quarta-feira, janeiro 31

E pra acabar a noite, ROCK

Rock This Town - Daniel Johnston

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site oficial

OBSCENIDADES

Já que estou numa de revistas e obscenidades aqui fica o link para a novíssima revista de artes performativas OBSCENA.

"OBSCENA é uma revista independente dedicada às artes performativas, de periocidade mensal e em foramto pdf. Tem por objectivo reflectir, analisar, criticar e informar sobre o que se vai fazendo em Portugal e no estrangeiro apartir de desafios que lança a críticos, investigadores, progarmadores e criadores.
A revista quer contribuir para a promoção do diálogo e da discussão sobre as várias disciplinas artísticas através de textos que também reflictam acerca do contexto onde estas se inserem."

"O primeiro número, correspondente ao mês de Fevereiro, apresenta um dossier sobre a realidade cultural do Irão, cruzando os olhares da coreógrafa alemã Helena Waldmann e do encenador iraniano Amir Reza Koohestani, com os da crítica local Kathy Salmasi e da jornalista Margarida Silva Lopes. Aborda ainda o teatro do alemão Thomas Ostermeier, conversa com o encenador libanês Rabih Mroué e o antropólogo André Lepecki, e visita o Pavillion Noir, o novo Centro coreográfico Nacional em Aix-en-Provence, dirigido por Angelin Preljocaj. Dá ainda espaço à dramaturga Regina Guimarães para falar sobre ?o sentido de ainda se fazer teatro no Porto?, e à crítica e investigadora búlgara Kalina Stefanova que pergunta se "a crítica teatral pode ser pós-dramática". Integra ainda colunas de opinião, críticas a espectáculos, livros e dvds, e a aposta no filme Body Rice, de Hugo Vieira da Silva." | VIA|


Vox Populi

"auscultar o vox populi, essa entidade sagrada de cujos pronunciamentos - sempre inteligentes e informados - dependem os deuses."

Miguel Castelo Branco - Combustões

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O castigo da bilha

"Sentado no sofá, dou por mim de olhos arregalados para aquela mulher perfeita, capaz de transportar a bilha do gás, tarefa que lá em casa me cabe sempre em sorte."

Joaquim Machado, no Canto da Ilha

Blogues versus Jornais

"Isto é um blog, não um jornal. Não há qualquer dever de imparcialidade, embora haja um ditame moral de procura da honestidade."

André Bradford, na caixa de comentários do Um blog tipo assim.

"À partida os blogues não têm de ser objectivos. Devem fazer-se eco de opiniões bem firmes, ser mordazes e não estar com paninhos quentes ? o que está longe da atitude habitual adoptada pelos principais ?media?. O blogue é uma espécie muito diferente."

Jane Kirtley, prof. de deontologia e direito dos media na Universidade do Minesota, no Courrier Internacional.

Não, Sim ... Talvez !

"A Alemanha dá 25000 euros à mulher que tiver um filho. Cá querem pagar isso para desmanchar."

Carlos Melo Bento, no Açoriano Oriental.

"Fazendo a comparação monstruosa entre o custo de um aborto e o custo de uma criança ao Estado, o aborto acaba por ser um óptimo negócio ao estilo Malthusiano. Abortam-se os filhos dos mais pobres, que tendencialmente serão menores contribuintes do que os filhos dos mais ricos, e passamos a dar mais e melhores condições a quem cá está. Reduz-se a pobreza, aumenta-se o PIB per capita, e o Estado deixa de estar comprometido com tantos custos sociais, libertando futuras receitas para o bolso do contribuinte ou outras realizações.

É rico? Preocupa-se com os seus impostos ou com a eficiência do SNS? Vote Sim. Vai ver que compensa."


Manuel Pinheiro, 23 de Janeiro no Cachimbo de Magritte

"À semelhança do que se passa hoje com muitíssimas situações de aborto, mudar de opinião passou a ser um acto clandestino. Que ninguém quer assumir, com receio de ser condenado pelos dogmáticos tribunais da opinião (basicamente pela dona Eulália e pelo seu neto rapper, o Zé Ricardo)"

Nuno Costa Santos, no Suplemento de Cultura do Açoriano Oriental

Uma verdade inconveniente?

"Em dez anos de governação socialista a Inspecção Administrativa Regional nunca promoveu qualquer acção inspectiva à gestão das secretarias ou direcções regionais e evita acções nas autarquias de maioria socialista."

Clélio Meneses, citado no Correio dos Açores
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post scriptum: é tradição do Vox Populi ilustrar o postal com uma obra de arte de elevado coturno...a escultural Katarzyna Potoczek (a.k.a. a míuda da bilha) ergue bem alto essa tradição

VIDEO CLUB



Acabadinhos de chegar ao mercado regional de dvds, duas obras a não perder.

"THE DEVIL AND DANIEL JOHNSTON é um trabalho de amor e um objecto pungente sobre uma das mais carismáticas figuras do rock-folk americano, o génio torturado Daniel Johnston. O filme, assinado por Jeff Feuerzeig, lança-se sobre este homem apaixonante, revelando de forma cuidada a sua história pessoal, desde a educação conservadora e profundamente religiosa, até ao diagnóstico, em meados dos anos 80, de doença bipolar. Misturando de forma prodigiosa comoventes testemunhos de familiares e amigos, com dezenas de registos áudio gravados pelo próprio Johnston e imagens de arquivo, esta é a crónica de um homem e dos seus demónios, mas também de uma personalidade artística brilhante e profundamente complexa, aplaudida e acarinhada por nomes que vão de Kurt Cobain, aos Butthole Surfers, passando por Matt Groening (o criador dos ?Simpsons?), Tom Waits, ou David Bowie." Indie Lisboa

"Documento "versus" crónica íntima ? um magnífico exemplo da evolução recente das estratégias documentais. Ou como um filme pode funcionar como revelador de um universo de infinita complexidade humana, sem nunca o reduzir a "panfleto" e também sem o menosprezar através de qualquer forma de paternalismo." João Lopes - Cinema 2000

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SAMARITAN GIRL
Mais uma obra prima do realizador sul-coreano Kim Ki-Duk.

Realizado em 2004, entre "Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera" (2003) e "Ferro 3" (2004) este "Samaritana" foi filmado em apenas 11 dias com menos de 500 mil euros, e editado pelo próprio realizador via ?Final Cut Pro?.

Urso de Prata do 54º Festival de Berlim é mais um exemplo do cinema contemplativo, emocional e comovente, mas ao mesmo tempo violento, características das obras de Kim Ki-Duk.

Fico à espera de "The Bow" de 2005 e "Time" de 2006.

COOL

"A Le Cool magazine é uma revista semanal grátis, que apresenta uma selecção de concertos, d.j. sets, exposições, exibições de filmes antigos, peças de teatro e uma série de outros eventos culturais e de entretenimento. A le cool é também um guia de lojas, restaurantes, bares e outros locais de ócio, sem serem necessariamente trendy, apenas com qualidade e que valham realmente a pena. Em vez de impressa, esta magazine é enviada todas as quintas por e-mail aos seus subscritores, num formato gráfico horizontal, para ser consultada página à página, como se fosse uma revista de modelo tradicional, em papel."

A Le Cool é uma selecção das propostas culturais mais autênticas e excitantes de Lisboa, Barcelona, Madrid, Amesterdão e Istambul

Acabadinha de chegar esta é a capa da edição Holandesa para a primeira semana de Fevereiro.

IT`S A JAZZ TIME

My Baby Just Cares For Me - Nina Simone

A Interrupção Voluntária da Gravidez

Vamos ser chamados a votar a despenalização, ou não, da Interrupção Voluntária da Gravidez, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado. Aquilo que o Estado pede aos cidadãos eleitores é que expressem a sua concordância ou a sua renúncia a esta questão. Importa, por isso, perceber o estrito âmbito da pergunta que este referendo coloca aos portugueses. A IVG é um procedimento médico que permite a uma mulher pôr termo a uma gravidez. De acordo com o actual código penal este procedimento é legal em determinadas circunstâncias como em caso de risco de vida da mãe ou do feto, em caso de mal formação extrema e em casos de violação. No entanto, outros casos são considerados crime, puníveis com prisão. É sobre esses casos que os portugueses são chamados a votar. Deve uma jovem adolescente de 16 anos, que está a descobrir a sua sexualidade, que procura chegar à vida adulta, que ainda não pode votar, ser punida por, quando confrontada com uma gravidez indesejada, decidir abortar? Deve uma mãe solteira com um filho e com fracos recursos económicos, que por uma casualidade se encontra grávida novamente e que decide abortar, ser punida? Deve um casal, com uma saudável vida em comum há vários anos, com dois filhos, que decide que não deseja ter mais filhos e que faça um aborto, ser punido pelo Estado? Deve um casal de namorados estudantes universitários, que ainda vivem em casa dos pais, que não tem estabilidade emocional e financeira, que usa regularmente métodos contraceptivos, mas que a rapariga engravida e decide por si própria abortar. Deve ela ser punida, ou ele, por não ter impedido, ou vice-versa. Ela quer ter a criança e ele não. Quem é que deve ser punido pelo Estado? Mais, devem todos estes casos, que são apenas exemplos paradigmáticos no meio de toda uma outra miríade de tantos motivos que podem levar seres humanos à dramática situação de abortar, devem estas pessoas ser ainda mais penalizadas por um Estado autoritário que as obriga a recorrer ao desmancho, à mesinha, à clínica de vão-de-escada, aos métodos inseguros e dúbios, inumanos, selvagens e primários a que hoje milhares de mulheres recorrem para pôr fim às suas gravidezes? Ou, mais ainda, deve o Estado permitir essa estrema desigualdade social que tolera que apenas os detentores de poder económico possam recorrer a clínicas privadas, aqui ou no estrangeiro, e assim em condições médicas seguras terminar uma gravidez?

É sobre isto que o Estado nos pede para votar, sobre estes casos e outros como estes, sobre estas pessoas, estas vidas. Devemos punir estas pessoas, ou não? Devemos punir quem, pelas suas razões, faz um aborto, ou não? Temos o direito de "comandar" estas vidas, ou devemos permitir que cada um escolha de acordo com a sua consciência?

Perante esta questão a sociedade portuguesa surge dividida. Confirmou-se isso diante das últimas sondagens. De ambos os lados, pelo Sim e pelo Não, esgrimem-se razões e agitam-se argumentos. Uns mais sensatos, outros mais demagógicos, uns mais fidedignos, outros mais falaciosos, uns mais racionais, outros mais emotivos, de ambos os lados. Não me interessa discutir, nem sequer rebater, todos os argumentos que têm surgido na praça pública, até porque questões mesquinhas como dinheiros públicos em situações de saúde, ou comparações medonhas com factos históricos, não me parecem ser a forma sensata de debater este assunto. No entanto há determinadas questões que merecem ser reflectidas e discutidas com ponderação, principalmente aquelas que estão no âmbito da pergunta que nos é colocada pelo referendo, que é, relembro, "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras dez semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

O primeiro ponto é o da despenalização sobre o qual importa apenas acrescentar, ao que já expus acima, que apenas se pretende introduzir na moldura penal mais uma excepção, às já existentes, permitindo assim que até às dez semanas e em estabelecimento de saúde autorizado o aborto por opção da mulher não seja punido. Neste ponto muitos querem fazer crer que se trata de liberalizar. Recorro ao meu Dicionário Houaiss que esclarece que liberalizar é: dar com liberdade, distribuir com profusão, prodigalizar. Ainda a este respeito, convém também clarificar que o Liberalismo é uma doutrina politica e filosófica que remonta ao pensamento do inglês John Locke (1632 - 1704) e que se baseia na defesa intransigente das liberdades individuais em matérias económicas, politicas, religiosas e intelectuais, em oposição igualmente intransigente contra quaisquer ingerências excessivas ou atitudes coercivas do poder estatal na vida dos indivíduos. Parece-me assim claro que em face da pergunta que nos é posta pelo referendo não existe qualquer tipo de liberalização do aborto, antes pelo contrário, pressupõem-se sim limitações concretas e mais uma excepção ao regime já existente. (O que pensaria Locke do nosso referendo...)

A segunda questão que se tem levantado é a de por opção da mulher. Creio que qualquer pessoa de boa fé compreenderá que este é um problema transversal à sociedade e que afecta todos, homens e mulheres, desde que sexualmente activos. A questão que aqui se coloca é que como não se pretende obrigar ninguém a abortar o consentimento daquelas em quem o procedimento médico é perpetrado é um factor essencial para a sua legitimidade, daí ser fulcral que o aborto seja feito por opção da mulher, isto é, com o seu acordo.

Em terceiro lugar, as dez semanas. Para tudo nas nossas vidas existem prazos, datas limites, fronteiras temporais. Uma idade para votar e para conduzir, um tempo na vida para começar a pagar impostos, uma idade para entrar na escola, um tempo para começar a trabalhar, uma idade para a reforma, um tempo para morrer. O limite temporal que aqui se pretende estabelecer é não só baseado nesta necessidade civilizacional de estabelecer regras e parâmetros mas, também, na avaliação concreta do problema do aborto. O limite das dez semanas que se pretende estabelecer é um dos mais conservadores de todas as legislações europeias. Na Turquia a despenalização é permitida até às 10 semanas. Itália, França, Alemanha, Dinamarca, Áustria, Grécia, admitem a IVG até às 12 semanas. Suécia, Holanda, Finlândia, Reino Unido, até as 20 semanas e mais. O prazo das dez semanas é medicamente aceite como o período de transição entre a fase embrionária e a fase fetal, período esse que levanta menos riscos para a mãe e permite uma adequada ponderação da decisão por parte das pessoas envolvidas, médicos, pacientes e familiares.

O quarto ponto prende-se com a obrigatoriedade do procedimento ser feito em estabelecimento de saúde autorizado. Este é, ao contrário do que se possa pensar, um ponto fundamental nesta questão. Com isto refuta-se não só a acusação de liberalização, uma vez que haverá um controlo por parte do estado sobre as instituições que poderão efectuar tais procedimentos médicos, como ao mesmo tempo se incute na sociedade a ideia de que o Estado não faz uma avaliação moral sobre a questão do aborto e leva as pessoas a procurarem de forma aberta um acompanhamento médico de modo a poderem ponderar, decidir e efectuar com toda a segurança e com total responsabilidade um acto médico que, pela sua natureza, assim o exige.

Por último dois pontos fundamentais que têm sido suscitados, cada um por cada uma das partes: o problema de saúde pública e a questão da "vida". O aborto clandestino é hoje, em Portugal, um gravíssimo problema de saúde pública. A realização de interrupções da gravidez sem acompanhamento médico adequado coloca as mulheres que se sujeitam a estas intervenções em perigo extremo, com consequências físicas e psicológicas gravíssimas, como lesões cervicais, a perfuração do útero ou intestinal, infecções várias, infertilidade e acabando muitas vezes em lesões permanentes, depressões graves e mesmo a morte. A forma mais imediata de combatermos este flagelo é a legalização da IVG, até às dez semanas, por opção da mulher e com acompanhamento médico.

Quanto à questão da "vida", tal como esta é posta pelos defensores do Não no referendo, é ao mesmo tempo e paradoxalmente o mais legítimo e o mais despropositado dos argumentos. Recorro mais uma vez ao meu Houaiss que diz o seguinte: vida s.f. 1 modo de viver; conjunto de hábitos 2 propriedade que caracteriza os organismos cuja existência evolui do nascimento até à morte 2.1 um sistema com capacidade para se submeter ao processo de evolução por selecção natural (que envolve replicação, mutação, e replicação de mutações) 2.2 conjunto de actividades e funções orgânicas que constituem a qualidade que distingue o corpo vivo do morto 3 o período de um ser vivo compreendido entre o nascimento e a morte; existência (...). Continuando à procura de uma definição e, já que sou anglófono, abro o meu Penguin English Dictionary que diz isto: life noun 1a the quality that distinguishes a living and functional being from a dead body or inanimate object. b a state of matter, e.g. a cell or an organism, characterized by capacity for metabolism, growth, reaction to stimuli, and reproduction. Editorial note: the characteristics of living organisms include the capacity to maintain a constant internal environment, to respond to and transform their external environment, to grow and develop, and to self-replicate, producing more or less identical copies of themselves. Living beings are thermodynamically open, deriving energy from their environments in order to sustain and transform themselves, a process known as autopoiesis, or self-creation. Já a Enciclopédia Britânica sintetiza a vida com esta descrição: State characterized by the ability to metabolize nutrients (process materials for energy and tissue building), grow, reproduce, and respond and adapt to environmental stimuli. Bom, e a tentativa de definir o que é a vida prossegue, e existe desde que se criou a linguagem, sendo que se trata de uma das questões mais complexas e vastas do pensamento, atravessando ciências e confundindo pensadores, filósofos, escritores e cientistas.

No que concerne à gravidez, de uma forma muito genérica, e do ponto de vista científico, o desenvolvimento pré natal, está dividido em três grandes períodos, cada um deles caracterizado por diferentes padrões de desenvolvimento e de interacção entre o organismo e o seu ambiente: Primeiro o Período Germinal que tem início quando as células germinais do pai e da mãe se juntam na concepção e que se prolonga até o organismo em desenvolvimento se agarrar à parede do útero, cerca de 8 a 10 dias após a concepção. Depois o Período Embrionário que se estende desde que o organismo se agarra à parede do útero até aproximadamente ao fim da oitava semana, quando os principais órgãos assumem forma primitiva. Por fim o Período Fetal que prossegue até ao nascimento. Todo este processo é extraordinariamente frágil e a qualquer momento pode terminar por uma variedade de razões. Inclusive, um estudo de AJ Wilcox, efectuado em 1999, determinou que 25% de todas as gravidezes terminam ainda no período germinal sendo que nestes casos a interrupção acontece mesmo antes da mulher se aperceber que está grávida. O início do período fetal, entre a oitava e a décima semanas, acontece quando os tecidos básicos e os órgãos surgem em forma rudimentar e os tecidos que formam o esqueleto começam a endurecer. Um aspecto determinante tem a ver com as capacidades sensoriais do feto. Os primeiros estágios de desenvolvimento do ouvido interno, que controla o equilíbrio, acontecem cinco meses após a concepção, aproximadamente na mesma altura o feto responde também a estímulos auditivos, só às 26 semanas o feto responde a estímulos visuais, os hemisférios cerebrais surgem apenas a meio do processo da gravidez.

Estes dados permitem que cada um de nós crie uma concepção sobre o que é para si a vida e quando é que ela surge. Uma concepção que pode ser mais poética, ou mais cientifica, mais filosófica ou mais religiosa, mas uma concepção sempre individual e de acordo com a consciência de cada um. Ora a função do Estado, o papel da sociedade no seu todo, é legislar de acordo com princípios gerais, delimitados por regras genéricas, fora do âmbito da moralidade estrita de determinado credo ou concepção. Compete ao Estado legislar para o indivíduo, mas nunca individualmente. Compete ao Estado legislar para todos os cidadãos, mas nunca para cada cidadão. Mas o que está aqui em causa e no que à questão da vida diz respeito, é que se decidirmos que o embrião é já uma vida de pleno direito, o que eu não concordo, não compete ao Estado escolher sobre que vida tem mais valor se a da mãe se a do embrião. Compete sim ao Estado, na minha opinião, permitir que seja cada um de nós, em consciência, com o beneplácito da sociedade, a fazer essa escolha.

O que este referendo nos pede é que digamos sim ou não à liberdade de cada cidadão fazer essa escolha. É por isso que eu vou votar Sim no dia 11 de Fevereiro.

terça-feira, janeiro 30

DISCOS PEDIDOS

Outsiders - Franz Ferdinand - Dir: Steven Huber

A NÃO PERDER






















Para conferir as obras em exposição consultar link na coluna lateral. >

Alto como as estrelas/Livre como o vento

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Numa remota e porventura esquecida nota crítica de Ruy Guilherme de Morais à obra "O Barco e o Sonho" de Manuel Ferreira leio que os Açorianos "vivem em permanente tensão com o meio ambiente, seja ele o mar que os confina à terra, seja esta, que, pela sua exiguidade, os empurra para o mar. E esta é, sem sombra de dúvida, a realidade suprema da vida açoriana". Cotejando a galeria de personagens criadas por Manuel Ferreira formula Ruy Guilherme de Morais o enigma do fado de gerações de Açorianos: "Para quê conquistar este mundo, se logo há outro, seja por detrás da morte, seja para além do horizonte? Esta tem sido a realidade do povo açoriano e é dentro dela que se movem as personagens criadas ou recriadas literariamente por Manuel Ferreira, sem dramatismos à flor da pele porque trazem a tragédia escondida dentro da alma". Pese embora a retórica seja tributária da estética "das ilhas de bruma", por onde emergia a vontade de certificar a "literatura açoreana", o certo é que ela não esconde uma realidade tantas vezes recriada entre nós. Seja como for, nesse "movimento" destacar-se-á o nome e a obra do Comendador Manuel Ferreira. Homem dotado de uma incomensurável alma Açoriana, tomando o milhafre por ex libris, com galhardia sempre nos recorda que a nossa condição deverá honrar o guardião destas ilhas : "alto como as estrelas / livre como o vento.".
A vida e obra de Manuel Ferreira reflectem uma personalidade admirável "numa existência toda cheia de trabalho árduo sem tibiezas nem desfalecimentos" nas palavras do saudoso Prof. Almeida Pavão. Em suma: um herói das nossas Letras. A estas insignes qualidades do Comendador Manuel Ferreira junta-se o equilíbrio de uma urbanidade e amabilidade de antanho. Serve de exemplo o seguinte episódio. Sabendo por interposta pessoa que buscava em vão um exemplar da esgotada edição "O Caricaturista Micaelense Augusto Cabral" foi com prontidão que me presenteou com uma cópia do seu acervo pessoal. Acrescentou ainda uma magnífica reprodução da histórica caricatura de Augusto Cabral "A Torre Autonómica"! Nos dias que correm não é fácil corresponder a este cavalheirismo que mercê da boçalidade reinante teima em persistir. Resta-me a modesta possibilidade de o felicitar nesta data, por ocasião do seu nonagésimo primeiro aniversário, formulando votos de férrea longevidade a bem da sua cidade de Ponta Delgada, onde nasceu a 29 de Janeiro de 1916.
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(*) foto do Comendador Manuel Ferreira da autoria do "mestre" José António Rodrigues
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Posted by João Nuno Almeida e Sousa

segunda-feira, janeiro 29

a Cabala

A vida pública está animada. Até a preparação do referendo sobre o aborto, que em princípio bastaria para atrair as atenções, parece relegada para um plano de menor importância. A Câmara de Lisboa, outras câmaras, a menina "adoptada", o futebol, a corrupção e as obras ocupam as primeiras páginas dos jornais e as aberturas dos noticiários. Todos os condimentos estão disponíveis: afectos, dinheiro, clubes e partidos. Parecem "um amontoado de imagens quebradas", sem nexo nem denominador comum. À primeira vista, a vida de todos os dias. Mas não. "Isto anda tudo ligado" (...). António Barreto, in Público, 28.1.2007
Por via do Jornalismo & Comunicação

O País que temos

Versão 2.0 - A Capital da Nação

Não quero que pensem que estou numa cruzada anti autarcas e autarquias, ainda por cima do PSD. Nada disso, apenas utilizo este título para este post porque me parece ser o mais adequado e porque penso sinceramente que todas estas questões, dos desmandos dos políticos, são reveladoras do que é Portugal hoje. Ao vir para casa, hoje, ouço na TSF que a Câmara Municipal de Lisboa rompeu unilateralmente o acordo de parceria que tinha com a ExperimentaDesign inviabilizando assim a realização, no final deste ano, da Bienal. A notícia é a todos os níveis chocante, e desde já me solidarizo com a decisão de Guta Moura Guedes e da restante equipa de accionarem judicialmente a Câmara, mesmo sabendo, como certamente eles também sabem, que nenhum bem virá dessa acção judicial. O mal, o grande mal, está feito. Pela ignorância, prepotência e descaramento de um autarca a Capital e todo o País são privados de um dos mais significativos e importantes eventos culturais que este País já teve. Assim, sem mais nada. Como sempre neste País, entretido com guerras de alecrim e manjerona entre Salazar e Cunhal e enleado com a demagogia mentirosa do Não, a Cultura é posta no lixo sem que ninguém se importe. E isto vindo de uma Câmara que faz permutas ruinosas com Empresas corruptas. Repitam comigo - Merecíamos Políticos Melhores.

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domingo, janeiro 28

MACAQUINS 5 - 2ª semana


Le Moulin de Florian Thouret é um dos filmes a Ver nesta 5ª edição do MACAQUINS que decorre até ao próximo sábado (3 de Fevereiro) na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada. As marcações para as sessões escolares devem ser efectuadas através dos telfs. 296 628 667 - 917 512 170 ou para o email da MUU.

sexta-feira, janeiro 26

AMANHÃ





5H NON STOP (15h00 às 20H00) *



PROGRAMA 9 | ANIMAÇÃO INFANTIL
PROGRAMA 4 | ANIMAÇÂO INFANTIL
PROGRAMA 5 | ESCOLAS FRANCESAS 2005/6
PROGRAMA 6 | AMIMAÇÃO HÚNGARA
PROGRAMA 3 | SELECÇÃO IMAGO 2006
PROGRAMA 8 | ANIMAÇÃO DIGITAL

* com curtos intervalos para o café

O País que temos, actualizado.

Então, no seguimento do meu post de ontem, sobre o País que temos, aqui ficam mais umas informações importantes para o assunto. De acordo com a edição de hoje do Açoriano Oriental os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) da Câmara Municipal de Ponta Delgada emitiram, relativamente à facturação de Novembro, 1300 (mil e trezentas) ordens de corte, o que representa e tendo em conta as informações dadas por uma "fonte" dos próprios SMAS um aumento para quase o triplo da média mensal, uma vez que normalmente são emitidas 500 a 600 ordens de corte por mês. Isto acontece apesar dos SMAS terem conhecimento, conforme corroborou a dita "fonte", de que tinham havido problemas nas entregas dos CTT, mas mesmo assim esta "fonte" acha que a culpa é dos utentes que embora não tendo recebido nem facturas nem avisos deveriam, por sua própria recreação, ter-se dirigido aos serviços e regularizado a conta que os próprios não sabiam que se encontrava em situação irregular. Eu não vou sequer comentar esta imbecilidade da dita "fonte" dos SMAS, a mim o que me indigna é o seguinte: uma dependência Camarária, que deve estar ao serviço dos cidadãos, têm a desfaçatez de perante uma ocorrência anormal de 1300 ordens de corte e tendo plena consciência de que haviam responsabilidades por parte dos CTT decide penalizar os cidadãos sendo que com essa decisão mete ao bolso 14950 euros. É que 11,50, que é o valor da Taxa de Restauração do Serviço, a multiplicar pelas 1300 ordens de corte emitidas totaliza o fantástico montante de 14950 euros (quatorze mil novecentos e cinquenta euros) de dinheiro dos munícipes que estes, não só não tem culpa como ainda por cima, nunca vão poder reaver, porque agora a responsabilidade morre sozinha, num pingue-pongue entre cidadão, CTT e SMAS. Merecíamos Políticos Melhores e burocratas melhores e se os tivéssemos teríamos um País melhor.

CineClube

An Inconvenient Truth justamente reposta durante esta semana no Solmar.

quinta-feira, janeiro 25

Quinta-feira de Amigos



Georgia O'Keefe e Orville Cox, fotografados por Ansel Adams



Sempre passei ao lado do Carnaval, mas se há tradição para mim estimável nesta quadra, é sem dúvida o rosário de quintas-feiras que hoje tem início: amigos, amigas, compadres e comadres. Assim sendo, não posso deixar passar a meia noite sem aqui inscrever o meu abraço aos outros mosqueteiros deste blog, mas também a todos os amigos virtuais, vocais, anónimos e silenciosos, dedicando-lhes estas luminosas palavras de José Cardoso Pires na Cartilha do Marialva, uma cartilha de título enganador:

Vê-se agora que já não são apenas as condenações libertinas e o liberalismo económico que pesam sobre a existência marialva. É o tempo, o tempo histórico, medido nas formas científicas e concretas a que obriga a convivência das nações no mundo actual. E esse tempo previram-no os libertinos de melhor fibra quando souberam retirar-se da cena, depois de terem feito triunfar o espírito citadino e de o reconhecerem inadaptável às sociedades do novo século. Previu-o Saint Just quando desafiou a lei provinciana ao anunciar que a felicidade era possível na Terra.


José Bruno Tavares Carreiro

José Bruno Tavares Carreiro, nado em Coimbra nos idos de 1880, foi criado na cidade de Ponta Delgada onde veio a falecer a 4 de Janeiro de 1957. Licenciado em Direito cedo empenhou as suas qualidades pessoais e formação profissional a favor da causa da Autonomia dos Açores. Assim, participou na elaboração do Decreto de 16 de Fevereiro de 1928, que serviu de estatuto das Juntas Gerais, e fundou, em 1920, o jornal diário "Correio dos Açores", cujos pergaminhos autonomistas sempre foram uma matriz editorial respeitada desde a data da sua fundação. A partir de hoje, e durante dois dias, no Centro Municipal de Cultura, a Câmara Municipal de Ponta Delgada promove e organiza o Colóquio que assinalará o cinquentenário da morte do autonomista, jornalista e escritor. "José Bruno Carreiro, o Homem e a Obra", é a homenagem possível ao percurso de vida do ilustre autonomista, que prestou relevantes serviços à cidade de Ponta Delgada. O programa reflecte as várias dimensões da personalidade e obra de José Bruno Tavares Carreiro. As sessões são públicas e o programa, em resumo, está disponível AQUI.

O País que temos

A história é mais ou menos simples e pode ser contada rapidamente. Hoje de manhã um zeloso funcionário da Câmara Municipal de Ponta Delgada veio cortar a água cá em casa, aparentemente eu tinha a conta de Novembro por pagar, num montante de 4,79 ?, isso mesmo, quatro euros e setenta e nove cêntimos. Acontece que eu não tinha recebido nem aviso nem factura nem nada, mais, ainda na semana passada tinha estado nos serviços da Câmara a pagar o mês de Dezembro e ninguém me tinha alertado para essa situação. Pois hoje, depois do corte, lá vou eu para pagar a dívida e voltar a poder tomar banho, lavar a louça e puxar o autoclismo. A fila nos serviços era enorme e o burburinho e as reclamações também, aparentemente eu não tinha sido a única vítima do zelo camarário. No momento do pagamento deparo-me com o seguinte cenário - dívida do consumo de água do mês de Novembro: os já referidos 4,79 ?, multa pelo atraso no pagamento e tarifa de restauração do serviço: 11,50 ? (onze euros e cinquenta). Relembro que eu não tinha nem recebido a factura, nem um aviso por falta de pagamento, segundo a menina que me atendeu os próprios serviços sabiam que havia atrasos e falhas nos CTT, mas mesmo assim estavam a cortar a água aos utentes. Na meia hora em que eu lá estive devem ter passado pelos serviços cerca de 30 a 40 pessoas, multipliquem isto por 11,50 e sabendo que o horário de atendimento é das 8:30 até às 15:30 e vejam quanto dinheiro a Câmara não meteu ao bolso. Perante isto, eu, que até tinha tempo para gastar e que vi que mais algumas pessoas estavam a reclamar da situação decido fazer o mesmo. Qual não é o meu espanto quando o funcionário me informa que os serviços da Câmara não têm Livro de Reclamações, coisa que hoje em dia qualquer treta que tenha uma porta aberta e atendimento ao público é obrigado a ter, e o senhor presenteou-me com uma folhinha A4 em que vem explicada uma resolução do Conselho de Ministros N.º 189/96 em que se explica que após uma auditoria jurídica do Ministério do Equipamento, do Planeamento e da Administração do Território foi emitido um parecer, homologado pelo Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território em que se isenta os serviços e organismos da Administração Local da obrigatoriedade de adoptarem um livro de reclamações. Ou seja, o próprio Estado, que obriga toda a gente a ter Livro de Reclamações, isenta desta obrigatoriedade aqueles serviços que até são os que estão mais próximos dos cidadãos e que maior contacto têm com eles. Perante isto que garantia tenho eu que a minha reclamação não vai directamente para o lixo assim que eu virar as costas, uma vez que não há nenhuma entidade autónoma, ou exterior aos próprios serviços da Câmara, que fiscalize o seguimento dado ás reclamações, como acontece com todos os outros estabelecimentos que são obrigados a ter Livro de Reclamações. Este é ou não é um fantástico retrato do País que temos? É caso para dizer, mais uma vez, Merecíamos Políticos Melhores (menos corruptos, menos mentirosos e com um mínimo de bom senso).