sábado, maio 31

Directas às Directas


Não sendo parte interessada e não tendo seguido a campanha com muita atenção, não posso, contudo, deixar de notar que as directas do PSD suscitaram duas ou três questões (na verdade, quatro)que devem ser destacadas:

1. A maioria do eleitorado do PSD optou pelo modelo Sócrates de saias. Tendo como alternativa a juventude semi-liberal de Passos Coelho ou o liberalismo semi-jovem de Santana Lopes, o PSD profundo optou pelo Keynesianismo de pendor autoritário de Ferreira Leite, isto é, a oferta de que dispunham que mais se aproxima da liderança do PS e do rumo do Governo. Para quem passou os últimos três anos a dizer que o Governo não acertava uma, não é lá muito coerente e, sobretudo, não facilita muito o delinear de uma estratégia de combate para as Legislativas de 2009.

2. As directas tiveram o mesmo resultado que teria um Congresso. Se o modelo eleitoral fosse o tradicional, não há muitas dúvidas de que Manuela Ferreira Leite ganharia na mesma, provavelmente com maior vantagem. A ideia romântica de que as bases falam sempre contra os barões e que as directas colocam todos em pé de igualdade não passa disso mesmo, de uma ideia romântica que menospreza o efeito cruzado dos media, dos financiadores, dos apoios públicos e das estratégias privadas.

3. As directas tendem a esquartejar os partidos e a legitimar em excesso os oposicionistas. Quando há mais de um candidato e os resultados são relativamente equilibrados, as directas são como uma falha tectónica aberta no meio de um partido. O PSD, por exemplo, ficou com uma líder e dois vice-líderes. Cada um deles dispõe praticamente de um terço do partido e cada um deles pode continuar a fazer valer esse terço de legitimação de cada vez que o achar útil. Santana Lopes já deu a entender que o fará e Passos Coelho, se bem que com outra subtileza, concerteza não o deixará de fazer.

4. Vistas dos Açores estas directas foram mais um magnífico exemplo da personalidade ciclotímica de Costa Neves. Primeiro não queria cá os candidatos. Depois, disse que gostava muito de Ferreira Leite e de Passos Coelho, mas que não dava indicação de voto aos militantes dos Açores. A seguir, foi à sessão de campanha de Ferreira Leite e disse que a apoiava. E agora, para rematar, apressou-se a tentar colher alguns pózinhos da vitória e já fala em listas ao Congresso. Fantástico para quem se diz coerente.

À Lapa nada de Novo

Passos Coelho reconhece derrota nas directas
Nem mesmo com a jovialidade da Filipa PPC foi capaz de ultrapassar a máscara de austeridade e confiança de MFL.

CNB



Hoje em Ponta Delgada.

Alta Fidelidade



Novo disco dos American Music Club em repeat.

sexta-feira, maio 30

Incontinências



Afónica e alcoolizada, Amy Winehouse actuou num recinto esgotado
O contrário não seria expectável. E essa terá sido, provavelmente, a única razão pela qual se deu a enchente desta 1ª noite do RiRl. Eu não Vou.

quinta-feira, maio 29

O Professor vai agora concentrar-se...


Passou-me ao lado uma das grandes notícias da actualidade. O Professor Bambo, vidente e astrólogo, vedeta da TSF/Açores e de quase todos os jornais portugueses, foi ouvido pela Polícia Judiciária do Porto, no âmbito de uma investigação por suspeita dos crimes de extorsão e de violação.
O curandeiro senegalês, que se mostrou muito cooperante com as autoridades, diz-se especializado nos mais variados problemas de "família, amor, trabalho, herança, complicações com filhos e mau-olhado" e alega que os poderes que possui lhe foram transmitidos pelo senhor seu pai, personagem que, infelizmente, não consigo identificar.
Se eu fosse daqueles salientezinhos, diria que um vidente que não consegue prever que a polícia o quer apanhar é um mau vidente. Se fosse mauzinho, diria que nem toda o dinheiro publicitário que um meio de comunicação social consegue arrecadar é aceitável e que há limites (pelo menos de responsabilidade social). Mas, como sou apenas chatinho, digo que o pior são os clientes que continuam a alimentar "consultórios" em Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Funchal e Ponta Delgada, sim a nossa Ponta Delgada.
O Professor que, em francês colonial e com voz grave, consegue adivinhar o futuro dos açorianos pelas ondas hertzianas, apenas com base na data de nascimento, é um produto da solidão, da preguiça, do desespero e da falta de informação, mas é um produto de sucesso. E isso é que é grave.

Uma revolução de mentalidades

“A Cultura do Ananás – Presente e Futuro” foi o tema da palestra do Dr. Manuel Arruda integrada nas Comemorações dos 475 anos da Freguesia de Fajã de Baixo. Tema que mereceu a destacada atenção de diversos produtores deste primor da nossa Terra. Tema que mereceu também a polémica esperada num sector que vive em permanente estado de crise sobrevivendo nos limites da sustentabilidade. Tema que, infelizmente, não mereceu a atenção de todas as “forças vivas” da Freguesia que não quiseram partilhar em debate as suas perspectivas e o seu acervo de experiências. A cultura do ananás é hoje, à sua escala, um modelo da estagnação da nossa economia dita de superávit e de apregoado sucesso. Serve de exemplo o facto de o preço médio de venda do ananás, produto regional que é um ex-libris dos Açores, ser sensivelmente o mesmo desde 1995 ! Por outro lado, os custos de produção dispararam em flecha sem ser previsível a inversão dessa tendência. O estado da cultura do ananás é também sintomático de uma Região que caminha de olhos vendados para uma absoluta terciarização da nossa economia. De facto, que produzimos nós além de serviços? Com efeito, todas as indústrias Açorianas estão em crise. Esta até já inquinou a saúde e prosperidade da indústria de lacticínios, como sugere o actual estado de “guerrilha” entre cooperativas. Nos diversos sectores da nossa economia há uma longa reestruturação empresarial, legislativa e cooperativa que urge ser realizada. Esta reestruturação só será possível se for acompanhada cientificamente pelas estruturas que a Região edificou não só para licenciar gente, mas também para potenciar a investigação aplicada às necessidades Regionais. Contudo, há uma revolução que não pode ser imposta por decreto ou por cátedra. O “Povo Açoriano”, – género antropológico que tanta urticária causou nos deputados da República que visaram e censuraram o “nosso” Estatuto -, é useiro e vezeiro em repudiar a sua própria identidade. Esta é também a identidade dos nossos produtos e da nossa Terra. Enquanto tivermos empresários e comerciantes a vender gato por lebre não honramos a nossa identidade. Quando se ouvem relatos de que se impigem aos nossos turistas abacaxis como se fossem “St Michael pineapples”; ou de que se serve na nossa restauração o genuíno “Bife à Micaelense”, com matéria-prima nada e criada nas pampas uruguaias; ou ainda de que se vende “artesanato local” despudoradamente made in China; está tudo dito. A maior reforma deste “Povo Açoriano” não é legislativa ou económica mas sim de mentalidades. Essa é que é a revolução que nos falta fazer.

joaonuno@jornaldiario.com

Em Busca da Cenoura Perdida

Euro 2008: "Portugal é o favorito"
O circo está na rua e a imprensa especializada agradece.

Reporter X

Agendas *

A oferta cultural nas nossas ilhas tem sofrido um incremento muito significativo nos últimos anos, fruto, sobretudo, do trabalho de muita carolice, trabalho voluntário e gratuito, empenho e desempenho de associações, músicos, actores, artistas e instituições afectas à coisa cultural.

Apesar de existirem vozes no espectro mediático local que, tendencialmente, optam por questionar a oferta existente, no sentido de referir que a mesma passou a ser exponencialmente excessiva, o facto é que, como já referi em múltiplas ocasiões, a cultura é escassa apenas para quem dela não frui ou usufrui ou que dela não retira qualquer utilidade e prazer. Não obstante as resistências no e do terreno, existem importantes conquistas, aferíveis pela fidelização e multiplicação de públicos e por via do acesso, da proximidade e da continuidade, e que são resultado de um trabalho persistente. Contudo muito há por realizar e, sobretudo, consolidar.

Os tempos futuros não se adivinham particularmente risonhos (os passados também não o foram!) para os diversos sectores da sociedade, e em particular para a cultura, uma das áreas mais sacrificadas em tempos de crise. Torna-se, pois, imperiosa uma eficaz gestão dos recursos disponíveis. Daí que, e apesar do importante papel de todas as organizações, parece-me fundamental um bom planeamento e a especialização do campo de acção, de modo a que não haja sobreposições desnecessárias, muitas das vezes com prejuízo de público e “actores”. Foi o que aconteceu no passado fim-de-semana em São Miguel onde a profusão de eventos foi, digamos, inusitada. Não sei que entidade poderia desenvolver esse esforço de comunicação e coordenação entre os vários agentes, embora me pareça que esse papel pudesse ser “naturalmente” desempenhado pela Direcção Regional da Cultura. Não sendo possível, não me parece descabida a criação de um “Observatório das Actividades Culturais” na concretização dessa e de outras acções que ajudassem a contextualizar e a estudar o que cá fazemos, produzimos e promovemos, numa acção que já é hoje por demais necessária.


* edição de 27/05/08 do AO
** Email Reporter X
*** Imagem X Açores 2010

quarta-feira, maio 28

Summer Sessions



Alex Gaudino ft. Shena - Watch Out

Com o Verão a querer espreitar e a temperatura a solicitar outra indumentária, o som pede-se swingado e pronto a dançar. Vai daí, serve-se, como amuse bouche (por assim dizer), "Watch Out", de um tal de Alex Gaudino, com a ajudinha de uma tal de Shena. Não sei quem são, o sampling é quase miserável, mas o clip prova que é possível juntar, com vantagem para o observador, música, futebol e mulheres. Façam de conta que é música obrigatória de preparação para o Euro 2008.

Desculpe, importa-se de repetir?!

"Não vamos aderir à paralisação nacional, porque os Açores, por correcta actuação do Governo, têm os combustíveis mas baixos do que os que são praticados a nível nacional"
Enquanto que no país real.

terça-feira, maio 27

Reporter X

A ironia imagética contida neste cartaz promocional da Livraria Solmar é suficiente reveladora da crise do presente por que passam os comerciantes desta zona cidade.

The Political Compass

via Rui Gamboa



link

sinto-me bem sabendo que estou próximo do Dalai Lama, Ghandi e de Nelson Mandela

já agora é com agrado que constato que quase quatro anos depois o meu azimute político não se alterou muito, se bem que só não muda de ideias quem não as têm...

Serviço Público

Do mal o menos.

R.I.P

Sydney Pollack, Film Director, Is Dead at 73
Maio, maldito Maio.

Posts Pedidos # 1

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(*)
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"um Hotel em Santa Cruz das Flores, em cima da Zona Industrial e de comércio por grosso, não cabe na cabeça do mais tinhoso dos pensadores." . Lê-se num pertinente, acutilante e actual post do Nuno Barata. Percebe-se melhor depois de vista a foto panorâmica do dito arranjo lupanar que congrega, no mesmo local, comércio de pechisbeque, britadeiras industriais e urbanizações terceiro-mundistas. Tudo isto rematado com um hotel, alcandorado sobre a falésia, sobredimensionado num pastiche que honra a melhor arquitectura Romena contemporânea da era Ceausescu. Apre! Não se enxerga de que meninges iluminadas terá sido parido tal aborto.

Este esplêndido postal do fôguetabraze desnuda o postal de propaganda de um turismo de qualidade que tantas vezes só existe no papel. O Nuno Barata, que conhece os Açores como poucos, tem o "imperativo moral" de denunciar estas e outras singularidades regionais a favor de uma coesão artificial a ser subsidiada à conta do Orçamento de toda a Região. Tem a obrigação de o fazer. Sem odiozinhos de estimação e sem os votos de acrisolados louvores de solidariedade de ocasião. Deve essa denúncia, numa palavra, a bem dos Açores. Fica aqui pois o post pedido para que exponha, com a mesma argúcia que usou no postal do "Houtel" das Flores, a incomensurável violação da nossa natureza no local da Fajã do Calhau em São Miguel. A bem de quem ? Dos Açores não é certamente!
...
(*) foto : Pedro Rocha / FrutoRei

always listen to good music



Flight of the Conchords [*] - Ladies of the World

[*] also a great tv show link | link

nunca o humor teve tanto swing...

segunda-feira, maio 26

Life on Mars?



Chegaram-nos ontem as primeiras fotografias de Marte. Aparentemente, não há marcianos à vista, mas a NASA equipou a estação espacial Phoenix com brocas e micro-ondas para tirar a prova dos nove. A broca é para furar a crosta do planeta até encontrar gelo. O micro-ondas é para derreter as calotes de gelo e depois analisar quimicamente o que de lá sair. Se o líquido amniótico passar no teste de gravidez, temos vida, temos marcianos, temos – sei lá – segurança social.

Isto da fronteira espacial não é coisa que me ponha com pele de galinha. Procurar vida em sítios remotos quando aqui em baixo há tanto morto-vivo para resgatar, cheira-me a gastar na farinha para poupar no farelo, aforismo muito à la page em tempos de choque cerealífero. Estas reservas não são só de ordem moral. Os astronautas sempre me pareceram escafandristas ao contrário, as naves espaciais deixam-me indiferente. Em matéria de ficção científica, passo.

Se me querem falar de UFO’s e coisas inter galácticas, então falem-me do David Bowie. Se há alguém que faça jus ao título “O homem que veio do Espaço”, esse alguém é o David Bowie. Pupilas assimétricas e ares de manequim pré-rafaelita. Há vida em Marte? perguntava ele em 1971, no final de uma faixa do álbum Hunky Dory.



Mas a melhor canção do Bowie sobre a “nova fronteira” é, sem dúvida, Space Oddity, escrita e publicada em 1969, pouco depois do Neil Amstrong ter posto o pé na Lua. Não me venham cá com 2001 Odisseia no Espaço, o cult movie de Stanley Kubrick, que muitos confundem com uma boite no autódromo do Estoril. O Space Oddity, para mim, é de longe o símbolo mais representativo dessa Idade Média da era espacial.



Ground control to major Tom,
take your protein pills and put your helmet on
.

Não se esqueçam do capacete, blogosfera. Eu cá fico a ler o Jules Verne.

Populista Poluidor

Demagogia inócua e feita por medida.

Crise do Futuro


O mundo está em crise financeira por causa do futuro. O petróleo, por exemplo, não custa o que se paga por ele hoje mas sim o que se estima vir a pagar dentro de três ou seis meses; os cereais, por outro lado, não custam o que custam a produzir mais a margem de lucro, custam antes o que custam a produzir, mais a margem de lucro, mais a banda especulativa em bolsa, mais a percepção da evolução a médio prazo do preço.
O futuro é, por natureza, motivo de especulação. Como não é possível prevê-lo com exactidão, há uma margem interpretativa, com base nos dados do presente e em experiências do passado, que, quando estamos a falar de bens ou produtos quotados em bolsa, nos permite ganhar dinheiro, muito dinheiro. O objectivo principal é comprar hoje a um preço futuro que seja mais baixo hoje do que será no futuro. Ou melhor dito, prever o preço futuro e comprar abaixo desse valor.
Assim sendo, os bens mais essenciais estão hoje, à escala global, sujeitos a um jogo que tem muito pouco a ver com o binómio oferta-procura e que passou a depender, em larga escala, da pressão especulativa. Hoje, o capital que interessa não é o capital utilizado na máquina produtiva, é o capital investido na máquina financeira. O produto ou o serviço passaram a constituir apenas um pretexto em cima do qual se constrói toda uma enorme e intrincada rede de investimentos financeiros, que se alimentam uns dos outros.
Este absurdo económico, a que se chama mercado de futuros, é vagamente taxado, relativamente inspeccionado e muito debilmente discutido. Será assim enquanto a maioria das pessoas achar que também pode comer uma fatia do bolo.

sábado, maio 24

Rei piano



Entrevista de Pedro Costa a Russ Lossing - pianista jazz norte-americano - que hoje dá início, em Ponta Delgada, a um novo ciclo de piano.

quinta-feira, maio 22

O exemplo

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O exemplo vem de cima. Pelo menos assim nos ensinaram. Contudo, uma nova filosofia dos tempos modernos tem vindo a negar aquele paradigma. Seguidor da escola que tem por máxima: "faz o que eu digo e não faças o que eu faço", o Sr. Pinto de Sousa bem se esforça por dar o exemplo mas, lá de cima da sua arrogância, faz o contrário do que impõe ao comum dos seus súbditos. Foi assim a bordo de um voo da TAP que transportou a comitiva governamental para a Venezuela, para um encontro com o soba local, no qual o nosso primeiro, na companhia do ministro da Economia, deu umas "passas" entre um e outro assunto de Estado. Triste sinal este de um Primeiro-Ministro que lançou uma poderosa campanha contra o tabagismo e depois resvala para estes sinais em sentido contrário. O que virá a seguir ? Ventilar, em segredo, um SG depois de um telegénico jogging, porventura, numa das muitas campanhas em que participa para "sensibilizar" os jovens para uma vida sem cigarros ? Depois de tudo isto o Sr. Pinto de Sousa, com o seu habitual look diletante, pede desculpas e até invoca desconhecimento da lei (!), rematando com uma promessa de que em definitivo vai deixar de fumar ! Não é bem a promessa que o Povo Português esperava. Teria seguramente caído melhor uma promessa de deixar, em definitivo, de ser primeiro-ministro. Com efeito, enquanto o nosso primeiro degusta uns cigarritos na companhia do ministro da Economia o nosso País está cada vez mais distante de Sócrates. Afinal o País da Economia em pleno crescimento, e do deficit zero apregoado pelo Sr. Pinto de Sousa, não deve ser o mesmo País em que vivem os Portugueses. Este é o País de quem sobrevive em classe económica, numa economia em recessão e cujos combustíveis, só neste ano, já subiram 20 vezes ! Quando isto não tiver remédio que fará o Sr. Pinto de Sousa ? Seguramente, com ar compungido, virá novamente pedir desculpas aos Portugueses.
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicas digitais do jornaldiario.com


O Samba de Viseu


A Selecção Nacional de Scolari não parece uma equipa de futebol, parece um grupo de auto-ajuda. Pouco se fala de técnica ou de táctica, pouco se debate sobre o modelo ou o sistema de jogo. Mesmo quando se discute um jogador, discute-se mais o perfil, o relacionamento com o grupo ou com o "mister", do que a qualidade técnica ou o seu momento de forma. Contudo, fala-se muito de espírito de equipa, de fé, de uma grande família e evocam-se emoções indescritíveis a torto e a direito.
Hoje tivemos aquele que será provavelmente o momento zen da caminhada de Portugal para o Europeu 2008: Roberto Leal cantou a versão funk brega de "Uma Casa Portuguesa" sentado ao lado de Scolari, em plena conferência de imprensa oficial do Seleccionador Nacional. Mais uma vez não se falou de futebol, mas de fé, do portuguesismo de Scolari e do momento presente das relações luso-brasileiras.
Porquê? Antes de mais, porque Scolari pode. Com selecções como as do Brasil ou de Portugal, o treinador pode dar-se ao luxo de não se preocupar muito com as ditas questões técnico-tácticas, convertendo-se assim num misto de guru e amuleto da sorte.
Para quê? Para que o apoio à Selecção (e também a Scolari himself) seja mais uma experiência emocional do que um apego racional. Não se trata do que jogam, nem como jogam. Trata-se antes de um desígnio nacional (ou luso-brasileiro, no caso) que se impõe e que implica bandeiras nas janelas, pessoas nas ruas, carros decorados, pinturas na cara, indpendentemente do que se é capaz de mostrar jogando.
Eu acho que Scolari ainda não percebeu a relação dos portugueses que gostam de futebol com o futebol. Os outros, os adeptos amadores, pelam-se por um cachecol e uma bifana em dia de Selecção, mas os verdadeiros amantes da bola querem é joga, muita joga, sobretudo quando se tem um plantel como o português. Se chegarmos aos quatro semi-finalistas, está tudo justificado. Se ficarmos antes, nem um samba em pelota no Marquês de Pombal salvará Scolari.

Incontinências

Em breve numa companhia aérea perto de si.

Bem-vindo a bordo

Directiva editoral: mantém a linha e evita o efeito io-io. Quanto ao resto, no worries, Big @ is watching U.

R.I.P

Artista plástico Bartolomeu Cid dos Santos morreu hoje em Londres
Deixa saudade e amigos nos Açores. Peace!

quarta-feira, maio 21

Coisas Realmente Importantes

O futuro - mais que próximo - passará - de forma real e não ficcionada - pela imprevisibilidade deste sobe e desce.

Carta de Apresentação

Estes senhores do :Ilhas são doidos! Eu nunca me convidaria para um blog de qualidade, com um nome e uma história a manter, um blog referência da nossa cada vez mais depauperada blogosfera. Não se trata de falta de fé nas minhas capacidades, que, não sendo muitas, são as suficientes para não desmerecer. Trata-se antes da importação concomitante de uma enormidade de problemas que se me alaparam ao longo da minha vida na blogosfera - sendo o mais visível deles um coro, mais ou menos fiel, de inimigos de estimação, que agora (imagino) se transferirá para a caixa de comentários deste venerando blog.
Não podendo fazer grande coisa em relação a isso e não podendo - por constrangimentos físicos inultrapassáveis - ser a primeira mulher do :Ilhas, resta-me ser uma espécie de interior esquerdo de um esquema táctico em losango, sem legitimidade para responder pelo passado mas com vontade de mostrar jogo.
É uma enorme honra poder ajudar a encher de caracteres um espaço com a qualidade deste. Agradeço aos fundadores a simpatia, que farei por retribuir.

contratações

Não, não vou falar do Laudrup e do Benfica, mas como qualquer grande equipe do futebol mundial, quando chega o defeso, começa a euforia das contratações. O :ILHAS não é diferente e anuncia a sua grande "contratação" para a próxima época. Um dos decanos e um dos mais brilhantes bloggers do blogoarquipélago, André Bradford, é agora o mais recente colaborador do :ILHAS. Um reforço de peso para a ala esquerda do blogue.

INDIELISBOA - PROGRAMA DIA 21





CINE SOLMAR - SALA 1 - 21h30


SLEEPING BETTY de Claude Cloutier Anim., Canadá, 2007, 14´
Prémio do Público Johnie Walker para Melhor Curta-Metragem - Secção Observatório


A princesa Betty está adormecida e nada parece fazê-la acordar. Desesperado o rei lança o repto na tentativa de encontrar quem a acorde. São vários os voluntários: Henrique VIII, a Tia Victoria, um alien emocional, uma bruxa simpática, e um maravilhoso princípe. Mas será ele capaz de acordar a SLEEPING BETTY com apenas um beijo?


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TREN DE SOMBRAS de José Luís Guerín Fic., Espanha, 1997, 88´
Secção Herói Independente/José Luis Guérin


Pouco tempo antes de desaparecer misteriosamente, em 1930, o cineasta francês Gerard Fleury tinha filmado o quotidiano de uma família. E é destas imagens que parte “Tren de Sombras”: Guerin pegou nas filmagens de Fleury e construiu um filme onde o passado e o presente se cruzam por entre as sombras dos fantasmas. As imagens de arquivo mostram a família e pessoal doméstico andando e jogando pelas propriedades. Guerín monta estas imagens com falsas imagens a preto e branco do mesmo local, juntando-lhes cenas a cores que tentam mostrar a actividade que pode ter ocorrido fora de campo. Um filme que antes de mais é uma reflexão sobre o cinema, sobre as diversas formas e manifestações do olhar e, em última instância, um filme sobre a vida e a morte…

terça-feira, maio 20

Alta Fidelidade



O regresso da misantropia cool dos Tindersticks com Hungry Saw. Após um período difuso e dedicado a projectos a solo este revela-se como um tempo repleto de múltiplos sentimentos. Em repeat.

* VIDEO * The Art Of Love Making

INDIE LISBOA - PROGRAMA DIA 20



CINE SOLMAR - SALA 1 - 21h30


BOULEVARD L’OCEAN de Céline Novel | Fic., Bélgica/França, 2007, 19´
Prémio RTP2 Onda Curta - Secção Observatório

Também junto ao mar Agathe desafia os seus limites. Em BOULEVARD L´OCÉAN ela passa os seus dias em frente ao mar. E é no vazio dos seus dias que ela descobre algo com que se ocupar: um desporto que exige mais do que as suas capacidades físicas podem proporcionar. Mas isso não é importante para alguém cujo objectivo é quebrar a linha do limite.

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A HERO NEVER DIES de Johnnie To | Fic., Hong Kong, 1998, 98´

Secção Herói Independente/Johnnie To

Dois assassinos, dois patrões, duas companheiras, destinos duplos. Eis o fim do filme de heróis de Hong Kong, o género que John Woo popularizou nos anos 1980. To desconstrói-o com movimento de câmara e cor abstracta, tornando a história do tipo com uma pistola na celebração da estrutura classicamente simétrica. Quando o glacial L. Lai e os chefes dos criminosos rivais do duro cowboy L. Ching-wan formam uma aliança, os dois pistoleiros tornam-se supérfluos. Descobrindo que são um par de avatares de heroísmo individual fora de moda, entre eles o jogo passa a aliança e depois a tragédia. Um manual da habilidade de To para injectar efeito emocional numa peça formalista: cada traição e sacrifício são um soco.


segunda-feira, maio 19

Deliciosas

Sinusites.

Incontinências

Ao menos 1ºs em actividade.

Desculpe, importa-se de repetir?!

"não se criem falsas expectativas no consumidor"
O país do real absurdo.

INDIE LISBOA - PROGRAMA DIA 19



CINE SOLMAR - SALA 1 - 21h30


INTERIOR. BLOCK OF FLATS HALLWAY de Ciprian Alexandrescu | Fic., Roménia, 2007, 16´
Menção Honrosa na Competição Internacional de Curtas-metragens

Baseado numa história real INTERIOR. BLOCK OF FLATS HALLWAY é uma sátira ao mundo em que vivemos. A morte de uma pessoa desencadeia uma série de acontecimentos que acaba por afectar toda a vizinhança.

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OCCIDENT de Cristian Mungiu | Fic., Roménia, 2002, 105´
Secção Herói Independente/O novo cinema romeno

OCCIDENT, primeira obra do realizador de ”4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, é uma envolvente comédia com laivos trágicos. Luci, engenheiro florestal, e a namorada Sorina, educadora infantil, questionam-se sobre o seu futuro depois de serem desalojados da casa que habitavam. Sem terem a quem recorrer, vão até ao cemitério e ficam junto da campa do pai de Sorina na esperança de lhes surgir um sinal que os ajude a decidir o que fazer. Enquanto Luci promete fazer tudo o que estiver ao seu alcance para arranjar um emprego no ramo da publicidade, Sorina acredita que a única solução é saírem da Roménia e emigrarem para a Europa ocidental. Eis senão quando o desejado sinal surge vindo do além e liga as suas vidas à de outras personagens que enfrentam o mesmo tipo de problemas e que também desejam escapar da insegurança que enfrentam numa sociedade pós-comunismo.

sábado, maio 17

Nouvelle Vague



Para dançar sentado.

Reporter X

Arquipélago *

1. Foi apresentado na Ribeira Grande, no passado dia 15 de Abril, o novo Centro de Arte Contemporânea dos Açores – Arquipélago. Projecto dos arquitectos Cristina Guedes e João Mendes Ribeiro (o último, vencedor do Prémio AICA - Associação Internacional de Críticos de Arte 2007), este é um pólo cultural ambicioso e que, na sua essência, pretende contribuir para a requalificação da zona urbana onde se insere e constituir-se como um espaço catalisador, agregador, promotor e, fundamentalmente, formador de públicos para a cultura. A categorização da localização como periférica, na acepção de alguns, é, a meu ver, irrelevante. Isto, porque estamos perante a construção de um novo Centro. O edifício per si apresenta-se como um interessante núcleo arquitectónico e a sua recuperação mais não é do que um duplo contributo para o desenvolvimento da Cultura nas ilhas. Devemos regozijar-nos com esta concretização.

2. Um factor de não concretização do arquipélago como um todo homogéneo reside nos elevados preços das passagens aéreas que todos temos de pagar para circular interilhas e para alcançar o continente (o europeu e o americano). Sendo certo que esses valores não são elevados para uma elite, são-no, sem dúvida, para a grande maioria dos açorianos. Este é um ponto fundamental no chamado “desenvolvimento harmónico” das ilhas, uma concepção algo ingénua e que persiste erroneamente, colocando sérios entraves na captação de investimentos externos e na circulação de bens e serviços. Com o crescente aumento do preço do petróleo nos mercados mundiais é demagógico exigirmos JÁ que se façam as correcções devidas aos preços praticados, até porque os valores são talhados aquando da formalização dos contratos da prestação do serviço público. O meandro das ligações aéreas é denso, sendo certo que a resolução desta complexa operação estará na reconfiguração dos contratos de serviço público, de modo a que este passe, efectivamente, a praticar preços justos a quem reside nas ilhas e que, por via desse constrangimento, incorre em múltiplas desvantagens, as quais apenas ultrapassa pagando uma pesada factura - débito esse que não está disponível a todas as bolsas.

3. Diz que foi espécie de protesto: as comemorações do Dia dos Açores decorreram ontem, em São Jorge. Provavelmente sem sobressaltos, a não ser a Não presença do PDA. Embora não concorde com a génese da recusa, percebo a posição. Não obstante, perderam uma excelente oportunidade de experimentar umas espécies fresquíssimas e feitas para a ocasião.


* edição de 13/05/08 do AO
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*** Imagem X IAC

sexta-feira, maio 16

Trivial Pursuit



Country Joe MacDonald no Festival de Woodstock em 1969. Porque é que há 40 anos a música não servia só para dançar?

quinta-feira, maio 15

Os cavalos também se abatem





Hillary Clinton infligiu 3ª feira uma expressiva goleada a Barack Obama nas primárias do Estado de West Virginia e se é verdade que essa vitória, do ponto de vista da aritmética dos delegados, foi praticamente irrelevante, o mesmo não pode ser dito acerca do seu significado político: 1) contrariou a certidão de óbito que a esmagadora maioria dos media norte-americanos tinha passado à sua candidatura. 2) veio reforçar o argumento da sua elegibilidade nos swing states. 3) consolidou a ideia de ser ela a preferida dos blue collar workers. Muito bem.

O balão de oxigénio, no entanto, só durou 36 horas, pois ontem à noite John Edwards, numa operação cirurgicamente calculada para varrer o Hillary momentum dos noticiários, anunciou num comício em Grand Rapids, Michigan, o seu endorsement à candidatura de Barack Obama. Embora previsível, o apoio de Edwards não é um apoio qualquer. No tempo, no modo e na substância. No tempo, porque além de achatar a vitória de Hillary Clinton em West Virginia, impulsiona a candidatura de Barack Obama para as primárias da próxima semana em Kentucky e Oregon. No modo, porque não foi um mero statement feito aos media, mas sim um discurso político de 15 minutos em ambiente de comício dirigido às prime time news. Na substância, porque John Edwards era até há poucos meses, quando retirou a sua candidatura em Janeiro, o working class hero de uma grande parte do eleitorado que agora apoia Hillary.

Para além daquilo que é evidente - o reforço da candidatura de Obama - este apoio tem outro significado subliminar: John Edwards irá disputar com Hillary Clinton a cadeira da vice-presidência. Vejamos o que os eleitores do Kentucky e Oregon irão dizer sobre isto. Há poucas semanas atrás, no Kentucky Derby, a mais importante corrida de cavalos dos Estados Unidos, um puro-sangue de nome Eight Belles teve de ser morto a tiro após cortar a meta. A referência aos equídeos não é inocente. Esta corrida à Casa Branca cada vez mais me faz lembrar a novela de Horace McCoy, Os cavalos também se abatem. Para quem não gosta de ler, está também disponível em filme. É sobre uma maratona .... de dança.

Memória

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O dia dos Açores, e da Autonomia sob o signo do D.E.S., foi este ano vivido com a paradoxal distinção de determinadas personalidades que sempre foram mais pelo centralismo do que pela nossa Autonomia. A condecoração do General Altino de Magalhães, com a Insígnia Autonómica de Reconhecimento, foi assim um exemplar erro de casting da Assembleia Legislativa que parece ter esquecido que a personalidade em causa foi um símbolo vivo do centralismo do Terreiro do Paço que, efectivamente, passava bem sem os incómodos das Autonomias Regionais. Acresce que, esta comenda, e outras similares, distinguem um Portugal que, não só não era pelas Autonomias, como também não era partidário da Democracia como hoje a conhecemos. O Sr. Comendador Altino de Magalhães, com a cumplicidade de outras personalidades do Conselho da Revolução, foi poder entre nós não pela via legítima do voto popular mas sim por indigitação do poder revolucionário instalado pelo PREC em Lisboa. Foi o equivalente revolucionário e militarizado do Vice-Rei dos tempos coloniais. Um verdadeiro títere de uma deriva totalitária pós 25 de Abril cujo modelo das ditas “democracias populares” não era aquele que os Açorianos queriam. Com a devida ironia o Sr. General Altino de Magalhães está para a Autonomia dos Açores como o Major Otelo Saraiva de Carvalho está para a Democracia em Portugal. Fazer uso do dia dos Açores para distinguir quem por aqui passou em tais circunstâncias não deixa de ser um acto “atípico” numa cerimónia que se destina a homenagear Açorianos de alma e coração, independentemente da circunstância do seu local de nascimento. Como bem nos recorda a quadra de Maria da Graça Câmara “Pra se ser Açoriano / É preciso aqui nascer / Ou então viver a vida / Pra saber aqui morrer.” Mas há quem não tenha aqui nascido, nem aqui viveu a sua vida a favor dos Açores, mas veio aqui receber a extrema investidura de reconhecimento Autonómico quando, se algo lhes era devido, seria por conta da República ! Este episódio deixa também exposto o esquecimento, porventura premeditado, que se quer fazer dos eventos do 6 de Junho de 1975. Que daqui se retire, pelo menos, a conclusão de que a História do 6 de Junho, e do elenco das personalidades envolvidas no Verão Quente Açoriano, está ainda hoje por fazer. Aproveite-se como prólogo dessa História as pesquisas jornalísticas já efectuadas - (designadamente com destaque das peças de Nuno Costa Santos para o Açoriano Oriental, e de Carmo Rodeia para o Diário de Notícias) - e aqueles que ainda por cá andam e são capazes de dar testemunho do passado. A memória é também um bem patrimonial, a preservar e a cuidar, sob pena de extinção.
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicasdigitais do jornaldiario.com

terça-feira, maio 13

O Palácio da Ventura


Antero de Quental

O Palácio da Ventura


Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!

O Senhor Comendador

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A condecoração do Sr. General Altino de Magalhães, com a Insígnia Autonómica de Reconhecimento, enegrece e ofende a memória daqueles que não esquecem as bases fundacionais da nossa Autonomia. O Senhor Comendador, para aqueles poucos cuja memória não se vendeu ou hipotecou, foi nos Açores o ponta-de-lança de um comissariado político que queria ver Portugal conduzido por uma foice e por um martelo. Nos idos desses sinistros anos do PREC e do COPCON o General Altino de Magalhães foi, entre nós, o rosto e a mão dessa deriva totalitária que tomou de assalto o poder em Portugal. Por exemplo: o insigne Comendador foi o responsável pelas prisões ilegais, arbitrárias e revolucionárias, dos alegados organizadores da manifestação do 6 de Junho de 1975 que, como se sabe, despoletou o movimento independentista que abortou em autonomia negociada. Com ligações directas ao COPCON em Lisboa, e com a cumplicidade ignóbil de uns quantos “judas” vermelhos em Ponta Delgada, o Senhor General Altino de Magalhães ordenou, ao bom estilo do camarada Otelo Saraiva de Carvalho, a captura pela calada da noite das cúpulas Açorianas que alegadamente organizaram o 6 de Junho. Os esbirros do Senhor General Altino de Magalhães, pela madrugada de 9 de Junho de 1975, artilhados com armas e munições militares, sem mandado Judicial e sem qualquer acusação formal, invadiram, sob a ameaça de G-3, as casas dos “sediciosos” Açorianos. Estes foram atafulhados num camião e postos a ferros num barco faroleiro partindo para a prisão, por tempo indeterminado, em Angra do Heroísmo. Nunca se apurou se estariam em trânsito para outras praças para a execução da “justiça popular” tão em voga naquele verão quente. Mas, é hoje ponto assente, que o emérito Comendador foi responsável por estas prisões. Sempre alegou em sua defesa que as “detenções” serviram para impor a autoridade do Estado e evitar novas manifestações não autorizadas pelo politburo de Lisboa, do qual era aliás mero agente, mas tal circunstância não o absolve perante a história. É certo que o distinto General Altino Pinto de Magalhães, à data Comandante-Chefe das Forças Armadas nos Açores, não agiu sozinho, pois recebeu em mão a lista das pessoas que deviam ser presas por delito de opinião e de orientação ideológica. Muito se especulou até hoje sobre quem elaborou e entregou essa vil lista. Mas esse é um segredo que o Senhor Comendador nunca quis revelar. Consequentemente, a sua responsabilidade histórica é ainda maior e a imputabilidade pelas perseguições que moveu não pode ser partilhada. Felizmente que tudo isto, e muito mais, são sinais passados de um Portugal prepotente, anti-democrático e com total desrespeito pela liberdade de consciência e de expressão. O Portugal de certos Capitães de Abril com assolapadas paixonetas por personalidades medalhadas pela Internacional Comunista. Felizmente que tudo isto é hoje passado. Infelizmente, a voragem do tempo, e a memória de ocasião, têm branqueado esta gente. Não censuro a iniciativa daqueles que quiseram homenagear o Senhor General Altino de Magalhães pois, em bom rigor, foram coerentes com o seu passado e até com o apoio que lhe prestaram publicamente nas passeatas de sufrágio às prisões revolucionárias nas quais gritaram palavras de ordem contra os “fascistas”. Censuro, e enegrece-me a alma, que esta Comenda de Reconhecimento Autonómico seja atribuída com a cumplicidade do meu partido. O mesmo PSD/Açores que teve como militantes destacados alguns dos presos políticos cuja captura foi assinada pelo Comendador Altino de Magalhães. O voto favorável dos meus companheiros do PSD/Açores a esta distinção honorífica da nossa Autonomia envergonha-me perante a minha memória pessoal e perante o património do meu partido. Ter os deputados do PSD/Açores como provedores desta iniquidade perante a memória de quem serviu com honra e valor os Açores – ( e o PSD/Açores ) - é uma desdita que nem a diplomacia justifica. Se não queriam votar contra esta Comenda que ao menos tivessem a coragem de se absterem. Esse era um imperativo moral perante a memória dos companheiros do PSD/Açores que o agora imaculado Comendador Altino de Magalhães, no passado, atirara para o cárcere por delito de opinião. Afinal nos Açores não falta só oxigénio. Falta também memória.
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post-scriptum na sequência deste post aqui fica com o rigor possível o nome dos homens que foram raptados dos seus lares na noite de 9 de Junho de 1975. Há nomes que valem muito mais do que uma medalha !

Abel da Câmara Carreiro
Aguinaldo da Silva Almeida Carneiro
Álvaro Pereira Branco Moreira
António Brum de Sousa Dourado
António Clemente Pereira da Costa Santos
António José do Amaral
António Manuel Gomes de Menezes
António Nuno Alves da Câmara
Armando Guilherme Goyanes Machado
Bruno Tavares Carreiro
Carlos Eduardo da Silva Melo Bento
Eduardo José Pereira de Almeida Pavão
Fernando Manuel Mont´Alverne de Sequeira
Gualberto Borges Cabral
Gustavo Manuel Soares Palhinha Moura
João Gago da Câmara
João Luís Soares Reis Índio.
João Manuel Furtado Rodrigues
José Joaquim Vaz Monteiro Vasconcelos Franco
José Manuel Duarte Domingues.
José Nuno de Almeida e Sousa
Luís Manuel Duarte Domingues
Luís Maria Duarte Moreira
Luís Octávio dos Reis Índio
Luís dos Reis Índio
Luís Ricardo Vaz Monteiro Vasconcelos Franco
Manuel Oliveira da Ponte
Manuel da Ponte Tavares Brum
Valdemar de Lima Oliveira
Tomaz Faria Caetano
Victor do Carmo Cruz

José Manuel Rodrigues dos Santos.
José Silvério Bispo.
Luis Soares Guiod de Castro.
Paulo Tadeu Mendes Brum Pacheco

segunda-feira, maio 12

Aviso à navegação

Hoje é feriado regional mas nem por isso o site da Alraa faz menção, ao facto, nem em destaque ou como notícia.

Nota de rodapé: o layout merecia outro tratamemto gráfico tendo em conta a instituição que representa.

domingo, maio 11

[no comment]

«(...) A seguir ao 25 de Abril, notou-se um acréscimo do poder político e económico do Porto. Dali vinham os empresários, os exportadores que garantiam a sobrevivência do país, os eleitores que permitiam que a democracia vingasse, a Igreja e a sua reserva moral, as tradições, os grandes caciques locais e as novas iniciativas económicas e empresariais. No Porto, nasciam bancos e grupos económicos. No Norte, trabalhava-se. No Norte, produzia-se. E no Norte cresceu a ideia de que àquela força era necessário acrescentar poder político. Durante uns anos, pareceu que era verdade. Depois, gradualmente, o Norte perdeu. O Porto perdeu. Menos o Futebol Clube do Porto, que ganhou. Até que ponto as vitórias do futebol toldaram o espírito dos seus dirigentes, permitindo-lhes acreditar na sua impunidade e na ideia de que tudo é permitido quando se ganha?»
António Barreto na edição de hoje do Público.

Rui Costa



O adeus aos relvados de um grande jogador.

Amendoim s/ casca

O campeonato já tem um campeão mas o país, esse, anseia pelos verdadeiros campeões.

Contaminação limitada nas Lajes

Um comunicado emitido pelas relações públicas da Força Aérea considera o problema pouco preocupante.
+++ Ruído e desinformação: verdadeiro ou falso?!

quinta-feira, maio 8

Quem cala consente

10 anos de silêncios que agora também são públicos. Para ouvir aqui.

Final Countdown




Quarta-feira de cinzas para Hillary Clinton. Pelas 5 da madrugada, hora local, o Drudge Report, barómetro de todos os political junkies norte-americanos, anunciava oficiosamente Barack Obama como nominee do partido Democrata. Hillary, evidentemente, continua na corrida e não dá o braço a torcer: she’s a working class hero. Creio, contudo, que essa sua heróica perseverança já faz parte de uma estratégia de saída que passa, como disse George Stephanopoulos há momentos na ABC News, por negociar com Obama o seu vice-president ticket na corrida à Casa Branca. Quando isso acontecer – e se isso vier a acontecer – John McCain vai acordar com a boca a saber a cinzas. Aconselho uma Frize com aroma de goiaba.

Post Scriptum: para todos aqueles que acham o processo eleitoral das presidenciais americanas uma estafa mais cruel que o Tour de France, aconselho a refrescante e cristalina transição de poder que decorreu hoje no Kremlin: Putin passou o bastão a Mdvedev, Mdvedev nomeou Putin primeiro-ministro. É fácil, é barato e dá milhões.

eco-escândalo

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O tom catastrofista dos noticiários, que perpassam hecatombes em repetição, agora promete uma crise alimentar de proporções bíblicas. Não admira: andamos a explorar o mundo até ao tutano e depois surpreendemo-nos com a falência da "sustentabilidade" do Planeta Terra. Sinal dessa incúria está, alegadamente, também entre nós com o eco-escândalo da contaminação dos solos da ilha Terceira com os lixos e desperdícios dos nossos "amigos" e "aliados" Americanos. Afinal, por cá, parece que também andaram a explorar até ao tutano as nossas potencialidades "geoestratégicas" sem cuidarem do futuro. A contaminação dos solos da Ilha Terceira, com resíduos de origem militar, é assaz preocupante, e a dimensão deste acidente ambiental é ainda desconhecida. A longo prazo poderemos ter em mãos uma bomba relógio ambiental com repercussões futuras na saúde pública. Contudo, é escandaloso o silêncio das entidades oficiais que não se apresentam a dizer nada de relevante, além da alegação de que desconhecem a dimensão do problema ! Pelo lado dos Estados Unidos o Consulado Americano já condescendeu que os solos em torno da base das Lajes estão contaminados com resíduos tóxicos provenientes dos tanques de fuel militar. Porém, garante a diplomacia do agente poluidor que a contaminação não atingiu os aquíferos da Terceira. Como se não bastasse a natureza do dano ambiental os Norte-Americanos já duvidam da credibilidade dos técnicos Regionais e Nacionais para a despistagem do problema. Logo, como percebe o cidadão comum, há aqui indícios de um sério e grave problema ambiental e de possível afectação da saúde pública. Só se espanta o cidadão comum com o silêncio das autoridades Regionais e Nacionais sobre esta vergonha. Pelo lado de Portugal, designadamente, do Governo Regional esperávamos maior veemência e esclarecimento das populações. Das entidades da República espera-se, no mínimo, uma intervenção Judicial para, em sede de inquérito, investigar se estamos ou não perante um crime de poluição. Nem que seja para fazer accionar o "princípio do poluidor pagador" que a nossa legislação acolhe como remédio para estes danos ambientais. A lei penal Portuguesa é clara na tipificação criminal de acções e omissões, mesmo a título negligente, que afectam "gravemente recursos do subsolo" ; a poluição de "águas ou solos ou a degradação das suas qualidades" ; o prejuízo "de modo duradouro" do bem-estar das pessoas; a inutilização duradoura "de recurso natural"; ou a criação do "perigo de disseminação de substância prejudicial para o corpo ou saúde das pessoas". Ora, é de mediana evidência que os resíduos enterrados nos "quintais" da base das Lajes não serão benéficos para o "corpo ou a saúde" das pessoas. A provar-se todo o alarde que tem sido ventilado pela comunicação social esta nódoa ambiental será de dolorosa remoção, e a negligência do "Uncle Sam" não deve passar impune. Porém, esperar do Direito uma condenação por crime ambiental, com a respectiva indemnização dos lesados, é um acto de fé sem arrimo na peçonhenta realidade terrena.
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicasdigitais do jornaldiario.com

quarta-feira, maio 7

Alta Fidelidade



Gerald Toto, músico versátil de tonalidade cool, é parte integrante da nova formação dos Nouvelle Vague e assegura, em Ponta Delgada, a 1ª parte do espectáculo no Teatro através da promoção do seu novo disco a solo - Kitchenette. A descobrir.

Agente Provocador

O regresso do Agente à Antena 1 com João Nuno Almeida e Sousa, Pedro Arruda e Herberto Quaresma que esta semana convidam Rodrigo Oliveira para uma sessão provocatória q/b.

Oops

Cantor disse hoje que o Estado angolano é gerido por "criminosos"
e
BES demarca-se das declarações de Bob Geldof sobre Angola
e desta forma denuncia a "diferença".

domingo, maio 4

Incontinências

Bancos não dão crédito ao PSD e situação é "muito delicada"
Bancos?! Esse deve ser o menor dos problemas do actual PSD.

coisas realmente importantes

Tem 20 anos, é um dos jovens talentos do futebol nacional, um avançado puro, imaginativo, com garra e uma grande entrega ao jogo. Ontem marcou dois golos à equipa campeã nacional e o segundo é uma verdadeira obra de arte. Fabio Coentrão, jogador do Nacional da Madeira emprestado pelo Benfica. Isto ajuda a perceber o estado a que o Benfica chegou este ano...

sábado, maio 3

"perigo potencial"

Governo vai estudar níveis de poluição nos solos da Base das Lajes
Perante o pré-determinado "perigo potencial" é importante acautelar a saúde das populações e averiguar, exaustivamente, eventuais responsabilidades pelo manuseamento nocivo de produtos perigosos na base das Lajes. Sendo que, e após este episódio, será prudente outro tipo de colaboração e diálogo, com os responsáveis norte-americanos, relativamente, ao destino final dos detritos tóxicos provenientes das Lajes.

quinta-feira, maio 1

Longe da perfeição

«(...) Um PSD respeitável? E eu que pensava que o PSD era um partido ambicioso».
A blasfémia de Pedro Lomba relativamente ao unanimismo em torno da candidatura de Manuela Ferreira Leite à liderança do PPD/PSD.

R.I.P



Ao Carlos Eduardo... Peace!

De que nos serve ?

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A Autonomia, enquanto projecto personalista e de emancipação de um povo a quem se deu a autonomia em troca da independência, deveria servir, sempre e em primeiro lugar, os Açorianos. A nossa Autonomia não se fez para servir os interesses do Continente ou o capital das grandes empresas Nacionais. Nem se fez para servir a plutocracia mancomunada com os poderes regionais e os partidos nacionais. Muito menos se fez para dar lucro a expensas do cidadão comum. Contudo, a nossa Autonomia parece vergada a tais desvios fundacionais. Sinal dessa rota desviante aí está com o monopólio da SATA e da TAP no nosso espaço aéreo fechado à concorrência e à liberalização dos mercados. Tudo isto, como todos nós bem sabemos, à custa dos Açorianos. Nem se diga que a liberalização não é possível! Aqui ao lado, noutra região Autónoma - aquela que as cigarras de luxo do costume cuidaram de colorir no imaginário colectivo como uma república das bananas com um tiranete ao estilo de Bokassa – a liberalização é uma realidade. Nem se diga que o mercado será inundado com companhias low cost de duvidosa operacionalidade. Aqui ao lado, na Madeira de Alberto João Jardim, a nossa SATA e a lusitana TAP, com a anunciada "liberalização" , baixaram os preços para valores que rondam aproximadamente metade dos que são praticados para os Açores. Claro que, para já, a tarifa é promocional e só abrange um lote de 20.000 passes de urbana entre o Funchal e a Metrópole. Porém, é também claro que é um balão de ensaio e uma confissão pública de que afinal é possível praticar tarifários bem abaixo dos valores faustosos que têm vindo a ser tabelados. A liberalização do espaço aéreo entre a Madeira e Cuba…perdão, e o Continente, só foi possível com a bênção do Governo da República mas contou, por certo, com a pressão do Governo Regional. O porta-voz da República aproveitou para a habitual propaganda afirmando que "A decisão governamental de abrir totalmente os céus da Madeira representa o culminar de todo um processo que visa criar melhores condições para a promoção da mobilidade dos madeirenses em todo o território nacional, assegurando simultaneamente que todos os cidadãos nacionais, não residentes na Região tenham mais oportunidades de se deslocar à Madeira.". Como se sabe esta não é a realidade dos Açores e dos Açorianos. Afinal, no mesmo espaço Nacional, há dois pesos e duas medidas. De que nos serve assim uma Autonomia que se serve a si própria e aos seus usuários em prejuízo de cada Açoriano? De que nos serve?
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João Nuno Almeida e Sousa nas crónicasdigitais do jornaldiario.com