fazer uma almoçarada para assinalar os 50 anos da assinatura do Tratado de Roma, que deu origem à União Europeia, e convidou este mundo e o outro para a patuscada. Diz ele que todas as personalidades que ao longo dos anos ocuparam funções relacionadas com a ligação de Portugal com as instâncias europeias foram convidadas, Ministros, Secretários de Estado, Comissários, Embaixadores, Directores Gerais e por aí a fora. Agora adivinhem quem não foi convidado? Apenas o Primeiro-ministro que assinou o tratado de adesão de Portugal à antiga CEE, Mário Soares. O nosso actual Presidente da República é mesmo uma pessoa bem educada...

sábado, março 24

sexta-feira, março 23

BestOf:ILHAS+Party

na mala

+++ Carla Bruni + Devendra Banhart + Lambchop + Regina Spector + Cat Power + The Good, The Bad & The Queen + Final Fantasy + Arcade Fire + I'm From Barcelona + Morrisey + The Shins + Clap Your Hands Say Yeah + Sufjan Stevens + Camera Obscura + Jim Noir + My Morning Jacket + The Raconteurs + Cody Chesnutt + Donavon Frankenreiter + Jack Johnson + Sergio Mendes + Dolomite + Amy Winehouse + Scissor Sisters + Christina Aguilera + Prince + Mundo Secreto + Sleepy Brown + Kanye West + Lupe Fiasco + Pharrell + Snoop Dogg + Nas + Da Weasel + Justin Timberlake + Kudu + Buraka Som Sistema + White Rose Movement + She Wants revenge + Infadels + Cansei De Ser Sexy + The Pipettes + Cold War Kids + Noisettes + Bloc Party + Sonic Youth + Albert Hammond Jr + Oasis + The Kooks + The View + Beck + Koop + Zero 7 + Tracy Thorn + Feist + Corinne Bailey Rae + Junior Boys + Hot Chip + Fujiya Miyagi + Richard Dorfmeister + Madrid de los Austrias + Plant Life + Kylie Minogue + Gnarls Barkley + Trentmoller + Dj Shadow + Money Mark + Jazzanova +++

recomendação de leitura

revistas



à venda também em Ponta Delgada
Cara Sr.ª D.ª Rosa Silva, e demais interessados, A RESPOSTA segue nesta caixa de comentários do post Ebit - O clip !.
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atenciosamente JNAS

República das Bananas

«(...) actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios políticos da região»

É esta a alternativa de rigor e contenção que preconizam para a Madeira!?

quinta-feira, março 22

Para Ler/Ver

25 Frames por Segundo
2006 Vídeos da Colecção da Fundação PLMJ
Publicações Assírio & Alvim
Edição: Miguel Amado







Um olhar sobre a video-arte em Portugal.
Livro/Catálogo que nos mostra
a colecção de Vídeo da Fundação PLMJ que pretende traçar uma panorâmica da produção da criação de video-arte nacional.
A publicação inclui um DVD com seis trabalhos inéditos, encomendados para o efeito a Adriana Molder, João Seguro, José Carlos Teixeira, Margarida Paiva, Pedro Barateiro e Rita Sobral Campos.


28 MARÇO | 21H30




23 MARÇO | 00H00

DN

Os efeitos da mão de João Marcelino na direcção do Diário de Notícias são por de mais evidentes, mas têm particular acuidade nas primeiras páginas dos últimos dias. Em total oposição com a linha anterior onde a sobriedade, a utilização gráfica dos bolds e das fontes, o destaque de um assunto importante, as primeiras páginas do DN são agora um bouquet de emoções várias em que os títulos assumem laivos de abertura de romance de cordel. A de hoje é um exemplo clássico do estilo popularucho e sensacionalista tão do agrado dos capitalistas dos média, que salivam com as audiências e os shares e o vil metal. Este título "Sargento volta a pegar a sua menina ao colo" é um insulto à isenção, à imparcialidade, jornalística e ao bom senso e bom gosto que devem caracterizar um jornal de referência. O actual panorama jornalístico português é, para quem gosta de jornais, profundamente confrangedor. É caso para dizer: para quê ler jornais se já temos telenovelas.

quarta-feira, março 21

Dia Mundial da Poesia*

TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.


Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.


Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.


Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?


Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.


(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)


Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.


(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)


Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente


Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.


Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.


Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,


Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.


Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.


Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.


Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.


(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.




Álvaro de Campos, 15-1-1928


*este post serviu dois intentos: assinalar o Dia Mundial da Poesia, da Árvore e 1º da Primavera, e censurar o post do João Nuno...

orla costeira

Na Costa da Caparica o mar, que não quer saber de política para nada, está a cumprir o seu papel e, paulatinamente, vai destruindo anos e anos de mau planeamento da orla costeira, especulação económica e imobiliária e toda uma outra série de desmandos de quem governou este país nos últimos 50 anos. Por cá, Câmaras e Governos, vão avançando, uns mais às claras, outros mais no segredinho da padinha política, com brutais intervenções na frágil e delicada orla marítima das ilhas. Um dia o mar de cá fará como o mar de lá, onde estarão estes políticos de agora nesse dia?

Reporter X

2.0*

Os Açores, para quem nos visita ou pretende visitar, têm a sua imagem ligada a uma aura exótica, pelo facto de existir um lado idílico associado. Daí que, para a realização do Encontro de Bloggers, organizado pela MUU, as Furnas e o Terra Nostra Garden Hotel sejam, à partida, o local privilegiado para mostrar a quem nos visita aquilo que de melhor existe nestas ilhas - a natureza, o conforto e a hospitalidade.

Este encontro de carácter informal pretende afirmar-se com um formato anual e aproximar os que cá estão e quem lá escreve - na blogosfera e no continente português. Outra intenção inerente a esta realização prende-se com o tornar visível a denominada blogosfera regional, tornando-a conhecida em termos nacionais, para além de meramente linkada.

Mais do que saber da importância que possa ser atribuída aos blogs nas ilhas, convém para já esclarecer alguns equívocos presentes em quem não participa na visita diária destas páginas: estes não são lugares mal frequentados, nem predomina a maledicência - tudo preconceitos próprios de quem desconhece ou lida mal com a liberdade conferida aos blogues. É nessa perspectiva que os blogues podem ser uma mais valia; pelo seu carácter imediatista e genuíno, pela forma simplificada como se acede à informação, pela rápida difusão da mesma e como plataforma alargada da prática da cidadania participativa e participada.

A participação local (e regional) ainda não atingiu os níveis que se pretendem alcançar, mas a intenção é a de a pouco e pouco tornar comum o debate e a troca de experiências de quem bloga nas ilhas. Na minha perspectiva, os níveis de participação actual nos blogs são perfeitamente razoáveis e satisfatórios, tendo em conta o nível de participação cívica desta região. Aliás, quem participa são sempre os mesmos - dirão uns. Questiono: porque será que é sempre assim?!

* publicado na edição de 20/03/07 do AO
** Email Reporter X
*** Foto X Filipe Franco

terça-feira, março 20

Cães de Fila

«coacção física, violência verbal e agressão física»
Nunca pensei estar em sintonia com a MJNP. Redireccionado daqui

em certos momentos

não há nada como uma pausa.

BestOf:ILHAS:Party

BestOf:ILHAS Party
23.03.07 00h00
Arco8 Galeria/Bar
Som Pascoal y Mendoza
Imagem VMC

Ebit - O clip !

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Em contraponto ao post elegíaco do Pedro Arruda ao EBIT não resisto a postar o vídeo-clip do encontro. Esta delícia kitsch aparentemente parece ter sido retirada do baú dos "tesourinhos deprimentes" da trupe do Gato Fedorento. Contudo, trata-se de um footage actual da vanguarda e elite de bloggers da Ilha Terceira já publicitada worldwide no YouTube. O clip, apesar de possidónio, tem a virtude de servir de comic relief embrulhado na voz inimitável desse grande "Serafim Saudade" da Ilha Terceira que gira sob o nome artístico de Carocho ! Este nome sonante do cançonetismo local empresta a sua maviosa voz ao hino dos bloguistas, cujo comovente refrão é ainda, por certo, trauteado pelos notáveis participantes no EBIT. Imagino-os no encontro, irmanados ao estilo da Internacional, a cantarem a uma só voz : "Somos bloguistas/ de par em par/ pontos de vista/ a navegar !".
Nem os Monty Python, tão do agrado do Dr. André Bradford (convidado especial do II Ebit !), fariam melhor. Com artistas deste calibre quem precisa de violas e brasileiras quando tem destes jograis para animar a malta ?
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

Blogoarquipélago

Os blogues são de facto uma realidade muito sui generis, onde se cruzam interesses, gostos, vontades e preocupações muito diversas. Interligados por uma rede global de links, assente no quase universalismo da Internet, a blogoesfera é hoje uma extraordinária plataforma de edição e publicação, de troca e partilha de conhecimento e informação. Da mesma forma nos Açores, no blogoarquipélago, os blogues assumem um papel importantíssimo na divulgação das realidades locais de cada ilha e na projecção do arquipélago para fora de si mesmo. Através da blogoesfera podemos aceder em tempo real às mais variadas informações sobre acontecimentos locais, sejam na ilha das Flores, da Graciosa, de uma freguesia na Terceira ou em São Miguel. Através dos blogues os Açores têm finalmente a possibilidade real de deixar de ser um conjunto de ilhas de costas voltadas umas para as outras e assumirem de vez uma verdadeira condição arquipelágica. O segundo EBIT, no qual tive o prazer de participar, foi uma interessantíssima ocasião para aprofundar os laços entre duas visões diferentes da realidade dos blogues e para a partilha e debate de ideias entre bloggers com experiências e interesses diferentes uns dos outros. O blogue é o elemento comum que permite a criação e aprofundamento da verdadeira rede social onde se sustenta o blogoarquipélago e, por maioria de razão, uma perspectiva nova do que é e pode vir a ser o arquipélago dos Açores no seu conjunto e na sua relação com o mundo. A este propósito não posso deixar de referenciar, deixando aqui o meu elogio e incentivo pessoal, ao Mike Maciel, que é o cérebro por detrás do Blog9Ilhas, um projecto genial que nasce da evolução natural da BlogBoardAçores, de um mero agregador de blogues de cariz ou tendência regional, para disponibilizar também uma plataforma de alojamento de blogues totalmente sediada nos Açores e uma das poucas nacionais, este é sem dúvida mais um passo e um passo muito importante para a projecção do blogoarquipélago no mundo. Por último um agradecimento especial à Rosa e ao Luís pelo mui amável convite e um abraço a todos os participantes. Para o ano há mais?

:

A 2 regressa hoje ao formato original (depois de um pecado chamado Sarmento). Os : continuam a ser única e exclusivamente :ILHAS.

segunda-feira, março 19

Alta Fidelidade


1º disco a solo de Tracey Thorn (a vocalista dos EbTG) já adicionado aos favoritos do :ILHAS. Som e imagem para tornar happy o ambiente de trabalho desta 2ªF.

CineClube

Letters from Iwo Jima Lado B do díptico de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima. Enquanto "As Bandeiras dos Nossos Pais" partia da icónica imagem em que cinco "marines" erguem a bandeira dos EUA no Monte Suribachi, "As Cartas de Iwo Jima" mergulha no lado dos soldados japoneses. Décadas depois da batalha, são desenterradas no local várias centenas de cartas que revelam facetas desconhecidas dos soldados que aí perderam a vida. Os japoneses estavam cientes que dificilmente sobreviveriam à batalha. Entre eles estavam Saigo, um padeiro que só queria conhecer a filha recém-nascida; um campeão Olímpico de hipismo conhecido em todo o mundo; um jovem ex-agente da Polícia Militar a quem a guerra ainda não roubou os ideais; e o tenente Ito, um militar que preferiria o suicídio à rendição. A liderá-los, o general Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe) - as suas viagens pela América revelaram-lhe o quão vã é a guerra, mas também lhe deram a visão estratégica necessária para enfrentar a armada americana. Com poucos meios e poucos soldados, mas uma vontade indómita de vencer, o general tira partido das particularidades da ilha e consegue transformar aquilo que se previa como uma derrota rápida num combate heróico. Em Iwo Jima morreram quase sete mil soldados americanos e mais de 20 mil japoneses. Eastwood sentiu que a única forma de homenagear todos os que perderam a vida seria realizar dois filmes, pois um seria contar apenas metade da história (via Público). Para ver hoje a preços de 2ªf no Solmar.

sábado, março 17


Hoje, Águias e Leões assinam uma tácita aliança.
Dizem que são 9 milhões contra o dragão.
Segundo o Ciberdúvidas " O dragão é um animal mitológico que é representado normalmente isolado", e assim vai se vai manter - isolado no 1º lugar - até ao fim deste campeonato.

POOOOOOOOOOORRRTOOOOOOO

:agenda

Mísia, o Fado, Lisboa e os seus poetas hoje em Ponta Delgada.

Reporter X

Largo de São João. Ponta Delgada. Março 2007. As obras do Parque de São João avançam para a sua conclusão (ainda este ano!). Não há nada como um calendário eleitoral e uma subempreitada para colocar a máquina a mexer. Felizmente, ou infelizmente (confesso que não sei discernir os reais benefícios desta obra e se alguém alguma vez ponderou os malefícios e danos que dela resultaram), mas e apesar disso mais vale tarde do nunca!..

em exibição

História Trágica com final (in)feliz (um enredo desenvolvido aqui).

sexta-feira, março 16

Há 4 anos













13 de Setembro de 1923 - 16 de Março de 1993



«as telenovelas de produção nacional, pese a sua melhor ou pior qualidade, são a ocupação fútil do espaço televisivo pelo anedótico deste presente tão desmaiado e incaracterístico da vida portuguesa. Conta-se o que
não há para contar, recheando o vazio com historietas tecidas pela vulgaridade»

Natália Correia em resposta a inquérito do Diário de Notícias, 4 de Setembro de 1983

:agenda

+ info

quinta-feira, março 15

Droga a olho nu

Está a causar grande preocupação à população em geral, em particular ao Conselho Executivo da Escola Secundária Antero de Quental bem como aos encarregados de educação dos alunos que frequentam aquele estabelecimento de ensino, o consumo e tráfico de estupefacientes, que acontece, diariamente, no Largo Mártires da Pátria, em Ponta Delgada. A situação é visível para todos os que ali passam e já motivou mesmo a tomada de medidas rigorosas e extremas por parte dos responsáveis pela escola. Boanerges de Melo, presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Antero de Quental, afirma que "já foram feitos vários pedidos à Polícia de Segurança Pública (PSP) no sentido de serem efectuadas diversas vistorias àquela zona que, rapidamente, se transformou num ponto privilegiado para o consumo e tráfico de estupefacientes".
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A mais recente Edição do Expresso das Nove dá notícia da réplica existente em Ponta Delgada da celebérrima DAM platz de Amesterdão. Como se sabe esta conhecida ágora, da cosmopolita e liberal cidade Holandesa, é uma das principais praças daquela cidade povoada por alegres hippies, sebentos rastas, e okupas meliantes, que ali se dedicam aos deleites da Cannabis Sativa L.

Nós por cá, temos o largo Mártires da Pátria sem, contudo, termos a presença dos ditos filhos do flower power e demais pandilha indigente. Inversamente, temos a triste cáfila de rosto patibular, profusamente decorada com piercings e porventura adornada com tattoos de duvidosa qualidade, que ali se dedica ao consumo e tráfico de estupefacientes. Infelizmente, creio que o mercado não se queda pela bagatelar dose de haxixe e antes se abeira também da heroína. Indícios dessa prática são por vezes perceptíveis, chegando o Correio dos Açores a noticiar que há "seringas com fartura às portas do Liceu".

Por razões de ordem pessoal, familiar e parental, também por ali passo diariamente e presencio com tristeza os ritos de caça que a fauna de traficantes de baixo calibre exerce quotidianamente com persistente zelo predatório. Exemplar e recorrentemente, por lá vegeta uma dessas alimárias, cujo fácies é facilmente identificável e a indumentária é sempre a mesma. Dúvidas não subsistem que o dito hominídeo compõe o seu rendimento com a venda de estupefacientes. Ainda assim, tira de quando em vez umas férias intermitentes mas, fatalmente, regressa ao local de trabalho. Contudo, presumo que os órgãos de investigação criminal, pelo excesso de suspeitos, tenham dificuldade em identificar a criatura.

A verdade é que naquele quintal da Escola Secundária Antero de Quental o caldinho de criminalidade permanece, o consumo é descarado, o tráfico para o interior da Escola uma realidade e até recentemente as cercanias do lado Sul do Liceu serviram de ringue improvisado a uma deplorável cena de espancamento de um jovem. Perante um escândalo destas proporções estranha-se a falta de eficácia das polícias na prevenção e repressão? Obviamente que sim! Até porque caso é que basta ter agentes da autoridade motivados e diligentes como o Comissário Rodrigues para limpar o lixo humano que por ali estaciona. Com efeito, das vezes em que este exemplar graduado da PSP foi chamado a intervir a sua acção foi local e cirurgicamente eficaz. Porém, não se pode esperar ter um Comissário Rodrigues em cada "crime scene" pois o homem não tem o dom da ubiquidade. Tem, contudo, o dom de honrar a comunidade que serve. Pena é que outros não lhe sigam o exemplo. Na verdade, se todos nós identificamos os focos de tráfico e consumo de estupefacientes, e se disso dão notícia os Jornais, porque razão não são os agentes da autoridade capazes de o fazer, reprimindo e detendo quem a tão sórdido negócio se dedica ? Afinal de contas, se a droga é ali transaccionada e até consumida a "olho nu", a detenção seria sempre caucionada com a garantia do "flagrante delito".

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posted by João Nuno Almeida e Sousa

jazz.pt

A revista JAZZ.PT pode ser adquirida na Livraria O Gil (Rua Diário dos Açores, 17/19 - Ponta Delgada) pelo preço de capa (5 euros), e não os 6,60 euros preço de escaparate praticado nos Açores devido ao agravamento do transporte das publicações não-diárias, revelando uma atitude inédita e funcionando como incentivo a este projecto editorial que promove o Jazz tocado e feito em Portugal. Em Lisboa, a Trem Azul Jazz Store promove nos próximos dias a 3ª edição do seu Festival intitulado forUard. Um óptimo cartaz para acompanhar na Rua do Alecrim e no CCB.

Caro Diario



neste momento na RTP 1,

a nostalgia é uma coisa tramada...

terça-feira, março 13

Agradecimentos


Ao Terra Nostra Garden Hotel, na pessoa do seu Director, Carlos Rodrigues, pelo apoio inestimável e por desde o inicio ter acreditado neste evento, a todo o staff, pela simpatia.

À Direcção Regional do Turismo, na pessoa da Dra. Isabel Barata, pelo imprescindível apoio, colaboração e incentivo.

À Assembleia Municipal da Povoação, na pessoa do seu Presidente Dr. José Manuel Bolieiro, pelo patrocínio e simpatia.

À SATA, pela colaboração.

À Globaleda, pelas máquinas e pela net.

Aos OCS e à Divulgação.

Ao Nuno "foguetabraze" Barata, "co-organizador" e elemento fundamental para a realização do evento.

Um agradecimento muito especial a todos os convidados e participantes que com a sua presença transformaram este Encontro de Bloggers 2.0 numa interessantíssima troca de experiências e num agradabilíssimo fim-de-semana de convívio: :ILHAS, Açores SA, Bicho Carpinteiro, Bomba Inteligente, Cowboy Cantor, Filipe Franco, Miss Pearls, O Boato, Pobre e Mal Agradecido, Rititi, Tapornumporco, Um Blogue Tipo Assim.

E também um agradecimento muito especial a todos os conjugês, apendices, consortes, namorados e namoradas, noivos, amigos, filhos e filhas, a todos por terem contribuido para uns fantásticos três dias.

Em nome da MUU-Produções e do blogue :ILHAS aqui ficam os nossos agradecimentos a todos os que contribuíram para que o Encontro de Bloggers 2.0 tivesse sido um sucesso. Para o ano há mais.

segunda-feira, março 12

Fervedouro





"As Furnas são o teatro das mais recentes revoluções, afirmava em 1857, um visitante estrangeiro (1); "A Sintra pitoresca de S. Miguel, com menos arte e mais natureza"! (2) Desde o momento em que foi descoberto, o vale das Furnas constitui-se no cenário privilegiado para a suscitação de visões estético-culturais. Ao "paraíso terreal" descrito por Gaspar Frutuoso, no século XVI, os frades eremitas opunham o seu "deserto" místico, e o século XVIII sobrepunha uma outra visão divergente: aos olhos dos viajantes naturalistas, este era o lugar mais pitoresco da ilha, enquanto que para o liberalismo classicizante dos autores portugueses era ainda "a Arcádia dos Açores" (3). Ao século XIX, no entanto, caberá a exploração mais fecunda da via do pitoresco, concretizado e categorizado em obras de paisagem.


A "Cintra de S. Miguel" - onde "aos Domingos os empregados públicos e comerciantes vão passar um agradável dia, e estrangeiro algum deixa de visitar" (4) -, não possuía estações arqueológicas, palácios reais, igrejas medievais ou quintas renascentistas. A sensibilidade apaixonada por este vale consome-se exclusivamente na "profusão imensa das variadas paisagens" que o tornam "pitoresco e romântico" (5)

É desta aliança entre o "aprazível" e o "assombroso", de contraste e variabilidade de "scenas amenas e grandiosas" (6), que nasce o sentimento do pitoresco, aqui sem evocações românticas do passado, sem idealizações arquitectónicas de gosto revivalista e sem a promoção de restauro de monumentos. As operações que tornam o vale das Furnas no "teatro das mais recentes revoluções", são a resultante colectiva de um olhar embevecido sobre a natureza. Neste sentido, muito mais do que a Sintra, são aos lagos e montanhas da Suíça que se vão buscar imagens homólogas. "O Vale, à primeira vista, parece estranhamente familiar pela sua parecença com muitos vales Suíços", comentava o professor Wyville Thomson, manifestando uma opinião muito difundida. Um certo "ar de família" com as paisagens alpestres, a que se alia "a riqueza da flora tropical", servirá de referência e suporte ao programa construtivo implementado no vale.

Foi em atenção às possibilidades pitorescas do vale, que Thomas Hickling havia construído, em finais de Setembro, o seu Tanque. Foi por causa dessse pitoresco, que alguns altos dignatários da corte se dirigiram ao vale para aí estanciarem na "estação calmosa", e que outros os imitaram, fazendo das Furnas a principal estância de veraneio dos Açores. "Vive-se um clima de progresso!", afirmava com entusiasmo Thomas Hickling Jr., em 1848, acrescentando com optimismo que "as Furnas fervilham de veraneantes e estão destinadas a serem uma estância importante para estrangeiros"(7)"
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Isabel Soares de Albergaria
"Quintas, Jardins e Parques da Ilha de São Miguel"
Quetzal Editores - 2000

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Notas :
1Artur Morelet, Iles Açores. 1860, p. 29
2Emídio da Silva, depois de tecer elogios ao vale das Furnas, compara-o a Sintra dizendo que "se Cintra lhe sobreleva muito em arte, fica-lhe aquém em belezas naturais".
3Cf. Sena Freitas.
4Guilherme Read Cabral.
5Assim lhe chama Sena Freitas.
6Sena Freitas
7Carta de Thomas Hickling Jr., "Insulana", Vol XX, n.º 2 (1995), pp 193-194

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posted by João Nuno Almeida e Sousa

domingo, março 11

Madrid me mata




....porque íbamos todos en ese tren.



LUSITANIA EXPRESSO

A primeira vez que saí sozinho
de Portugal
senti em Atocha um chão seguro sob os pés.

O andén número 2
onde encostava o comboio proveniente de Santa Apolónia
tinha a dignidade par
das chegadas internacionais.

Madrid, ainda mal desperta da noite franquista
recebia-nos envolta no fumo matinal dos churros fritos
dos Ducados
acesos
a seguir ao mata bicho
com um carajillo de conhaque
Osborne.

A velha estação de Atocha
e o seu perfume a classe operária
anunciava aos forasteiros
que havia outras Espanhas para além dos filmes da Marisol.

Tudo isto se passou há algum tempo
mas já então o homem fardado
de "ABC" aberto
sobre o balcão das bagagens
recusou-se a receber a minha mochila
para eu desfrutar
com outra leveza
Francisco Goya y Lucientes
nas galerias do Prado.

ETA, no
disse ele
por palavras e gestos
que não me atrevi a contestar.

Anteontem ao acordar
os "Desastres" de Goya apareceram-me de novo
em directo no Euronews:
corpos desmembrados por força da miséria humana
e o sangue vermelho da Espanha de Arrabal
espalhado sobre os carris
reluzindo ao sol frio das primeiras horas da manhã.

Lembrei-me das cores da movida
e de como a alegria se tornou um serviço público
decretado pelo Alcaide Tierno Galván.
Madrid me mata
mote dessa cidade em festa
ecoa hoje de forma macabra na memória de quem por lá andou.

Recordei o calor ruidoso dos tascos da glorieta
aquele perpétuo movimento
das chegadas e partidas
as rubias de voz rouca
e rabos de cavalo
com perfume a Heno de Pravia.

Não há bomba que dê cabo do salero
eu sei
mas é uma porra
que a fronteira dessa antiga guerra
tenha rebentado outra vez pelas costuras
logo no centro geométrico da Península.

E eu para aqui tão longe
no meio do mar
sem comboio que me leve
de volta ao princípio.
De volta à cama
desfeita
e ao teu corpo morno
por momentos
em Atocha.

2.0

...o Alexandre e o Iglesias.

Encontro de Bloggers 2.0

Hotel Terra-Nostra - Furnas
9, 10 ,11 de Março 2007

O anonimato - Caixas de comentários: porquê? - Os Blogues unem ou separam as pessoas? - O que sofre o apêndice do blogue - Tem que haver regras? - Critério? Critérios? Anarquia? - A quem interessam os blogues actualmente. Quem os visita? - Os blogues são só lidos por bloggers? - Template or not to template? - Que blogues lemos? - O que é que lhe deu para criar um blogue - Ser estrela blogger - Blogues de referência - Causas blogoesféricas - Blogues portugueses: a relação com a imprensa; criação de uma arena; luta pela atenção e relevância; linhas de fractura ideológica - relação entre institucionalização e liberdade - O ritmo de criação dos blogues, atingir o auge - Os blogues têm sexo? Se sim, isso interessa? - De quem são os blogues, dos autores ou dos frequentadores? - Que papel tem a vaidade nos blogues? - O que é que define um blogue de "referência"? O número de visitas? O estatuto social do autor? - É legitimo encher um blogue de tudo menos de texto? - A realidade traduz-se de forma pessoal - O que são os blogues agora - A longevidade na blogoesfera - As blogoesferas; Blogoarquipélago, Portugal, outros paises, outras línguas - Novos blogues - As plataformas dos jornais; os blogues do SOL - Mudar de blogue - Acabar o blogue - Blogues profissionais - Ganhar dinheiro - O Blogger no Google - A política nos blogues - O sexo nos blogues - As putas nos blogues...

sexta-feira, março 9

Personal hit list (*)

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Salvador Dali - Muchacha en la ventana (la hermana del artista), 1925.
via O Século Prodigioso.
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Bomba-Inteligente ; a empatia com este Blog de Carla Quevedo é imediata
A favor: um blog feminino com pergaminhos e qualidade capaz de rivalizar com qualquer membro do "Clube do Bolinha" ; uma colecção fabulosa de fotos de Divas com particular recidiva na Suprema Madonna ; a aficcion por séries culto, como por ex. Six Feet Under, com direito a resumo dos episódios ou destaque para os melhores momentos.
Contra: quase nada, excepto o espaço ocupado pelos clips do YouTube.

Chá Verde(Puro) ; entre nós desde Setembro de 2004 este Chá Verde do Guilherme Marinho é sempre vivificante.
A favor: a seriedade e a lisura do autor que, não despindo a camisola do seu clube, é capaz de participar com fair-play na lide blogoesférica ; as sugestões melómanas e literárias ; a defesa ponderada mas intransigente da causa autonómica.
Contra: pouca coisa, excepto os posts recorrentes sob temas de Direito comparado relativos a experiências autonómicas na vizinha Espanha profusamente enriquecidos com prosa em Castelhano!

Combustões: sob a divisa "Livre, sem lóbi, seita, loja, templo e partido", Miguel Castelo Branco alimenta aquele que é um dos melhores blogs individuais de Portugal.
A favor: tudo! Uma erudição que exorbita da mediania e uma escrita que honra o melhor que há na nossa tradição Camiliana e Queiroziana ; uma crítica implacável e impenitente da actual República ; um blog assumidamente de Direita ;
Contra: a inexistência de uma caixa de comentários para a habitual refrega do confronto ideológico; a postagem de imperceptíveis vídeos do YouTube com obscuras aves canoras de natureza germanófila;

E Deus criou a mulher; Promete Miguel Marujo "Horas de contemplação Até que a vista nos doa", o que não passa de publicidade enganosa, pois o portfolio enche o olho mas é incapaz de causar qualquer dano na retina.
A favor: um blog integralmente dedicado ao eterno feminino embrulhado num formato de irrepreensível bom gosto a consumir sem moderação
Contra: a quase absoluta inexistência de "produto nacional" e uma obsessão Scarlett Johansson

Fôguetabraze : é um must da blogoesfera regional e uma visita diária obrigatória. O seu autor Nuno Barata Almeida Sousa, um auto intitulado "Especialista em generalidades", é um decano da blogoesfera Açoriana.
A favor: regularidade das actualizações; qualidade das fotografias da autoria do blogger; antecipação de alguns furos jornalísticos; particularmente incisivo em matérias de natureza económica.
Contra: repentismo do autor ; assumido desprezo pela correcção ortográfica e rigor de sintaxe; desmedidos excessos de linguagem descontextualizados ou desnecessários.

Misantropo Enjaulado: entretanto em estado comatoso foi, durante a sua existência, um blog de visita diária obrigatória pela lucidez da intervenção política, pelo elevado coturno da prosa, e pelos postais de pin ups escolhidas a dedo.
A favor: a erudição de Paulo Cunha Porto rivalizou com a de Miguel Castelo Branco do Combustões; o facto de pela turba da "esquerdalha" ser considerado um antro "reaccionário", a urbanidade do autor e a sua interactividade na caixa de comments;
Contra: o decalque do seriado "early morning blogs" do Abrupto e a recorrente escolha de pintura naíf para ilustração postal.

O Século Prodigioso; é um dos melhores acervos blogoesféricos das artes plásticas no Sec. XX.
A favor: a qualidade das reproduções que são publicadas e a variedade de artistas que integram este museu virtual
Contra: a secção de arte naif só superada em mau gosto por alguns exemplares de arte africana e brasileira dita contemporânea

Sine Die : em nota de manifesto editorial os fundadores justificam a criação do sine die com a certeza de que o "espaço público português está cada vez mais reduzido, mais condicionado, logo, mais pobre e menos democrático." A presença do sine die nos debates pela cidadania tem enriquecido quem os lê.
A favor: um blog colectivo que por deformação profissional dos seus autores tem por timbre postar uma opinião sólida e bem fundamentada
Contra: grafismo pobre.

Um blog tipo assim : é herdeiro dos malogrados não m´acredito e da sala de fumo. O blog está à conta de André Bradford que não omite o seu assumido alinhamento pelo PS/Açores e pelo Sport Lisboa e Benfica.
A favor: uma primorosa jukebox regularmente actualizada ; grafismo do blog ; quando motivado, politica ou pessoalmente, é mordaz q.b.
Contra: sectarismo político partidário que por vezes resvala para uma espécie de boletim de propaganda das virtudes do PS ao estilo da Acção Socialista ; o SLB.

Tapornumporco : porventura o melhor blog colectivo do panorama Nacional...(continental)
A favor: uma linha assumidamente iconoclasta mas erudita; grande variedade de temáticas; uma escrita rigorosa cujo consumo é um regalo;
Contra: o anonimato dos escribas de serviço que se desdobram em várias identidades secretas; uma mini série intragável sobre a Crise Académica na Academia de Coimbra.
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(*) por ordem alfabética
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posted by João Nuno Almeida e Sousa
Eu vou... Eu vou!
Pras Furnas agora eu vou
Parará Tchim pum
Parará Tchim pum




:agenda

E porque a vida não são só blogs2.0 inaugurou ontem uma exposição de Manuel Aires Mateus na GfM. Hoje, há conferência no Hotel do Colégio.

quinta-feira, março 8

"Perfeito Ectomorfo" !

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À conta de uma bursite olecraniana tenho andado arredado da dedicação que exige o meu "Fight Club". Evitando desde já uma leitura transviada devo esclarecer que a dita bursite nada tem de eslavo e, infelizmente, tem tudo de lesão desportiva. Em complemento, quase fisioterapeutico, dei por mim nessa penitencial ocupação que os modernos designam por "ginásio". Apesar de aguentar com estoicismo a bateria de exercícios do supliciante "ginásio", devo confessar que quando o treinador de serviço asseverou que eu era um "perfeito ectomorfo" (sic !) fiquei severamente apreensivo! Para ser sincero tal imputação pareceu-me até depreciativa. Lembrei-me que o rótulo em causa tinha algo de lombrosiano e lá cheguei à triste conclusão que o "mister" se reportava a um somatotipo responsável pelo nosso look ! Ou seja, um ectomorfo será sempre um espécimen magro e estreito, com baixa massa corporal, membros longílineos e estatura acima da média. Considerando que roço os 2 metros de altura o diagnóstico parecia-me grave pois, seria por certo, um grande ectomorfo ! Contudo, tenho vindo a contrariar esta pena da natureza ganhando alguma massa, o que é até inevitável à medida que nos abeiramos dos quarenta. Seja como for, depois de nados e criados, nada podemos fazer para interromper voluntariamente a nossa natureza.

Mas, ainda assim, acaso fosse crente dos dogmas da psicologia valer-me-ia a tipologia de Kretschmer que faz corresponder ao tipo ectomórfico a misantropia combinada com uma queda para sentimentos profundos e duráveis ! Como não alinho nessas obscuras patranhas dos discípulos de Freud e Jung, nem no fatalismo morfológico de Kretschmer, vou continuar a ir ao "ginásio" apesar de isso não me transformar num perfeito mesomorfo !
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

quarta-feira, março 7

Top of the Pops



Honra aos vencidos, meu caro Vitor. Procurei, debalde, a perturbante Isabela Rosselini, mas saiu-me na rifa o Bobby Vinton que, vendo bem as coisas, até fica muito ton sur ton com o cinquentanário da provecta Rádio Televisão Portuguesa. E por falar em tons, se bem me lembro, nos meus tempos de menino e moço, o Chelsea F.C. equipava de vermelho e a única coisa parecida com uma estrela no seu plantel chamava-se Peter Osgood. Mas, se calhar, sou daltónico sem o saber, ou então apanhei-os a jogar com o equipamento alternativo. Isto das cores tem muito que se lhe diga, sobretudo o azul, cuja geometria variável pode ser testemunhada pelos adeptos do Belenenses, isto para não falar do Chelsea de Londongard. Concluindo: o azul tem destes blues.

P.S. Keep the sporting spirit.











UMA VISÃO DO PASSADO (do site da RTP)

1957, Março, dia 7, uma quinta-feira, 21 horas e 30 minutos. O genérico e logótipo da RTP entram "no ar" acompanhados de uma marcha que, apesar de não ter sido composta originalmente para a RTP, acabaria por ficar. Maria Helena Varela Santos dava então o seu "Boa noite, senhores espectadores", e a partir daí a vida da RTP e da televisão em Portugal começavam a ser contadas.


UMA VISÃO DO PRESENTE (do site SOUND&VISION - texto de João Lopes)
http://sound--vision.blogspot.com/2007/02/uma-cultura-de-restos.html


E O FUTURO ? (do site irrealTV - texto de Rui Cádima)
http://irrealtv.blogspot.com/2007/03/20570307.html




Dizem que é uma espécie de lamento !

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Rooms by the Sea - 1951 de Edward Hopper
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dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nenhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos
...
Al Berto

Reporter X

O Lixo que Nós somos *

Ritual que tento manter sempre que posso é de meter pés à estrada e percorrer os inúmeros trilhos pedestres (oficiais e não oficiais) que existem em São Miguel.

No último domingo o dia estava propício à prática pelo que 2 telefonemas foram suficientes para compor a "organização", definir um ponto de encontro e subsequente percurso a explorar.

Uma das imensas vantagens de habitar esta ilha é a coexistência com uma multiplicidade de recantos e de espaços potencialmente luxuriantes ao alcance de alguns breves minutos automobilizados. O destino traçou que fosse próximo do campo de golfe da Batalha o passeio desse dia.

Os trilhos pedestres passam, algumas das vezes, nos denominados "caminhos de penetração", utilizados pelas explorações agrícolas, sendo que muitos já se encontram alcatroados. O que torna permissível a que "automóveis" possam atingir zonas da ilha que anteriormente eram completamente inacessíveis. Se por um lado essas melhorias são benéficas à prática agrícola por outro tornam mais fácil o acesso a zonas inóspitas da nossa paisagem, facilitando a acção de quem queira "prevaricar" pelo abandono, de forma selvática, ao lixo da abundância contemporânea. Pude, malogradamente, assistir no decorrer pelo interior da ilha e nos sítios mais improváveis ao confronto entre o melhor da mãe-natureza e o pior da natureza humana.

Esta ilha não me deixa de surpreender pelas piores razões. Se em muitas áreas temos tido capacidade de desenvolver medidas revolucionárias, inclusive, ao nível europeu, em situações fulcrais continuamos a revelar comportamentos primários a resvalar a barbárie. O Ambiente que nos rodeia é finito como tem vindo a ser amplamente discutido. A realidade destas ilhas torna esse carácter finito ainda mais restritivo. Maior vigilância, mais limpeza ambiental, mais medidas preventivas e educacionais pró-ambiente têm de ser continuamente implementadas até que o status quo vigente seja verdadeiramente banido.

Sinal + A introdução pela Câmara Municipal do Nordeste, na semana que passou, de um modelo de recolha selectiva de lixo porta a porta, tendo distribuído por todas as habitações caixas de recolha adequadas. Será por intermédio destas medidas e de um contínuo trabalho de sensibilização e de co-responsabilização que o estado do Ambiente nos Açores poderá ser continuamente melhorado, de modo a que a promoção interna e externa em torno do Turismo (e da nossa qualidade de vida!) seja profícua e condizente com a oferta. Acabe-se de vez com o Lixo que há em cada um (e no meio) de Nós!

* publicado na edição de 06/03/07 do AO
** Email Reporter X
*** Foto X via Fôguetabraze

terça-feira, março 6

POOOOOOOOOOOOORTO

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A Pior noticia do dia.

Vox Populi

"auscultar o vox populi, essa entidade sagrada de cujos pronunciamentos - sempre inteligentes e informados - dependem os deuses."

Miguel Castelo Branco - Combustões

"Este Governo precisa de oposição. A oposição precisa de liderança"

Paulo Portas, no passado dia 1 de Março, ao vivo e em prime time, nas principais antenas deste País. Gostaríamos que, com as devidas adaptações, o exemplo de Portas fosse seguido pelo Barata aproveitando a lide que também passará pelas estruturas regionais do CDS-PP.

Quem diria!

"Surpresa? As autarquias deram um contributo para o esforço de contenção orçamental maior do que o subsector Estado. Os dados da execução orçamental, publicados pelas Finanças na óptica da contabilidade pública, mostram que a despesa total realizada pela administração local caiu, em 2006, 3,2 por cento face ao ano anterior. No Estado, a despesa cresceu, em termos nominais, 2,4 por cento e as regiões autónomas acabaram por ser as que piores resultados apresentaram, com uma aceleração de 3,2 por cento nas despesas."
Caderno de Economia da Público 25 Fev.
Eu também não sabia !!!

"eu não sabia que em Portugal havia dezenas de discotecas que funcionam até às cinco da manhã para crianças dos 13 aos 16 anos. Em Lisboa, 20; as outras, no resto do país. Não sabia que nessas discotecas se vende álcool, apesar de ser proibido. Não sabia que essa discotecas têm um limite de idade para cima : não se pode entrar com mais de 16 anos. Não sabia que centenas de pais, aflitos com a maneira de tratar com os filhos, vão para a porta das discotecas às cinco da manhã esperar as crianças?Eu vi numa discoteca no meio do campo, em plena Beira (Day After), crianças com 12 anos, já sendo generosos."

António Barreto, no Público em entrevista sobre "Portugal, um retrato social" documentário a estrear dia 14 de Março na RTP 1.

Jornais versus Blogues ... a luta continua ?
"Hoje, um jornal vive numa ecologia muito mais crítica e num escrutínio permanente e público. Os blogues alargaram o campo comunicacional e tornaram inevitável o escrutínio da imprensa escrita, que até há uns anos não existia de todo. Tornaram difícil manter os jornalistas resgauradados num mundo próprio.?

José Pacheco Pereira, no Público 3 de Março
Então quem será ?
"dividido entre a "social-democracia" e uma versão caseira de "liberalismo", não é Marques Mendes que pode unificar a Direita."

Vasco Pulido Valente, no Público 3 de Março

Post a 3

Mais vale o tunning do que as tunas. E entre os dois venha o diabo e escolha.

Hoje ao almoço! Alexandre Pascoal. Nuno Barata. Pedro Arruda.

Via Fôguetabraze.

Hoje, vou acordar completamente azul.
De que cor me deitarei?
Azul. Sempre.

segunda-feira, março 5

Faltam 5 dias para o dia X

Para que os meus amigos não se cansem muito, deixo aqui uma sugestão que me deixaria muito satisfeito.

"O que Sócrates diria a Woody Allen"
Juan Antonio Rivera
Edição Tenacitas - Coimbra
340 páginas - 16,65 euros


Disponível AQUI

Gostei e já linkei nos meus favoritos.

Encontro de Bloggers 2.0



Encontro de Bloggers 2.0, em fase final de preparativos. Relembramos que as inscrições devem ser feitas para a MUU, de forma a podermos organizar convenientemente o programa do evento. De resto a ideia é passar um fim-de-semana agradável debatendo live os blogues e outras divagações... Início na sexta-feira, dia 9, pelas 19 horas com recepção dos participantes e check-inn no Hotel. As Sessões de Debate serão dia 10 às 11 horas, seguida de almoço e retomando às 16 horas, no dia 11 às 11 horas, Sessão de Encerramento. O preço do Hotel é baratíssimo (20 euros por pessoa, por noite, em quarto duplo) por tanto não há mesmo desculpa para não ir. O evento é completamente livre e podem participar bloggers, leitores de blogues, comentadores anónimos, parentes próximos ou afastados, whatever... É já no próximo fim-de-semana.

Babel

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Será Babel um filme triste com um final feliz ? Esta fórmula, apesar de redutora, resulta da percepção cinéfila de que neste mundo cão apenas o amor filial nos pode salvar. Porém, o filme de Iñarritu é muito mais complexo do que aparenta, não se vergando a uma leitura linear a partir do epílogo. Tributário da Teoria do Caos, segundo a qual pequenos incidentes podem ter consequências explosivas e desproporcionais, a narrativa persegue essa indemonstrável causalidade, já com estatuto de mito moderno, que aceita o nexo causal do acaso que justifica, por exemplo, que uma borboleta bata as asas em Tokyo, et pour cause, provoque uma hecatombe em Nova York! Assim, o filme é uma urdidura de narrativas que se tocam numa cadeia de acontecimentos sem terem a percepção dessa relação de causalidade. Mas Babel é também um mosaico poderoso deste nosso mundo hiper mediatizado onde, paradoxalmente, vigora uma brutal disfunção comunicacional. Iñarritu retém no celulóide essa realidade e devolve-nos a mesma com eficaz violência. Iñarritu é, numa palavra, revolucionário! Efectivamente, nas lapidares palavras de Michel Houellebecq "só os revolucionários são pessoas capazes de assumir a brutalidade do mundo, e de lhe responder com uma brutalidade acrescida". Se Babel é ou não um film noir com o happy end possível é coisa que pouco importa pois, seja como for, é poderoso e brutal como só a grande arte é capaz de o ser. A ver no Cine Solmar ou na principal sala da Castello Lopes no ParqueAtlântico.
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

domingo, março 4

weekend postcards

Visita Guiada pelo artista ao outro lado de Bright Side of the Moon. Uma iniciativa sempre prolífica na proximidade com a obra&artista e como forma de desconstrução das inúmeras possibilidades que encerram e que lhe são inerentes - desde a elaboração do projecto, o trabalho em curso e as posições do artista sobre o estado da arte e da cultura nos Açores. A exposição é promovida pelo Museu Carlos Machado e está patente até 15 de Março na sala de exposições temporárias da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

sábado, março 3

[uma espécie de] Cherchez la Femme

Não gosto particularmente da palavra virtuoso (e/ou dos seus derivados). Não obstante, esta questão de somenos importância, hoje há Concerto em Lisboa, razão mais que suficiente para auscultar este Violino.

Top of the Pops

Para rebater as tonalidades góticas do Vítor.

sexta-feira, março 2

Testamento

Decorreu hoje na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, um colóquio sobre Dação e Transplantação de Órgãos. Não estive lá apesar de ser questão com que me debato desde muito novo.
Hoje, dei por mim a pensar novamente no assunto.
Mas, que poderei eu doar se o meu coração já só funciona bem com umas implantadas artérias em aço, os rins mais parecem guizos com tanta pedra a chocalhar, o fígado inchado quase cirrótico, e os pulmões enegrecidos de alcatrão?
Até mesmo o cérebro, que creio qualquer dia passível de transplante, caminha a passos largos para a loucura.
Mesmo assim, deixarei escrito ser este o meu último desejo: Que sejam doados todos os orgãos do meu corpo.
Se nada, então, se aproveitar dêem-me a comer aos vermes que fertilizarão a terra onde, num dia de primavera, uma nova árvore nascerá.

UAU!!!!

Sou o segundo maior cronista do maior blog dos Açores.
Com mais um bocadinho assim || qualquer dia sou o maior.
Cautela João Nuno.

quinta-feira, março 1

o Bento

Nos idos de 98, mil novecentos e noventa e oito, andei eu pelo México. Fugido dos dólares americanos desci a sul em busca do câmbio apetecível do peso face ao escudo e durante seis meses andarilhei pelo México. De autocarro, a pé, de autocarro, à boleia, de comboio, a pé, de autocarro, durante seis meses andei pelo México. De Tijuana a Los Cabos, de La Paz a Mazatlán, de Acapulco a Guadalajara, de Oaxaca a México DF, de Monterrey a Chihuahua e de pueblo em pueblo, de ciudad em ciudad, surfando os caminhos, a história e o tempo de um dos países mais impressionantes do mundo. Por acaso havia o caso de ter um amigo em Saltillo, cidade cujo nome apenas ressoava por causa de um mundial de futebol, mas quem alguma vez viajou sozinho sabe o bom que é ao fim do caminho chegar a um pouso amigo, reconhecer alguém e dormir numa casa de família e vai daí rumei a Saltillo, onde me quedei vários dias. Para além de ter feito muitos e muito bons amigos em Saltillo (Julián Herbert, compañero mió, mariachi, poeta de grande corazón; José "pepe tachas" Cruz Almonte, de balón y cesto, y así grande poeta como el cesto o el balón; Claudia Luna y Valdemar, que me quisieran poeta como ellos y me recibieran en su casa leña de amor por la gente, por las letras y por un joven viajante portugués enamorado de gente y de letras...), conheci a Patricia que nesses dias foi como uma mãe para mim. Ela, os seus pais e o Félix. Durante esses dias, vivi em Saltillo alguns dos momentos mais fantásticos da minha vida. Mas há um que ficou comigo e que hoje repercutiu como um bola de matraquilhos na minha cabeça. Um dia num jantar numa pizarria numa praça de Saltillo ao fim de uns copos e de muita conversa recordamos o mundial de 86, a Patrícia tinha sido hospedeira da organização nesse mundial e ela mais umas amigas tinham sido encarregues de acompanhar, não mais do que, a selecção portuguesa... história puxa história, conversa puxa conversa, e a determinada altura fico a saber que um guarda-redes português de bigode fez um filho em Saltillo. Em Portugal a selecção de Saltillo ficou famosa por muitas outras razões e quando soube desse facto não me espantou, sorri. Tenho de tempos a tempos reavivado essa história em conversas familiares, em rodas de amigos, tornou-se quase uma anedota pessoal. Mas hoje tocou-me particularmente a possibilidade dessa história. Morreu Bento. Morreu o Guarda-Redes de bigode, o melhor de todos os tempos, morreu o Bento, e eu que na escola só era escolhido para guarda-redes e que adorava o Bento, o Menzo e um guarda-redes do porto chamado "tyby", voltei a ter essa história a saltitar na memória e fiquei triste. Morreu o bento e eu lembrei-me de mim, lembrei-me da memória do Bento em mim e fiquei triste. Lembrei-me do Bento e da memória do Bento que ficará em mim.

Manuel Galrinho Bento


1948-2007


A minha infância foi vivida com o Bento na baliza...

CHERCHEZ LA FEMME



Hillary Rodham Clinton

A taluda presidencial norte americana começou a andar à roda no passado mês de Novembro, com as mid term elections, e, ou muito me engano, ou a quota de género para o camarote presidencial já se encontra ocupada por Nancy Pelosi, Madam Speaker of the House, a terceira figura na hierarquia do Estado. Embora com esta reserva, não tenho quaisquer dúvidas em reconhecer a Hillary o estatuto de front runer entre os candidatos do Partido Democrata que já estão na estrada (o Al Gore, esse, corre fora da pista). Dito isto, passemos ao busto, esculpido por um epígono de Jeff Koons, chamado Daniel Edwards, que no dia 8 de Novembro de 2006 descerrou no Museu do Sexo em Manhattan "The Presidential Bust of Hillary Rodham Clinton: The First Woman President of the United States". Bem, cá para mim não passa de whishful thinking, e não creio que o anterior trabalho de Edwards (uma escultura de Britney Spears a dar à luz em cima de uma pele de urso; pasme-se, ó blogosfera) o torne muito recomendável como oráculo político, mas, mesmo assim, não resisto a transcrever estas declarações do Daniel sobre a obra de arte: with her head held high, a youthful spirit and a face matured by wisdom, eis como o homem descreveu ao USA Today o seu artefacto de resina. O staff da Senadora de Nova York não fez comentários, mas devem ter ficado verdes de inveja, pois em pouco mais de dez palavras o artista plástico traçou um perfil presidencial. Nem mesmo James Carville, antigo assessor de Bill Clinton, teria feito melhor.
Se eu fosse cidadão americano, votava de caras no Barack Obama (é negro, Hussein de sua graça e fumador), mas creio que esta campanha vai ser para ele uma espécie de Torneio de Toulon, onde os jovens talentosos exibem as suas habilidades na montra do mundo. Assim, minha querida Hilária, caso consigas convencer o eleitorado do Iowa e do New Hampshire no próximo mês de Novembro, só me resta desejar-te, mas não do fundo do coração:

All the best and may your tits held high!



É preciso ter lata !

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O arriar da última bandeira
Mansôa - Guiné-Bissau
9 de Setembro de 1974

Refastelado no areópago dos opinion makers do Portugal Televisivo vi ontem um aposentado Almeida Santos na "Quadratura do Círculo" da Sic Notícias. Como se sabe este brainstorming semanal é um dos indispensáveis programas da nossa lusa Televisão. Porém, o formato de ontem, nas Tertúlias do Casino, resvalou para os delírios geriátricos do Dr. Almeida Santos. A dado passo o ilustre convidado foi desvelando a sua verdade sobre a descolonização. Em jeito de prólogo disse que não há culpados no processo de descolonização mas apenas uma vaga e difusa culpa nacional imputável à colonização. Depois lá disse que Portugal, por força da ideologia dominante, no Ultramar envolveu-se numa "bravata militar" (sic !) sem qualquer prognose favorável à vitória. (Esqueceu convenientemente, como bem lembrou o residente Lobo Xavier, que a 1ª República propalava uma ideologia proteccionista das suas colónias ultramarinas).
Finalmente, em sinopse conclusiva, disse que não se mostrava particularmente impressionado com o número de estropiados e mortos no Ultramar, até porque o cômputo geral das baixas da "guerra colonial" ficava aquém da estatística da sinistralidade rodoviária Portuguesa nos últimos dez anos. Uma boutade, entre outras, que passou ao largo dos sapientes comentadores que, porventura, não quiseram afrontar este ancião da nossa República. Mas, em bom rigor não há razão para espanto pois foi com Senadores deste calibre que se fez esta República pós 25 de Abril. Bem sei que a Democracia tem essa virtude inegociável da liberdade de expressão, mas não deveria o decoro e o sentido de Estado honrar as vidas daqueles que, voluntária ou compulsivamente, serviram a Pátria ? Afinal de contas é a mesma Pátria Ultramarina, do Minho a Timor, que tão bem e oportunamente serviu o Dr. Almeida Santos e os seus próceres ! Comparar o sacrifício dos nossos militares e civis no Ultramar à estatística da sinistralidade rodoviária da última década é, simultaneamente, uma desdita e uma ofensa à memória de quem deu o melhor que tinha à sua Pátria alijando a vida de quem também serviu os Almeida Santos deste País. Em bom Português, suave, é caso para dizer : é preciso ter lata.
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posted by João Nuno Almeida e Sousa

Quem espera....

Finalmente vou ver A Scanner Darkly, adaptação de Richard Linklater do romance com o mesmo nome de Philip K. Dick.
Sem estreia nas salas nacionais e com a edição para DVD a ser constantemente adiada pela principal distribuidora nacional, chegou, via torrent, uma edição da Warner legendado em mais de 20 línguas e repleto de extras.
Hoje vou adormecer assim.

Deixar vir a mim as criancinhas.

Com três anos de idade já sabia rezar o Pai Nosso, a Avé Maria e a Salvé Rainha.
Conhecia de cor a vida dos três pastorinhos, a Nossa Senhora de Fátima e o Santuário de Fátima era visita obrigatória duas a três vezes por ano.
Aos cinco iniciei a primária na "escola de freiras" Jesus Maria e José, onde para além de ser obrigado a participar em todas as actividades religiosas, fiz a catequese, a primeira comunhão, a comunhão solene e crisma. Fui acólito, menino de coro e ajudante de sacristão. Por diversas vezes li, na missa de domingo, as Sagradas Escrituras.
Já li a Bíblia de fio a pavio.
Aos dezasseis anos era ainda menino de coro na paróquia do Carvalhido, onde participei em peditórios para a construção da igreja nova, em cujo altar lateral se exibe uma Nossa Senhora da Conceição em madeira talhada por alunos e professores da Escola Soares dos Reis, onde também ajudei a tirar algumas das lascas que lhe amenizaram o rosto.
Meu pai, na constante procura de uma verdade, frequentou as mais variadas igrejas e morreu, creio eu, ateu. Terão sido as dúvidas constantes que o fizeram recuar na sua vontade de me mandar para o Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo em Braga.
A religião era tema de conversa em quase todas as grandes reuniões familiares.

Hoje, vejo-me amiúde a aturar, pacientemente, umas senhoras que me impingem panfletos religiosos, que leio atentamente antes de os arquivar no caixote do lixo mais próximo. Da mesma forma, leio o Boletim Paroquial de São José "Pedras Vivas" que me chega semanalmente à caixa do correio. Já por diversas vezes senti alguma irritação pela pedinchice recorrente em todos os boletins, mas o "Deixai vir a mim os cêntimos das criancinhas" publicado no boletim desta semana, excede o limite do bom senso.
Passo a trancrever textualmente:
"A nossa Catequese, na sua campanha desta Quaresma, convida todas as crianças a fazerem renúncias, de forma monetária e cada semana devem trazer os cêntimos que arrecadaram, renunciando a qualquer coisa que gostem para participarem na angariação de fundos para a compra de um Projector Multimédia para o serviço da catequese e da Paróquia em geral."

Que o senhor pároco se lamente, constantemente, da falta de dinheiro na paróquia, das fracas esmolas de cada missa, de viver só com 760 euros por mês e exija aos paroquianos a entrega do bíblico dízimo e uma maior doação nas colectas das missas, até posso aceitar.
Mas as crianças senhor?